Resenha: A 5ª Onda

Ficha

Título: A 5ª Onda
Título Original: The 5th Wave
Série: A 5ª Onda
1- A 5ª Onda (2013)
2- O Mar Infinito (2015)
3 – The Last Star (2016 US)
Autor: Rick Yancey
Editora: Fundamento
Páginas: 368

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Sinopse:

Depois da primeira onda, só restou a escuridão.

Depois da segunda onda, somente os que tiveram sorte sobreviveram.

Depois da terceira onda, somente os que não tiveram sorte sobreviveram.

Depois da quarta onda, só há uma regra: não confie em ninguém.

Agora A QUINTA ONDA está começando…

Cassie está sozinha, fugindo dos Outros. Ela vive em uma Terra devastada, onde qualquer pessoa, até mesmo uma criança, pode ser o inimigo. Um inimigo que parece humano, que espreita em todos os lugares, pronto para aniquilar os últimos sobreviventes. Permanecer sozinha é permanecer viva – Cassie acredita nisso até encontrar Evan Walker. Mas será que ela pode confiar nele? Será que ele pode ajudá-la a resgatar o irmão?

Chegou o momento em que Cassie deve escolher entre a esperança ou o desespero, entre enfrentar os Outros ou se render ao seu destino, entre a vida ou a morte. Entre desistir ou lutar!

(Fonte: Editora Fundamento)

Crítica:

O livro começa com um narrador em terceira pessoa, em 1995, dando a entender como era a invasão. É interessante ressaltar a referência utilizada, que nos remete imediatamente para Contatos de 4º Grau (2009). Como se fosse uma prévia do tipo de inimigo que encontraríamos ao longo do livro.

“Alienígenas são tolos” – É assim que Cassie (não de Cassandra ou de Cassidy, mas de Cassiopeia) começa a nos contar sua história. Ela não se refere aos Outros, os alienígenas da história, mas os que inventamos desde que passamos a compreender que os pontos no céu são estrelas e planetas. Os alienígenas que imaginamos, ela fala, eram o tipo de alienígena que gostaríamos que nos atacassem, o tipo que faria a humanidade deixar de lado suas diferenças e se unir. E vencer.

“É como uma barata elaborando um plano para derrotar o sapato que está prestes a esmagá-la”.

Quando ela reflete sobre isto, ela está trabalhando com a frustração a respeito do pai ter errado. O pai que tentou manter a estrutura emocional até o último segundo. E que, no começo, acreditava com força na ideia de que os Outros vieram para ajudar a humanidade.

“Ele cresceu assistindo a Contatos Imediatos, E.T. e Jornada nas Estrelas, e aceitava totalmente a ideia de que os Outros tinham vindo para no libertar de nós mesmos. O fim da fome. O fim das guerras. A erradicação das doenças. A revelação dos segredos do cosmos”.

Quatro meses depois da chegada, entretanto, ele estava morto.

(Nesse trecho admito que pensei com muito carinho n’O Fim da Infância, de Artur C. Clarke – recomendo fortemente a leitura, inclusive, clássicos têm esta alcunha por um bom motivo)

Os primeiros capítulos são, basicamente, o conteúdo do diário de Cassie. Costumamos pensar no passado como algo distinto de nós. Algo que aconteceu à parte de nossa existência. A personagem se divide entre a antiga Cassie, colegial, com uma paixão platônica por Ben Parish, e a Cassie atual, a que mata. Porque a realidade mudou. Neste começo encontramos muitas divagações emocionais, suas reflexões sobre a humanidade e a possibilidade de ela ser a última da espécie. Até que seu caminho se cruza com Evan, que a resgatou no meio da estrada.

Evan Walker, fazendeiro. Moreno alto, bonito e sensual, gente fina, educado e toda aquela gama de atributos que compõem o príncipe encantado perfeito. A parte que incomoda: Superprotetor e manipulador. Em repetidos momentos do livro, ele tenta desarmar os argumentos da personagem, seja usando de charme, seja falando o quanto ela era importante para ele, que ela o salvou, etc.

Cassie, que até então, era uma personagem forte e determinada, fica balançada. Mas essa é a diferença para o relacionamento de Crepúsculo, por exemplo. Ela não orbita em torno de Evan, não deixa que ele tome as decisões por ela, e bate de frente e questiona, sempre que possível – se ele faz rodeios ou pressão emocional já é um outro problema, igualmente grave, mas o importante é que ela não é conivente com a ideia de ocupar um lugar de dama a ser resgatada.

Ela tem um objetivo: resgatar Sams, seu irmãozinho, que foi levado pelo exército. E homem nenhum vai impedi-la disto.
Acho que muito da relação dos dois se deveu à fragilidade física e emocional à qual Cassie estava submetida. A garota de 16 anos que dormia com um rifle na mão e um urso de pelúcia na outra. Depois de tanto tempo de solidão, sem família e ferida, qualquer ato de carinho – por mais que seja um mundo onde é recomendável que não se confie em ninguém – gera algum vínculo emocional. Evan, por sua vez, por mais bonito e misterioso que seja, é solitário, e isto angustia a garota. Que quer afeto, mas se recusa a baixar a guarda.

Acho que é importante ressaltar que tipo de relacionamento é este. Ainda não cheguei a uma conclusão definitiva, mas me incomoda menos do que os tipos apresentados em Crepúsculo ou Cinquenta Tons de Cinza, por exemplo. Relacionamento abusivo é um tema comum em muitas histórias, principalmente as voltadas ao público jovem, e o principal problema dos casos retratados não é o fato, mas a romantização dele. A carga e crença de que a personagem principal vai ser feliz, mesmo sob o domínio de um parceiro que controle todos os seus passos, mesmo que ela não tenha vida ou opinião própria.

A manipulação e carga emocional de Evan são incômodas, e Cassie, em alguns pontos, encontra-se fragilizada o suficiente para se deixar levar. Um pouco depois a racionalidade toma o controle e ela começa a questionar o que ocorre. E isso é o ponto importante. A recusa à submissão é que faz a personagem tão forte e garante sua existência na obra.

“Porque, se eu for a última, então eu sou a Humanidade.
E se essa for a última guerra da Humanidade, então eu sou o campo de batalha”

Partindo para outros momentos, gostei da escrita do autor, e também da história se passar sob o ponto de vista de mais de um personagem, variando inclusive o tipo de narrador, se é em primeira ou terceira pessoa. Com esta alternância é possível, ao longo da trama, acompanhar nas personagens o amadurecimento que as circunstâncias impõem. Entretanto, até pegar a linha de raciocínio, fica um pouco confuso para entender quem está narrando.

É um livro voltado para adolescentes e, como tal, tem momentos de alívio cômico, que são bem vindos, considerando a tensão constante em que o livro nos coloca. As partes de ação são bem escritas, e isto prende a atenção. As personagens, principalmente as femininas, representadas por Cassie, Teacup e Especialista, são fortes e determinadas. Não abaixam a cabeça, e enfrentam o que vier, para atingirem seus objetivos – o que é uma delícia, visto que o cenário de ficção científica nem sempre é gentil para a concepção de personagens femininas.

Finalizando, o livro atende bem o público que foca: adolescentes. A leitura é agradável, as personagens são complexas. Eventualmente a relação amorosa incomoda, mas não é algo que comprometa o livro ou a leitura. É cativante o suficiente para valer um final de semana lendo.

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Estudante, blogueira, preguiçosa, manifestante de gaveta e comilona. Largou a Filosofia e fugiu para a Arquitetura, e, desde então, acha que dormir é luxo.

3 thoughts on “Resenha: A 5ª Onda

  1. Fala Raikka. EU não li o livro e acho que nem vou ler. Só assisti o filme mesmo, e eu esperava bem mais. Achei bem adolescentão mesmo, principalmente nos momentos românticos a la Crepúsculo. Apesar de gostar muito da Chloé Moretz, ficquei decepcionado com o filme, mas a culpa foi minha pois não sabia o público alvo, só tinha visto o trailer mesmo. Enfim, bom pra uma sessão da tarde e só.

  2. boa critica… inclusive a parte do lance abusivo… ainda assim o livro parece muito infantil… e a coincidencia do irmaozim ta justo naquele lugar, justo com aquelas prssoas, é de doer

    1. Oi, Igor, tudo bem? Obrigada por complementar. 🙂
      Nem achei tão infantil não, mas também limitam muitas ações e fala dependendo do público que querem atingir, e esse tenta ir pra linha juvenil. Particularmente achei o segundo livro mais denso, em relação ao primeiro.
      Agora, quanto a localização das pessoas, acredito que eles se dividiam em bases militares de acordo com a região/estado. Por isso não é taaaanta coincidência o fato das pessoas acabarem naqueles lugares.
      De qualquer jeito, vou dar uma olhada mais atenta, com relação ao que você falou. 🙂

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