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CINEMACríticasCrítica: Capitão Fantástico
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Crítica: Capitão Fantástico

Capitao Crítica: Capitão FantásticoCapitão Fantástico

Direção: Matt Ross

Elenco: Viggo Mortensen , George MacKay , Samantha Isler , Nicholas Hamilton , Annalise Basso , Shree Crooks , Charlie Shotwell , Erin Moriarty , Kathryn Hahn , Steve Zahn , Ann Dowd , Missi Pyle e Frank Langella

Capitão Fantástico não somente se torna um tocante e delicado road movie , como um ensaio e alegoria familiar e social com doses de realismo fantástico que não somente encanta durante o desenrolar dos acontecimentos, como nos marca durante um bom tempo depois de assisti-lo.

Ben (Mortensen) vive com seus seis filhos numa propriedade isolada no meio da floresta, cuja rotina inclui rigoroso treinos físicos de autodefesa e sobrevivência na selva. Jovens criados também a base dos livros sobre os mais diversos e complexos temas, passando também longe de qualquer hipocrisia dentro do seu dia a dia (como, por exemplo, achar uma aberração um ser humano nu). Entretanto, depois de receber uma notícia de uma tragédia na família, Ben e os filhos partem numa jornada de descobrimento recheada de humor e conflitos (remetendo obviamente A Pequena Miss Sunshine,  pela sua temática e narrativa).

Sempre também deixando espaço para as discussões, tanto política quanto ideológicas, o roteiro do próprio diretor expõe bem os conflitos fazendo – novamente – uma alegoria para os dias atuais. Assim ao comemorar o ”Dia de Noam Chomsky” em vez do natal, Ben é confrontado por um dos filhos que desejaria uma ”comemoração normal” como todo mundo em vez de louvar o filósofo e ativista político conhecido por sua posição socialista libertária (me vem imediatamente à mente um comentário na internet que hoje, no Brasil, a pessoa ofende um Noam Chomsky, mas aplaude um Alexandre Frota sendo convocado pelo ministro da educação).

Claro que a questão aqui não é defender algo incomum, mas sim o fato de que as pessoas às vezes defendem algo sem realmente saberem o que estão fazendo. Como podemos exemplificar pelo fato do filho do meio não conseguir defender seu desejo neste “duelo” entre Jesus x Chomsky. Assim como são louváveis que eles nunca fiquem presos as convenções sociais impostas por uma sociedade doente e cheia de preconceitos. São eles realmente os esquisitos? Não é mais que plausível e contundente o fato de que a palavra ”interessante” ser proibida de ser dita pelos filhos em prol de uma explicação completa e analítica sobre determinado assunto, como visto na cena em que a filha mais velha está lendo Lolita de Nabokov? Ou podemos considerar normal que jovens não saibam os direitos básicos como cidadão (numa cena em que são ridicularizados por uma menina de 8 anos) e que qualquer menção a direitos humanos, no nosso caso particularmente, as pessoas serem taxadas de “defensores de bandidos”?Capitao_meio Crítica: Capitão Fantástico

Tal pensamento não somente estende ao campo político, mas também de críticas a outros comportamentos (e problemas) da nossa sociedade atual como obesidade e a adestração religiosa, como tão bem disse o protagonista (tanto que, cientes deste comportamento, numa determinada e engraçada cena, os jovens usam este fanatismo a favor para não serem presos).

Viggo Mortensen não somente está excelente ao entregar seu Ben num homem que, apesar da dureza aparente e de impor aos filhos, rigorosos treinos físicos, mas pelo fato de elevar seu tratamento ao máximo de respeito sem qualquer tipo de conflito que não haja uma brecha para a reflexão como família e pessoas. A dinâmica de Ben com seus filhos é o grande destaque do filme. Não somente pelo fato de jamais interpelá-los de maneira infantil e respeitar até seus pensamentos, mas estar sempre disposto a responder todas as dúvidas e receios que possam ter, sempre de maneira direta e nobre – independente se for uma dúvida sobre sexo vindo de uma menina de oitos anos ou um conselho de como o filho mais velho deve sempre tratar com atenção e carinho a mulher amada. Para completar tal cenário, o núcleo familiar é composto de maneira delicada e homogênea pelo jovem e carismático elenco, pois mesmo que os atores se tornem excessivos para um desenvolvimento individual, jamais soam cansativos ou desnecessários, pois cada um deles tem algo importante para acrescentar ao contexto.

Contudo, o filme não aborda Ben e suas convicções como algo único e infalível. Assim ao ser confrontado pela família da esposa, Ben não somente tem suas fraquezas e certo extremismo expostos, como abre a possibilidade para o conflito pessoal para que seu modo de vida imposto não atrapalhe o futuro dos filhos (principalmente quando Frank Langella assume o papel do “antagonista”, mas no fundo entendemos e concordamos com sua preocupação com os netos). Futuro este que por mais concordamos em parte com suas idéias e aceitemos sua lógica, todos precisam viver em comunidade e qualquer tipo de isolamento é prejudicial , pois, certamente no futuro, precisarão tomar suas próprias decisões.

Tanto que na montagem, para exemplificar esta independência que se aproxima (principalmente visualizada no primogênito) o jovem Bo (MacKay) recebe a resposta sobre seu pedido para estudar numa faculdade , encoberto pelo som de uma locomotiva chegando (e o simbolismo de novidades e turbulências que ela traz). Ao mesmo tempo em que Ben tem todo o peso do mundo (simbolizado pela água) em seus ombros por perceber que os conflitos estão chegando a um limite que ele não poderá mais decidir sozinho.

Se estendendo um pouco, mas sem prejudicar sua magia, Capitão Fantástico é tão belo quando rejuvenescedor e que ainda sim nos permite interpretar possíveis resoluções na vida daquela família (mesmo que estas conclusões vão de encontro ao que foi defendido durante o longa). Contudo, demonstrando que todos somos frutos de nossas ações e que é possível chegar sempre a um meio termo dentro da sociedade, somos levados por uma doce versão de Guns N’ Roses para embelezar pela aquela família que estaremos torcendo por um novo mundo que se abre para eles e que estão com certeza estão preparados para enfrentá-lo.

Cotação 5/5

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

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