Crítica: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)

deepwater_horizon_cartaz Crítica: Horizonte Profundo - Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)

Direção: Peter Berg

Elenco: Mark Wahlberg, Kurt Russell, Gina Rodriguez, James DuMont, Brad Leland, Kate Hudson e John Malkovich

Seria o grave acidente ocorrido no Golfo do México em 2005, que se tornou um dos maiores desastres petrolíferos e ecológicos do mundo – com consequências sentidas até hoje – o grande mote de Horizonte Profundo: Desastre no Golfo dirigido por Peter Berg? Não. Assim, temos basicamente um filme catástrofe onde a abordagem e as consequências do acidente são feitos convencionalmente e não forte o suficiente para “desequilibrar” a narrativa e dar a devida importância para o assunto.

Portanto, ainda estamos diante de um filme de gênero como Poseidon, Inferno na Torre, Aeroporto etc. Não que isso seja um demérito e Horizonte Profundo: Desastre no Golfo não chega a ser exatamente um filme ruim, mas foi uma chance perdida de aprofundar sobre o importante assunto mesmo se tratando de um filme de gênero.

Em 2005 a plataforma Deepwater Horizon explora um grande poço petrolífero no oceano, mas devido a um atraso, a companhia determina que procedimentos importantes sejam acelerados sem que haja consulta prévia de toda a equipe de segurança envolvida. Este é o estopim para a tragédia anunciada e os mesmos conflitos e personagens que estamos sempre revendo. Assim temos Mike Willians (Wahlberg) como o herói tentando se salvar para encontrar a família, o personagem experiente interpretado por Kurt Russel (que é o único a contestar e perceber o perigo), ou aquele em que a experiência é usada como um prova de auto-afirmação pessoal (Gina Rodriguez), etc… Tudo isso com algumas doses de sentimentalismo e de diálogos expositivos em cenas de vida e morte como tantos outros (tanto Wahlberg como Russell  são atores que particularmente gosto de seus trabalhos e aqui não comprometem).

Entretanto, a direção consegue imprimir um ritmo de tensão na narrativa durante bom tempo e não fica no óbvio, principalmente ao apostar em closes, às vezes afastando a câmera para por o espectador na posição dos funcionários ou às vezes com a câmera tremida para agilizar a narrativa. Tudo isso acaba por ajudar a preparar o terreno para as cenas de ação em si e para criarmos uma identificação com aqueles indivíduos que estamos conhecemos (para isso também a direção abusa dos relacionamentos entre os integrantes da plataforma, com diálogos banais, rotinas e interações em geral)

O roteiro de  Matthew Michael Carnahan e Matthew Sand é prosaico, mas sem ser totalmente banal. Insere a questão do relacionamento da empresa BP e os funcionários e a falta de preocupação com os procedimentos e visando o tempo (e bilhões) perdidos com os atrasos nas explorações. Para tal, a presença de John Malkovich é importante por personificar a face do pensamento corporativo que trata as pessoas como peças. Mas é interessante que nunca o personagem se torna um vilão em si, ele apenas é mais uma engrenagem de um sistema que não permite atrasos.

Outro detalhe que me chamou a atenção foi o fato de quererem tentar explicar ao público o processo que causará o acidente (inclusive usando uma demonstração prática com a filha do protagonista) o que soa desnecessário. Pois além de não funcionar em não se tornar claro para o espectador , depois do acidente a informação é praticamente descartada. Enfim, pode ser um exagero meu. A direção tenta também, por momentos, inserir um aspecto crítico com relação ao contexto do acidente e todas as suas consequências. Como o fato de numa determinada cena a bandeira americana ser focada entre o fogo (o que representaria a ganância capitalista), ou como numa outra cena uma ave vira vítima depois de ser encharcada por petróleo (simbolizando a famosa foto que percorreu o mundo).

Mas tudo isso fica em segundo plano, pois o que mais interessa, no entanto é como aqueles personagens vão sobreviver. Neste ponto a direção não compromete, pois consegue criar um cenário de perigo, claustrofóbico e infernal em suas cenas e não tornando tudo tão cansativo ( um grande mérito mas não necessariamente um elogio). Horizonte Profundo: Desastre no Golfo é convencional até o seu fim com as imagens reais da época do acidente e depoimentos dos sobreviventes da tragédia e em se tratando de um assunto tão importante, de consequências catastróficas, o contexto merecia um pouco mais que certa superficialidade, principalmente pelo fato de que, no fim, quem perdeu não foram os culpados.

Cotação 3/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, nem tão jovem, diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma! Acredita que a empatia, democracia e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada que estamos vivendo.

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