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451

Resenha: Fahrenheit 451

Título: Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury

Editora: Ballantine Books (no Brasil: Editora Globo)

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Capa da edição da Biblioteca Azul.

Ano: 1953 (no Brasil: 2010)

Páginas: 216

Pra quem leu a boa análise do Ralph sobre o Equilibrium aqui no Maxiverso e curtiu (link para os loucos que ainda não leram: Análise: o Mal Compreendido Equilibrium), vale destacar que este filme provavelmente bebeu muito do livro desta vez: Fahrenheit 451. Para os mais cinéfilos que leitores, o livro de Ray Bradbury também foi alvo de uma adaptação do consagrado cineasta francês, François Truffaut (Fahrenheit 451 (1966)).

Ao livro.

Apesar de ter sido escrito em 1953, este foi o livro mais atual que li este ano. Fahrenheit 451 traz um mundo onde os bombeiros têm o trabalho não de apagar o fogo, mas de começa-lo. O alvo deles? Livros.

O livro conta a história de Montag, um bombeiro que começa a questionar o porquê de as pessoas irem contra a lei e contra a ordem e insistirem em guardar e ler livros. Os livros são tidos como entidades perversas, que separam os homens, colocando-os em pirâmides e magoam as pessoas, fazendo-as se questionarem sobre coisas que nunca conseguirão explicar.

Para todos serem iguais e serem felizes, tornou-se proibido ler. Era a única forma de se agradar a todos, de todos serem felizes.

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Oskar Werner (Montag) e Julie Christie (Clarisse e Linda Montag) na adaptação de François Truffaut (Fahrenheit 451, 1966).

E assim, explicando o desenrolar das coisas, o autor demonstra que quando tudo tenta agradar a todos, as coisas se tornam tão vazias e superficiais que o ser-humano se perde em uma bolha de busca pela felicidade, independente do preço, independente da ilusão que vivem, fazendo-as reféns das televisões – o que hoje talvez mude um pouco.

Quando Montag conhece uma menina peculiar, que indaga as coisas do mundo e o indaga se ele é feliz, ele começa a se perder, afogar-se nessa incerteza; na angústia que muitos trazemos em nós. Ele então começa a ouvir o diabinho atrás da orelha que o manda ler, descobrir o que está nos livros, mesmo com a proibição.

E, com diálogos incríveis e momentos de pensamentos únicos, a história segue com esse plot. Lendo, não tive a certeza de como o mundo ficaria melhor. É um livro que faz pensar muito e refletir sobre tudo que recebemos e tudo que observamos e absorvemos dos outros.

Trechos do livro:

“Os livros são histórias tristes que causam infelicidade àqueles que as leem, e tudo isso desnecessariamente, pois são inventadas, versando sobre pessoas e situações que nunca existiram”

“Os livros trazem de certa forma desigualdade entre os homens, pois instauram um universo de vaidades e arrogância entre eles. Dessa forma os livros são perseguidos, e devem ser banidos da sociedade”

Há todo um questionamento acerca do ser em meio à sociedade no livro e no posfácio do autor também.

Fahrenheit-destaque Resenha: Fahrenheit 451

Quando estão queimando seus livros e você quer ser queimado junto. Bee Duffell (mulher do livro) em Fahrenheit, 1966.

Hoje este assunto (o que o autor aborda no livro) se torna relevante e atual visto que o famoso caso do algoritmo da Netflix que tenta criar modelos para agradar a todos, ou mesmo nos também famosos cortes da Warner e da DC para agradar o público. Tal como refilmagens, resumos, reboots e remakes que almejam não demonstrar alguma coisa, mas apenas entreter e alimentar a sede das pessoas por coisas simples.

Até que ponto iremos se tudo que fazermos for pensado para o público e não uma expressão artística própria? O quão vazio se torna algo quando tenta agradar a todos? Até que ponto há liberdade de expressão? Até que ponto isso é bom?

Estes são questionamentos que surgirão na sua leitura – sei que você lerá!! – de Fahrenheit 451.

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Matheus Mundim

Economista por formação e escritor por insistência. Acreditava que devíamos nos envolver com a ficção, pois as verdades da vida nos levariam à loucura. Enlouqueceu acreditando nisso.

4 comments

  • Matheus di Biagi:

    tem um post aqui que li uma vez e falou do filme… era uma lista de filmes de ficcao antigos acho… falou bem do filme e falou que os bombeiros do livro têm um trocadilho intraduzivel para o portugues, o que é?

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Ah, sim… o trocadilho é com a própria palavra “fireman” (bombeiro, em inglês), que significa, literalmente, homem do fogo, o que faz os personagens crerem que os bombeiros sempre, de fato, colocaram fogo nos livros, pois eram os homens do fogo.

  • Néia Regina:

    fantástico… livro de cabeceira ao lado do 1984 e de Admiravel Mundo Novo e Neuromancer… meu Quarteto Fantastico da literatura hehehehe

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Ainda não li Neuromancer, mas os outros três são excepcionais! Estão fazendo um remake de Admirável Mundo Novo, inclusive.
      Bom ler esses livros para nunca permitirmos que nos tirem a liberdade.

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