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Especial Demolidor: 2ª temporada do Netflix (análise)

Demolidor (Daredevil)

Showrunners: Doug Petrie e Marco Ramirez.
Elenco: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Jon Bernthal, Élodie Yung, Stephen Rider, Rosario Dawson, Vincent D’Onofrio.
Ano: 2016 (segunda temporada).
Episódios: 13 (50 minutos cada, disponibilizados simultaneamente).
Produção:  Marvel Television, ABC Studios e Goddard Textiles.

Wow.

Apenas… Wow!

Que temporada foi essa, meus amigos? Deu pra respirar? Eu fiquei sem fôlego em alguns momentos, mas consegui sobreviver.

>>> Aviso: esse texto contém spoilers <<<

Bem, vamos nos recompor aqui, para falar com um pouco mais de propriedade sobre a segunda temporada de Demolidor. O pessoal envolvido na produção tinha pela frente uma tarefa das mais difíceis: fazer jus à obra-prima que foi a primeira temporada. Finalmente, parecia que o universo das HQs era bem ambientado nas telinhas, com histórias adultas, personagens profundos, enredo bem desenvolvido e escolhas acertadas no elenco, e não poderíamos perder isso com uma segunda temporada mal conduzida. Felizmente, o Netflix acertou novamente!

demolidor2 Especial Demolidor: 2ª temporada do Netflix (análise)Não tem como começar sem falar do nosso querido Charlie Cox. Classifico seu Matt Murdock como despretensioso – e esse é o maior elogio que um ator que interpreta super heróis pode receber, a meu ver. Afinal, exagerar no tom é quase inevitável, quando pensamos num papel como esse. Estamos falando de um personagem que não só carrega a série, como possui habilidades sobre-humanas e leva consigo a certeza de que vencerá no final. O problema que vimos com o Demolidor de Ben Affleck não está presente no Demônio de Hell’s Kitchen de Cox – e nós agradecemos por isso.

Um fator que considero indispensável numa série como Demolidor é o lado humano – e vimos isso tanto no Foggy Nelson de Elden Henson, como na belíssima Deborah Ann Woll, que deu um show como a Jessica de True Blood e agora está arrebentando como o interesse amoroso de Matt, Karen Page. A relação de Matt e Foggy é muito interessante pois, além de melhores amigos, eles são também cúmplices. As cenas dos dois me prendem muito, porque imagino como deveria ser fácil para um homem como Matt Murdock perder a humanidade ou, talvez, se distanciar das pessoas que ama a fim de protegê-las. O que vimos, entretanto, é o herói se preocupando com o amigo e mantendo-o próximo. Foggy pode até precisar do Demolidor para protegê-lo, mas Matt, o ser-humano Matt Murdock, precisa de Foggy ao seu lado.

Já com Karen Page, teríamos todos os elementos clássicos de um romance bonitinho, mas a fórmula é um pouco diferente. O romance ainda está presente – ainda que, na primeira temporada, Matt tenha se interessado por Claire Temple, personagem de Rosario Dawson – mas de uma maneira muito cautelosa. Karen, antes de tudo, é uma sobrevivente. Vimos, na primeira temporada, ela matando para se salvar. Vimos como isso afetou a maneira com que ela enxergava a si mesma e o mundo. É uma personagem muito bem construída, muito além da “namoradinha” do protagonista.

E, falando em nisso, na segunda temporada vimos o protagonismo ser dividido entre o Demolidor e outros dois personagens. Vamos a análise da nova temporada? Trata-se da última parte do especial de três partes do Demolidor que o Maxiverso preparou para você. Se você ainda não conferiu as outras matérias do especial, basta clicar aqui para conhecer os quadrinhos mais indicados para quem quer conhecer melhor o Demolidor, e aqui para ler nossa análise do primeiro ano da série.

A segunda temporada – anúncio, promoção e escolha de elenco.

Assim que a renovação da série foi divulgada, muito se especulou quanto a quem aparecia em na nova temporada. O Rei do Crime estava preso, mas todos que acompanham o Demolidor nos quadrinhos sabem que o Mercenário é o principal inimigo do herói. Também temos as outras namoradas de Matt (como já disse antes, tá pra nascer outro herói tão galanteador como nosso Daredevil), os vilões da Mão, entre outros.

O Netflix nos surpreendeu com a escolha do Justiceiro para integrar a segunda temporada, e deu o que os fãs queriam quando anunciaram a chegada de Elektra. Toda a promoção da segunda temporada se resumiu nas participação desses dois personagens, o que já gerou todo o hype (que já não era pouco) para o público ficar ansioso com os novos episódios. Faltava, apenas, a produção da série escolher atores que segurassem a bronca desses papéis. Tivemos uma experiência não muito agradável com Jennifer Garner como Elektra nos cinemas (tanto em seu filme solo como no filme do Demolidor). e estávamos prontos para um nome aleatório que nada tinha a ver com a assassina mercenária. Felizmente, a escolha de Élodie Yung para interpretar a personagem foi muito acertada. Desconhecida do grande público, possuidora da sensualidade que Elektra carrega e faixa-preta em caratê, Élodie parecia ter as características necessárias para ser uma Elektra perfeita.

E quanto ao Justiceiro? Frank Castle é um anti-herói que mata seus inimigos a sangue frio, deixando um rastro de sangue e destruição por onde passa. O personagem já dividiu a cena com o Demolidor nos quadrinhos, mas ainda assim não sabíamos muito o que esperar com a adição do personagem na série. E o ator? Quem conseguiria interpretar um personagem que é, ao mesmo tempo, tão intenso, explosivo e indiferente? Ora, o também indiferente, explosivo e intenso Shane, de The Walking Dead. Jon Bernthal foi anunciado como Punisher, e essa pareceu a escolha perfeita, tanto para a crítica como para os fãs. Faltava confirmar, apenas, se o Justiceiro de Bernthal não seria um Shane 2.0…

Começando de onde paramos.

Começamos a temporada compreendendo que a vida continuou depois do Rei do Crime. Diferente dos típicos filmes de super-heróis, os personagens não terminaram felizes para sempre no final. Matt continua vestindo a máscara do Demônio de Hell’s Kitchen para proteger a cidade, e ainda precisa se preocupar com sua empresa de advocacia, que atende pessoas injustiçadas e que não possuem condições de pagar bons advogados e, por isso, está perto da falência. Karen é a que mais se preocupa com isso, jogando uma boa dose de realidade sobre as cabeças de Foggy e Matt.

frankcastle Especial Demolidor: 2ª temporada do Netflix (análise)Logo, a ameaça do Justiceiro se faz presente. O que parecia ser um exército se organizando para destruir as gangues de Hell’s Kitchen revela ser apenas um homem. Um exército de um homem só, se considerarmos a infinidade de armas que o Justiceiro possui e a precisão com que as maneja. A dinâmica do personagem com o Demolidor é bem interessante, pois ambos desejam proteger a população, mas Frank Castle não hesita em eliminar criminosos, enquanto Matt acredita na possibilidade de redenção. A cena em que o Demolidor está acorrentado e questiona os métodos de Frank é sensacional- e faz referência direta aos quadrinhos, ou seja, fãs saudosistas devidamente agradados. Vemos a mesma utopia tendo duas rotas diferentes. Jon Bernthal conseguiu entregar um Punisher sólido, humano e, ao mesmo tempo, monstruosamente afetado pela morte de sua família. É possível notar um excesso de paciência nele (os vários “what’s that, Red?” que ele manda para o Demolidor durante a conversa, por exemplo, deixam isso evidente), mas quando se trata de matar pessoas com moral questionável, Frank Castle é prático. No terceiro capítulo, temos uma cena de ação tão grandiosa quanto à já icônica cena do corredor da primeira temporada. Frank provoca uma gangue de motociclistas, que decidem apanhá-lo. Matt enfrenta todos eles enquanto desce as escadas de um prédio. Tudo muito bem coreografado, ângulos de câmera que tornam as cenas meio bagunçadas, mas uma bagunça proposital e controlada. Jogo de luz e sombra, edição… Tudo no ponto. É nessas e em outras cenas que o Netflix mostra a que veio!

Paralelo a vida absurda como super herói, as coisas parecem se encaixarem na vida pessoal de Matt. O relacionamento com Foggy está saudável, e o segredo do Demolidor não parece mais atrapalhar tanto. Karen finalmente deixa mais evidentes seus sentimentos por Matt, e o que todos esperaram na primeira temporada finalmente acontece: um admite para o outro que se gostam. É muito interessante ver a maneira com que a série trata o romance de Matt e Karen. Claramente não é o foco do enredo, mas provê aquela leveza que nós esperamos depois de um bando de cenas frenéticas de ação. Ver Matt e Karen juntos é legal (e não tem outra palavra para definir). É impossível não torcer por eles. Conseguiram transformar a destrutiva Karen Page dos quadrinhos numa mulher doce e gentil, mas ao mesmo tempo corajosa e até mesmo ousada quando necessário. A mudança, ao invés de prejudicar a série, porém, é muito bem-vinda, e faz sentido se considerarmos o enredo proposto.

Um tempero chamado Elektra.

elektranatchios Especial Demolidor: 2ª temporada do Netflix (análise)Após a trama do Justiceiro ser deixada de lado – mas não concluída, vejam bem – finalmente temos espaço para Elektra Natchios aparecer. Eu pensava que ela apareceria no início da segunda temporada e a trama do Justiceiro seria deixada para mais tarde, mas optaram por fazer o contrário. No parágrafo acima eu mencionei que a vida pessoal de Matt estava entrando nos eixos, certo? Bem, Elektra surge para bagunçar tudo novamente. Como muitos já devem saber, inclusive quem não acompanhou o Demolidor nas HQs, Elektra é ex-namorada de Matt Murdock, dos tempos da faculdade, e o final do romance foi trágico, mas até então não devidamente esclarecido. Inclusive, temos um momento da primeira temporada onde, num flashback, Foggy pergunta para Matt “o que aconteceu com a garota grega”. Quem se lembra disso? Pois é, meus caros. Ele falava de Elektra!

Através de flashbacks, compreendemos melhor o que aconteceu entre Matt e Elektra. De início, é impossível não odiar a personagem, já que ela claramente aparece para interferir na vida que Matt construía a passos de tartaruga com Karen.

A primeira surpresa: Elektra é uma guerreira, talvez tão boa quanto o próprio Demolidor. A segunda: ela é rica… Podre de rica. É sensual, obviamente, e possui seu próprio uniforme para omitir sua real identidade. A trama que envolve a personagem movimenta o restante da trama… Algo envolvendo o que parece ser a Yakuza, mas que logo se revela muito maior. Elektra é a típica personagem que sabe mais do que aparenta, e deliberadamente dosa as informações que possui para utilizá-las a seu favor e manipular quem for necessário. Ainda assim, Élodie Yung conseguiu mostrar o lado humano de Elektra. Ela ama Matt, e considera-o a única pessoa capaz de compreendê-la completamente (e vice-versa). É triste ver alguém como ela, uma mulher que pode ter o mundo a seus pés, não conseguir algo que deseja profundamente e está tão próximo de si.

Outro ponto interessante que envolve Elektra: ela é uma femme fatale, mas a série não sente necessidade de mostrar isso de forma escancarada. A inconsequência e a infinidade de recursos de Elektra são exibidas ora ou outra, em determinadas situações que carecem o envolvimento dela. Temos, por exemplo, o episódio onde ela obriga um legista a admitir perante um juri seu ato corrupto com a intenção de ajudar Matt, mas que por fim atrapalha todo o andamento do caso.

E que caso é esse? O julgamento de Frank Castle. Depois de capturado, o personagem é humanizado. Através do olhar de Karen Page, podemos ter uma noção do que aconteceu com ele e o que o instiga a continuar com sua matança desenfreada. Nesse momento, a série adquire um tom ainda mais sombrio, com cenas memoráveis dentro da corte de julgamento com uma certa advogada que a gente conhece pouco até então, mas já odeia. Relaxa, pessoal! O que é dela tá guardado, e logo vocês verão!

Outra grata surpresa da segunda temporada é o retorno de Rosario Dawson como Claire Temple. Como disse anteriormente, séries como Demolidor ficam ainda mais interessantes com personagens humanizados e vulneráveis, e é exatamente isso que a enfermeira é. Vê-la lidando com toda a bagunça causada por Frank Castle e pelo próprio Demolidor é um choque de realidade. Os leitos do hospital acabaram; as alas de espera estão tomadas por feridos e já faz mais de um mês que Claire trabalha em horários absurdos para dar conta da demanda gigantesca. Trata-se de uma pessoa comum, com um trabalho comum, ainda que nobre, e que possui objetivos que uma pessoa comum teria. Saber que uma personagem como essa terá mais espaço na série solo de Luke Cage e ainda aparecerá na próxima temporada de Jessica Jones é uma das melhores notícias que poderíamos ter. Nesse mundo fantástico de super-heróis, precisamos de personagens como Claire Temple.

Não entrarei no mérito de debater o final da temporada, já que muitos gostaram enquanto outros acharam fraco. Considero-o satisfatório para os propósitos do enredo, e ainda permite um gancho para uma eventual terceira temporada, que ainda não foi confirmada mas provavelmente acontecerá – e eu aposto que você torce por isso tanto quanto eu.

Gostaria de agradecer a todos que acompanharam o especial do Demolidor até o final e, em nome da equipe do Maxiverso, pergunto: quais outros especiais vocês gostariam de ver aqui? O formato de uma publicação por semana agradou? Não deixe de participar e de compartilhar sua opinião conosco através da seção de comentários.

Long live, Red!

Avaliação
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MarcusColz-144x144 Especial Demolidor: 2ª temporada do Netflix (análise)

Marcus Colz

Livreiro, gamer, aficcionado por filmes, séries e música, não necessariamente nessa ordem. Fã de black metal que simpatiza com a Katy Perry. Come junk food mais do que deveria e não suporta alho, apesar de não ser um vampiro. Na busca de seu próprio universo, se encontra no Maxiverso.

2 comments

  • Geovaneeeh:

    Cheguei nesse site por causa di uma materia sobre uma serie da Netdlix q vcs indicaraum e acabo q to aki faz umas duas horas ja e vim parar aki nesse post do Demolidor, mt mt bom o post, eu quis le mesmo com spoler mas deu ainda + vontade de assisti a serie, vo assisti as duas tenporadas vlw a dica! Fui

    • Marcus Colz
      Marcus Colz:

      Opa, tudo tranquilo Geovaneeeh? (são três e’s mesmo? haha!)

      Acredito que você esteja falando da indicação da série Black Mirror? Se for, pode assistir tanto ela como o Demolidor, ambas são fantásticas!

      Ah, e obrigado pelo elogio! Tentamos fazer a crítica com o mínimo de spoilers possível justamente para instigar o pessoal a assistir sem estragar a surpresa.

      Valeu pelo comentário, e espero que perca (ou ganhe!) mais algumas horinhas visitando nosso conteúdo.

      Abraços!

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