Crítica: A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache)

Incrível-Jornada-de-Jaqueline Crítica: A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache)A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache)

Direção: Mohamed Hamidi

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Elenco: Fatsah Bouyahmed, Lambert Wilson, Jamel Debbouze, Fehd Benchemsi, Hajar Masdouki e Karina Marimon

Apostando sempre num clima alegre e inocente do seu protagonista, esta inusitada fábula francesa com sotaque Argelino, mesmo não fugindo dos clichês, alcança seu objetivo de deixar o espectador com um sorriso e leveza. Todavia, não vamos fugir de piadas relacionadas ao choque cultural, ao fato da Vaca ter um nome feminino e de ter It’s Rainning Men como fundo musical para arrancar risos da platéia etc…

Fatah (Bouyahmed) é um simples agricultor de um pequeno povoado na Argélia que decide participar da feira agrícola em Paris. Um homem inocente e devotado a esposa e filhas, mas também a sua vaca Jacqueline que trata como parte da família. Assim, através de uma ‘vaquinha’ (desculpe o infame trocadilho, mas foi inevitável) feita pelos habitantes do vilarejo para financiar a viagem, Fatah parte numa jornada a através da França para alcançar seu objetivo.

As referencias são claras, assim imediatamente associamos a caminhada de Fatah as aventuras de Forrest Gump que com sua inocência, cativa e modifica todos aqueles com quem se relaciona. Assim até mesmo as questões amorosas são vistas com um ato infantil e desprovido de culpa da parte dele e que chega até a viralizar nas redes sociais (fora o clássico interpretado por Tom Hanks,  A Incrível Jornada de Jacqueline possui elementos claros de A Vaca e o Prisioneiro de Henri Verneuil e de outro conhecido filme que falarei no final).

O roteiro do diretor Mohamed Hamidi em conjunto com Fatsah Bouyahmed não é algo que podemos dizer ser um primor. O filme possui em sua boa parte uma estrutura episódica como muitas das comédias que fazemos por aqui. Todavia, não passa aquela sensação de que estamos consumindo enquetes com uma frágil ligação entre elas. Mesmo assim, devido sua simplicidade, o filme não ofende por um falta de ambição estética ou contextual. Tanto, que identifiquei em momentos, a preocupação do roteiro de dar uma conotação sobre a questão social e imigratória pela ligação cultural e histórica entre França e Argélia (mas muito superficialmente, diga-se de passagem).

Assim os estereótipos se apresentam sem qualquer preocupação, temos o imigrante (Jamel Debbouze) que se casa com uma francesa para obter o visto e clichê modelo Francês do homem elitizado: rico e polido cuja abordagem da margem para duvidar de sua sexualidade, como vemos no personagem Phillipe (Wilson). Mas obviamente todas as forças do filme se voltam para o ponto de vista de Fatah e sua Vaca. Bouyahmed é extremamente carismático e sua alegria contagiante é a força do filme. Até mesmo nos momentos em que o personagem se encontra em dificuldades, o drama jamais é superado pelo humor e simpatia do ator.

Assim, no seu clímax,  o longa assume sua porção A Pequena Miss Sunshine com mal entendidos, surpresas, aprovação pública e personagens modificados que tiveram ‘Seus corações atravessados’ pela coragem e alegria de Fatah. Portanto, dentro de sua proposta, não poderia refutar sua ambições, mas A Incrível Jornada de Jacqueline é assim: alegre, óbvio, claro, simples, não incomoda e inofensivo. Enfim…

Cotação 3/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, nem tão jovem, diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma! Acredita que a empatia, democracia e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada que estamos vivendo.

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