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Análise: Doctor Who

Ícone cultural britânico como Sherlock Holmes ou Beatles ou James Bond-007 e Harry Potter, a Série de ficção-científica britânica, produzida e exibida pela BBC, Doctor Who, exibe as aventuras de um viajante alienígena pelo tempo e o espaço, sempre acompanhado de uma companhia terrestre.

A série foi criada em 1963, pela equipe de teledramaturgia da BBC, para a princípio, ser uma série didática, onde os jovens poderiam se interessar por história e ciências, na companhia do Doutor, o viajante do tempo e do espaço. Mas, como as estórias com outras raças e seres, atraíam mais a atenção do público, a série passou a ser mais focada para a ficção-científica.

Exibida inicialmente e ininterruptamente entre 1963 a 1989, somando-se a um telefilme em 1996, e com o retorno da série a partir de 2005, com “o doutor300px-Versions_of_the_Doctor Análise: Doctor Who” original sempre mantido, ela entrou para o Guinness Book, como a série de mais longa longevidade da TV mundial.

A série gerou mais três spin-offs que já encerraram a  produção, Torchwood, Sarah Jane’s Adventure e Class. O seriado se tornou bastante popular no Reino Unido e alguns outros países como Japão e Coréia. Nos Estados Unidos, tem uma base de fãs pequena. No Brasil, só foi exibido no canal a cabo: People + Arts com as novas temporadas de 2005 para frente. Posteriormente, outras emissoras a cabo transmitiram a série no Brasil, e a TV Cultura nos últimos anos exibiu várias temporadas, aumentando o fandom, no país, a ponto da BBC, trazer o ator Peter Capaldi, para divulgar a série no país em 2014.

Os Personagens:

O Doutor:

O viajante temporal, Doutor (só é conhecido assim, seu nome real nunca foi revelado), veio do Planeta Galafrey, onde havia uma raça muito avançada de Senhores do Tempo. O Doutor, viaja em uma nave chamada de TARDIS, abreviatura de “Time and Relative Dimension(s) in Space” (Tempo e Espaço em Dimensões Relativas). Nos anos 60, quando a série começou, o Doutor estava morando com sua neta em Londres. Ele escolheu a Terra para morar, pois gostou da história do planeta e de seu povo. O TARDIS é uma nave camuflada, que pode levar seus passageiros para qualquer lugar no tempo e espaço, embora seu exterior pareça com uma cabine de polícia de Londres devido a um defeito irreparável no sistema de camuflagem. Seu interior é muito maior do que o exterior, contendo inúmeras salas.

As Companhias:

O Doutor sempre viaja em companhia de uma ou mais pessoas, geralmente jovens e em sua maioria do sexo feminino com raras exceções. Em cada temporada da série varia bastante estas companhias. Uma das mais famosas foi a Sarah Jane, que foi companheira do Doutor por quase 5 anos. Alguns anos depois, ela ganhou sua própria série, com a mesma atriz original. Do seriado Doctor Who de 2005, para cá, a personagem Rose Tyler, foi uma das mais populares. Mesmo fora do elenco, após a terceira temporada, a atriz, Billie Pipper, a Rose, fez algumas pontas na série.

Os vilões:

A série apresentou inúmeros vilões. Três são os mais populares:

O Mestre: Personagem da mesma raça do Doutor, originário de Galafrey. Nutre um ódio enorme contra outras raças. Tem desavenças com o Doutor por causa disto. Ele tem uma variação de vida feminina, a Missy.

Daleks: Seres criados geneticamente, vivendo em casulos robôs que se voltaram contra seus criadores humanos e tentam “exterminar” todas as raças que não seja a dos daleks. Nutrem um ódio profundo contra o Doutor!

Cyberman: Seres cibernéticos, que tentam “assimilar” outras raças, para melhoria das espécies.

A regeneração e mudanças de Atores :

Sendo um “Senhor do Tempo”, o “Doutor” tem a capacidade de regenerar o seu corpo, como forma de evitar a morte. Este conceito foi introduzido em 1966, quando os roteiristas se confrontaram com a partida do ator principal William Hartnel, como forma de prolongar a série. Desde então tem sido uma característica definitiva da série, sendo utilizada sempre que é necessário substituir o ator principal. Em cada uma das suas regenerações o seu estilo e particularidades mudam de ator para ator, mas a memória de vida  e as experiência experiências permanecem com o personagem. Em 2008, pela primeira vez uma atriz assumiu a personagem, o que provocou discussões entre os fãs, questionando se o Doutor poderia ser Doutora.

Doutor e os atores que o interpretaram:

Primeiro Doutor, interpretado por William Hartnell (1963–1966)

Segundo Doutor, interpretado por Patrick Troughton (1966–1969)

Terceiro Doutor, interpretado por Jon Pertwee (1970–1974)

Quarto Doutor, interpretado por Tom Baker (1974–1981)

Quinto Doutor, interpretado por Peter Davison (1981–1984)

Sexto Doutor, interpretado por Colin Baker (1984–1986)

Sétimo Doutor, interpretado por Sylvester McCoy (1987–1989)

Oitavo Doutor, interpretado por Paul McGann (1996)

Nono Doutor, interpretado por Christopher Eccleston (2005)

Décimo Doutor, interpretado por David Tennant (2005–2010)

Décimo Primeiro Doutor, interpretado por Matt Smith (2010 – 2014)

Décimo Segundo Doutor, interpretado por Peter Capaldi (2013-2017)

Décimo terceiro Doutor, interpretado por Jodie Whittaker (2017…

Obs: O ator John Hurt estrelou como uma encarnação até então desconhecida do Doutor, conhecido como “O Doutor da Guerra” no especial de 50 Anos “The Day of The Doctor” (2013) e no mini episódio “The Night of the Doctor” que mostra a regeneração do Oitavo Doutor, Paul McGann. Apesar de sua introdução, o modo de escrita foi feita para não perturbar a nomenclatura numérica estabelecida dos Doutores “normais”.

Uma característica interessante, é que os atores são cada vez mais jovens. Assim, a série começou com o William Hartnell com mais de 60 anos, e agora terá o Matt Smith, com 27 anos. Mas o Doutor seguinte, interpretado por Peter Capaldi, voltou a um ator mais antigo,com 55 anos. Agora com Jodie Whittaker, temos a introdução de uma atriz como Doutora, ela entrou na série com 36 anos.

Nos EUA, a série clássica, foi exibida em meados dos anos 70, o que fez o ator Tom Baker, ser o mais popular por lá. Os Simpson já mostrou o Doutor em Springfield, o conhecido Tom Baker.

A popularidade da série foi tanta, que dois filmes para o cinema foram produzidos na Inglaterra, com o ator Peter Cushing, representando estórias desgarradas do canon: Dr. Who and the Daleks and Daleks (65) e Invasion Earth 2150 AD (66). Muitos fãs colocam Cushing como sendo representação do Primeiro Doutor.

Transmissão:

A série começou a ser exibida na TV britânica no ano de 1963, com o formato Preto & Branco. Os Episódios de cada temporada eram divididos em histórias que formavam um arco de 4, 5 e até 6 episódios. Uma temporada poderia ter mais de três arcos de histórias. A atual produção, adesde 2005, mantém um padrão americano sem arcos ou alguns episódios sendo duplos. Em geral, a atual produção mantém 13 episódios por temporada com até dois especiais de Natal. Em 2009, não houve temporada, mas apenas 4 especiais. Em 2010, voltaram as temporadas normais.

Telefilme de 1996:

Sendo pouco popular nos Estados Unidos, durante os anos 80, a Disney, comprou os direitos americanos da série, da BBC, para tentar produzir algo parecido no seu canal de TV. Eles chegaram a convidar o Steven Spielberg para produzir a nova série, só que após longo estudo, foi visto que não haveria a mesma audiência das terras britânicas. A Disney desistiu, mesmo por que o relacionamento entre Spielberg e a Disney esfriou no final dos anos 90.

Durante os anos 90, Spielberg novamente, depois de ter achado a série interessante, tentou comprar os direitos para a Amblin, sua produtora, junto a BBC. Houve alguns problemas legais, e ele acabou desistindo. A BBC, acabou negociando com a Universal e com a FOX, que estava lançando uma nova TV a cabo. Em 1996, depois de muitas idas e vindas, o telefilme Doctor Who foi lançado na FOX TV, que não teve a audiência esperada e por que eles já tinham seu seriado Arquivo X para investir. O telefilme seria o piloto de uma nova série que acabou novamente não acontecendo.

Este telefilme apresentava o ultimo ator que fez o Doutor Who, Sylvester McCoy, se regenerando no ator Paul McGann, que segue a história. A produção americana foi filmada nos EUA e o Doutor tem uma companheira americana. O vilão é o Mestre, interpretado pelo ator Eric Roberts, irmão da Julia Roberts. Apesar dos pesares, ainda é considerado parte do canon. O ator Paul McGann só voltaria a interpretar o Doutor em um especial mais de 10 anos depois, mas ele gravou telenovelas do Doutor pela rádio BBC e para os audio books da série.

A nova série (2005)

Com o fim da série em 1989 e o fiasco do telefilme co-produzido com a Fox em 1996, a BBC resolveu que já era hora de retornar Doctor Who com uma nova linguagem. Desta vez, a BBC, encarregou sua unidade menor, que fica em Cardiff, no País de Gales, de produzir o seriado. Assim, em 2005, a série retornou alcançado grandes audiências no Reino Unido, levando a série a ter nova popularidade na America também, através de uma co-produção com o Canadá. Posteriormente vendida em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, dando a série um status de cult.

O único revés ficou por conta do ator principal escalado para ser o Doutor, Christopher Eccleston (de Exterminio), que apesar da grande audiência, decidiu não permanecer ao fim desta primeira temporada.

O ator David Tennant (Harry Potter e o Cálice de Fogo) foi contratado para ser o Doutor com a saída de Eccleston, e a popularidade só aumentou. Infelizmente, após 5 anos, Tennant, já acha que é hora de ir embora, em 2010 entra o jovem Matt Smith.

Menos carismático que Tennant, Matt Smith, foi substituído após 4 anos por Peter Capaldi, fazendo a série novamente aumentar a audiência. E por fim, com sua saída, entrou a primeira mulher a assumir o papel de Doutora, Jodie Whittaker.

A popularidade da nova série, que traz todos elementos originais e respeita o canon estabelecido em 1963, também ganhou prêmios e reconhecimento. Por vários anos, ela ganhou como melhor série de TV de ficção-científica do ano, laureados pelo Hugo Awards, batendo séries americanas consagradas como Star Trek, Star Gate e a nova Galactica.

A série está no ar ininterruptamente desde 2005 e não mostra sinais de perder fôlego. A renovação do elenco ajudou bastante. Um fato interessante é que série gerou vários spin offs tão populares quanto ela, que veremos mais futuramente.


[RM – adaptado do site Unidade de Carbono do Pálido Ponto Azul]

Avaliação
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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

5 comments

  • Ze Nao Escreve:

    DW é genial. Outro motivo para Doctor Who ser tão bom assim é a troca de gênero. Ele pode ser terror (Weeping Angels!), drama (Vincent and the Doctor!), comédia (muitos com a Donna) e romance (The Wedding of River Song). Ele pode ir de um extremo ao outro em uma única temporada. Essa variedade deixa tudo ainda mais viciante. O seriado também tem censura livre. Na era clássica, teve foco nas crianças, mas era para toda a família. Apesar do público ter aumentado desde o reboot de 2005, a série atual, isso facilita para que mais pessoas vejam. É o tipo de coisa que pode ser vista por qualquer idade e que para cada um terá um significado diferente. É difícil não aprender algumas coisas com Doctor Who ou até mesmo se indentificar no meio daquela bagunça de paradoxos e alienígenas.

    • FIFA Pal:

      sem querer desmerecer, isso ocorre em quase toda série que se preze… tirando as cujo tema é justamente o gênero, claro

  • Ana Atestado:

    nao acho tao bom assim nao, parece o Monty Phyton nao vejo graça

  • Ricardo Melo
    Ricardo Melo:

    Com certeza, mas para gostar, muita gente deve mudar o…”chip”, de produções americanas, para produções inglesas, onde o humor e ação é bem diferente, nem todo mundo gosta por causa disto. Então, abrir a cabeça para este tipo de produção é o melhor pra entender esta série.

  • Motherboard Fire:

    melhor serie de FC, sem duvida, a prova disso é a longevidade dela

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