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Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)

Demolidor (Daredevil)

Showrunner: Steven S. Denight.
Elenco: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Toby Leonard Moore, Vondie Curtis-Hall, Bob Gunton, Ayelet Zurer, Rosario Dawson, Vincent D’Onofrio.
Ano: 2015 (primeira temporada).
Episódios: 13 (50 minutos cada, disponibilizados simultaneamente).
Produção:  Marvel Television, ABC Studios, DeKnight Productions e Goddard Textiles.

Quando pensamos no Demolidor além das HQs, o que nos vinha a cabeça até ano passado? Aquele filme triste do Ben Affleck, lançado no começo dos anos 2000. De 2015 até aqui, porém, a Netflix conseguiu realizar um feito digno de nota: apropriar-se de nossos pensamentos quando o assunto é Demolidor em outras mídias. A série produzida pelo serviço de streaming superou todas as expectativas, e conquistou a proeza de ser bem avaliada pelo público e pela crítica.

Mas por quê? Como é que a Netflix colocou o Demolidor no centro das atenções, tirando-o de seu lugar de coadjuvante no universo Marvel?

Descubra a seguir, na segunda parte do nosso Especial Demolidor!

… ah, e se você perdeu a primeira parte, onde falamos sobre os quadrinhos fundamentais do herói, é só clicar aqui, ok?

>>> Aviso: esse texto contém spoilers <<<

Contextualizando.

demolidoor Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)Como todos sabem, o filme do Demolidor foi produzido pela Fox (a mesma responsável pelas adaptações cinematográficas de X-Men, Deadpool – leia nossa crítica! – e o Quarteto Fantástico), após a oficialização da venda dos direitos do herói pela Marvel. Uma cláusula no contrato ressaltava, porém, que a Fox deveria produzir após um período específico um novo filme dos heróis pertencentes ao universo Marvel, caso contrário perderia os direitos sobre eles. Isso explica a produção de películas como X-Men: Primeira Classe e o fiasco que foi o último Quarteto Fantástico, por exemplo. Quanto ao Demolidor, não houve interesse da Fox em dar continuidade à saga do herói no cinema e, em outubro de 2012, os direitos de Matt Murdock e companhia retornaram para as mãos da Marvel.

A Marvel, por sua vez, não sabia exatamente o que fazer com o Demolidor. Como criar outro filme depois do verdadeiro desastre que foi a primeira tentativa da Fox? Cientes da dificuldade de reverter esse cenário, porém convencidos do potencial na história do herói, a Marvel decidiu transformá-lo num produto para TV. A ideia da série foi anunciada pela primeira vez em abril de 2013 pelo presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, e o projeto inicial envolvia a venda de 60 episódios para vários serviços de streaming e canais a cabo. Semanas depois, a Marvel e a Disney confirmaram o projeto envolvendo a Netflix e o desenvolvimento de outras quatro séries além do Demolidor: Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e um derivado que reuniria todos esses personagens num mesmo grupo, Os Defensores.

Fazia sentido, certo? Os Vingadores tiveram um projeto semelhante no cinema, com cada herói tendo seu filme solo para contarem suas respectivas origens. Por que não daria funcionaria também na Netflix, não é?

Pois é, o projeto deu certo… Muito certo. Tanto que Demolidor e Jessica Jones foram renovados para uma segunda temporada, quando a principio a ideia era que cada herói tivesse apenas uma temporada para introduzirem-se no multiverso Marvel.

Se você ainda não pôde assistir a primeira temporada de Demolidor ou se assistiu só no ano passado e se esqueceu de alguma coisa, vamos resolver isso agora! Acompanhe com o Maxiverso a análise da primeira temporada da série, para nos prepararmos de maneira apropriada para a nova temporada que está por vir.

Demolidor – a primeira temporada.

daredevill Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)O ponto interessante no início da série é a confusão para o telespectador. Para quem não leu os quadrinhos, a primeira impressão é a de se deparar com um homem desconhecido, sem pretensões aparentes, que usa um uniforme preto, uma bandana para omitir os olhos que já não enxergam e que possui uma necessidade estranha de combater o crime na região em que mora, a violenta Hell’s Kitchen, em Nova York. Apenas isso.

Advogado de dia, herói a noite, Matt Murdock é o Demolidor. Logo, alguns elementos típicos de uma trama de herói começam a aparecer, como o melhor amigo que desconhece sua real identidade, a donzela em perigo que possui um forte senso de justiça, os inimigos obscuros chefiados por um homem inescrupuloso e personagens dúbios que não se encaixam nem no papel de herói, nem de vilão.

A fórmula é clichê? Numa análise leviana, sim. Mas é só dar tempo à serie para ser gratificado com uma boa surpresa. Demolidor possui profundidade. Os personagem tem suas histórias muito bem construídas, e a série permite que cada um deles as desenvolva no seu devido tempo. Nos primeiros episódios, descobrimos que Matt ficou órfão ainda adolescente, após a morte misteriosa de seu pai. Karen Paige, a donzela em perigo, logo se mostra não tão donzela assim. Munida de seu spray de pimenta, uma língua ferina e uma determinação atípica, ela desafia seus antigos empregadores, uma imobiliária que mostrava sinais de um ato corrupto que desejava esconder a todo custo. Foggy Nelson, o melhor amigo de Matt, tem um humor rápido, descontraído e garante a leveza para a série que, antes do que esperamos, adquire um tom extremamente sombrio e violento.

Nosso herói apanha. Apanha demais. Não, não… ele não apanha demais. Ele apanha pra cacete. Matt é um rapaz esguio e bem treinado, mas não possui super poderes além dos sentidos aguçados. Logo, ele é vulnerável contra uma arma de fogo, ou então contra uma multidão de criminosos que esteja disposta a tirá-lo do mapa. É essa vulnerabilidade que representa um dos trunfos da série: por mais que saibamos que Matt está a salvo, afinal a série sem o protagonista não tem como continuar, temos uma aflição contínua quando o Demolidor se envolve numa batalha.

reidocrime Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)E, falando em batalha, vamos para o outro lado desse confronto? Após conhecer o trio que visa proteger Hell’s Kitchen dentro e fora da lei, vamos a força oposta, o temido Rei do Crime. Wilson Fisk em nada se assemelha ao vilão estereotipado dos quadrinhos. Na série, ele tem suas motivações além da ganância e da sede por poder para se envolver no mundo do crime. Acredita que, com a influência que conquista dia após dia no submundo de Hell’s Kitchen, pode recuperar o bairro que, surpreendentemente, ama mais que tudo. Auxiliado por James Wesley, ajudante que por vezes ultrapassa a barreira do profissionalismo, Wilson Fisk perde parte do seu foco quando conhece Vanessa, uma mulher já madura, porém possuidora de um charme próprio, que trabalha numa galeria de arte.

Vanessa se envolve com Fisk, e fica ao seu lado mesmo depois de descobrir que ele é o Rei do Crime. Por quê? Como é que uma mulher com uma ocupação tão trivial decide continuar ao lado de um mafioso? Bem, a questão aqui é que o trabalho de Vanessa pode ser trivial, mas suas ambições não são.

Por fim, temos a participação do interessantíssimo Ben Ulrich, que representa o lado neutro da série. Ao passo de que não concorda com as diretrizes duvidáveis do Demolidor, também deseja ver Wilson Fisk atrás das grades. Mas Ben Ulrich é apenas um jornalista, e está cada vez mais envolvido em artigos de pouca importância, como a pavimentação de uma nova área da cidade ou a criação de um centro de recreação em Hell’s Kitchen. Seu editor-chefe não permite que ele escreva uma linha sequer sobre Wilson Fisk. Por quê?

Te deixei com vontade de assistir? Se você é um freak que idolatra o quadrinho e torce o nariz para tudo que foge dele, consegui te irritar? Espero que sim, para as duas possibilidades! 😉

Se você pretende assistir a série agora, recomendo que não continue lendo esse artigo, porque agora eu opino sobre o desenvolvimento da primeira temporada. Isso significa que teremos SPOILERS A VISTA!

Análise.

Começo com duas palavras que dispensam comentários: Charlie Cox. Lembro de ter visto algumas fotos do ator logo quando ele foi anunciado como nosso querido Demolidor, e pensei “meh?”. Felizmente, eu não poderia estar mais enganado. Charlie conseguiu entregar um personagem calmo, alheio a tudo que pode tirar qualquer pessoa do sério, sarcástico, porém preocupado com seus amigos, e possuidor de um forte senso de justiça; A morte do pai de Matt, Jack Murdock, abriu espaço para que o garoto encontrasse uma figura paterna num homem misterioso que decide adotá-lo: Stick. Se você já leu os quadrinhos, deve saber muito bem quem é Stick. Se viu apenas a série, sabe que ele é um senhor que, assim como Matt, também é cego, porém luta como ninguém. Você pode até pensar que o Netflix revelou pouco, mas acredite: isso é tudo que você precisa saber sobre ele até o momento.

karenfoggy Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)E o que dizer de Deborah Ann Woll como Karen Paige? Lembro-me da Jessica de True Blood, e logo imaginei: “teremos uma Jessica 2.0 em Demolidor”. Ainda bem que a Deborah me deu uma verdadeira bofetada na cara com sua interpretação sólida e sensível. Karen Paige possui uma preocupação genuína pelos fracos e oprimidos, mas também faz de tudo para sobreviver – e é esse senso de sobrevivência que torna a personagem tão interessante, fazendo-a inclusive assassinar o ajudante do Rei do Crime, Wesley, a fim de proteger-se.

Wilson Fisk e Vanessa formam uma dinâmica interessante. Ele possui poder, mas não passa de um homem perdido com uma raiva oprimida e omitida por uma atitude indiferente a todos que estão em sua volta. Fisk negocia com os russos, com a Yakuza e usa até mesmo um membro do grupo de acionistas de Wall Street para conseguir capital para seu plano: derrubar Hell’s Kitchen e construir o mundo perfeito sobre suas cinzas. Utópico, mortal, porém prático. Uma praticidade que incomoda Demolidor, e o obriga a se opor.

Outra dinâmica que me chamou muito a atenção foi a relação entre Fisk e o próprio Matt Murdock. Eles se encontram pouquíssimas vezes durante os treze episódios da série, sendo a primeira conversa entre eles intermediada por um rádio. Nenhum deles está disposto a recuar para que o outro se expanda, e isso afeta não apenas a segurança de Matt Murdock, como de todas as outras pessoas que estão envolvidas em seu cotidiano. Nisso, incluímos Foggy e Karen, que decide trabalhar na empresa de advocacia de Matt e Foggy após ter sido salva pelo Demolidor.

Para focar ainda mais no lado humano da série, temos Claire Temple, interpretada pela brilhante Rosario Dawson. Além de criar uma personagem carismática, Rosario conseguiu dar um tom fierce a ela; Matt, afinal, não discute com ela. A enfermeira dá umas boas lições de moral no Demolidor enquanto costura seus pontos e engessa seus membros quebrados. Nesse ponto da história, admito que fiquei um pouco confuso. Estava pronto para ver Matt desenvolver uma relação amorosa com Karen, assim como nos quadrinhos, mas o Demolidor termina por se envolver com Claire Temple.

Se eu tivesse esse esquema de “estrelinhas”, Demolidor teria 5/5. Mas como não tenho, contente-se com o seguinte veredito: a série é um must watch! Se você ainda não assistiu, aproveita que o Netflix disponibilizou todos os episódios da primeira temporada para nos relembrar daquilo que precisamos – e até do que não precisamos tanto assim.

Tava vivendo debaixo de uma pedra e ainda não assistiu o trailer da segunda temporada do Demolidor? Dá uma olhada!

É, meus queridos Elektra, Mercenário… Estão tão ansiosos quanto eu? Então não percam a estreia da segunda temporada do Demolidor. É no dia 18, sexta-feira, na Netflix. O serviço de streaming disponibilizará os treze episódios de uma só vez, ou seja… Se prepara para desaparecer da vida pelos próximos dias.

E, de quebra, teremos uma análise completa sobre a segunda temporada na segunda-feira que vem, dia 20/03. Você vai continuar com a gente aqui pelo Maxiverso, não é?

Ah bom! 😉

Avaliação
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MarcusColz-144x144 Especial Demolidor: 1ª temporada do Netflix (análise)

Marcus Colz

Livreiro, gamer, aficcionado por filmes, séries e música, não necessariamente nessa ordem. Fã de black metal que simpatiza com a Katy Perry. Come junk food mais do que deveria e não suporta alho, apesar de não ser um vampiro. Na busca de seu próprio universo, se encontra no Maxiverso.

5 comments

  • JO:

    Puxação de saco da Marvel… ninguem cita Flash ou Arrow

    • Maxiverso
      Maxiverso:

      Jo, reclamar de não ver conteúdo DC em uma postagem Marvel é um tanto quanto sem sentido, não concorda? É evidente que você não verá citações (pelo menos significantes) à DC em um artigo sobre uma narrativa ambientada em um universo diferente. Mas procure em nosso site e você verá muito conteúdo DC, afinal, como qualquer site sério que se preze, não adotamos nenhuma diferenciação entre editoras detentoras de direitos sobre personagens. Aqui, gostamos de todas. 🙂 Aliás, atualmente, estamos com um painel especial de postagens sobre Batman vs Superman em nossa home, confere lá! Abs

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      E aí Jo, tudo bem?

      Todas as citações que aparecem no texto surgiram naturalmente. Logo, não teria como falar sobre Arrow e Flash num artigo sobre o Demolidor, não é? São universos diferentes e não cabe comparar um ao outro num artigo onde o foco é a primeira temporada do Demolidor.

      Como o nosso perfil do Maxiverso recomendou aqui, sugiro que você dê uma olhada em outros artigos do site. DC tem muito espaço aqui também, inclusive soltamos uma review do Batman do Tim Burton no domingo, você assistiu? Se ainda não, recomendo!

      Abraços e obrigado pelo comentário!

  • M Dias:

    Mano parabens por essa materia… eu li na Terça e ela me convenceu a assistir a season 1…

    fui la e poutaa queoo pareooo é bom mesmo e suas impressões foram iguais as minhas… ai ontem fui assistir a season 2 e vi um doido postando comentarios sobre a premiere e achei do caraleooo tanto os comentarios quanto a segunda temporada…

    assisti a segunda completa mas o final me decepcionou um pouco vamos ver seu especial na semana que vem o que você achou

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      Opa, tudo tranquilo por aí, M Dias?

      Que bom que gostou da matéria! Fico muito feliz que ela tenha te deixado curioso sobre a série a ponto de querer assistí-la.

      Realmente, considero uma das melhores séries que já assisti. Nem dá pra considerar uma série de super-herói, porque é muito mais que isso. O cara tem que se preocupar com as contas da empresa de advocacia haha! É fantasia mas muito pé no chão ao mesmo tempo.

      Quanto ao final da segunda temporada, o considerei satisfatório. Acho que vem 3ª temporada por aí!

      Abraços!

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