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A subjetividade do certo e errado

O que é certo ou errado? Pode parecer uma pergunta simples, e na verdade é, já a resposta, nem tanto, acredito que complicamos muitas coisas em nossas vidas quando podemos simplifica-las, porém a resposta que se segue a pergunta inicial não é tão simples.

A complexidade de responder o que é certo ou errado, bom ou mau, reside inicialmente nos valores individuais, ou seja, uma parte da resposta é subjetiva. O que para você pode parecer certo (sim, parecer, lembre-se que a sua verdade não é absoluta), para outra pessoa pode não ser.

Obviamente o convívio em sociedade regidos pelas regras de conduta da mesma (leis, bom senso comum e etc) criaram um conjunto de coisas que são tidas como parâmetros para se estabelecer o que é certo e o que é errado.

Todos sabemos que matar outro ser humano é errado, a sociedade proíbe, é inaceitável tomar a vida de alguém, porém em determinadas circunstancias você aceita a morte de outra pessoa, como agir em legitima defesa, nesse caso a morte de um ser humano, que é inaceitável, continua um fato inalterado, porém o ponto de vista sobre a situação mudou e com isso a sua percepção do que era errado ou certo também, mesmo parecendo ou sendo errado, pode ser aceitável e você aceita as duas coisas mesmo sendo conflitantes.

George Orwell, um dos melhores escritores do século passado, criou no seu livro 1984 a expressão doublethink, pensamento duplo, ou duplipensar na versão de Portugal. Orwell de forma sublime retrata como sustentamos dentro de nós, dois mundos diferentes, conflitantes, duas verdades diferentes, duas versões que são contraditórias e mesmo assim aceitamos as duas.

Orwell nos mostra que o conceito de certo e errado é mais vasto do que jamais imaginamos porque está enraizado na natureza humana, nos somos o certo e o errado ao mesmo tempo, o tempo todo, o conflito das nossas verdades só se resolve quando a situação nos é favorável, e ai assumimos o que é certo para cancelar o que é errado ou vice-versa, a subjetividade ganha sempre.

Mas então você pode debater que existe na maioria das vezes um consenso sobre o que é certo e o que é errado, e como já citado as regras de uma sociedade ajudam a estabelecer isso.

Então deixem-me contar uma breve história que já não lembro a sua origem.

A sua mãe gosta do jardim da sua casa, ela cuida das plantas e das flores todos os dias, é a coisa que ela mais gosta de fazer a tarde, porém um dia desses qualquer aparece um formigueiro e as formigas começam a destruir as plantas do jardim.

A sua mãe pede para você ajudar, então munido com a sua pá +4 com dano extra em formigueiros, você vai lá e destrói o formigueiro, salva o dia.

O que você fez, ao atender o pedido da sua mãe foi certo? Você salvou as plantas, ajudou sua mãe, ou seja só pode ter sido certo. E foi, pelo menos para a sua mãe, porque do ponto de vista das formigas você meu/minha caro/a foi o maior cataclisma que aquelas formigas já presenciaram, você destruiu milhares de membros da colônia e talvez até mesmo a rainha, condenando a colônia toda.

Obvio que a situação foi extrapolada para que ficasse claro a subjetividade do que é certo ou errado, as vezes a nossa verdade se torna absoluta porque o egoísmo fala mais alto e aquele conflito interno do pensamento duplo pende para onde nos é favorável.

Quem sabe um dia começaremos a nos pautar pela imparcialidade e então com um pouco de empatia as nossas decisões passem a ser menos danosas, já que totalmente certas ou erradas nunca serão.

imagem: http://www.ssc.wisc.edu/sscc/

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Sérgio Godoy

Não gosta de mini-biografias, tenta ser roteirista e escritor, faz origamis às vezes, gosta de saber coisas e precisa ler mais, é amante de sci-fi e fantasia, RPGista aposentado momentaneamente, gamer viciado... quando não esta dando rages e reports, posta por aqui.

2 comments

  • Lia Mara:

    Sergio, que texto impressionante. Profundo e ao mesmo tempo claro e simples. Nos faz parar para pensar. Adorei.

    • Ralph Luiz Solera
      Ralph Solera:

      #VoltaSérgio!!!

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