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GamesNERD + GEEKPokémon Go: Por quê?!
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Pokémon Go: Por quê?!

Admito que começo esse texto sem entender bem sobre o que vou falar. Podem pensar que vou falar sobre Pokémon Go porque o jogo está em alta e, com isso, essa publicação terá um número maior de visualizações. Podem até imaginar que gosto do game e vou defendê-lo, ou então sou um “adultão de rede social” que alega ser maduro demais para jogar um jogo desses e, por isso, vou criticá-lo negativamente.

Mas não é o caso. Espero encontrar aqui uma razão para o sucesso do jogo, ou então um motivo para tantas críticas negativas por parte de quem não joga. Embarca nessa comigo? Não prometo nada…

Gotta catch’em all!

pokémon-2 Pokémon Go: Por quê?!Tenho vinte e oito anos. Isso significa que, quando transmitido no Brasil, Pokémon atingiu em cheio minha pré-adolescência. Tinha entre onze e doze anos quando o anime estreou no programa da Eliana. Na época, foi apenas uma tentativa desesperada de salvar o programa da apresentadora, que estava mal das pernas na audiência.

Mal sabia a Record o impacto cultural que Pokémon traria para o Brasil. Fomos dominados por todo tipo de produto relacionado ao anime, como revistas, álbuns de figurinhas, miniaturas, cardgame, chaveiros e o que mais você imaginar. Lembro do trabalho que era conseguir grana para comprar figurinhas na banca perto de casa, ou o Caçulinha da Antarctica. Digamos que esse meu vício não era muito encorajado pelos meus pais – e, pra ajudar, tinha um vizinho meu que tinha tudo (T-U-D-O) relacionado a Pokémon. Sofrimento para mim, meus caros.

As vendas do portátil Game Boy foram impulsionadas no Brasil por causa de Pokémon. Tivemos o lançamento de Pokémon Stadium e Pokémon Snap, ambos para Nintendo 64. Paralelo a isso, descobri que o anime que eu tanto adorava era derivado de um jogo que eu tinha acesso – não pelo Game Boy, mas através dos emuladores. Pude ter minha sonhada Starmie treinada maestralmente até o nível 100 (talvez o máximo era 99, não lembro bem). Joguei as versões Blue, Red, Yellow, Silver e Gold. E parei por aí. Fui chegando perto dos quinze, dezesseis anos, e meu interesse por Pokémon foi desaparecendo.

Fico imaginando como eu reagiria se um jogo como Pokémon Go fosse lançado na época em que eu tinha doze anos. Talvez eu não conseguiria jogar, pois eu jamais ganharia dos meus pais um celular que suporta um jogo como Pokémon Go (e eu os agradeço por isso), mas eu me veria com uma vontade inexplicável de viver essa sensação de caçar pokémon e treiná-los. De certa forma, seria uma evolução da experiência que os jogos de Game Boy proporcionavam.

Vamos, agora, trazer Pokémon para os dias de hoje. Há muito tempo, o desenho deixou de fazer sucesso no Brasil. Entretanto, a marca está viva na mente das crianças e dos adolescentes. Além dos jogos, carros-chefes da Nintendo e altamente vendáveis no Brasil (agora para o DS e o 3DS), temos o Trading Card Game, o cardgame de Pokémon que é indispensável em qualquer loja de brinquedos ou que trabalhe direta ou indiretamente com entretenimento. Pode perguntar para qualquer conhecido seu que trabalha com o público infanto-juvenil: não ter o cardgame de Pokémon a venda é sinônimo de prejuízo.

Como uma marca como essa se mantém viva e relevante por tanto tempo? Sabemos que o mesmo não acontece com produtos semelhantes que também tiveram seu momento no Brasil, como Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodíaco (ainda que estes sejam direcionados a públicos diferentes). Sendo assim, mérito da Nintendo na manutenção de Pokémon no Brasil. E o estranho é que eu nunca notei muito esforço da parte deles… Seria sorte da Nintendo, ou falta de atenção minha?

Ok, mas… E Pokémon Go?

pokémon Pokémon Go: Por quê?!Com esse contexto em mente, podemos compreender o sucesso de Pokémon Go. Ele apela à galera perto dos trinta que sonhava com a experiência de poder caçar um monstrinho, como também para o público mais jovem, que conheceu Pokémon apenas pelas mídias que citei acima. A popularidade do jogo é inegável, não só no Brasil, como no mundo todo. Se você acessou o Maxiverso pelo Google, com certeza viu centenas de outros artigos sobre Pokémon Go. Temos diversas noticias que deixam a população chocada, como pessoas que foram assaltadas enquanto “caçavam pokémon”. Como se esquecer daquele vídeo no Central Park, onde as pessoas desciam de seus carros e paravam o trânsito porque um pokémon raro apareceu na região?

Existem diversas evidências que sustentam o sucesso de Pokémon. Inclusive, parafraseio um amigo, que lançou essa semana a seguinte frase: “Pokémon Go é o maior sucesso no mundo dos jogos desde <insira jogo>”. Tente pensar num jogo que foi tão popular quanto Pokémon Go. Alguns citam GTA V, outros voltam alguns anos atrás e citam Mario ou Sonic. Independente do jogo, Pokémon Go será sempre lembrado como um marco na indústria de games.

Não podemos deixar de pensar no outro lado, entretanto. Trabalho num lugar que é chamado de pokéstop, onde os jogadores conseguem pokébolas no jogo para caçar mais pokémon, e já vi diversas pessoas entrando, sendo abordadas pela nossa equipe e respondendo “só estou caçando pokémons” (os caras até falam no plural, sendo que qualquer fã old school sabe que não existe plural para Pokémon). As redes sociais são, novamente, palco para pessoas revoltadas com o jogo e que não aguentam mais essa febre que Pokémon Go se tornou.

Verdade seja dita: é irritante. E, de certa forma, preocupante. A partir de agora, emito minha opinião sobre o assunto e isso pode te deixar revoltado ou, quem sabe, você até concorde com o que vou dizer.

Parece que, cada vez mais, as pessoas buscam por uma válvula de escape da realidade no mundo virtual. E, teoricamente, não há nada de errado com isso. Desde a criação do computador e a popularização da Internet, isso vem acontecendo. Muitas pessoas deixavam de sair com os amigos para conversar com os amigos virtuais no MSN. Ou então, temos pessoas que vão para os lugares apenas para tirarem “aquela foto” pro Instagram. Ou estão apenas filmando ou registrando algo para compartilhar com os amigos pelo Facebook, ou seja, não estão de fato presentes naquilo que estão vivendo.

É essa parte que, para mim, é preocupante. Pokémon Go só deixa mais evidente que a sociedade tem evoluído, porém a própria sociedade mostra que não está satisfeita com essa evolução. Talvez seja egoísmo de nossa parte por nunca estarmos satisfeitos com o que temos, ou talvez seja um sinal de que a realidade que estamos vivendo não nos completa.

“Mas você tira uma conclusão profunda dessas com base num jogo como Pokémon Go?” Sim, é possível concluir isso, quando vemos o impacto do jogo na vida das pessoas e, principalmente, como diversos veículos de comunicação e empresas tem tirado proveito de Pokémon Go para fins de divulgação e venda. Existe um item em Pokémon Go, o Incenso, que atrai pokémon, e já temos algumas lojas utilizando disso para trazer mais monstrinhos para suas dependências e, consequentemente, mais jogadores com potencial de compra. Logo mais, teremos revistinhas com “dicas para capturar pokémon em Pokémon Go”, além de toda uma leva de brinquedos, miniaturas e produtos derivados que logo invadirão com força o varejo brasileiro.

Não é errado lucrar com isso. Os tempos competitivos e complicados que vivemos nos obrigam a isso, as vezes. O problema é quando as pessoas adentram numa situação dessas sem perceberem. Pode não chegar ao extremo da manipulação, mas não há conivência também. E, quando paramos para observar o comportamento dos jogadores de Pokémon Go, formamos críticas similares as de usuários de Whatsapp que ignoram quem está a sua volta para se concentrarem nas conversas pelo aplicativo. Tudo isso pode ser utilizado para omitir um problema – e, enquanto estivermos preocupados apenas em criticar e criticar quem critica, jamais conseguiremos enxergá-lo para, enfim, resolvê-lo.

Com isso, acho que chego onde queria chegar com essa publicação. Fez algum sentido para você? O que você acha dessa febre? Tem jogado Pokémon Go, ou você prefere compartilhar aquele gif do Pikachu montado num jogador?

Avaliação
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MarcusColz-144x144 Pokémon Go: Por quê?!

Marcus Colz

Livreiro, gamer, aficcionado por filmes, séries e música, não necessariamente nessa ordem. Fã de black metal que simpatiza com a Katy Perry. Come junk food mais do que deveria e não suporta alho, apesar de não ser um vampiro. Na busca de seu próprio universo, se encontra no Maxiverso.

1 comment

  • Altair:

    Mais um site babando ovo pra essa idiotice

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