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Galactica_1980

Galactica e além… Parte 2

Confira a primeira parte do artigo especial sobre a série cult sci-fi Battlestar Galactica clicando aqui.

Galactica – 1980 (1980)

Premissa:

Trinta anos depois do início de sua jornada, a astronave de combate Galactica e seu comboio composto por 220 naves chegam finalmente ao mítico planeta Terra, onde a 13ª colônia perdida de Kobol havia se estabelecido. Tudo isso apenas para descobrir uma surpresa nada agradável… Eles chegaram ao planeta no ano de 1980, descobrindo que seu povo não é cientificamente avançado e que o planeta não poderia se defender contra os Cylons nem ajudar a Galactica como originalmente se esperava. Portanto, equipes de guerreiros coloniais são secretamente enviadas ao planeta para trabalharem secretamente com vários membros da comunidade científica, na esperança de promover e melhorar a tecnologia dos humanos no planeta. Na Terra, a força dos coloniais é multiplicada diversas vezes por conta da baixa gravidade do planeta, em comparação com seus planetas de origem. O comandante Adama, entretanto, não se atreve a informar a Terra sobre a ameaça cilônia, já que percebe que os governantes terrestres são sujeitos mesquinhos e apegados ao pouco poder que detêm…

Produção e Cancelamento:

A série original foi cancelada em abril de 1979, e iniciou-se então pelos fãs clubes espalhados pelos EUA (e até por outros países), uma campanha de cartas à redação da emissora ABC. Temendo que ocorresse a mesma coisa que aconteceu uma década antes com o cancelamento do seriado Star Trek (1966-1969), onde houve até uma tentativa de invasão da sede da NBC, os executivos da ABC, montaram um plano de ressuscitar o seriado ou trazer ele em novo formato, mais barato, pois cada episódio de Battlestar Galactica custava mais de U$ 1 milhão na época, uma das mais caras da história televisão até então. Depois de alguma deliberação, eles entraram em contato com o criador original Glen A. Larson para saber como reviver a série, usando alguns formatos modificados e cortando custos altos.

Tanto Larson quanto a emissora acharam que o programa precisava de uma grande mudança de foco para relançá-la como um spin-off, e Larson e Donald P. Bellisario decidiram definir a nova série cinco anos depois de The Hand of God, o último episódio da série original. Isso permitiria que eles eliminassem muitos personagens coadjuvantes que agora eram considerados supérfluos – Coronel Tigh, Athena, Cassiopeia, Boxey, etc. – o que reduziria os custos de produção. Os únicos personagens principais a retornar da série original seriam o Comandante Adama, o Coronel Boomer (substituindo Tigh), Apollo, Starbuck e o Conde Baltar que inclusive teria feito expiação por trair as colônias para os Cylons e era agora presidente do Conselho dos Doze.

Pelo plano original do roteiro apresentado para a nova série, depois de descobrir uma Terra “atual” completamente incapaz de se defender dos Cylons, o Comandante Adama decide apenas partir para o espaço profundo para afastar os Cylons do planeta, mas Baltar sugere usar a tecnologia de viagem no tempo para alterar a história da Terra, de modo que sua tecnologia desenvolver-se-ia mais rapidamente até um nível colonial. O Conselho vota por ignorar esta sugestão, Baltar rouba uma das naves capazes de viajar no tempo e se dirige ao passado da Terra para realizar seu plano de qualquer maneira. Depois de alguma deliberação, Starbuck e Apollo são enviados atrás dele para trazê-lo de volta ou pelo menos desfazer suas mudanças na história. Os episódios contariam com uma nova “missão temporal” toda semana, geralmente com Apollo em algum momento diferente no passado, e Starbuck indo e voltando entre “o agora” e “o antes” para dar informações e suporte à Apollo. A ABC TV aprovou esse argumento e deu a aprovação para desenvolver um piloto para a série.

No entanto, o ator Dirk Benedict (Starbuck na série original) não estava disponível no momento das filmagens. Richard Hatch (Apollo na série original) recebeu um roteiro de Galactica 1980, mas recusou porque não tinha certeza de qual seria sua parte na série agora já que todos os personagens haviam mudado. Foi então decidido mudar a hitória do roteiro novamente com a série ocorrendo trinta anos após o final da série original, e que Boxey seria renomeado como Troy e assumiria o papel de Apollo, enquanto um personagem chamado Tenente Dillon assumiria a parte de Starbuck. O Presidente Baltar foi inteiramente reescrito e o Comandante Xavier ou o Doutor Xavier foi criado para assumir seu papel de vilão. A premissa de estabelecer a série trinta anos depois da série original criou um furo de enredo em que a série original terminou com uma transmissão de vídeo sendo captada pela Galactica a partir do pouso da Apollo 11 na lua, o que significa que a série original teria que ter ocorrido em algum momento depois de 1969 pelo calendário da Terra. Uma viagem de trinta anos significaria que a Frota Colonial não poderia ter alcançado a Terra até a virada do século 21, em vez de 1980! Que falha!!!

Depois que o piloto foi completado, a rede estava insatisfeita com os aspectos de viagem no tempo da história, que pretendiam ser uma premissa contínua em cada episódio, à medida que os coloniais perseguiam Xavier em diferentes períodos da história da Terra. A ABC por fim concordou em pegar a série apenas se o elemento de viagem no tempo fosse descartado. Larson e Bellisario relutantemente concordaram, e a série se concentrou nas tentativas de Troy e Dillon de proteger algumas crianças coloniais na Terra. Mais tarde, Bellisario retornou ao conceito original de viagem no tempo e reutilizou-o como a base de sua série de sucesso dos anos 80: Contra Tempos (Quantum Leap).

Lançado inicialmente em 27 de Janeiro de 1980, o programa foi duramente avaliado por fãs e crítica durante sua exibição. E a ABC então decidiu cancelar de vez a série após apenas 10 episódios (muitos das quais era histórias de várias partes). O episódio final mostrado foi The Return of Starbuck, exibido em 04 de maio de 1980, que contou com uma participação especial de Dirk Benedict da série original. Larson até começou a desenvolver uma sequela para este episódio, mas a série foi cancelada durante a produção do episódio 11, O dia em que sequestraram Cleópatra, que permaneceu inacabado.

Após o cancelamento do programa, um filme intitulado Conquest of the Earth (1981) foi costurado a partir de seções dos três episódios Galactica Discovers Earth e dos dois episódios The Night the Cylons Landed. Uma cena de John Colicos como Baltar também foi unida neste lançamento. A última filmagem foi tirada de um episódio da série original (Baltar não aparece em nenhum episódio da Galactica de 1980) e é parcialmente copiada, de modo a tornar o discurso relevante para a nova situação da Galactica. Várias cenas iniciais envolvendo Adama e Dr. Zee também são parcialmente dubladas, para adicionar mais detalhes e explicar por que dois atores aparecem representando o papel do Dr. Zee. O filme foi lançado em cinemas na Europa, Nova Zelândia e Austrália e em home vídeo em outros lugares.

Ordem dos episódios na exibição original de TV:

“Galactica Discovers Earth, Part I”

“Galactica Discovers Earth, Part II”

“Galactica Discovers Earth, Part III”

“The Super Scouts, Part I”

“The Super Scouts, Part II”

“Spaceball”

“The Night the Cylons Landed, Part I”

“The Night the Cylons Landed, Part II”

“Space Croppers”

“The Return of Starbuck”

Esta série, ao contrário da primeira, não deixou saudades. Muitos fãs não consideram como uma continuação definitiva da série original.

Galactica e os projetos paralelos para o cinema

Desde o cancelamento do seriado Galactica – Astronave de combate e seu spin-off sofrível, Galactica 1980, havia o desejo do criador e produtor Glen A. Larson de produzir um filme para os cinemas ao longo dos anos. Havia problemas de direitos que pertenciam a rede de TV ABC (seriado) e a Universal Studios (filmes de cinema). Por volta de 1999, junto com o produtor Todd Moyer (Wing Commander), Larson tentou produzir um filme para o cinema baseado na nave de batalha Pegasus.

Em meio a isto, também havia um projeto embrionário de uma nova série que o ator Richard Hatch (Apollo), chamado Galactica: The Second Coming de tentar continuar a história a partir do filme do seriado original mas desconsiderando o Galactica 1980. Hatch, inclusive em 1999, montou do próprio bolso um trailer de sua ideia para a série, tendo inclusive a participação de alguns atores originais. Em verdade, Hatch e Larson, tinham opiniões diferentes e passaram a disputar os diretos da franquia.

Em 2001, uma surpresa: Bryan Singer e Tom deSanto, respectivamente diretor e produtor dos filmes dos X-Men para o cinema, anunciaram que estariam produzindo para a TV uma nova minissérie baseada em Battlestar Galactica, continuando a história 25 anos depois da original com a inclusão de vários atores originais da série. O ator Richard Hatch, chegou a postar em seu site oficial uma declaração dizendo-se feliz com a escolha e pedindo a todos que deem espaço aos novos produtores. Larson preferiu não dar opiniões, pois sua ideia ainda era levar a franquia para o cinema. Este projeto chegou a entrar em desenvolvimento através dos canais a cabo USA TV e Fox Channel. Sets de filmagem começaram a ser construídos para início das filmagens, agendada para novembro de 2001 e lançamento foi marcado para maio de 2002. Só que vieram os ataques de 11 de setembro aos EUA e pouco depois Bryan Singer teve que desistir do projeto para focar nas filmagens de X-Men 2. Assim, o projeto morreu… até então.

Em 2002, a Universal Pictures (detentora dos direitos legais de Battlestar Galactica) optou por um remake em vez de uma continuação. David Eick se aproximou de Ronald D. Moore sobre uma nova minissérie Battlestar Galactica de quatro horas para a Universal. Moore desenvolveu a minissérie com Eick, escrevendo os roteiros e atualizando a série antiga, desenvolvendo também uma história de fundo que poderia funcionar para uma série semanal regular, caso a minissérie tivesse sucesso. Ao mesmo tempo, Moore foi abordado pela HBO sobre a execução de uma nova série de televisão, Carnivàle. Enquanto Moore trabalhava no primeiro ano de Carnivàle, Eick cuidava da produção diária da minissérie Battlestar Galactica no Canadá.

A mini Battlestar Galactica foi ao ar em 2003 e se tornou a minissérie mais bem cotada em TV a cabo naquele ano com as melhores notas para qualquer show de ficção científica. Depois que Carnivàle chegou ao fim de sua primeira temporada e o Sci-Fi Channel encomendou uma série semanal de treze episódios de Battlestar Galactica, Moore deixou Carnivàle para assumir um papel de produtor executivo em tempo integral em Battlestar Galactica. Esta série “reboot” de Galactica durou 4 temporadas (2004 a 2009), com dois telefilmes produzidos, Razor (2007) e The Plan (2010), além de vários websódios entre as temporadas. Em 2010, uma nova série spin of chamada Caprica teve 19 episódios antes de ser cancelada. E finalmente em 2012 ainda foi produzida uma série via internet com 12 episódios chamada Battlestar Galactica: Blood & Chrome.

A despeito da nova série do Sci-Fi Channel produzida por Ronald D. Moore, o criador e produtor Glen B. Larson não desistiu da ideia de levar Galactica para o cinema. Mesmo que seu projeto Pegasus, não tenha entrado em produção, Larson tentou de várias formas conseguir os diretos cinematográficos. Em convenções, sempre que perguntado, Larson afirmava que estava por trás de um filme para o cinema. Em 2005, durante a London Film & Comic Con, um membro do site de fãs cylon.org questionou Larson, se haveria possibilidade da série migrar para o cinema. Larson não apenas disse que sim, como também já estava escrevendo o roteiro e prevendo um período de produção dentro de doze a dezoito meses.

Em fevereiro de 2009, o The Hollywood Reporter notificou que a Universal Studios entrou silenciosamente em negociações com Glen A. Larson para escrever e produzir uma versão em tela grande da propriedade que ele criou. O novo filme não teria qualquer conexão com as produções da Sci-Fi Channel e focaria nos personagens clássicos Adama, Starbuck e Baltar. Em agosto de 2009, uma nova atualização do projeto foi notificada pelo The Hollywood Reporter, onde o diretor Bryan Singer foi novamente ligado ao novo projeto de Larson. O novo desenvolvimento envolveria um novo reboot e não uma continuação do que foi feito anteriormente. Os produtores Scott Bernstein e Anikah McLaren da Universal estavam supervisionando este novo projeto Galactica para o estúdio e a primeira versão do roteiro foi escrita por Josh Schwartz, criador de Gossip Girl.

O projeto parece ter entrado no limbo de desenvolvimento. Em 2011 houve uma bomba que pode ter feito com que a Universal tivesse desistido do projeto, motivado por um processo movido pelo próprio Glen A. Larson. Uma denúncia obtida pelo The Hollywood Reporter diz que ele alegou uma fraude de décadas perpetrada por um estúdio que nunca lhe enviou declarações de participação nos lucros, apesar de seus shows faturarem centenas de milhões de dólares. “De fato, à medida que os shows ganham mais dinheiro para a Universal, o déficit da Larson Productions deveria aumentar continuamente”, afirma a denúncia. “É a versão de Hollywood de ser um meeiro.

Mesmo com este processo rolando, em outubro de 2011, o site Deadline, informou que a  Universal Pictures estava fechando um acordo com outro roteirista para o projeto, John Orloff (Band of Brothers). Em setembro de 2012, durante uma entrevista ao site IGN.com, Singer foi perguntado novamente sobre o desenvolvimento do projeto: “Eu estou reescrevendo o roteiro e creio que irá  haver uma relação muito boa entre os universos de Glen Larson e Ron Moore, eu acho!”

glen Galactica e além... Parte 2

Em abril de 2014, a Variety noticiou que o roteirista de Transcendence, Jack Paglen assinou contrato para escrever o roteiro. Paglen também estava envolvido com a sequência Prometheus, de Ridley Scott, para a Fox, que iniciaria a produção aquele outono. Glen A. Larson ainda estava ligado a produção, mas ao que parece, Singer já não estava mais envolvido… então veio nova bomba: em 17 de setembro de 2014, Glen A. Larson faleceu devido a um câncer no esôfago!

A Universal pode ter “se livrado” de Larson, mas sem ele, talvez as coisas poderiam fluir melhor. Em fevereiro de 2016, menos de dois anos após seu falecimento, a Variety informou que a Universal anunciou uma nova equipe para desenvolver o projeto do zero novamente. Michael De Luca (Cinquenta Tons de Cinza), Scott Stuber (Ted 2) e Dylan Clark (Planeta dos Macacos) assinaram para serem os produtores. A equipe ganhou novos nomes em junho de 2016, com a entrada de  Lisa Joy (Westworld) para escrever novo roteiro e Francis Lawrence (Jogos Vorazes) foi convidado para ser o diretor.

O projeto na Universal tenta correr como uma nova prioridade. A ideia é bater de frente com Star Wars que agora pertence a Disney. Em fevereiro de 2018, o diretor Lawrence foi questionado sobre o projeto e confirmou a participação: “Sim, estou trabalhando nisso, é algo que estou desenvolvendo. Estou trabalhando nisso com Lisa Joy, que é uma das criadoras de Westworld. A série original foi, na verdade, um dos primeiros sets que já visitei. Lembro-me de ser uma criança e adorar esse show, e eles estavam filmando perto da minha casa e minha mãe me levou lá e eu consegui experimentar um capacete de Cylon. Nós somos todos fãs de ambas as séries (antiga e nova), então definitivamente haverá referências visuais, mas para que valha a pena fazer para nós, temos que ter nossa própria opinião sobre isso. Sem entrar em detalhes demais, há um tipo de assunto temático para torná-lo relevante hoje. O que torna algo interessante é se há uma relevância para o mundo em que vivemos agora”.

Em 7 de fevereiro de 2017, o ator Richard Hatch faleceu aos 72 anos de câncer pancreático.

O projeto segue ainda sem datas confirmadas para a produção e lançamento do filme.

Mas Galactica continua… e retorna com sucesso inesperado. Aguardem a terceira e última parte desse artigo!!!

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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

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