Perfil – Lee Falk(1911-1999), criou dois heróis populares dos quadrinhos
Na nossa sessão Perfil, estamos abordando os gênios de várias artes que fizeram o mundo pop ser o que é hoje. Escritores, cineastas, Produtores de TV, agora iremos abordar um dos grandes gênios das história em quadrinhos (também conhecido com o HQ ou Comics) e popularmente chamado no Brasil de Gibis. Os quadrinhos(HQ) são conhecidos como um dos 11 tipos de arte presentes no mundo. Muito apreciadas pelo público jovem, são uma maneira despojada e divertida de contar histórias. A primeira história em quadrinhos com as características que conhecemos hoje foi publicada nos EUA em 1894 em uma revista chamada Truth. A autoria é do americano Richard Outcault. Meses mais tarde, o jornal New York World começou a publicá-la oficialmente. As tiras de jornais, se popularizaram muito a partir de meados do século XX e se espalharam para o mundo. Logo grandes artistas começaram a aparecer e a ganhar um público cativo. As HQs migraram pra revistas próprias vendidas em bancas de jornais e revistas de todo o planeta. Estórias com diferentes públicos e gostos, ajudou a popularizar os super-heróis a partir do final dos anos 20. Logo surgiram grandes empresas que começaram a dominar o mercado como a Disney, a Marvel, Detective Comics (DC), King Features Syndicate, entre outros. Hoje, muitos destes heróis passaram para outras mídias como livros, teatro, cinema e TV onde possuem grande popularidade e ajudam a movimentar um mercado de bilhões de dólares, sem contar que os grandes desenhistas hoje ganharam status de cult, fazendo com que chamamos os quadrinhos como a Nona Arte…
Escolhemos trazer um dos primeiros gênios das tiras e depois HQs, o norte americano Lee Falk(1911-1999), que ajudou a 90 anos criar dois heróis que ainda continuam um dos mais populares da historia, o Mandrake e o Fantasma (The Phanton). Filho de pais judeus, Falk nasceu em St. Louis (EUA) como Leon Harrison Gross em 28 de abril de 1911, St. Louis, Missouri, EUA. Se tornou órfão de pai ainda pequeno, posteriormente sua mãe se casou novamente, com Albert Falk Epstein, que se tornou uma figura paterna para Lee e seu irmão, Leslie. Falk mudou seu sobrenome depois de sair da faculdade. Ele adotou o nome do meio de seu padrasto, mas “Lee” era seu apelido desde a infância, então ele também o adotou. Seu irmão, Leslie, também adotou o sobrenome “Falk”.
A grande paixão seguinte de Falk, depois dos quadrinhos, foi o teatro e as peças teatrais . Ao longo de sua vida, Falk administrou cinco teatros, em diferentes momentos, e produziu cerca de 300 peças, além de dirigir aproximadamente 100 delas. Falk escreveu 12 peças, incluindo dois musicais: Happy Dollar e Mandrake the Magician , ambos baseados em seu personagem de quadrinhos. No teatro Falk dirigiu atores que posteriormente brilhariam nos cinemas de Hollywood como Marlon Brando , Charlton Heston , Paul Newman , Chico Marx e Ethel Waters .
Mandrake
Desde criança, Falk nutria uma fascinação por mágicos de palco. Segundo suas próprias lembranças, ele mesmo desenhou as primeiras tirinhas de Mandrake, o Mágico . Quando perguntado por que o mágico se parecia tanto com ele, respondeu: “Bem, é claro que sim. Eu estava sozinho em um quarto com um espelho quando o desenhei!”. No começo dos anos 30, ele já havia levado o seu personagem mais seminal para as tiras de jornais, o mágico Mandrake, que foi publicado pela primeira vez no dia 11 de junho de 1934. Logo nas primeiras edições da tira, Phil Davis assumiu as ilustrações, deixando Falk livre para se concentrar nos roteiros. A parceria durou até 1964, quando Davis morreu e foi substituído por Fred Fredericks.
O sucesso do Mandrake foi imediato. Apenas 5 anos depois da publicação da primeira tira, Mandrake e seu fiel escudeiro Lothar já foram para as telas do cinema com uma série de 12 episódios com Warren Hull no papel de Mandrake e Al Kikume como o ajudante Lothar. Em 1941, Mandrake já tinha um show no rádio americano que ficou no ar até 1942.
Anos depois em 1979 houve uma tentativa de levar o famoso mágico para um seriado de TV, mas infelizmente apenas um piloto foi produzido pela NBC e estrelado por Anthony Herrera.
Desde então houve alguns projetos que nunca seguiram pra tentar levar o personagem para os cinemas. O diretor italiano Frederico Fellini, que era amigo de Lee Falk, chegou a planejar um filme, que nunca se materializou…No início dos anos 80, a Embassy Pictures, chegou a contratar roteiristas para o projeto de um filme, que também nunca viu a luz do dia… Outro projeto também nos anos 80 a Goldcrest Films, contratou William Hjortsberg para escrever o roteiro, que seria ambientado na década de 1930 e exigiria ilusões elaboradas e um orçamento de produção entre US$ 24 e 30 milhões, o projeto enfrentou problemas financeiros quando a produtora começou a entrar em falência, tentou um acordo com a Warner Bros mas depois de não conseguir encontrar um diretor, e o estúdio perder interesse o projeto foi cancelado.
O atual projeto mais recente começou em 2007, a Baldwin Entertainment Group e a Hyde Park Entertainment compraram os direitos para produzir um filme de Mandrake, com direção de Mimi Leder. As duas empresas detêm os direitos de O Fantasma, de Lee Falk. Jonathan Rhys Meyers foi originalmente cotado para interpretar o personagem principal, com Chuck Russell na direção. Em 2009, Hayden Christensen substituiu Rhys Meyers no papel principal do filme, com Djimon Hounsou como co-protagonista e Mimi Leder na direção.Em junho de 2016, Sacha Baron Cohen foi escalado para interpretar Mandrake, desde então não temos mais notícias do projeto, possivelmente engavetado.
Ainda hoje Mandrake é publicado e republicado em vários países.
O Fantasma
Já sua outra grande criação, O Fantasma foi inspirado pela fascinação de Falk por mitos e lendas, como as de El Cid , Rei Arthur , heróis do folclore nórdico e grego e personagens fictícios populares como Tarzan e Mogli, do livro “O Livro da Selva”, de Rudyard Kipling . Ele era fascinado pelos Thuggee da Índia e, portanto, baseou sua primeira história em quadrinhos do Fantasma na Irmandade Singh. Falk originalmente considerou a ideia de chamar seu personagem de “O Fantasma Cinzento”, mas finalmente decidiu que preferia “O Fantasma”. Falk revelou em uma entrevista que Robin Hood , que era frequentemente retratado usando collants, inspirou o traje colado ao corpo do Fantasma, que é conhecido por ter influenciado toda a indústria de super-heróis. Anos depois em um documentário pra TV, Falk explicou que bustos de pedra da Grécia Antiga inspiraram a ideia de as pupilas dos olhos do Fantasma não aparecerem quando ele usava sua máscara. Os antigos bustos gregos não tinham pupilas, o que Falk achava que lhes dava uma aparência desumana e interessante.
O Fantasma se tornou uma das HQs mais populares de Lee Falk, simplesmente foi primeiro herói mascarado dos quadrinhos. A série começou a ser publicada em jornais diariamente em 17 de fevereiro de 1936, e aos domingos, como edição colorida, em maio de 1939, continuando até 2006. Falk trabalhou na tira até sua morte em 1999; atualmente, Tony DePaul roteiriza e Mike Manley (de segunda-feira a sábado) e Terry Beatty (domingo) desenham a tira. Antes Ray Moore, Wilson McCoy, Bill Lignante, Sy Barry, George Olesen, Keith Williams, Fred Fredericks, Phil Davis, Graham Nolan e Eduardo Barreto a desenharam.
Nos Estados Unidos, uma grande variedade de editoras publicou o Fantasma ao longo dos anos. Primeiramente nos anos 40 pela David McKay Publications reimprimiu as tiras na revista Ace Comics.Em 1962, a Gold Key assumiu o comando, seguida pelo King Comics (selo da própria King Features) em 1966 e Charlton Comics em 1969. Isso durou até 1977, com um total de 73 edições publicadas. A DC Comics publicou uma revista do personagem de 1988 a 90. Em 1987, a Marvel Comics fez uma minissérie de quatro edições com base na série animada Defenders of the Earth, escrita por Stan Lee. Outras minisséries foram lançadas nos anos 90 pela Marvel. Em 2002, a Moonstone Books publicou várias graphic novels do Fantasma. Dynamite Entertainment introduziu uma série de histórias em quadrinhos mensal, The Last Phantom, em agosto de 2010. Em 2014 Hermes Imprensa anunciou que iria publicar uma minissérie de quadrinhos.
A popularidade de O Fantasma foi maior que a de Mandrake. Em 1943, a Columbia Pictures, inspirada no sucesso dos quadrinhos, resolveu fazer o seriado The Phantom(O Fantasma), sob direção de B. Reeves Eason e estrelado por Tom Tyler. O seriado teve 15 capítulos. O estúdio planejou uma sequência, contudo, descobriu que os direitos haviam expirados, o projeto foi alterado e se tornou o seriado The Adventures of Captain Africa, lançado em 1955 e estrelado por John Hart.
Hollywood também se interessou em fazer um filme para os cinemas, mas sua concepção até as telas demorou mais um pouco. O cultuado diretor italiano Sergio Leone, chegou a expressar desejo de fazer um filme, e começou a elaborar um roteiro em um projeto que acabou nunca acontecendo. Nos anos 90 , o diretor Joe Dante, tentou produzir e dirigir um filme baseado em um roteiro que escreveu ao lado de Jeffrey Boam . Por diferentes conflitos na agenda e mudanças no roteiro do filme, que era mais uma paródia, Dante pulou fora do projeto, mas ficou atachado como Produtor executivo. Simon Wincer, que era fã do personagem desde a infância, conseguiu o trabalho de diretor. Ele levou a cabo o projeto e finalmente o filme foi produzido e lançado em 1996, O Fantama (The Phanton) com Billy Zane(Titanic), sofreu o mesmo destino que outras duas adaptações de época de histórias em quadrinhos/pulp dos anos 1990: The Rocketeer (1991) e The Shadow (1994), e não se saiu bem nas bilheterias dos Estados Unidos, mas posteriormente foi um sucesso no home-vídeo. Uma continuação programado nunca aconteceu e outras tentativas de fazer novos filmes, nunca deram certo.
Em dezembro de 2009, o The Movie Network e posteriormente o SyFy no ano seguinte, lançaram um minissérie em dois episódios baseado no “O Fantasma”, que acabou não agradando muito os fãs.
O Fantasma ainda é publicado em vários países do mundo e noticias de uma nova série de TV, já começam a surgir.
Reconhecido pelo sucesso de O Mandrake e o Fantamas, Lee Falk faleceu aos 87 anos, já consagrado junto com seus personagens em 13 de março de 1999.
Ricardo Melo
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