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X-Men: Quadrinhos recomendados

Já assistiu X-Men: Apocalipse? Leu a crítica do Maxiverso? Então ok, podemos continuar…

ciclope X-Men: Quadrinhos recomendadosNão sei vocês, mas sempre me pego querendo ler algum quadrinho dos X-Men depois de assistir alguma adaptação em outras mídias, seja um filme ou uma animação. O problema, a meu ver, está no universo complicado que os diversos profissionais que roteirizaram X-Men criaram. Mundos paralelos, universos alternativos, mortes e ressurreições, a utilização desenfreada da Fênix Negra quando um megaevento é necessário: todos esses fatores influenciaram negativamente e de certa forma afastaram novos leitores.

Não me entendam mal… Não estou dizendo que X-Men não possui um público cativo ou que é desorganizado (aliás, corrigindo: desorganizado é sim), mas as histórias intrincadas e complexas tornam a tarefa de ler um quadrinho dos mutantes bem complicada para um leitor de primeira viagem. Posso usar meu caso como exemplo: assistia o desenho na década de 90 (aquele que passava nas manhãs da Globo), e me interessei muito pela história. Ao tentar ler algum quadrinho, me vi completamente perdido. Achava que a história seria similar com a apresentada pelo desenho – e, obviamente, isso não aconteceu. Mas eu era um jovem inocente na época, sem a vivência necessária para entender que quadrinhos e suas respectivas adaptações podem ser (e na maioria dos casos são) bem diferentes.

Alguns anos depois, assisti X-Men: Evolution. Novamente, me vi envolvido pela trama e procurei me inteirar do universo apresentado nos quadrinhos – apenas para descobrir que existiam vários universos para me inteirar. Voltei a desistir e me vi nessa mesma situação outras vezes, quando assistia as adaptações cinematográficas produzidas pela Fox. Após me frustrar diversas vezes, finalmente compreendi: apesar de X-Men ter suas histórias em quadrinhos fundamentais, eu não precisava lê-las e compreendê-las por completo. Primeiro, que a origem dos mutantes já foi contada inúmeras vezes (isso quando não criam novas origens para eles). Segundo, o que eu queria era ter acesso a uma história que não tivesse as mesmas exigências e limitações que um blockbuster hollywoodiano possui, como a centralização da história num protagonista carismático, os bonzinhos vencendo no final e a ruína do vilanesco Magneto. Eu queria uma história que saísse da mente doentia de algum gênio e fosse colocada por completo nas páginas de um encadernado.

emma-frost X-Men: Quadrinhos recomendadosDepois de muito procurar, consegui encontrá-las. Mas, antes de indicá-las para você, é bom lembrar que as HQs fundamentais dos X-Men são relativamente fáceis de encontrar. Vá no sebo mais próximo da sua casa e, provavelmente, encontrará um ou outro formatinho. Se tiver paciência, poderá comprar algum encadernado da Panini ou do selo Salvat, que vira e mexe relançam as histórias clássicas de X-Men. Procure por roteiristas como Len Wein, Chris Claremont ou Grant Morrison. Com um deles em mãos, você com certeza terá acesso a um material mais clássico e, com um pouco de esforço e pesquisa, poderá se inteirar das primeiras histórias dos mutantes.

Note que o título da publicação de hoje é “HQs recomendadas”. Logo, o Maxiverso colocará aqui alguns quadrinhos que indicamos para a nova geração que tem os filmes ou os desenhos como base. Os roteiristas desses quadrinhos são mais contemporâneos e as histórias se passam entre o final dos anos 2000 e o começo dos anos 2010. Tudo bem acessível e próximo da nova realidade imposta pelas adaptações de X-Men.

“Ah, mas tudo que sai dos X-Men atualmente não presta”. Esse tipo de afirmação não acontece só com X-Men, mas com diversos outros heróis ou supergrupos. Sim, nós sabemos que muita coisa ruim tem saído, mas existem boas histórias sendo publicadas nos últimos anos – e são elas que ganham espaço aqui.

Vamos as recomendações?!

Surpreendentes X-Men

surpreendentes-x-men X-Men: Quadrinhos recomendadosRoteirizado por Joss Whedon (diretor dos filmes dos Vingadores e criador de séries como Buffy: A Caça-Vampiros e Angel) e ilustrado por John Cassaday, os Surpreendentes X-Men tiveram sua primeira edição ainda na década de 90, mais especificamente em 95. Duas outras temporadas foram produzidas, uma em 1999 e outra em 2004 (esta de Warren Ellis e Simone Bianchi – artista italiano de renome, utilizamos um de seus trabalhos como imagem de capa da publicação), totalizando vinte e cinco edições.

Joss Whedon dispensa comentários. Além de ser um dos produtores mais criativos de Hollywood, também foi responsável por séries que definiram a maneira de fazer TV nos Estados Unidos. Na década de 90, Sarah Michelle Gellar tinha “o rosto mais conhecido dos Estados Unidos” graças a Buffy. Tudo que Joss Whedon toca ganha um valor especial e diferente. Apesar de estar inserido numa indústria que exige o respeito de certos padrões, Whedon se permite ousar um pouco. Como resultado, temos obras fantásticas e memoráveis, como é o caso de Surpreendentes X-Men.

Falaremos especificamente da segunda temporada do quadrinho, que engloba dos números 7 a 12 e foi lançado no Brasil como Perigoso. Pode ser encontrado na coleção de encadernados da Salvat de capa preta, com número de lombada 37.

Por que justo essa edição ganhou espaço aqui? Além do roteiro e da arte fantástica, vemos pela primeira vez um conflito interno entre a equipe dos X-Men. Você pode até dizer que isso já aconteceu antes, mas reforço que não. A batalha se dá na escola do Professor Xavier, e o inimigo é ninguém mais, ninguém menos que a Sala de Perigo (daí o nome desse quadrinho, Perigoso). Por ter auxiliado no treinamento dos membros da equipe e na vigilância da mansão que sedia a escola, a Sala de Perigo sabe não apenas como combater cada um dos mutantes, como também seus segredos mais íntimos. Podemos ver mais de perto a relação entre Ciclope e Emma Frost, personagem apresentada no cinema em X-Men: Primeira Classe como uma inimiga e posterior aliada de Magneto. Outro relacionamento que ganha destaque é o de Colossus com Kitty Pride. Joss Whedon trata de inserir outras tramas paralelas ao confronto contra a Sala de Perigo, como uma raça alienígena que decide invadir a Terra e matar os X-Men por descobrir que, no futuro, todo seu povo será dizimado por um mutante que faz parte do grupo.

Além disso, temos a presença de uma subdivisão da Shield, E.S.P.A.D.A., que deveria proteger o planeta contra uma investida extraterreste mas, estranhamente, decide auxiliar os alienígenas.

Por que a Sala de Perigo se revolta contra os X-Men? Quais as razões da Shield, apresentada no universo cinematográfico da Marvel e até mesmo nos quadrinhos como a responsável pela segurança nacional, em ajudar numa invasão comandada por alienígenas que almejam matar os X-Men? Todas essas perguntas fazem o leitor avançar rapidamente as páginas, mas acredito que o grande atrativo do quadrinho é a relação entre os X-Men. Podemos conhecer melhor Emma Frost, que foi muito mal representada nos cinemas, bem como Kitty Pride, que se vê numa situação onde é obrigada a lutar mesmo sabendo que sua habilidade não a auxilia num confronto físico. Temos uma noção melhor dos X-Men como uma instituição que recebe mutantes sem perspectivas e perdidos no mundo. Os alunos do instituto tem grande participação na trama e desempenham um papel fundamental na conclusão desta. Joss Whedon é mestre em desenvolver relações interpessoais entre múltiplos personagens (não foi a toa que ele foi escolhido para dirigir o primeiro filme dos Vingadores, onde temos diversos heróis cujas relações devem ser construídas organicamente para serem aceitas pelo público).

Apenas para te convencer a ler Perigoso, segue um trecho proferido pelo ser criado pela Sala de Perigo que resume bem a complexidade dessa trama:

“Eu não sou vocês. Fui projetada para ser ‘não vocês’. Vocês são sólidos. Singulares, separados. E eu era o espaço intermediário. Minha ‘mente’ derramando-se por toda parte. Programas, conexões, laços… Meu ‘corpo’ fluindo, mudando. Lasers sólidos criando texturas, cenários, mundos, tornando-me tudo, mas não sendo nada

Dá pra agradar até os fãs de cyberpunk, hein?

Fabulosos X-Men

fabulosos-x-men X-Men: Quadrinhos recomendadosJá falei do Brian Michael Bendis numa outra publicação, e aqui aparece ele novamente. O cara é, com certeza, um dos melhores roteiristas de quadrinhos dos últimos anos, e tá pra aparecer alguém tão criativo e influente quanto ele na cena contemporânea dos comic books. Ele já encabeçou os quadrinhos dos Vingadores por algum tempo, já participou do Demolidor, roteirizou o quadrinho Alias, que serviu de base para a série da Jessica Jones, dentre outros.

Em Fabulosos X-Men, Bendis é um tanto quanto… intrépido. O escritor parte da premissa de que Ciclope matou Charles Xavier e, por isso, passou a ser caçado pela Shield, por outros mutantes sedentos por vingança e pela população. De bom moço e protagonista correto e justo, Ciclope torna-se um dos personagens mais odiados do universo dos X-Men. Mas será que as coisas são realmente como parecem?

Antes disso tudo, vale lembrar o contexto em que X-Men se encontrava: a Fenix Negra retornou para a Terra e, na busca de um hospedeiro, passou por diversos mutantes. O próprio Ciclope serviu de receptáculo para a entidade, mas ela procurava alguém mais apropriado. Seduzida pela mente avançada de Xavier (muito similar a de Jean Grey, mas infinitamente mais complexa e desenvolvida), a Fenix Negra decide dominá-lo. Será que você já consegue ligar esse fato ao suposto “assassinato” de Xavier? Acredito que sim! 😉

O interessante é que, ao mesmo tempo em que Ciclope passa a ser odiado por uma multidão, muitas pessoas enxergam nele o “rosto da revolução”. É por isso que o primeiro volume do quadrinho chama-se Revolução. Nele, Ciclope se isola com sua equipe enquanto diversos mutantes começam a aparecer pelo mundo. Eram homo sapiens que, de repente, tornaram-se homo superiores. Como os mutantes representam uma ameaça para a Terra após o evento envolvendo a Fenix Negra, todos esses mutantes seriam provavelmente caçados pela Shield e mantidos sob sua tutela. Para contrabalancear isso e consequentemente salvar sua raça, Ciclope decide oferecer uma alternativa a eles e, com isso, fundar um novo grupo de X-Men.

O problema é que, por causa da Fenix Negra, Ciclope perdeu o controle de seus poderes. Não só ele, como todos que tiveram um breve contato com a entidade. Emma Frost, por exemplo, não é mais capaz de controlar por completo seus poderes mentais, e Magneto (que se junta a Ciclope) não consegue mais manipular o magnetismo como antes. Os novos mutantes que ingressam no grupo, porém, estão desenvolvendo suas habilidades e, por isso, mostram um poder absurdo. De certa forma, esses jovens extremamente poderosos, porém completamente perdidos, são guiados por sábios que perderam seus poderes. Testemunhar isso e acompanhar número a número nos quadrinhos é uma baita de uma experiência!

Bendis promove um encontro entre os X-Men com os Vingadores, que encontram na prisão de Ciclope o fim do problema envolvendo a tal “revolução de mutantes”. Paralelo a isso, temos Maria Hill, nova líder da Shield, contando com o auxílio de um personagem que vive mudando de lado visando seus próprios interesses. Consegue imaginar quem é ele?

Novamente, encontro o trunfo de Fabulosos X-Men nas relações interpessoais entre os personagens. Ciclope e Emma Frost não se relacionam mais como amantes, mas precisam ser cúmplices nessa difícil situação, enquanto precisam interagir com novos mutantes que se encontram numa realidade completamente diferente e assustadora. A história criada por Bendis é revigorante e, ao mesmo tempo, saudosista ao se conectar com uma premissa abordada nas primeiras histórias dos X-Men.

Lançado originalmente em 2013, Fabulosos X-Men está sendo publicado atualmente pela Panini em edições especiais. A primeira saiu no começo de 2016, e suas continuações estão confirmadas para este ano, ainda que a Panini não tenha definido uma previsão de lançamento.

Conhece algum outro quadrinho dos X-Men que vale a pena ser lido e não foi citado aqui? Recomenda pra gente aí nos comentários!

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Marcus Colz

Livreiro, gamer, aficcionado por filmes, séries e música, não necessariamente nessa ordem. Fã de black metal que simpatiza com a Katy Perry. Come junk food mais do que deveria e não suporta alho, apesar de não ser um vampiro. Na busca de seu próprio universo, se encontra no Maxiverso.

7 comments

  • Janjão:

    Muito bom o texto… o colega não entendeu, ou não leu, que eram recomendações mais recentes, mas a maioria entende. Que venham mais textos desses, com Liga da Justiça, Vingadores, Younglood e o ‘rexto’ da familia x (X-Factor, X-Force, X-Tudo)…

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      E aí Janjão, tudo bem?

      Obrigado pelo comentário e pelo elogio! Preciso ler mais DC, cara… Logo mais aparece alguma coisa da Liga da Justiça por aqui. Vamo só esperar a DC rebootar o universo deles (de novo, né? haha)

      Continua aparecendo por aqui, ok?

      Abraços!

    • Ciço:

      entendi sim mais naum da pra levar a serio uma lista de leitura sem um classico

  • Ciço:

    mano eu li sim é muito boa foi ua das primeras que abordou a questaum do racismo de forma direta vale a pena recomendar ela

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      Bacana, Ciço. Vou dar uma olhada. Obrigado pela recomendação!

  • Ciço:

    p%$# não recomendou o classico Deus Ama, o Homem Mata!????????????

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      E aí Ciço, tudo bem?

      A ideia da publicação é recomendar histórias mais contemporâneas e próximas da geração que está pegando os filmes da Fox como referência. Pode ver que até cito os quadrinhos clássicos e recomendo obras do Grant Morrison e do Chris Claremont (que, por sinal,é o roteirista do Deus Ama, o Homem Mata).

      Mas e aí, você já leu esse quadrinho, pelo jeito. O que achou dele? Compartilha com a gente! 😉

      Abraços!

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