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CINEMACríticasCrítica: La La Land – Cantando Estações
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Crítica: La La Land – Cantando Estações

La-La-Land_cartaz Crítica: La La Land - Cantando EstaçõesLa La Land – Cantando Estações

DireçãoDamien Chazelle

ElencoEmma Stone, Ryan Gosling, J.K. Simmons, Rosemarie DeWitt, Callie Hernandez, Claudine Claudio  e Jessica Rothe

Desde seus primórdios o Cinema jamais deixou de usar a metalinguagem para falar de suas próprias origens, tal como abrir espaço para discutir a própria arte e a indústria cinematográfica em si. Exemplos são inúmeros, desde Assim Estava Escrito até Boogie Nights, passando por Mapa para as Estrelas, O ArtistaBirdman e, claro, aquele que mais se contextualiza no momento: Cantando na Chuva. Podemos citar também Marujos do Amor, Casablanca e outros clássicos que marcaram a história do cinema, como Juventude Transviada. 

Sendo apenas o seu terceiro longa, e depois do surpreendente e inesquecível Whiplash: Em Busca da Perfeição, o diretor Damien Chazelle entrega com La La Land – Cantando Estações uma obra reverencial, exageradamente contextualizada, com visual estilizado e nada discreto narrativamente falando. Mas isso é ruim? Pelo contrário! Mesmo apresentando um gênero que poderia causar desinteresse do espectador (“será que o público vai se interessar?”), o diretor confere – além de uma capacidade técnica de encher os olhos, ajudado pelo carisma do casal de protagonista e números musicais que fluem de maneira orgânica – uma obra que vai além de qualquer estereótipo e que agradará qualquer espectador, fã ou não de musicais (tanto que os diálogos não são cantados, o que ajuda no alcance do filme).

A direção  não economiza em nada nos movimentos de câmera, passando desde o plano sequência inicial (mesmo belo, aqui parece mais chamar mais a atenção para a capacidade da direção do que propriamente servir ao filme), como nos longos planos nas cenas musicais e travellings, como visto numa cena ocorrida dentro da piscina que deixaria Baz lLuhrmann com inveja. Como também a direção abusa de fade outs (tela escurecendo) e cenas que vão se fechando através da iluminação durante um momento em que a cena exige uma dose maior de emoção, como podemos comprovar no momento em que Mia conhece Sebastian, na qual a luz passa do bar para focar na personagem, repetindo a qualidade intrínseca no contexto do filme.

Mia (Stone) trabalha numa lanchonete dentro de um grande estúdio de cinema, sonha em construir uma carreira de atriz, mas devido aos insucessos, vai aos poucos desistindo até conhecer o também sonhador Sebastian (Gosling), um pianista que vive da arte, tocando em bares em que sequer notam sua presença e criando o conflito entre a arte e a necessidade de sustentar-se, mas sem perder a essência. Os dois aos poucos vão construindo o relacionamento, ao mesmo tempo em que tentam alcançar a fama e sucesso. Mesmo com o velho arco romântico e dramático dos mais comuns, o filme não se esconde ao admitir o seu contexto através dos próprios diálogos (que poderiam soar como clichês hollywoodianos). Contudo, é mais do que contextualizado e qualquer exagero da direção deverá ser visto como intencional e sem jamais cair no caricato. Inclusive que apesar desta narrativa ser bem característica, o longa não deixa de contemplar o silêncio e usá-lo ao seu favor, quando Sebastian vacila ao tocar um nota de seu piano, ao mesmo tempo em que uma gama de emoções vem a tona.

LaLaLand_Meio Crítica: La La Land - Cantando Estações

Dividindo sua estrutura de acordo com as estações do ano, o roteiro do próprio diretor constrói-se não apenas por uma simples divisão, mas sim para atender o arco dramático dos personagens no terceiro ato. Roteiro este que consegue consolidar vertentes de origens distintas (música e cinema), que se completam e, ao mesmo tempo, cria uma identidade própria, atualizando seu contexto para lembrar que trata de homenagem a um gênero datado – assim nada mais interessante que uma das cenas de dança seja interrompida por um celular que acaba sendo um alívio cômico eficaz. Alias, é notável que o humor de La la land não seja usado apenas como um subterfúgio. Há um cuidado ao inseri-lo, não somente tornado as cenas orgânicas como extremamente eficazes, como podemos comprovar na hilária cena em que Mia surpreende Sebastian tocando músicas dos anos 80, ou no uso da buzina do carro dele.

Emma Stone e Ryan Goslin estão fantásticos e são os grandes responsáveis pela identificação com o filme. Intensos e percorrendo do drama ao humor de maneira convincente desde seus segundo iniciais, a química entre eles é fundamental. Ademais, a direção consegue transformar o relacionamento deles em algo mais fabulesco em seu início e que, aos poucos, é inserido os conflitos comuns aos relacionamentos, além das mudanças de sonhos, com tão bem disse Mia. É visível o belo trabalho e os treinos a que eles se submeteram, resultando nos números de dança que conseguem homenagear os famosos musicais das décadas de 30 e 40, sem exatamente soarem como cópia, como, por exemplo, homenageando Fred Astaire e Ginger Rogers (Sob os Céus dos Tópicos). Tanto que me arrisco a dizer também que a cena em que Sebastian e Mia dançam numa seqüência onírica é uma clara referência à famosa cena entre Gene Kelly e Cyd Charisse, de Cantando na Chuva.

O design de produção, assim como toda a narrativa, também não economiza na discrição ao usar vários elementos em cena para construir o cenário em que vive Mia, por exemplo.  Como o fato da atriz sempre cercada de elementos que mencionam o cinema, como os quadros e pinturas de celebridades, além de trabalhar em frente ao cenário em que foi gravada uma cena com Humphrey Bogart em Casablanca. Também é emblemática a sequência que se passa no observatório, numa referencia à uma cena de James Dean, em Juventude Transviada.

Para completar este mosaico, a fotografia de Linus Sandgren não poupa os espectadores de cores fortes, às vezes dando uma multifacetada nas mesmas cenas. Podemos vislumbrar isso através do apartamento de Mia, visto que quase sempre se mantém na cor vermelha (o que indica ser um local de paixão) e o azul que se tornou a cor da personagem também tem grande significado. Portanto, nada mais belo dentro desta narrativa ao constatarmos no clímax o significado desta cor ao dominar o local em que Sebastian se apresenta, indicando assim, o total domínio de Mia sobre aquela atmosfera. Assim, o longa foge de arcos dramáticos previsíveis ou óbvios e para isso usa em sua conclusão uma linda sequência poética que poderia soar forçada ou descabida, mas que acaba se tornando dramaticamente bela e extremamente eficaz. Empolgante, romântico, La La Land – Cantando Estações é cativante o suficiente para imaginarmos que certas coisas na vida e na arte, apesar de tudo, jamais serão esquecidas.

 Cotação 5/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo crescido com as produções dos anos 80. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada de hoje.
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