Crítica: Escola de Sereias (Bathing Beauty)

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Direção: George Sidney

Elenco: Esther Williams, Red Skelton, Basil Rathbone, Bill Goodwin, Jean Porter, Janis Paige, Donald Meek, e Margaret Dumont.

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O diretor George Sidney foi um artista de indústria originado da Vandeuville (misto de atrações artísticas feitas para entretenimento na virada do século 19 para 20, podendo ser desde imitações até acrobacias).

Sendo filho de um dos vice-presidentes da MGM, ele conheceu desde cedo todos os meandros dos estúdios e foi fartamente atuante por ter dirigido, pelo menos, um filme por ano desde 1936 a 1964, e ainda ter participado da criação do estúdio de animação Hanna-Barbera (Tom & Jerry, Scooby Doo, Flintstones e outras dezenas de desenhos que marcaram gerações). O diretor emplacou um sucesso atrás de outro desde a época de ouro de Hollywood, como por exemplo, Marujos do Amor (1945) que ficou famoso por inserir Gene Kelly interagindo com animação (no caso o ratinho Jerry), o clássico O Barco das Ilusões (1951), Meus dois carinhos (1957), etc.

Portanto, conhecendo o desejo do público e sabendo como atingir esse objetivo de maneira rápida, o diretor lançou em 1944 Escola de Sereias. O filme é típico musical/comédia da época de ouro de Hollywood nos anos 40 transita do mágico ao inocente, aproveitando-se do poder do então “revolucionário” Tecnicolor e sendo lançado durante a segunda guerra mundial para trazer uma fuga para a época (inclusive fazendo um pedido e homenagem aos combatentes); e ainda tem alguns números musicais irregulares (como a cena das alunas ao piano), tratando, como de praxe, a cultura latina como uma “coisa” somente.

Apesar disso e antes de qualquer desânimo, a obra tem um grande e inesquecível trunfo, que ajudou a sedimentar o status de clássico do cinema: Esther Williams!

A ex-nadadora traz graciosidade, beleza, elegância e carisma a sua personagem de forma apaixonante; e George Sidney sabia disso, não sendo à toa que a primeira cena do filme se dê justamente ao acompanharmos a atriz nadando de um lado a outro da piscina. Assim, aproveitando bem as habilidades da então estreante, a obra mostra a atriz sob a água e traz belos balés aquáticos; obviamente culminando na grandiosa e memorável coreografia final. Com seus belos planos aéreos coloridos, figurinos e movimentação de câmera embaixo d’água (algo sempre complicado de se fazer), a cena é até hoje lembrada e parodiada, como por exemplo, no filme Ave Cesar (2016) dos Irmãos Coen.

Junto com ela, temos um Red Skelton, apostando sempre em uma composição originada de sua formação também vinda do Teatro Vaudeville, incluindo, duas boas sequências (a de quando ele está travestido de bailarina e a do quarto com a bicicleta). A parceria acaba funcionando mais pela química entre os atores que propriamente seus personagens em si. Até porque a trama do personagem de Skelton em reconquistar a esposa (Williams), passando-se por um aluno numa escola para moças em que ela leciona, é a das mais simples possíveis (obviamente), servindo apenas para mostrar a belas alunas em musicais.

Escola de Sereias é um produto daquela época (para o bem ou para o mal) e passados quase 80 anos de sua exibição, ainda mostra que o charme de Esther Williams e os musicais exibidos podem ser admirados. Vale conferir!

*Disponível no Belas Artes a la carte.

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Rodrigo Rodrigues

Eu gosto de Cinema e todas suas vertentes! Mas não aceito que tentem rescrever a história ou acharem que Cinema começou nos anos 2000! De resto ainda tentando descobrir o que estou fazendo aqui!
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6 thoughts on “Crítica: Escola de Sereias (Bathing Beauty)

    1. Bem vindo
      Acredito que seja quase impossível achar. Se é que tem.
      Mas tem no streaming do Belas artes a la carte. Da uma conferida se puder.
      Abraço

  1. filminho ruim pra caramba, so vale mesmo pela atriz, nao tem nostalgia que salve ele, roteiro que se na epoca foi bom hj é quase infantil, um filme da Globo de hj tem roteiro mais profundo e personagens melhores

  2. esther williams é do naipe da Gina Lolobrigida, Brigite Bardot, Claudia Cardinale, Rita Hayworth, Anita Ekberg e outras divas do cinema antigo cujos certos filmes so por ter elas ja valem a pena, bons tempos aqueles

  3. acho que foi o primeiro filme que vi, com o meu pai, no antigo Comodoro em SP… bons tempos que nao voltam mais, como os super cinemas de rua, ja que hj todo cinema fica em um shopping

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