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CINEMACríticasCrítica: Truman
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Crítica: Truman

Truman_Cartaz Crítica: TrumanTruman

Direção: Cesc Gay

Elenco: Ricardo Darin, Javier Camara, Dolores Fonzi, Eduard Fernandez, Jose Luiz Gomez, Elvira Minguez e Javier Gutierrez.

Demonstração de grandes amizades dentro de uma obra cinematográfica não precisam exatamente passar por atos explícitos de afeto.

Em sua maioria o amor e respeito são percebidos nos gestos e atitudes que fazem parte da nossa jornada e de decisões que afetam diretamente às pessoas ao nosso redor. Jornada esta, que indeferivelmente (de um jeito ou de outro) irá terminar, então seria ideal não caber espaço para rancores e ações extremas.

O ator Julian (Darín), ciente de uma grave enfermidade, conclui que todos seus relacionamentos e encontros poderão ser os últimos a acontecer.

Assim, ao receber a visita de seu grande amigo Tomás, eles repassam um pouco da vida enquanto curtem um breve período juntos ao mesmo tempo que Julian tenta arranjar um novo dono para seu velho cão que dá o nome do filme.

Mesmo que o longa por vezes consiga, com seu humor, suavizar a narrativa, é elogiável que consiga equilibrar tal elemento com o drama pessoal de Julian sem jamais apelar para viradas ou sentimentalismos baratos.

O roteiro do próprio diretor em conjunto com Tomas Aragay acerta em sua construção dos personagens, divulgando pouco do passado deles. Todavia, como um bom roteiro, ele possui premissas que são mais que suficientes para entendermos toda uma gama de sentimentos, relacionamentos e fatos ocorridos em outras épocas.

O relacionamento entre eles é repleto de sinceridade e a palavra amigo é uma constante nos diálogos, recheado por vezes com piadas de cunho sexual demonstrando toda a intimidade entre eles.

Assim, interessante também notar, que a direção dê uma leve cutucada no preconceito alheio, mesmo sem jamais questionar a heterossexualidade deles. Pois ao retratar a intimidade do relacionamento entre Julian e Tomas a direção é hábil em não deixar isso escapar como algo suspeito. Principalmente ao inserir um casal lésbico como possíveis futuras donas de Truman, que poderia facilmente criar um paralelo entre eles.

Todo o trabalho técnico é feito de maneira correta e não tenta chamar a atenção para si, com exceção da trilha sonora que infelizmente, no final do terceiro ato, tenta de maneira artificial forçar o drama ao espectador. Uma vez que já temos certo envolvimento e identificação com o protagonista, qualquer apelo para engradecer tal conceito soa desnecessário.

A direção de artes explora de maneira sutil as paisagens tranquilas e simples dos locais onde passam boa parte da história, principalmente as vistas em Amsterdã, como podemos constatar no pequeno café a beira do rio e sua simplicidade que remete um reconforto sem jamais se esquecer das motivações que trouxeram aqueles personagens até ali.

Tanto que neste momento a fotografia realça a paisagem colorida e florida do local em que se passa a cena para na sequência seguinte mudar para uma palheta fria, denunciando a gravidade do assunto. Mas claro sem tornar isso algo explícito.

Assim, os fatos ocorridos são um complemento do passado, onde a interação entre os atores é fundamental para criar a identificação com seus conflitos. Claro, como todo o peso do filme recai sobre Ricardo Darín, é desnecessário tecer elogios ao ator.

Portanto é válido mencionar a atuação de Javier Cámara como Tomás, além de confidente, se torna uma testemunha de Julian sem que necessariamente o repreenda.

Todo o restante elenco interage entre si maneira simples, sem rancores ou desavenças. Homens e mulheres que tiveram, em algum momento em suas vidas, momentos em comum, sem que este novo contato se torne necessariamente um novo ciclo, mas sim, um fechamento de arcos pessoais baseados em sentimentos adultos (independente de concordarmos ou não), como podemos testemunhar no relacionamento em Tomás e Paula, vivida pela atriz Dolores Fonzi.

Truman é um filme simples em seu formato e narrativa sem que haja necessariamente, como dito antes, um apelo maior para o melodrama. Todavia, isso não o torna menos apreciável para engrandecer aqueles momentos de amizade e afeto. Isso que importa.

Cotação 3/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo crescido com as produções dos anos 80. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada de hoje.
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