Predador: Criadores originais entram com processo contra Disney

O clássico Predador (1987), estrelado pelo astro do cinema de ação dos anos 80, Arnold Schwarzenegger, foi um grande sucesso de bilheterias da Twenty Century Fox, e mostrava um esquadrão de elite americana, que após enfrentarem terroristas nas selvas da América Central, se viam às voltas com uma criatura guerreira alienígena, que os estavam caçando.

Com uma produção razoável, e efeitos especiais e principalmente de maquiagem bastante críveis, o filme surpreendeu e virou um fenômeno pop, muito por conta do visual da criatura e seu objetivo, ambas as coisas totalmente inovadoras para a época.

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Esta história inicial roteirizada pelos irmãos Jim Thomas e John Thomas gerou uma franquia lucrativa, mas que ao longo dos anos mostrou que a qualidade de seus filmes não foi exatamente as mil maravilhas que os fãs esperavam.

O filme de 1987 levou a uma continuação menor, Predador 2 – A Caçada Continua (1990), ambientada nos subúrbios de Los Angeles e estrelado por Danny Glover (Máquina Mortífera), novamente com a batuta dos irmãos Thomas, os roteiristas originais.

Veio então Predadores (2010), com a produção de Robert Rodriguez, e estrelado por um grande elenco encabeçado por Adrien Brody, Alice Braga, Danny Trejo , Lawrence Fishborne e Topher Grace. O ambiente da batalha é mudado para um planeta qualquer, onde varias pessoas de diferentes lugares da Terra são caçadas por vários predadores. Neste filme, os irmãos Thomas não estão envolvidos no roteiro, que foi creditados para Alex Litvak, Michael Finch.

Predadores deveria gerar uma continuação mostrando os sobreviventes tentando escapar da nave que eles saíram do filme anterior, mas a Fox achou que o filme não teria rendido o suficiente e esta continuação foi cancelada.

A franquia mesmo assim continuou, com a entrada do diretor e roteirista Shane Black para o filme O Predador (2018), ambientando em vários ambientes urbanos e rurais nos EUA, com um grupo de mercenários e fugitivos em uma verdadeira bagunça contra um predador alienígena.

O filme, uma espécie de reboot, recebeu críticas muito negativas e baixa bilheteria e parecia que finalmente iriam parar a produções… mas eis que a Disney comprou a Twenty Century Fox em 2017 e todas as suas propriedades intelectuais como Predador, Alien, Avatar, Planeta dos Macacos, etc, passou para as mãos da casa do Mickey Mouse…

(Aqui vale destacar dois filmes anteriores à essa fase, onde fizeram um crossover entre as franquias Alien e Predador. O primeiro, AVP, foi lançado em 2004 e se situava cronologicamente após os filmes do Predador já lançados e antes dos filmes do Alien lançados, mas a despeito da ideia original, a realização ficou bem aquém da expectativa. O segundo, AVP: Requiem, foi lançado em 2007 e foi considerado uma “bomba” por crítica e público. Ambos sequer são considerados realmente parte das suas franquias originais, ficando em uma espécie de “limbo” editorial, algo como um mero exercício de curiosidade envolvendo esses personagens.)

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Com a Disney no comando, um quinto filme já entrou em produção, com poucas informações divulgadas sobre o mesmo, sobre os quais sabemos apenas que o projeto chama-se Skulls, e está nas mãos do diretor Dan Trachtenberg, com roteiro de Patrick Aison. Pelas poucas informações vazadas, o filme se passaria no passado, na América do Norte, antes da chegada dos Europeus, com uma protagonista feminina indígena comanche, combatendo um predador alienígena.

A Disney parecia que iria dar mais alguns anos para esta franquia, mas eis que chega a notícia que os criadores originais do Predador, os roteirista do primeiro e segundo filme, Jim Thomas e John Thomas, entraram na justiça contra a grande corporação Disney e Twenty Century (antiga Fox). O processo dos irmãos Thomas seria para parar qualquer produção atual e futura de Predador e recuperar na justiça a franquia para eles.

Segundo o site Hollywood Reporter, os roteirista estão utilizando uma cláusula de rescisão da lei de direitos autorais, que permitem os criadores originais cancelarem as transferências após um determinado período de tempo (geralmente 35 anos). Este prazo de rescisão se encerrou no dia 17 de abril de 2021. Considerando este prazo, vários estúdios enfrentam a perspectiva de perder os direitos de franquia de muitas obras icônicas da década de 1980 – sendo a Disney um deles. É uma verdadeira batalha jurídica.

A dupla afirma que entregou um aviso de rescisão dos direitos autorais de “O Predador” em 2016 – e por quatro anos e meio não ouviram objeções por parte do estúdio.

Em resposta, os irmãos Thomas disseram que enviaram notificações alternativas de rescisão com datas de rescisão efetivas posteriores. Isso não satisfez a Disney. Então os irmãos Thomas agora buscam um alívio declaratório. Mas, poucas horas após o arquivamento dos irmãos Thomas, a divisão da 20th Century da Disney já tinha seu próprio processo pronto para entrar em ação. Na declaração oficial do estúdio:

Embora a lei federal de direitos autorais conceda a certos concessores, como os réus [os irmãos Thomas], direitos de rescisão de direitos autorais, esses direitos só podem ser exercidos de acordo com os requisitos do estatuto, incluindo disposições que delineiam quando avisos de rescisão podem ser entregues e quando o encerramento dos direitos tornam-se efetivos. As notificações dos réus não cumprem com esses requisitos legais e são inválidas por lei”.

A batalha jurídica parece que só está começando. Em junho/2020, o processo foi movido de San Francisco, para Los Angeles, contra os irmãos Thomas, segundo seu advogado. Segundo a juíza que fez a troca de cidades, Los Angeles, foi onde os irmãos Thomas e a Fox haviam feito o acordo inicial em 1986 e é lá que se deve desenrolar o caso. Se tivesse ficado em San Francisco, o processo teria um desenrolar mais rápido, devido aos vários processos acumulados que existem na corte de L.A.

Finalmente foi anunciado que George H. Wu, juiz do Distrito Central dos Estados Unidos da Califórnia, definiu o julgamento do júri para a batalha legal sobre os direitos do Predador para começar no dia 19 de abril de 2022. Então, mais um ano de imbróglios e espera. Lembrando que o caso envolve não apenas os direitos autorais dos 4 filmes já realizados mas também os direitos do futuro Skulls, que será lançado pela Disney e canal HULU.

Importante lembrar que a Disney vem enfrentando bastante problemas com processos jurídicos. Recentemente, o escritor de ficção científica Alan Dean Foster processou a gigante do entretenimento por não receber suas quantias combinadas dos livros das franquias Alien e Star Wars.


[RM-RS – THR / AVP Galaxy]

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9 thoughts on “Predador: Criadores originais entram com processo contra Disney

  1. o que na pratica isso muda no cinema como um todo? se nada, entao é algo so restrito a Predador?

    1. A Disney tem sofrido vários processos recentes, como o escritor Alan Dean Foster (tem o link direito nesta reportagem), este processo dos criadores de Predador, e o processo recente da atriz Scarllet Johansson por questões de divisão da bilheteria e o stream. Parece que junto a ela, outras atrizes poderiam seguir o exemplo…então a Disney está com seu departamento jurídico bastante ocupado.
      A Warner enfrente problemas com o Nolan , pela exibição de TENET no stream junto com o cinema e o Denis Villeneve já chiou com relação ao próximo lançamento de Duna pelo mesmo motivo…Só processos.

    1. Os direitos dos personagens estão vecendo. Hoje o IP é muito importante, I.P. significa traduzindo a palavra “Propriedade Intelectual”, pode ser personagem, uma música, um quadro, uma obra em sim. Várias empresas estão adquirindo IPs, de grandes nomes para ganhar dinheiro em cima, e até investir na bolsa. O artista ficaria com uma porcentagem. No caso da Disney, eles estão monopolizando o máximo de IPs possível com a aquisição da Fox: Planeta dos Macacos, Alien, Avatar, Predador, etc.

  2. tao certos eles… Hollywood faz atores, diretores e produtores milionarios… o resto fica com migalhas

  3. devem mudar a lei… assim como mudam o prazo em que personagens caem em dominio publico la sempre que os personagens da Disney mais antigos como Mickey vao cair no dominio publico

  4. se entendi bem eles tao dando de espertos e forçando uma rescisao retroativa pra terem pra eles os direitos a partir de entao é isso?

    1. Sim, querem os direitos de volta, pois os roteirista estão utilizando uma cláusula de rescisão da lei de direitos autorais, que permitem os criadores originais cancelarem as transferências após um determinado período de tempo (geralmente 35 anos). Este prazo de rescisão se encerrou no dia 17 de abril de 2021. Considerando este prazo, vários estúdios enfrentam a perspectiva de perder os direitos de franquia de muitas obras icônicas da década de 1980 – sendo a Disney um deles. É uma verdadeira batalha jurídica.

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