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Crítica: Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s 8)

8mulheres_poster Crítica: Oito Mulheres e um Segredo (Ocean's 8)Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s 8)

Direção: Gary Ross

Elenco:  Sandra Bullock, Cate Blanchett, Rihana, Sarah Paulson, Awkwafina, Mindy Kaling, Helena Bonhan Carter, Richard Armitage, James Corden e Anne Hathaway

Quando anunciado, o longa Oito Mulheres e um Segredo dirigido por Gary Ross causou – ou causará – dois tipos de reações (esperadas, diga-se passagem): a primeira – machista e descartável – de atribuírem os defeitos do filme ao fato da obra ser protagonizada por mulheres, como visto, por exemplo, na última versão das Caça-Fantasmas; e a segunda se o filme do grupo encabeçado por Sandra Bullock poderia se apresentar como um elemento, dentro de seu contexto, relevante sem soar simplesmente como uma cópia pura e simples de Onze Homens e um Segredo, dirigido  por Steven Soderbergh em 2001, e tendo o elenco encabeçado por George Clooney e Brad Pitt. Entretanto, sim, o filme consegue criar tal sensação de nostalgia, e ao mesmo tempo tem uma base sólida e eficiente sem necessariamente soar original.

Assim é elogiável que a direção de Ross consiga imprimir a agilidade necessária para o filme, sem depender constantemente do poder da descrença em aceitar os acontecimentos mostrados, que vamos acompanhando com interesse. E quando as tais viradas e surpresas acontecem, não causam a sensação de incredulidade por ainda estarmos envolvidos com as personagens. E para isso, nada mais importante que Sandra Bullock, Cate Blanchett, Helena Bonhan Carter, Rihana, Anne Hathaway, Sarah Paulson, Mindy Kaling e Awkwafina abracem suas personagens de maneira confortável, criando assim a dinâmica que um grande elenco deste porte pode fazer, e consequentemente trazendo a força necessária para o filme.

Depois de cumprir pena, Debbie Ocean (Bullock) decide roubar um valiosíssimo colar durante um famoso desfile protagonizado por Daphne Kluger (Hathaway) e ainda se vingar de seu antigo namorado, vivido por Claude Backer (Armitage). Para isso, como era de se esperar, ela contará com a ajuda e as habilidades específicas de Lou (Blanchett), Amita (Kaling), Costance (Awkwafina), Tammy (Paulson), Nine Ball (Rihana) e Rose (Carter) para entrar no museu e furtar a tal peça durante o evento. Obviamente seria ao certo ponto, um risco em repetir uma fórmula que, por exemplo, culminou no irregular e inchado 13 Homens e um Novo Segredo de 2007; portanto, é elogiável que dentro da proposta apresentada o roteiro do próprio diretor evite correr grandes riscos e aposte no simples, deixando o carisma do elenco fazer o restante do trabalho, cujo humor é inserido de maneira suficientemente discreta, culminado assim que, como nos filmes com os homens, torcemos sempre para que o plano dê certo!

Claro que todos os elementos e estruturas vistos na série anteriormente estão lá, mas ainda assim conseguem trazer, através da narrativa, um mundo paralelo do universo feminino sem torná-lo necessariamente fragilizadas em comparação com os filmes anteriores; como o uso das cortinas entre as cenas que aqui são preenchidas como batons, perfumes, sapatos e – claro – o objeto maior de cobiça: um colar de diamantes! Até porque devemos lembrar que estamos falando de um grupo de assaltantes. Tanto que a cena inicial é exatamente igual à primeira cena do filme de 2001 em que Danny Ocean (George Clooney), prestes a ser libertado, promete jamais cometer algum crime novamente; inclusive é interessante que, ciente de tal fato, a direção brinque com tal expectativa do público e não repita a quebra da quarta parede como feito no filme de 2001. Ou seja, seria como o filme dissesse que tem personalidade própria e não vamos entregar uma cópia exata do filme protagonizado pelos meninos!

A obra, portanto, pode soar como uma espécie de continuação dos filmes anteriores, ao mesmo tempo em que tenta iniciar uma nova franquia se aproveitando do espólio desgastado do filmes protagonizados pelos homens; não sendo a toa que o filme conta com a participação surpresa de dois dos integrantes masculinos e usam elementos que narrativamente rimam com Onze Homens e um Segredo (2001), principalmente ao trazer uma personagem de origem oriental com habilidades de furto, a elaboração de planos com cortes rápidos antecipando os locais aonde a ação irá ocorrer etc… Mas ainda assim atualizando as tecnologias que nos filmes anteriores não existiam, como uma impressora 3D, por exemplo.

Mesmo que a presença de Bullock e Blanchett seja inspirada intencionalmente na dinâmica de Clooney e Pitt, rapidamente somos cooptados a identificar algo novo naquele relacionamento por serem mulheres. E mesmo quando não estão em cena, o filme não empobrece na mecânica e presença entre elas; onde podemos destacar a ótima Sarah Paulson trazendo equilíbrio entre as personagens. Assim como a atuação de Rihana – mesmo não se mostrando tão empática – tem seu destaque no decorrer do filme e principalmente Hathaway, entregando uma personagem transitando entre a futilidade e surpresa. Ademais, pensei em adjetivar as atrizes com um “bela”, mas seria um exercício inútil de redundância com a presença, por exemplo, de Blanchett, Rihana e Hathaway (até porque, se não estiver enganado – posso estar – acredito que houve uma pequena maquiagem digital em determinados closes das atrizes, causando certa artificialidade).

Através deste elenco diversificado ainda podemos comentar que o roteiro jamais as estereotipa ao criar um clima de naturalidade ao fato de elas não assumirem uma imposição da sociedade; como o fato da indiana Amita (Kaling) não aceitar a pressão da família por um casamento ou quando outra personagem (desacostumada ao usar vestido luxuoso) se mostra desconfortável em vestir algo fora de seus padrões. Não sendo menos interessante que o filme crie uma identificação, por exemplo, quando Debbie diz que não deixará de levar seu plano adiante por não querer decepcionar as meninas de oitos anos sonhando em ser alguém como ela. Obviamente, tal elemento subversivo, não significa que tome o crime como uma lição, mas sim, como seria num filme protagonizado por homens, aumentar o poder de identificação que vai além do que a personagem é ou deixa de ser, e sim em se enxergar na tela através da presença feminina. E falando em roupas, o figurino a cargo de Sarah Edwards é elogiável por conseguir em alguns momentos ser um elemento de destaque e exteriorizando as próprias personagens; como o fato da Rose de Bonhan-Carter sempre andar com vestidos voluptuosos remetendo a estética dos anos 80 e 90 ou permeado de estilos e cores diversas denunciando sua insegurança. Ao contrário, por exemplo, de Blanchett  que sempre surge com vestimentas que exalam a segurança de sua personalidade e até mesmo orientação sexual, como o fato de surgir belíssima num terno azul com ombreiras permeada de cordões e relógio.

Contando em seu terceiro ato com a boa presença do ator e comediante James Corden, Oito Mulheres e um Segredo, consegue manter seu ritmo mesmo com alguns solavancos e um pouco de pressa da trama. Contudo, tal esforço em se manter fiel a sua proposta faz com que a cena das personagens reunidas dentro de um trem resuma bem a proposta do filme em que elas deram seu recado!

Nota 3/5

Avaliação
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RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Oito Mulheres e um Segredo (Ocean's 8)

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, ainda jovem, certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

7 comments

  • Bolado:

    nao entendo quem diz que um filme é “desnecessario”… qual o criterio pra afirmar isso? quem diz se um filme é necessario ou nao??? alguem me explica, por favor, eu sinceramente fiquei curioso qt a isso

    • Rodrigo Rodrigues
      Rodrigo Rodrigues:

      Bem vindo
      Ninguém tem o poder de afirmar que um filme deva existir ou não! Mas depende muito do caso.

      Mas normalmente são filmes que existem apenas para se aproveitarem de um conceito já estabelecido e explorado (em sua maioria continuações) sem apresentar algo de novo ou que expanda o universo em questão. Neste caso , alguém com mais experiencia ou com mais bagagem cinematográfica sempre pode ajudar numa análise mais cuidadosa.

      Ratificando que isso não significa que um filme não possa ser bom. Por exemplo, o filme do Han Solo é algo desnecessário (apesar de não ser ruim), os filmes dos Transformers são completamente desnecessários em suas continuações e ainda são ruins como um todo. Mas, Blade Runner 2049 é um continuação que mesmo podendo soar desnecessária a priore, expandiu o universo do primeiro filme e ainda é um ótimo filme.
      Abraço

  • Ricardo Melo
    Ricardo Melo:

    Podemos dizer que este filme é um spin off dos filmes iniciados com “11 homens e um segredo”( Ocean’s Eleven) em 2001, que por sua vez é uma refilmagem de um filme de 1960. Aqui, temos a personagem Debbie Ocean(Sandra Bullock), irmã do finado Danny Ocean (que era originalmente George Clooney nos três filmes anteriores). Levando a tradição de roubo do irmão, ela junta 7 parceiras bem diferentes, para implementar o crime do século. Temos ótimas atrizes aqui(Bullock, Blanchett, Bonham Carter , Paulson ) ao lado de outras com brilho menor (Hathaway, Rihanna, Awkwafina e Kaling), mas o resultado final é convincente. Tem minha piadinha legal, um suspense e eu creio que dos filmes anteriores, chega até a ser melhor que as duas continuações diretas do Ocean’s Eleven. Não seria de espantar se vermos a trupe de Debbie Ocean daqui um tempo em novo filme.

    É claro,as mulheres estão gatas neste filme. Mas Hollywood é assim mesmo, consegue sempre transformar o feio em belo…

    Dois integrantes menores da gang original masculina fazem pontas rápidas. Matt Damon foi cortado do filme após uma interpretação errada de uma de suas falas na imprensa durante estes casos de assédio.

    Nota 4 de 5

  • Gabriela Jesus:

    Parece realmente bom. Concordo com sua boa critica e até com o comentario da colega ai de baixo. So queria acrescentar um ponto ao tema: se vc se dispoe a por o nome de 8 Mulheres ou Ocean’s 8, vc esta automaticamente e obrigatoriamente puxando comparacoes com 11 Homens ou Ocean’s 11. Entao, pra bem ou pra mal, haverao comparacaoes sobre as duas obras por todos os viezes pertinentes, inclusive sobre a obvia troca de “genero” da visao acerca do filme. Nesse ponto vc traz pontos alem da tecnica cinematografica e o debate passa a ser tb qt a questoes de genero sim. Se isso vai ocorrer, esteja pronto pra defender seu filme em todos os viezes, inclusive esse. E ai ele tem que sobreviver por seu peso tecnico AND pela questao de genero, e ai nesse ponto, apesar do filme nao fazer feio, ele tb nao chega a ter um 10 com louvor pra justificar-se, de modo que podemos dizer que ele passou de ano tranquilamente, mas deixou um certo gostinho de… “precisava MESMO?”… tenho minhas duvidas. Seja como for, assista, pq eh um bom/otimo filme de subgenero de assalto a ‘banco’.

    • Rodrigo Rodrigues
      Rodrigo Rodrigues:

      Gabriela
      Bem vinda
      Concordo com seu ponto de vista: se o nome e filme faz parte de um universo estabelecido, é claro que as comparações são inevitáveis! Todavia, ao comparar não podemos dizer que este filme é pior somente por terem mulheres como protagonista. Isso muitos o fazem! Devemos, sim, criticar usando aspectos cinematográficos.

      Até concordo que o filme deixe um gosto de ”precisava?’. Mas a partir do momento que existe ,devemos avaliar de maneira correta!
      Abraços
      * Se possível dê uma curtida na página, por favor!

  • Rodrigo Rodrigues
    Rodrigo Rodrigues:

    Srilene
    Bem vinda
    Realmente e infelizmente tem muitos que adoram ocultar a misogenia disfarçado de opinião. Com relação as Caça Fantasmas, não tem problema alguma em não gostar (ninguém é obrigado); o que não pode acontecer é usar tal fato para , como disse antes, ocultar o preconceito. Inclusive, muitos ‘críticos” disseram que o filme foi uma derrota do feminismo (seja lá o que isso for).

    Eu particularmente gostei das Caça Fantasmas (apontei fatos para tal), e discordo um pouco sobre o ”ruim de doer’. Mas isso não significa que sua opinião é inválida, pelo contrário.

    Obrigado
    Abraços
    * Se possível dê uma curtida na página, por favor!

  • Srilene:

    nao importa quantas qualidades tecnicas vc aponte, os o t a r i o s de plantao vao vir com “ah é uma versao feminista de 11 Homens…”, “ah, estragaram 11 Homens”, etc… so discordo de uma coisa que vc falou: Caçafantasmas das Minas tb sofreu essa hipocrisia e discriminação, mas o filme é ruim de doer kkkkkkkkkkkkk #Fato

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