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Crítica: Thor: Ragnarok

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Direção: Taika Waititi

Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett,  Mark Ruffalo, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Benedict Cumberbatch, Idris Elba e Anthony Hopkins.

Se há algo que não podemos acusar o novo filme do Thor é de não assumir e se manter fiel a sua proposta leve, claramente inspirado em Os Guardiões da Galáxia, em que o humor predomina durante as ações dos personagens, remetendo até mesmo a longas que usaram tal contexto em suas terceiras partes como quebra de paradigma dos antecessores, como visto em Superman 3 (1983) de Richard Lester e até mesmo em Uma Noite Alucinante 3 (1993) de Sam Raimi. Características estas que se juntam com o surgimento de personagens de grande importância, mas anteriormente não mencionados e o fato do protagonista provar sua jornada de autodescobrimento sem usar seus poderes conhecidos (algo visto, por exemplo, com Tony Stark sem sua armadura em Homem de Ferro 3 e agora o fato de Thor passar praticamente o longa inteiro sem o uso de seu poderoso martelo). Diverte? Sim. Durante boa parte. Somente isso que importa? Não necessariamente.

Dirigido pelo Neozelandês Taika Waititi (do interessante O que fazemos nas Sombras), Thor: Ragnarok atinge seu objetivo ao soar quase como um filme independente, um especial ou até uma visão particular daquele universo liderado pelo Deus do Trovão interpretado por Chris Hemsworth com seu visual multicolorido e ainda mais absurdo. Tanto que o longa abre com uma breve narração do herói contando como chegou ali, e consequentemente denunciando a intenção de ser um filme sem grandes ligações com os anteriores (ligação esta que mesmo que ocorresse teríamos dificuldade em nos adaptar, por ser uma característica dos filme de super-heróis atualmente de não lembramos exatamente do que aconteceu depois que assistimos).

Devido a uma peça pregada por seu irmão Loki (mais uma) envolvendo Odin (Hopkins), os dois irão enfrentar a vingativa Deusa da Morte, Hela (Blanchett) que pretende destruir Asgard, mas para isso Thor precisará escapar de um planeta e enfrentando seu antigo aliado Hulk (Ruffalo), e os dois ainda contarão com a ajuda da mercenária interpretada por Tessa Thompson. A dinâmica de Bruce Banner/Hulk e Thor acaba funcionando, ao contrário da interação com Loki – que claramente o filme assume a culpa pela falta de desenvolvimento do personagem, já que ele jamais se torna realmente uma ameaça passando os três filmes tentando passar a perna no irmão (inclusive durante um diálogo o próprio filme assume tal posição). Assim é interessante que o personagem Hulk consiga apresentar outras facetas de personalidade (mesmo que limitadas), soando, inclusive diferentemente inusitado ao surgir em cena, por exemplo, adornado de miçangas, seminu  e sendo tratado como idolatria pelo povo do planeta (lembrando que estamos falando de um filme pautado no humor).

O roteiro de Eric Pearson, Craig Kyle e Christopher Yost assume sua veia cômica e independente quando, depois da cena inicial, ficamos nos perguntando o que exatamente está acontecendo a ponto do roteiro se tornar um pouco apressado em apresentar os fatos, o que é feito de maneira abrupta pela direção, como podemos ver no momento da volta de Thor, a discussão com Loki e o rápido retorno à Terra para buscar o paradeiro de Odin (com a participação surpresa de outro herói) – algo que se seguisse a cronologia dos filmes anteriores não aconteceria. A partir deste momento, somos apresentados às ações dos personagens inseridos dentro deste contexto de humor, cujo tempo das piadas são o forte do longa, todavia isso não significa que todas são funcionais. Até porque é preciso entender que dentro de um narrativa cinematográfica, independente de ser um drama ou comédia, o tempo para o espectador sentir a cena é fundamental. Por mais que estejamos falando de um filme pautada por uma narrativa mais frenética, não somos máquinas. Portanto, algumas gags acabam não funcionando e se tornando até mesmo óbvias, como nos momentos em que um personagem derruba sem querer um objeto, ou cai após após ficar bêbado, etc., já outras acabam funcionando bem quando são melhores trabalhadas e usadas de maneira inesperada através dos seus personagens – e neste quesito até mesmo Chris Hemsworth se sai bem nas maiorias das vezes.

Contudo, a presença de Jeff Goldblum é um dos melhores momentos do longa pelo fato do ator cair com uma luva ao contexto do filme com seus conhecidos maneirismos e trejeitos – só faltou o personagem desfilar sem camisa (o que aos 65 anos não teria o impacto desejado pelo ator que normalmente fazia isso em seus filmes antigos, vide A Mosca e Jurassic Park). E os melhores momentos de humor são justamente quando ocorrem na presença do ator ou ao mundo que ele representa, como o fato do personagem fazer um engraçado trocadilho de duplo sentido com Asgard e uma hilária cena ocorrida dentro de sua nave usada por Bruce Banner. E se Goldblum se diverte ao abraçar seu personagem, o mesmo podemos dizer de Cate Blanchett, surgindo belíssima e sempre ameaçadora dentro de uma colada roupa fazendo poses e se entregando inclusive ao contexto do humor, mesmo que suas motivações não se apresentem bem desenvolvidas, principalmente levando em consideração que ela é uma das herdeiras do trono de Asgard e teria condições de apresentar mais elementos dramáticos que propriamente vingança pura e crua.

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O filme, inclusive para engrandecer o contexto cômico, brinca também com esta questão da virilidade em vários momentos e fantasias masculinas. Como o fato do poder de controlar os trovões de Thor ser visto como pequenas faíscas. Ou quando, no reencontro com a Hela, a mesma dizer para Thor que ele é ”Menor do que ela esperava”. Assim como uma personagem surgir em determinado momento dentro de um uniforme justo carregando um enorme arma alimentando um velho fetiche americano. Mas nada mais representativo com relação a questão de gênero quando o protagonista confessa que seu desejo quando criança era ser uma Valquíria (algo que lhe foi negado por ser algo “de menina”).

Visualmente espalhafatoso e carnavalesco, o longa por vezes parece ter saído do universo do O Quinto Elemento de Luc Besson, misturado com Star Wars e, como citado anteriormente, Os Guardiões da Galáxia, como podemos ver na cidade representada como uma grande metrópole de entulhos, cuja arena dos gladiadores funciona como uma distração. Visual este que apresenta a arena de maneira incômoda em determinados momentos pelo efeito digital, principalmente quando as cenas ocorrem com planos mais abertos. Ademais, o longa é permeado de alusões a diversos obras, como podemos ver nas sequência da fuga do povo de Asgard, remetendo visualmente a Senhor dos Anéis e até mesmo fazendo uma clara referência aos Dez Mandamentos – até porque mo contexto do clímax a direção traz uma conotação religiosa inclusive com a presença de um veículo como metáfora à Arca de Noé (Assim como nas cenas em que somos apresentados à cidade planeta é possível identificar uma certa dose do O Sobrevivente estrelado por Schwarzenegger). Tudo isso contando com a trilha sonora a cargo de Mark Mothersbaugh pautada na sonoridade dos igualmente coloridos anos 80, e claro , na clássica Immigrant Song do Led Zeppelin encaixando no enredo com seus versos (“O martelo dos deuses vai guiar, nossos barcos para novas terras para combater a horda, cantar e chorar“).

Adotando a estrutura convencional de várias frentes durante o clímax, Thor: Ragnarok trata seu personagem título como algo completamente diferente dos filmes anteriores. É ruim? não necessariamente, no caso deste personagem especificamente. Pelo contrário, pois o filme atinge seu objetivo sem problema algum e diverte, mas demonstra, mais uma vez, pouca preocupação no desenvolvimento das ações dos personagens de maneira marcante, mesmo que esta nova roupagem possa funcionar em alguns momentos. Inclusive acaba criando um problema: como encaixar este Thor no futuros filmes da franquia? Ou vamos desconsideram tais fatos e retornar ao Thor ”antigo”? Nada que chega a causar uma preocupação , até porque, o nível de exigência nunca foi muito alto. 

Nota 3/5
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Avaliação
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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

2 comments

  • Alejandra:

    finalmente um critico que nao é extremista em termos de Marvel e DC… elogia o que é bom e reclama do que nao é sem se importar com marca, estudio, grife, nome de heroi… parabens

    • Rodrigo Rodrigues
      Rodrigo Rodrigues:

      Alejandra

      Bem Vinda e obrigado pelos elogios.

      Tento sempre pautar por critérios, contextos cinematográficos e históricos. Isso, claro, não significa uma analise fria e distante (pelo menos, tento não ser assim). Assim como é importante quem se define como crítico esteja acima de disputa de editoras de quadrinhos – algo que notamos não ser tão comum. Infelizmente.

      O importante é que você gostou do texto e que possa ter engrandecendo o debate

      Abraço e agradeço novamente os elogios e espero que continua a ler nossos textos.

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