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Mangá: Fushigi Yuugi

fushigi2 Mangá: Fushigi YuugiFamoso mais pelo anime que pelo mangá, Fushigi Yuugi é uma história do tipo isekai (mundo diferente) sobre as aventuras de uma estudante japonesa num mundo que lembra a China antiga. A protagonista é Miaka, uma estudante normal – ou quase, considerando que está sempre pensando em comida – que está passando por um momento estressante de estudos intensos, já que quer entrar num colégio concorrido juntamente com sua amiga Yui. Um dia, as duas estão na biblioteca e se deparam com um livro que as transporta para um mundo diferente, e aí a aventura começa.

Este é um mangá para meninas, ou seja, um shoujo (foi serializado na revista Shoujo Comic de 1992 a 1995) da autoria de Yuu Watase, renomada mangaká desse público-alvo. Além do romance típico das narrativas voltadas para esse público, a história também contém elementos recorrentes em mangás shounen (para meninos) o que rendeu a mistura perfeita para a adaptação televisiva. No Brasil, o mangá Fushigi Yuugi foi publicado pela editora Conrad.

O que faz com que muitas pessoas gostem dessa história, além do fator nostalgia, é justamente essa mistura de aventura, comédia, ação e romance. Às vezes, alguns momentos parecem conferir um teor mais adulto à história, com pitadas de tragédia e até mesmo um teor sexual inesperado para a demografia. É um reverse harem, sendo assim, fora Miaka e Yui, praticamente todos os demais personagens são do sexo masculino. Seguindo essa lógica, é natural que o mangá contenha romance e alguma disputa amorosa. Apesar de priorizar o romance heterossexual, há também alguns elementos de yaoi, com personagens gays ou bissexuais, mas geralmente retratados de maneira neutra ou cômica – alguns termos usados podem até ser considerados ofensivos atualmente – , o que pode agradar quem gosta desse tipo de conteúdo, mas que não chega a espantar os que o evitam. Não é surpresa, já que Yuu Watase tinha como hobby desenhar doujinshi yaoi e até chegou a produzir um belo mangá do gênero, Sakura-Gari.

Além do que já foi dito, com o desenrolar dos acontecimentos, o mangá passa a ficar cada vez mais sério: a atmosfera leve e humorada dá lugar a conflitos sangrentos, tentativas de estupro e mortes. A propósito, as constantes interferências no relacionamento do casal principal chegam a ficar cansativas, assim como conflitos muito comuns em mangás shoujo desencadeando aproximações e reaproximações e postergando a estabilidade do relacionamento. O fato de a protagonista depender constantemente de ajuda alheia tira parte do seu carisma. Pelo menos, isso é compensado com a variedade de personagens, cada um com personalidade e interações diferenciadas, e com certeza o leitor terá algum favorito ao longo da leitura.

A cada capítulo, temos uma nota da autora, ou seja, são várias correspondências com os leitores, nas quais Yuu Watase fala sobre sua rotina, seus gostos, memórias, viagens, animais de estimação, inspirações para a história, comentários sobre os personagens, eventos aos quais compareceu, seu contato com os fãs, etc. Por falar nisso, algumas das notas contam sobre o começo da criação do mangá, e ficamos sabendo que seu primeiro editor disse pelo menos três vezes que seu mangá não iria muito bem, o que a fez se sentir mal por estar escrevendo uma história que acreditava que viria a ser cancelada. Além desse desencorajamento, ela ficou angustiada por um tempo, por estar sendo lançada numa revista shoujo cheia de romances escolares e competindo com autores mais experientes que ela, que tinha só 3 anos de carreira na época. Yuu Watase nem imaginava que pouco tempo depois seu mangá faria bastante sucesso e até renderia um anime.

O mais curioso é notar que o início do mangá, ou melhor, sua primeira parte, é justamente a melhor parte da história. Apesar de Yuu Watase ter “finalizado” essa primeira parte satisfatoriamente, talvez por causa do sucesso e incentivo dos editores, a autora prosseguiu com a história, mas desta vez focando os eventos no Japão e não tanto no mundo de fantasia do livro. A segunda parte se arrasta um pouco, e o mangá como um todo perde o ritmo. Apesar desse ponto negativo, pode ser uma leitura interessante para quem gosta de aventura e romance. Os desenhos de Yuu Watase evoluíram desde então, mas a arte de Fushigi Yuugi é bela, e seus bishounens (moços bonitos) têm o estilo característico da época em que foi publicado.

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Karina Moreira

Formada em História, é membro do Grupo de Estudos de Histórias em Quadrinhos de Franca (GEHQ). Há anos não consegue viver sem sua dose diária de animes e mangás, o que aumentou seu interesse pela cultura japonesa, e espera conseguir dominar o complexo idioma dos kanji um dia... De vez em quando, gosta de desenhar e passar a madrugada rindo de vídeos de pegadinhas.
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1 comment

  • Vinicius:

    O ponto forte do mangá são os personagens, bem carismáticos e diversificados, quem leu/assistiu com certeza vai gostar de pelo menos três deles. A segunda parte da história porém é enrolada (mesmo os três últimos volumes ficaram bem legais -considerando tamanho meio tanko). Super indicado para quem nunca leu um shoujo e para quem já assistiu o anime 🙂

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