Maxiverso

Crítica: Mais forte que Bombas (Louder Than Bombs) – Dica Netflix

Mais-Forte-Que-Bombas-Poster Crítica: Mais forte que Bombas (Louder Than Bombs) - Dica NetflixMais forte que Bombas (Louder Than Bombs)

Direção: Joachim Trier

Elenco: Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Isabelle Hupert, Devin Druid, Amy Ryan e Ruby Jerins

A vida é feita de escolhas, entretanto é de um simplório e inocente egoísmo não admitirmos que uma escolha não seja o início de outras tantas que teremos nas nossas vidas  e que atingirá diretamente aqueles que nos cercam.

Seria justo abrir mão (ou não) de uma vida profissional por outra pessoa? Quais a conseqüências dos nosso atos? Assim este Mais forte que Bombas tenta não apenas nos mostrar, mas sentir de maneira abstrata, algumas questões e conflitos familiares, erros que cometemos e o amadurecimento em geral.

O diretor Joachim Trier, transforma este Mais Forte que Bombas em um drama intimista com ecos de Árvore da Vida e Boyhood, onde os relacionamentos são vistos como complementos e metáforas para suas vidas. Claro que seria muita presunção querer atingir toda a complexidade visual de Terrence Malick, mas mesmo assim o jovem diretor Norueguês consegue um belo trabalho, assim com feito em seu filme anterior Oslo, 31 Agosto, que também tratava de escolhas.

Após um acidente que vitimou a fotógrafa Isabelle Reed (Hupert), sua família retoma temporariamente o convívio entre si para discutirem as dores e pensamentos sobre o legado pessoal e profissional dela e seus próprios conflitos. Gene Reed (Byrne) é um professor do ensino médio que tenta a todo custo melhorar o relacionamento com o filho caçula Conrad (Druid) que se mostra um adolescente como qualquer um: inseguro, egoísta e com autoestima baixa causada pela súbita depressão, aumentando sua antissociabilidade ao mesmo tempo em que sofre com um amor platônico.

Enquanto isso o filho mais velho Jonah (Eisenberg) sofre com um relacionamento sem amor com sua esposa que acabou de ter a filha do casal, e um relacionamento mal resolvido com a ex, que ainda lhe tem grande carinho e afinidade. Gene, por ser o patriarca, seria a “ponta final” do processo, onde além de ter que conviver com a dor da perda, é aquele que talvez mais sofra com as escolhas e erros da esposa no passado. Trata-se de um indivíduo que durante anos sofreu com o medo da perda da esposa pela profissão de risco dela e o fato de ter que abrir mão de certas ambições em prol da família ao mesmo tempo em que tenta manter a memória da esposa viva com seu trabalho.

O relacionamento entre pai e filhos, tendo a presença física ou não da mãe, é tão bem construída que acaba se tornando algo homogêneo, onde cada relacionamento é um reflexo direto do outro, tido como exemplo a ser seguido (ou não), dependendo das escolhas de cada indivíduo. Assim as ações dos personagens a tornam algo cíclico.

A montagem é um dos grandes destaques do filme por se manter fluída e orgânica durante todo do tempo, indo e voltando em momentos distintos sem jamais causar incômodo ao espectador. Principalmente se levarmos em consideração que, mesmo devido à ausência da figura da mãe, a direção fez um belo trabalho de edição ao inserir sua figura sem prejudicar em nada a narrativa do filme.

Cada arco é bem construído como vemos na sequência em que o jovem Conrad expurga seu medo que as suas idealizações amorosas não podem ser tidas com um fim, independente do que acontecer. A cena é esteticamente linda, onde o jovem acompanhado da amada vai aos poucos amadurecendo com a manhã de uma nova vida que vai surgindo.

Um dos grandes exemplos da presença de Isabelle e suas influências são vistos no simbolismo das suas fotos enquanto trabalhava em zona de conflitos, fotos que tiradas do contexto (como todas as fotografias),  mudam completamente de sentido, criando assim a própria metáfora para as vidas que ali estão sendo representadas. Metáfora esta que a direção da a entender que a própria Isabelle que, caso não fosse o acidente, faria uma importante escolha pessoal.

É elogiável a direção tentar conferir profundidade em todas as cenas e momentos, como podemos conferir na sequência do acidente que, mesmo com violência do impacto, a câmera lenta tenta criar este clima contemplativo de acordo com o restante do filme. Ou na bela cena inicial, um gesto delicado das mãos de um bebê cria a rima  no final, numa bela sequência onírica de vida e morte.

Mais Forte que Bombas é um belo exemplo contemplativo dos relacionamentos familiares e consegue passar longe de qualquer superficialidade. Até porque nenhum relacionamento é óbvio ou superficial. 

Cotação 4/5

Mais-Forte-Que-Bombas-final Crítica: Mais forte que Bombas (Louder Than Bombs) - Dica Netflix

Avaliação
The following two tabs change content below.
RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Mais forte que Bombas (Louder Than Bombs) - Dica Netflix

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, ainda jovem, certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.
RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Mais forte que Bombas (Louder Than Bombs) - Dica Netflix

Latest posts by Rodrigo Rodrigues (see all)

leave a reply

Contate-nos

Contate-nos por email ou nos procure nas redes sociais

soleblog.brasil@gmail.com

  • Top 7 personagens icônicos de séries
  • Top 7 Filmes diferentes do convencional
  • Top 7 Maiores Compositores de Trilhas Sonoras do Cinema
  • Top 7 robôs mais importantes da ficção II
Back to Top