Maxiverso

Crítica: Jurassic World

Jurassic World

Direção: Colin Trevorrow

Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Vicent D’Onofrio, Ty Simpkis, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, Bd Wong e Irrfan Khan

Mais de vinte anos depois, finalmente voltamos à ilha Nublar para acompanhar a luta pela sobrevivência diante de Dinossauros famintos em seguir seus próprios instintos, apesar da insistente intromissão humana em suas naturezas . E mesmo mostrando a estrutura que segue apenas como álibi para correria de seus envolvidos, situações previsíveis (mas ousadas), Jurassic World consegue quebrar de maneira positivas as expectativas e criticar a própria indústria de entretenimento em boas sequências sem perder sua própria essência baseada no livro de Michael Crichton. Inicialmente, Jurassic World se apresenta como quisesse de desligar do passado com seu discurso e visual Hightech, onde a simples lembrança do ocorrido no mesmo parque 22 anos atrás é assunto proibido – como o fato de um dos personagens surgir sempre cena usando uma camiseta como o logotipo do filme original e sendo repreendido imediatamente. Contudo, aos poucos vamos sendo remetidos a diversas referências visuais ao longa de 93, assim com os próprios personagens que seguem a mesma premissa de Jurassic Park – o que de certa maneira foi um acerto, depois de dois longas irregulares (Jurrasic Park: Mundo Perdido e Jurassic Park III).

Tais personagens mesmo que não sendo o foco das atenções, não destoam do contexto que a série ajudou a padronizar. Temos dois irmãos Gray (Simpikis) e Zach (Robinson) que se apesar das diferenças de idade se completam no relacionamento, temos a executiva Claire (Howard), o milionário sentimental e “humano” (Khan), os vilões em busca de embriões (D’Onofrio e BD Wong que atuou no filme de 93) e o herói Owen, vivido pelo sempre seguro e carismático Chris Pratt. Assim, o roteiro consegue acrescentar detalhes na construção de cada um, principalmente Claire que aos poucos vai perdendo aquela personalidade padrão de uma mulher dedicada ao trabalho, sem vida pessoal e que vai sendo desconstruída de maneira divertida, assumindo seu viés de heroína ao lado de Owen sem cair no ridículo.

Jurassic World não é um exercício de adivinhação e de surpresas, pois obviamente desde primeiro minuto sabemos o que ocorrerá, mas ao vermos finalmente o parque em pleno funcionamento pela primeira vez, convenhamos ser uma situação interessante. Pois ao adentrarmos os portões do complexo através com um belo plano idêntico ao usado por Spielberg, vislumbrarmos todas as atrações como sempre imaginamos que pudessem ser. Ou quando em determinada sequência, somos levados para o local do clímax do longa original, como direitos a objetos em cenas que facilmente o público irá reconhecer – um exercício nostálgico e respeitoso que funcionou bem, sem que passe a ideia de apenas usa-los como este fim (mesmo sendo). Outro grande mérito é justamente as rimas e metáforas criadas pelo longa : uma Disneylândia  altamente tecnológica com pessoas do mundo todo (inclusive brasileiros), mas que devido à ganância de seus realizadores interessados em atender ao público com atrações “Com mais dentes e mais legais” criam um Dinossauro geneticamente alterado e com inteligência e força acima da média (uma criatura que metaforicamente que como os humanos caçam por prazer e não somente por sobrevivência). Humanos este que como bem disse um dos diálogos “confundem relacionamento com controle” ao julgar nossa superioridade de espécie.

E as críticas são ratificadas pelo o fato do público sadicamente tirar fotos e não questionam a violência daquele ecossistema alterado,e  assim quando vemos pela primeira vez um das criaturas sendo alimentadas; também estamos vemos um público sedento por grandes produções cinematográficas sem respeitar sua natureza da arte que ali se esconde. Um público cada vez mais “exigente” que se acostumou com dinossauros (leia-se violência), restando aos seus realizadores forneceram mais e mais produtos que atendam seus desejos sem se preocuparem com as consequências. Tal lógica é emblemática quando o público do parque sofre um ataque com claras referências ao 11/9, onde em um exercício metalinguístico vemos que em um dos Cinemas Imax do parque a atração é justamente um filme sobre as criaturas que os atacam. Assim a abordagem destes elementos se encaixa perfeitamente no tom criado pelo diretor Colin Trevorrow que não apenas são peças de sua critica, mas essenciais para que o público compre a ideia de maneira clara.

Para tornar tudo ainda mais crível a direção de artes faz um trabalho criativo com um parque encravado nas montanhas, com pontes suspensa dentro de árvores, lojas de souvenir e até um espaço para crianças aprenderem a montar pequenos tricerátopos com fossem pôneis. Contudo, o maior destaque é mesmo a atração ao estilo Sea World e suas arquibancadas retráteis para melhor visualização do gigantesco dinossauro aquático sendo treinando como as famosas e torturadas baleias de Orlando que simbolicamente usa um tubarão (denunciando a tal quebra da cadeia alimentar) como alimento. Como não poderiam faltar, temos os Velociraptors, que nos filmes anteriores eram uma atração a parte e agora de certa maneira adestrados, são peças importantes na trama, onde são bem usados de maneira funcional até servindo como peso dramático na narrativa. Ratificando que o diretor Colin Trevorrow consegue mesmo que de maneira maniqueísta, sensibilizar a crueldade da “condição humana” retratada no comportamento dos Dinossauros como na cena que acompanhamos o sofrimento de um deles e na personalidade adquirida dos próprios Velociraptor.

Em seu clímax,  o roteiro e direção apresentam resoluções criativas e ousadas (recheadas de mais referencias visuais), onde temos metaforicamente, a arte em estado bruto contra a inovação e crueldade do homem rendendo uma eloquente sequência em que ciente que o público já compreendeu sua abordagem, não se esconde atrás da discrição e não poupa as ferramentas disponíveis para empolgar o espectador.

Nota 4/5

Avaliação
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RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Jurassic World

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, ainda jovem, certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

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