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Crítica: Capitão América – Guerra Civil (Captain America – Civil War)

captain-american-civil-war_cartaz Crítica: Capitão América - Guerra Civil (Captain America - Civil War)Capitão América – Guerra Civil

Direção: Anthony Russo e Joe Russo

Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Daniel Brühl, Frank Grillo e Tom Holland

Ciente que possui um entrosamento maior e um projeto feito com paciência ao longo do tempo, a Marvel não vem cometendo os erros que outras franquias se permitem fazer, como visto no recente Batman vs Superman, que claramente sofreu com a mão errônea de Zach Snyder.

Assim, Capitão América – Guerra Civil não se torna somente um dos melhores filmes da Marvel como um dos melhores filmes baseados em HQs desde Cavaleiro das Trevas (entretanto a questão comparativa é obviamente desnecessária, pois como obra cinematográfica a questão deve passar longe de qualquer discussão de fãs de quadrinhos).

Possuindo o ambiente pré-estabelecido e homogêneo dos filmes anteriores, este CW se dá ao luxo de envolver com competências todas as recentes franquias do estúdio, tornando-se uma mistura hipotética de Vingadores 3, Homem de Ferro 4, e claro, Capitão América (fora a apresentação de personagens novos e bom desenvolvimento de terceiros que ainda têm um futuro promissor para o estúdio).

Desenvolvendo o aspecto humano aquém do esperado (isso é bom) é elogiável que a direção tenha investido tanto neste sentido ao mesmo tempo em que não deixa esse aspecto ser suprimido pela ação física, como normalmente poderia acontecer, conforme podemos constatar pelo fato de que no segundo ato do filme boa parte da ação e conflitos pessoais ocorre sem que os personagens estejam uniformizados. Isso demonstra confiança da direção em seguir a linha de raciocínio, com uma guerra de egos e ideologia de uma verdadeira “guerra civil” que passa longe de máscaras.

Iniciado quando a equipe do Capitão América (Evans), composta pela Viúva Negra (Johansson), Falcão (Wilson) e a Feiticeira Escarlate (Olsen) estão no encalço do vilão Brock Rumlow (Grillo), os heróis, no entanto, têm suas ações questionadas pela ONU quando civis são atingidos durante a perseguição.

Mesmo com ‘certo atraso’ (pois precisou de pelo menos três filmes para haver realmente a preocupação com civis), é elogiável a abordagem dos realizadores a questão geopolítica e a necessidade de um planejamento quanto à ação dos heróis.

Ao usarem o argumento da destruição em massa e todos os incidentes diplomáticos que o grupo causou ao invadir países alheios, seria como se adaptássemos para a nossa realidade se o mundo decidisse que o mais poderoso grupo (ou nação) não ficasse invadindo países sem quaisquer responsabilidades. Por exemplo, quem controla a América? Não o capitão, e sim o país.

O embate de ideologias entre Steve Rogers e Tony Stark engrandece tal conceito. Têm-se no primeiro o peso da responsabilidade pelos seus atos mediante aos inocentes e a ciência que a política pode limitar seus atos e torná-los vulneráveis a decisões dos poderosos. Assim temos em Tony Stark (Downey Jr., tendo mais espaço para desenvolver seu personagem) o tecnocrata que deseja se redimir pelos efeitos colaterais que o grupo trouxe durante suas ações.

Com personagens bem entrosados pelo longo tempo juntos, a inserção de novos elementos é bem mais fácil devido a esta engrenagem encaixada. Como o fato do personagem Pantera Negra (Boseman) ser filho de um importante diplomata e sua presença e suas motivações estarem bem contextualizadas, o personagem não surge apenas por existir.

Até que chegamos ao Homem-Aranha (cada vez mais rejuvenescido) e interpretado por Tom Holland. Mesmo surgindo apenas para atender o desejo dos fãs e por não ter uma função importante na história, sua aparição rende um dos melhores momentos do filme com seu humor adolescente e irresponsável, onde não compromete sua participação e cria uma boa premissa para seu futuro no cinema.

A montagem não permite, mesmo com as cenas atravessando vários países, que o público se sinta perdido pela mudança constante de cenários. Até porque estampando de maneira gritante os nomes dos países isso seria quase impossível de que a montagem pudesse ser prejudicada com relação ao posicionamento do público. As sequencias de ação entre os heróis são bem realizadas e cumprem o prometido. Com exceção talvez da sequência da captura inicial em que a câmera trêmula e os cortes por vezes rápidos prejudiquem um pouco (como feito em Os Vingadores), o tão aguardado embate entre os heróis se torna numa das melhores cenas dos últimos tempos no que diz a personagens de HQs.

Todos os elementos em cena estão bem posicionados e a mise en scene da direção ajuda na inserção do espectador em várias frentes, pois conseguimos acompanhar cada duelo sem necessariamente perdemos algum detalhe do que ocorre ao redor. Cada personagem tem seu tempo e espaço bem definidos sem que ação se torne algo banal, como no clímax final que além de violento (por se tratar de heróis que acompanhamos há anos) possui bom simbolismo por demonstrar que a derrota do ‘inimigo’ deve ser de vista de dentro para fora.

Assim também vale elogiar a decisão da direção quanto ao humor tão característico nos filmes anteriores, mas que por vezes infantilizaram certas passagens (como visto em Era de Ultron), mas aqui não servem a este fim. As cenas são pontuais e funcionam por não destoarem do restante do filme, como na cena da apresentação do personagem Homem-Formiga.

Claro que alguns problemas menores surgem, mas sem comprometerem o longa. O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely tenta criar as motivações para atender a carga dramática, mas isso surge de maneira forçada, como o fato da explicação do que aconteceu com os pais de Tony Stark. Assim como um antagonista fraco vivido pelo sempre ótimo Daniel Bruhl, que surge de maneira figurativa. No entanto, suas motivações são inseridas dentro do contexto e com certa dualidade de conflitos internos que a história invoca.

Mas claro que isso não é a grande preocupação do filme. Neste caso o grande vilão não são alienígenas e nem exércitos robóticos, mas a disputa ideológica dentro de um grupo de humanos com superpoderes. Disputa que consegue dividir o publico e pensamentos sem que saibamos quem seja realmente o herói.

Cotação 4/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

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