Resenha: O Perfume (Das Parfum)

Título: Das Parfum (no Brasil: O Perfume)

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Capa de “O Perfume”. Bestbolsos, 2006.

Autor: Patrick Süskind

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Editora: Diogenes (no Brasil: Bestbolso)

Ano: 1985 (no Brasil: 2006)

Páginas: 279

Hoje um clássico da literatura alemã!

O Perfume é um livro para ler em uma sentada. Pequeno e sua leitura flui de uma forma incrível. Você mal vê o tempo passar. Uma pena – um pecado imenso! – Süskind ter escrito tão pouco. Escreveu este romance e mais duas novelas (livros mais curtos) com alguma notoriedade: A Pomba, que é fantástica, e A História do Senhor Sommer, que ainda não tive oportunidade de ler. Mas, bom, se mais livros fossem escritos como ele escreveu estes dois que li, as pessoas leriam mais.

A história começa em Paris, famosa pelos seus perfumes e suas essências. Jean-Baptiste Grenouille, o protagonista (o lado ruim de ler livros de línguas às quais não estamos acostumados são os nomes! Meu Deus!) nasce no lugar mais fétido da cidade, em meio a um mercado de peixes e é prontamente dado como morto e abandonado embaixo de uma mesa, como um aborto tardio. Duas são suas características marcantes: ele consegue distinguir qualquer cheiro, possuindo o melhor olfato do mundo, compreendendo o quão importante é esta característica para tudo; e ele não possui cheiro, o que, no livro, dá ao personagem uma característica de ser maligno por alguns e de uma pessoa que é impossível de se notar pela maioria. É como se uma pessoa que não possui cheiro fosse menos notável que o invisível. O Perfume é todo com referências à perfumaria, ao modo de se fazer as fragrâncias e à importância do cheiro para tudo, eleva esse sentido acima de todos.

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Nascimento de Grenoulli. Cena retirada do filme “Perfume: The Story of a Murderer” (2006).

O personagem é sempre abandonado, deixado de lado, passando de mãos em mãos, pois ninguém o aceitava e ninguém se sentia bem perto dele. Ele trabalhava e trabalhava. Falava pouco; tido como retardado por muitos, e ficava a sentir o cheiro das coisas. Um dia, após pensar que sentia já sentira o cheiro de tudo, Grenouille começa a perceber uma fragrância no ar que o enlouquece, que o fez perder toda a noção: o cheiro de uma doce mulher virgem, que, aparentemente, era a melhor fragrância do universo.  E ele a mata…, e o cheiro some, sem que ele possa guarda-lo. Surge então o maior desejo para Grenouille: encontrar uma forma de tornar aquele cheiro imortal, de tê-lo para si.

E o rapaz começa a trabalhar com perfumes, ajudando um fanfarrão da cidade com suas próprias essências, tornando-o o mais famoso na área. Como um escrevo, ele tampouco levava crédito. Mas para ele, não importava, apenas ficava a recordar o cheiro e aprendendo a manipular as essências.

E um dia ele se vai do lugar, à procura de outras formas de guardar o cheiro, uma forma de manter intacto o cheiro da pessoa – transformar o cheiro intrínseco a alguém em perfume. Muito poético, muito cruel e muito eloquente. E o livro sempre enfoca muito isso, dizendo-nos que quando não se entende a beleza de alguém, quando se deseja apenas contemplar uma pessoa sem que saibamos o porquê, na verdade é apenas o cheiro dela, que não sentimos. Mas Grenouille sente.

Além de perseguir estes novos meios de criar essências – de guardar essências –, o personagem entra também em um grande conflito interno por ele mesmo não possuir cheiro algum. Isso, mais que tudo, o endoidece de vez, levando-o a um asilo no topo de uma montanha.

O fato principal acontece em torno de uma outra ruiva, cujo cheiro era maior e melhor que o de qualquer outra. Grenouille o sente, mas sente também que ele há de crescer e o cultiva, deixando-a viver para aflorar. Ele então prepara todo o terreno para poder se apoderar daquele cheiro, para poder tê-lo para si.

E a pergunta agora é: ele consegue?

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Ben Whishaw em uma ótima atuação como Grenouille. Cena retirada do filme “Perfume: The Story of a Murderer” (2006).

O livro foi adaptado no ano de 2006, sendo nomeado de Perfume: The Story of A Murderer (no Brasil: Perfume: a História de um Assassino). Até sua adaptação era um filme muito desejado pelos diretores e produtores: Tim Burton, Scorsese e Ridley Scott compõem alguns os que tiverem interesse em adaptá-lo. Até mesmo Stanley Kubrick teve seu nome relacionado ao filme. Por fim, Tom Tykwer (Corra, Lola, Corra) o dirigiu. E eu gostei. Uma boa adaptação para uma incrível história.

Há rumores de que uma série sobre o livro está por vir também (The Hollywood Reporter, em inglês: “Perfume” Series to Begin Shoot Nex Year; 2015). Tomara! Será bom ver esta marcante história por uma outra ótica.

No mais, creio que este livro possui um dos finais mais poéticos existentes!

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Matheus Mundim

Economista por formação e escritor por insistência. Acreditava que devíamos nos envolver com a ficção, pois as verdades da vida nos levariam à loucura. Enlouqueceu acreditando nisso.

4 thoughts on “Resenha: O Perfume (Das Parfum)

  1. Como é bom ver um site resenhando Süskind e outros autores pouco presentes nos sites f o d o e s (ou que se acham), como UOL, Terra, etc… e mesmo nos principais blogs literarios é incrivel como so resenham autores americanos e de preferencia os superstars… parabens!!!

    1. Obrigado pelo comentário, Maya! Eu procuro dar um pouco de visibilidade para estes livros que li e nunca consegui esquecer, sem entrar muito em detalhes técnicos e etc, apenas para as pessoas saberem que eles estão aí e são ótimos.
      A literatura ganha com uns livros como esse!
      E se fosse pra eu escrever como alguém, gostaria que fosse o Süskind haha.
      Um abraço!

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