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ArtigosMÚSICAAnálise: Grammy 2016
Taylor Swift drops one of her awards during the 52nd annual Grammy Awards in Los Angeles, California on January 31, 2010.     AFP PHOTO / VALERIE MACON (Photo credit should read VALERIE MACON/AFP/Getty Images)

Análise: Grammy 2016

Não, não teremos aqui uma lista dos vencedores do Grammy 2016, como diversos sites já publicaram por aí. Estaríamos atrasados demais para isso de qualquer forma, certo? Decidi, entretanto, aproveitar a época, afinal os Grammys aconteceram na última segunda-feira (15/02) para analisar a premiação em si. Vamos começar com a seguinte pergunta: o que significa ganhar um Grammy?

Para um fã de divas do pop, o Grammy significa tudo. A realização delas parece ser a realização pessoal de cada um de seus fãs. Quando pensamos num cara de 40 anos que ouve GWAR, o Grammy acaba perdendo um pouco de sua importância.

Eu, particularmente, acho algumas premiações bem interessantes. Não dou muita atenção a prêmios da MTV ou da Billboard, por exemplo, mas o Grammy parece ter a mesma seriedade do Oscar – calma lá, galera! Não precisa chover haters aqui falando que o Oscar não é sério e que é tudo uma conspiração da industria pra ganhar dinheiro. Me refiro ao peso que essas premiações tem.

1765030-ca-0223-beck-01-rrd-jpg-300x200 Análise: Grammy 2016Comercialmente falando, ganhar um Grammy significa que você vai vender mais. As pessoas passam a ficar mais interessadas por você. “Quero ouvir aquele cara que ganhou o Grammy”, ou então “quero escutar aquela música que ganhou o Grammy”. Se o artista já é reconhecido, ganha ainda mais reconhecimento, e se o cantor ou banda apela para um publico mais específico e por isso vende menos, é colocado em evidência. Foi o caso de Beck, que já possuía sua audiência e estava estabilizado, porém não era conhecido pelo grande publico, e ganhou a categoria disco do ano em 2015 com seu “Morning Phase”. Suas vendas saltaram para mais de 400% de uma semana para outra. É disco pra caramba, não acham?

Em 2016, foi a primeira vez na história dos Grammys – e olha que era foi a 58ª edição – que a premiação foi transmitida numa segunda-feira. O motivo? Medo de perder audiência por causa dos feriados. Não sei quanto estavam esperando, mas 24 milhões de pessoas assistindo apenas nos Estados Unidos é bastante gente. Quem dirá no mundo todo?

Acho que encontramos a importância do Grammy aí. Pode ser que o ouvinte de meia idade do GWAR esteja pouco se lixando, mas grande parte das pessoas que ajudam a movimentar o mercado fonográfico no mundo estão atentos ao Grammy – e parece que isso não vai mudar tão cedo…

A EDIÇÃO DE 2016.

Focando mais na premiação deste ano, temos encabeçando essa matéria a grande campeã Taylor Swift – e sim, eu sei que essa foto não é desse ano, é de algum outro ano onde ela ganhou vários Grammys, mas o prêmio caindo e a cara dela estão simplesmente impagáveis!

Taylor Swift me deixa intrigado. Um dia, ela foi aquela cantora que todo mundo ficou com pena depois de ser alvo do “I’m really happy for you and Imma let you finish” do Kanye West, e alguns anos depois ela ganha a principal categoria do Grammy – a de disco do ano. O que aconteceu com Taylor Swift?

ts-300x169 Análise: Grammy 2016Bem, a mudança do country-pop para o pop propriamente dito (tenta ler essa frase em voz alta, quase um trava-língua) foi inteligente. Ela já possuía seu publico, mas sua música não era tão abrangente, ficando presa num gênero que não conseguia mais suportá-la. Lembro de ter ouvido “Knew You Were Trouble” quando saiu e pensei “caramba, essa música até que é boa, e não tem nenhuma influência de country”. Hoje em dia, a Taylor Swift inteira tem suas bases no pop, e isso tem feito bem para ela. Quer ver?

Seu disco mais recente, 1989, atingiu a marca de cinco milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos, e esse dado é de julho do ano passado. Três de seus singles já ficaram no topo das paradas americanas, Shake It Off, Blank Space e Bad Blood. Além disso, os clipes de Shake It Off e Blank Space ocupam, atualmente, o top 5 de vídeos mais assistidos do Youtube de todos os tempos – o primeiro com a 5ª colocação, tendo 1 bilhão e 300 milhóes de visualizações, e o outro com a segunda colocação, chegando perto de um bilhão e quinhentas mil visualizações.

O engraçado é que, diferente das outras cantoras pop, Taylor parece ser amiga de todo mundo. Ela até reúne alguns desafetos, mas já participaram de sua turnê Ricky Martin, Miranda Lambert, Ellie Goulding, Keith Urban, Steven Tyler, Mick Jagger, Justin Timberlake, Alanis Morissette, Mary J. Blige, dentre outros.

adele-grammy-20162-300x195 Análise: Grammy 2016Outro destaque dos Grammys desse ano, mas pelos motivos errados, foi Adele. Ela arrebentou de vender no final do ano passado – mais de dois milhões SÓ na primeira semana – com seu último disco, 25, e todo mundo sabe o quão boa é sua voz. Ainda assim, devido a um problema técnico em sua performance no Grammy da música All I Ask, a cantora ficou sem áudio e desafinou por alguns segundos. Isso já foi o bastante para movimentar as redes sociais, e os “críticos” de plantão começaram a encher a paciência de quem pensou “ok, ela cometeu um erro, ela é humana” – o que eu espero ter sido a maioria das pessoas. Óbvio que ela está sabendo tirar proveito do ocorrido, chegando até a dizer no The Ellen Degeneres Show que “chorou o dia todo”, mas que “choraria também  se a apresentação não tivesse erro nenhum, pois sempre chora”. Então tá ok!

Vale falar também do vencedor de gravação do ano, Mark Ronson. “Opa, tá louco? Quem ganhou foi o Bruno Mars!”. Que nada, rapaz! Foi o Mark Ronson mesmo. A música é dele, o Bruno Mars tá lá a convite do cara pra assumir os vocais – e o fez brilhantemente, tanto que Uptown Funk foi uma das músicas mais tocadas do ano e, apesar de não fazer muito meu estilo, é inegável seu ritmo contagiante, bem como seu apelo comercial. Don’t believe me? Just watch! 😉

A brasileira Eliane Elias fez bonito também ganhando uma categoria que eu nem sabia que existia, melhor disco de jazz latino. Jazz latino?! Pois é, meus caros! Mas enfim, o que importa é que ela ganhou, sendo a única artista brasileira a faturar um Grammy. Há quem não se importe, mas eu fico feliz em ver os artistas certos representando nosso país lá fora. Antes a Eliane Elias ganhando um Grammy do que um artista do naipe do Luan Santana. Melhor deixar o “Meus Prêmios Nick” pra ele, né?

kendrick-freestyle1-300x233 Análise: Grammy 2016E não tem como terminar sem falar do gênio – sim, eu o considero um gênio – Kendrick Lamar. Ele era o artista com mais indicações, 11 ao todo, e levou cinco gramofones para casa. Não conhece o cara? Ele nasceu em Compton, na Califórnia, e se impressionou logo aos oito anos de idade com um clipe do Tupac, Shakur e Dr. Dre, California Love. Diferente dos rappers tradicionais, porém, Kendrick Lamar não teve a típica “infância difícil”. Era um bom estudante e, aos dezesseis anos, lançou sua primeira mixtape intitulada Youngest Head Nigga in Charge (Hub City Threat: Minor of the Year). A partir daí, juntou-se a uma gravadora independente e lançou seu primeiro disco. Ganhou notoriedade com o terceiro, To Pimp a Butterfly, sendo aclamado pelo público e pela crítica.

O que me chama a atenção em Kendrick Lamar é o teor político em suas letras. Ele não fale apenas da situação dos negros nos Estados Unidos, da desigualdade ou de como tem vontade de ter carros caros, correntes de ouro e estar rodeado de mulheres. Ao invés disso, Kendrick Lamar conta histórias… E você embarca na dele, se for capaz.

lady-gaga-bowie-grammy-2016-300x200 Análise: Grammy 2016Opa, eu disse que ia terminar? Sorte – ou azar – de vocês que eu falo demais. Não dá pra deixar de comentar a homenagem da Lady Gaga ao Bowie – e como ela tornou a homenagem do Hollywood Vampires ao Lemmy Kilmister do Motorhead algo sem brilho, senso comum. A artista mostrou ali que sempre se inspirou mesmo em Bowie e sentiu muito a morte de seu ídolo maior. A ideia de imprimir o raio de Bowie no rosto de Gaga através de um projetor foi sensacional, mostrando que o camaleão está apenas sobrepondo a cantora com sua maquiagem e roupas (que também são mudadas durante a apresentação, sincronizando com as mudanças de músicas). Já nossos amigos Johnny Depp e Alice Cooper preferiram dar uma introduçãozinha de Ace of Spades para, em seguida, apresentarem uma música nova. Pô, amigos?! Assim fica difícil defender vocês! Eu até que gosto da banda, mas não acho que eles sejam relevantes o suficiente para apresentarem uma música nova no Grammy. Muito pelo contrário, se dedicassem seus cinco minutos no palco para tocarem outras músicas do Motorhead, seria de muito bom tamanho – tanto para eles como para o próprio Lemmy, que teria a homenagem que de fato merecia.

No mais, senti falta de uma homenagem para Scott Weiland, que ganhou apenas um espaço no “In Memoriam”. Muitos mortos para termos homenagens apropriadas no tempo cronometrado do Grammy? É, talvez…

E aí, você acompanha a premiação? O que achou dos vencedores? Seu artista preferido ganhou? Você tá pouco se importando pro Grammy e pra industria fonográfica? Beleza, escreve tudo aí pra gente nos comentários! 😉

Avaliação
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MarcusColz-144x144 Análise: Grammy 2016

Marcus Colz

Livreiro, gamer, aficcionado por filmes, séries e música, não necessariamente nessa ordem. Fã de black metal que simpatiza com a Katy Perry. Come junk food mais do que deveria e não suporta alho, apesar de não ser um vampiro. Na busca de seu próprio universo, se encontra no Maxiverso.

6 comments

  • Ronald Braga (@ronaldbl2):

    Otimo texto e visão. O mundo precisa de mais opiniões como a sua!

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      E aí Ronald, tudo bem?

      Fico lisonjeado pelo comentário. Gosto sempre de basear minha opinião em informações concretas e muita análise – muita mesmo! Sempre penso duas, três vezes antes de emitir uma opinião, quem dirá numa plataforma como o Maxiverso, não é?

      Logo, um elogio como o seu é muito gratificante. Espero que continue acompanhando o site.

      Abraços!

  • Lininho:

    Aaaaaaaaaah Taylor divaaaa

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      Ela merece!

  • Jill castle:

    Muito bom esse texto… uma visao totalmente fora do comum… me lembra o Omelete nos bons tempos… isso significa duas coisas: vcs vao crescer muito e vcs tem a qualidade do Omelete… dos bons tempos rsrsrs

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      E aí Jill Castle, tudo bem?

      Poxa, muito obrigado pelo elogio! O Omelete é uma referência no segmento de notícias de cultura pop e entretenimento. Aos poucos, acredito também que vamos galgando nosso espaço.

      Bem vinda ao Maxiverso, e volte sempre! 😉

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