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Crítica: Jovens, Loucos e mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!)

Jovens_cartaz-1 Crítica: Jovens, Loucos e mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!)Jovens, loucos e mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!)

Direção: Richard Linklater

Elenco: Blake Jenner, Glen Powell, Tyler Hoechlin, Juston Street, Wyatt Russell, Temple Baker, J. Quinton Johnson, Will Brittain, Ryan Guzman e Zoey Deutch

O diretor Richard Linklater tem uma capacidade enorme de nos trazer as lembranças do passado de maneira tão única que nos sentimos integrantes do universo que ele nos apresenta. Não somos passíveis destas emoções somente por uma questão inventiva do roteiro, mas pelo simples fato que dentro deste cenário de rostos, situações conhecidas e sem exatamente uma trama a ser desenvolvida, o diretor consiga aborda tudo isso com uma narrativa sensível e cativante.

Ao contrário de Boyhood, por exemplo, que apresentava um cenário mais complexo por envolver toda uma família e seus conflitos, este Jovens, loucos e mais Rebeldes (continuação espiritual do filme quase homônimo dirigido por Linklater em 1993) aborda exatamente o último fim de semana de um grupo de jovens jogadores de Beisebol antes de começarem o ano letivo na faculdade no ano de 1980.  Assim, durante este período, o grupo irá aproveitar o máximo este rito de passagem com festas, bebedeiras e claro, conquistas amorosas. Jovens que tende a ver a fronteira de suas vidas exatamente nos momentos que estão vivendo e que agem de maneira irresponsável e tirando sarro de tudo e todos.

Por isso, tal conceito pode causar pouca aceitação de um público mais abrangente, principalmente por alguns não terem presenciado aquela época em sua plenitude e por basear sua narrativa com doses de machismo vindo de homens brancos e héteros – alguns momentos vêm à tona imediatamente a série Porky’s. Rapazes tendo como principal objetivo levar para a cama as meninas que perambulam o campus com curtos shorts (isso sem descartar a esteriótipo com mulheres lutando na lama de lingerie ou como o fato de somente existir um personagem negro em todo o filme, como fizessem como obrigação).

Talvez realmente este seja o grande problema do filme, pois poucas vezes conseguimos nos livrar daquela sensação sexista típicas das comédias dos anos 80 ou até mesmo as atuais (todavia, em nenhum momento o longa trata seus personagens de maneira infantilizada com normalmente acontece hoje em dia e sim como jovens que saíram da adolescência e estão entrando na vida adulta). Contudo, o carisma do elenco e suas caracterizações são suficientemente capazes de criarem empatia e render bons momentos em cenas que não apelam para qualquer gag física. Temos, portanto, o líder Finnigan (Powell extremamente carismático e donos das melhores cenas por seu cinismo inconsequente), o rapaz do interior Beuter (Brittain), McReynolds (Hoechlin) como o sarado narcisista com direito a bigode mexicano , o chapado Willoughby (Russell), etc.Jovens_meio Crítica: Jovens, Loucos e mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!)

Quando o filme traz a única personagem feminina para o centro das atenções, a direção tentar fugir do estereótipo sexista (pena que somente uma) e agrada pelo relacionamento entre o protagonista Jake (Jenner) e a estudante de artes Zoey (Beverly) que acaba rendendo bons momentos pela química do casal. Quando o diretor divide a tela (recurso sempre usada para agilizar a narrativa) na conversa telefônica entre os dois, é inteligentemente belo vermos a reações distintas de cada um: ela com um sorriso e gestos discretos e ele como comemorasse mais uma conquista que, neste caso, não será fugaz.

Interessante também o filme se passar exatamente no ano de 1980, pois serve como o grupo estivesse inaugurando uma década cheia de desafios para os jovens (não sei se isso foi o motivo para que alguns idosos saíssem no meio do filme na sessão que me encontrava) e para tal a trilha sonora é fundamental para criar esta transição da década de 70 e 80 e engrandecer aquele cenário em cenas que se passam dentro de uma discoteca , um bar de música Country e culminando com o então crescente Punk Rock.

Claro que a direção de artes não poderia ficar atrás, pois seria fundamental que funcionasse, assim o design de produção é extremamente evocativa ao nos ambientalizar naquela época, obviamente pelos figurinos e fotografia que exaltam as cores dos figurinos e cenário da época. Contudo, para realçar ainda mais estes quesitos, os detalhes são extremamente importantes, como podemos ver numa cena uma coleção inteira de VHS com todos os episódios de Além da Imaginação (imediatamente nos damos conta e nos lembramos de todo o tempo que passamos gravando nossos programas ou filmes favoritos na TV, antes da internet que conhecemos hoje nascer) e consequentemente exaltando toda a tecnologia da época, como gravadores, toca discos etc…

Mesmo não se tornando uma obra completa do diretor e criando uma própria armadilha na questão de gênero e racial, ainda sim é suficientemente capaz, sincero e competente ao criar um grande poder de identificação com o público com uma atmosfera única.

Cotação 3/5

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Avaliação
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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

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