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Resenha: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Título: A Clockwork Orange (no Brasil: Laranja Mecânica)

imagem Resenha: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Capa da edição especial de 50 anos. Aleph, 2012.

Autor: Anthony Burgess

Editora: Heinemann (no Brasil: Aleph)

Ano: 1962 (no Brasil: 2012)

Páginas: 352

O filme é melhor que o livro. Pronto. Disse.

Algumas vezes me disseram que Stanley Kubrick pegava livros ruins e fazia filmes ótimos. Tenho que concordar com metade dessa sentença, pois os filmes dirigidos por ele são muito bem feitos e acima da média. E devo admitir que Laranja Mecânica sempre foi o meu filme favorito dele, e com lugar garantido no meu top 5.

Após assistir à adaptação, Anthony Burgess disse que Laranja Mecânica foi um livro escrito em três semanas para ganhar dinheiro (na época, ele foi diagnosticado com uma doença grave e queria levantar uma grana para deixar para a esposa) e que se tornou conhecido como a base para um filme que glorifica o sexo e a violência. Ele diz também que essa má interpretação de seu livro o perseguiria até a sua morte e que nunca deveria ter escrito o livro pelo risco desta má interpretação. (O trecho original pode ser lido no site 101 Books: Did Stanley Kubrick Misinterpret A Clockwork Orange?)

E eu, particularmente, acho que sim, o filme diverge do livro em seu cerne. Mas quem liga? Aparentemente só o próprio autor – e de certo mais uma dúzia de pessoas.

Primeiramente, há de se ressaltar que a tradução do livro deve ser glorificada. Já é difícil trazer uma tradução quando o autor fala apenas uma língua, com expressões únicas daquela língua e trocadilhos que não fariam sentido em português. Fábio Fernandes, o tradutor, teve que lidar com uma nova língua, nadsat, que mistura inglês e russo. É legal ver a forma como os personagens falam, sim, mas você tentar imergir num livro ao lê-lo; ter que ficar observando o glossário para saber o que os personagens estão falando é chato.  E se você não faz isso, como tentei, corre o risco de mal interpretar algumas palavras e entender outra coisa das sentenças, como fiz.

Então, sobre as diferenças.

O filme é banhado de um visual que banha os olhos com cores, um cenário muito peculiar, vestes singulares, chapéu de coco e cílios gigantes com nuances de um post punk com um pouco de futurismo. Uma sociedade decadente que vê a violência (ultra-violence) emergir. No filme, isso é do lugar e dos personagens, em si. Alex é um personagem maléfico, com impulsos incontroláveis e uma sede pelo seu sadismo. Ah, e não nos esqueçamos da trilha sonora e da narração com a grande voz de Malcolm McDowell. Quem não sente arrepios com aquela introdução?

Só para recordar!

Enquanto no filme, as características são do personagem, no livro, Anthony Burgess trata esses impulsos como uma característica de uma juventude desenfreada. Uma fase, apenas. Alex, na verdade seria apenas um jovem perturbado na rebeldia de sua adolescência.

clockwork-orange-58TPki-quote Resenha: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Alex tomando um leite que passarinho não bebe. Cena retirada do filme (A Clockwork Orange, 1971).

No mais, é um livro curto que é bom para quem tiver curiosidade ler. Como essa versão que li é uma edição de aniversário, traz muitas imagens, um prefácio do tradutor e um pouco sobre o autor e sua história. Há quem goste de ler isso, há quem não. Se você faz parte do segundo grupo e quiser ler, aconselho que adquira a versão mais simples.

Por fim, acho que há coisas que são feitas para serem lidas, por terem um conteúdo mais filosófico e psicológico, cujos diálogos e a narrativa são deveras importantes, enquanto há histórias cujo visual e o ambiente agregam mais valor; o que seria este caso. Infelizmente para Anthony Burgess, Laranja Mecânica será sempre mais lembrada pelo que o filme do que pelo livro. Na minha opinião, nada mais justo.

Já leram/viram esse clássico? O que acharam? Deixem seus comentários!

Grande abraço!

Avaliação
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AvatarMatheus-150x150 Resenha: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Matheus Mundim

Economista por formação e escritor por insistência. Acreditava que devíamos nos envolver com a ficção, pois as verdades da vida nos levariam à loucura. Enlouqueceu acreditando nisso.

9 comments

  • Dent:

    O livro é bastante fraco em comparação com o filme, concordo, mas ainda assim é um livro bem interessante, eu recomendo a leitura!

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Concordo que seja uma leitura interessante. Uma nova ótica sobre linguagem e dialetos e um clássico distópico. 🙂

  • Milton:

    Cara que resenha excelente, isenta, nao quis fazer media e ja foi abrindo o jogo sobre o filme ser melhor… parabens! Qd li o livro tb achei um saco ter que ir no glosaario mas nao deixo de congratular o autor do livro pela ideia do idioma, algo como a novilingua do Orwell no sentido da criatividade

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Obrigado pela força!
      Sim! É um dialeto muito legal, mas falado, no filme, visualmente, faz mais sentido. É difícil associar as coisas só com palavras. Talvez em uma HQ teria um efeito melhor em minha opinião.
      Legal você citar o Orwell… 1984, por exemplo, já acho que o livro deita no filme haha.
      Abraço!

    • Milton:

      1984 (livro) esta anos luz a frente do filme… sem chance rs… a adaptacao de 1984 me parecia impossivel ate Snyder adaptar Watchmen de forma muito boa, agora ja acho q alguem pode conseguir adaptar 1984 de forma aceitavel diante da qualidade do livro

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Seria muito bom ver uma adaptação dele. A que temos, apesar de ter o John Hurt, que é um cara que eu gosto muito, é muito vazia ao meu ver. Falta prender quem vê, apesar de demonstrar o livro de forma aceitável.

  • Miguel Reale:

    O livro é muito melhor que aquele filme superestimado

    • BB:

      Vc deve estar louco

    • Matheus Mundim
      Matheus Mundim:

      Apenas quis destacar os aspectos sonoro visuais do filme e suas diferenças. Como sempre gostei do filme, talvez tenha sido um pouco viesada a análise haha. Mas achou de boa o dialeto, Miguel?
      Abraço!

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