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Crítica: Sicario (Netflix)

Sicario Crítica: Sicario (Netflix)Sicario

Direção: Denis Villeneuve

Elenco: Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro, Victor Garber, Daniel Kaluuya e Jon Bernthal.

Qual o limite na luta de uma guerra que parece nunca ter fim? Independente da resposta, algo é inevitável: não há mocinhos neste conflito e quanto mais afunda-se neste mundo, mais aterrorizadora é a verdade por trás de tudo. Diretor do magnífico Os Suspeitos, Denis Villeneuve repete a direção competente e envolvente em Sicário, que retrata a luta contra as drogas na fronteira do EUA e México na visão da agente Macer (Emily Blunt, se especializando no papel de heroína). O longa encontra-se disponível no Netflix e é uma grande dica para quem procura um ótimo filme, um dos melhores de 2015.

A agente se torna um corpo estranho e frágil aos fatos num terreno em que ela precisa tornar-se algo aquém dos seus princípios morais e profissionais (“Você precisa ser o lobo”, como exemplifica um dos personagens). Tal contexto poderia até tornar o filme passível de ser chamado de sexista dependendo do ponto de vista, mas a acusação não se sustenta graças ao roteiro e mostra soluções convincentes para introduzir a personagem na história.

Após investigar um local que serve como cativeiro do cartel, Macer é convocada para trabalhar numa força tarefa liderada pelo agente Graver (Brolin) que também conta da ajuda do metódico Alejandro (Del Toro); mas o aparente convite é apenas a ponta do iceberg na história com personagens cujas ações e comportamentos passam longe de qualquer escrúpulo e que apenas ratificam uma posição polêmica e reveladora de que esta guerra contra o narcotráfico é um ciclo sem fim.

Podemos dizer que esta guerra não está restrita somente na fronteira, mas em qualquer lugar que tais condições a favoreçam, como vemos numa das sequências onde facilmente identificamos similaridades sociais com as comunidades do Rio de Janeiro, por exemplo, que vive um clima de terror imposto pelo tráfico. Tal abordagem temática é influenciada claramente por Traffic de Soderbergh (que rendeu um Oscar para Del Toro) que trata tal tema que atinge a todos, tornando-se algo corriqueiro em suas vidas, como se muitos não tivessem outra chance – como paralelamente podemos ver no policial que vive entre dois mundos.

Contando com uma trilha sonora extremamente invocativa que consegue impor uma tensão ainda maior nas cenas, a direção de Villeneuve consegue extrair o máximo das sequências sem apelar constantemente para movimentos de câmeras bruscos ou tiroteios em profusão.

Sicario_meio Crítica: Sicario (Netflix)

Como podemos constatar na cena em que os agentes escoltam um criminoso pelas ruas da fronteira do México (sequência esta que mostra toda a indiferença daqueles agentes com as leis e a população ao infringirem regras básicas de segurança), em que o diretor espera até o último minuto para entregar a violência ao espectador, se aproveitando do clima nervoso anteriormente preparado com a montagem, a trilha e a fotografia. Outro exemplo é a brilhante sequência que ocorre a noite onde o diretor expõe de maneira orgânica as várias visões noturnas sem fazer o espectador se sentir confuso ou incomodado, como feito em A Hora mais Escura, por exemplo.

A relação entre os personagens e seus conflitos morais são um dos pontos altos do longa. Contando com um elenco inspirado, jamais podemos dizer realmente as intenções deles – excedendo claro a protagonista que é o elo do público com aqueles indivíduos. Josh Brolin e Benicio Del Toro têm em seus papéis a capacidade de construírem personagens carismáticos, mas não menos dúbios.

Brolin é um agente que acredita realmente que neste jogo é necessário quebrar as regras independente de quem seja sacrificado. O ator sempre mantém seus gestuais, no seu sorriso irônico com ar de deboche a prova do desdém para os protocolos.

No mesmo terreno temos Alejandro (Del Toro), construído de maneira cuidadosa pelo ator, cujo personagem vai crescendo durante a projeção de maneira sublime. Mesmo no início se apresentando como alguém que parece estar à margem da situação, é justamente este comportamento silencioso e sem grandes exaltações que faz o espectador pensar o quanto perigoso ele pode ser.

Envolvente até seu último ato, ficamos com a certeza – assim como a protagonista – de que somos apenas elementos passivos diante de um problema sempre a espreita para nos atingir sem que possamos fazer nada. E quando nos damos conta não temos em quem confiar.

Sicario_Final Crítica: Sicario (Netflix)

Avaliação
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RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Sicario (Netflix)

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, ainda jovem, certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

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