1ª Dica p/ novos jogadores – Conheça Melhor os Board Games Modernos

(obs: esse texto também foi publicado no site Ludopedia.com em https://ludopedia.com.br/topico/46232/1-dica-p-novos-jogadores-conheca-melhor-o-hobby)

 

Esse é o primeiro, de uma série de textos, também publicado no site Ludopedia.com.br, contendo dicas para os novos jogadores, que recentemente descobriram o incrível universo dos jogos de tabuleiro modernos, mais conhecidos como board games. Para facilitar, vale esclarecer que nos próximos textos dessa série, qualquer menção a jogos ou jogadores, se refere aos assim chamados board games modernos (será melhor explicado adiante) e seus entusiastas os boardgamers. Isso é importante para evitar qualquer confusão com outros tipos de jogos como vídeo games, ou outros jogos que não se encaixam nessa categoria de “jogos de tabuleiro”. Porém, é importante dizer que esses limites são amplamente discutíveis.

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Também é importante destacar que os textos dessa série são direcionados para novos jogadores. Por isso, muito do que será dito aqui é de conhecimento geral de quem já tem mais tempo, no hobby dos board gamers modernos. Mas para os recém chegados as informações do texto são algo totalmente novo.

Boa parte da comunidade boardgamer começou com o RPG no anos 80, embora alguns “mais maduros” até tenham jogado os “miniature wargames” dos anos 70 (meu caso). E aqui não se pode deixar de mencionar o “Hero Quest” de 1989, que muitos consideram o primeiro board game lançado no Brasil, em 1994. E isso apesar do jogo ser anterior ao “Colonizadores de Catan”, que é considerado o jogo que deu início a era dos jogos de tabuleiro modernos. Esse paradoxo aparente será melhor explicado ao longo do texto.

Depois veio o “Magic: The Gahering”, no anos 90, e depois os primeiros anos de jogos de tabuleiro importados em “2000 e alguma coisa”. EM seguida o mercado nacional de jogos se estabeleceu melhor, tendo mais lançamentos por aqui, de 2010 em diante. Por fim, houve um crescimento significativo do hobby em 2017/2019, época em que a grande maioria dos assim chamados recém chegados ingressou no hobby. Essa é a historia de quase todas as pessoas que compõem o nosso atual mercado de board games. Porém, evidentemente, os jogos de tabuleiro, propriamente ditos, são mais antigos. Muito mais antigos.

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jogo Hero Quest

 

Jogos de Tabuleiro Ancestrais

A origem dos jogos de tabuleiro se perde nas areias do tempo, durante os primórdios da civilização. Por isso, não é possível precisar com exatidão qual teria sido o primeiro jogo de tabuleiro que foi criado. Nesse aspecto, só pode afirmar qual foi o jogo de tabuleiro mais antigo que chegou até os dias atuais como os que são citados a seguir. Desse modo, é perfeitamente possível que exista algum jogo ainda mais antigo, que se perdeu no decorrer das eras. E mesmo quando se trata dos jogos ancestrais conhecidos, a primazia em termos de antiguidade é objeto de intenso debate.

 

Mancala

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Um exemplo disso é o “Mancala”, que não é apenas o nome de um único jogo, mas sim de toda uma família de jogos, com grandes afinidades entre si e fortes traços em comum. De uma maneira geral, “Mancala” é composto de um conjunto de peças iguais (sementes secas, feijões, contas e assemelhados) e um “tabuleiro”, digamos assim, que consiste de duas ou quatro fileiras de orifícios paralelos.

Ele é jogado passando as sementes de um “buraco” para o outro. Assim, o “Mancala” tem uma óbvia associação com o ato de plantar, e com a agricultura. Isso, a princípio, leva à conclusão de que ele seria tão antigo quanto os primeiros assentamentos humanos fixos. No entanto, essa tese carece de base científica, pela falta de evidências físicas que a corroborem.

Os registros mais antigos do jogo, de que se tem notícia, são bem mais recentes. O jogo está registrado em tabuleiros de argila e rochas esculpidas, encontrada na Etiópia e Eritréia, com datação dos séculos VI e VII d.C.. É claro que a simplicidade dos componentes pode ser uma explicação para essa ausência de evidências físicas. Não faria muito sentido gastar tempo e ferramentas (recursos importantes), para escavar um pedaço de madeira, ou fazer um tabuleiro de argila, quando é perfeitamente possível jogar o “Mancala”, com algumas pedrinhas e alguns buracos no chão. Apesar disso, dos jogos ancestrais, o “Mancala” é provavelmente o mais jogado nos dias de hoje, principalmente na África, Oriente Médio e em algumas comunidades nos Estados Unidos.

 

Jogo Real de Ur

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Por outro lado existem jogos que são comprovadamente muito antigos, e que possuem evidências físicas que corroboram a sua ancestralidade, diferentemente do “Mancala”. Esse é o caso do “Jogo Real de Ur”, cujos tabuleiros foram encontrados durante a década de 1920, em escavações arqueológicas da antiga cidade-estado mesopotâmica de Ur.

Esse jogo é tão antigo (acredita-se que ela surgiu entre 2.600 a 2.400 a.C.), que o seu próprio nome se perdeu. Por isso ele é chamado simplesmente de “Jogo Real de Ur”, porque somente a mais alta nobreza poderia dispor do luxo de ter tempo livre para se distrair, ou possuir objetos mais sofisticados, não ligados ao trabalho, como o componentes do jogo. O resto do povo se distraía trabalhando, e possuía basicamente suas ferramentas, instrumentos de trabalho, e talvez alguns ornamentos rudimentares.

 

Senet (jogo completo encontrado dentro da tumba do Faraó Tutancâmon – imagem BGG)

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Outro jogo ancestral é o “Senet”, que tem origem no Egito e é um possível antepassado do “Gamão”. Os registros mais antigos desse jogo são papiros datados entre 1.000 e 1.500 a. C., aparecendo ainda retratado em várias tumbas egípcias.

 

Cães e Chacais

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Outro jogo muito popular no Egito foi o “Cães e Chacais”, como ele é modernamente conhecido. Seu surgimento se deu aproximadamente por volta de 2.000 a. C. Esse jogo inclusive aparece em uma cena do clássico “Os Dez Mandamentos” (1956), de Cecil B. DeMille, com Charlton Heston e Yul Brynner.

 

A linha do tempo da evolução

Desses tempos imemoriais para cá, muitos outros jogos de tabuleiro foram criados, ao longo dos séculos. Em diferentes momentos, nasceram jogos como o Xadrez, o Go, o Jogo de Damas, o Gamão, variados jogos de cartas e de dados, até o século XX. Nessa época, principalmente na Europa central, os jogos de tabuleiro surgiram como uma alternativa barata e viável, para que as famílias pudessem se distrair, ao longo dos rigorosos meses de inverno. Nessa estação, as grossas camadas de neve e o frio intenso tornavam praticamente impossíveis as atividades de lazer fora de casa.

Essa situação se agravou ainda mais, no período pós II Guerra Mundial, quando boa parte dos países da Europa Central, tais como Alemanha (principalmente a Alemanha), a Áustria, a Polônia, a antiga Checoslováquia, haviam sido destruídos. Isso fez com que as famílias de um modo geral, acabassem desenvolvendo o hábito de se reunir para jogar “jogos de tabuleiro”, principalmente na Alemanha, que foi o país mais devastado pelo conflito.

Esse dado é muito importante, porque influenciou diretamente o estilo de jogos europeus, os “eurogames”, ou mais simplesmente “euros” (nenhuma relação com a atual moeda europeia). Após o fim da II Guerra Mundial, havia uma real preocupação de que a situação posterior a I Guerra Mundial se repetisse, com a Alemanha se reerguendo como uma potência bélica, , após algumas décadas, e lançando o mundo em uma eventual III Guerra Mundial. Foi o início  da chamada Guerra Fria, que perdurou até o fim dos anos 80.

O receio, pelos próprios alemães, de serem submetidos a um segundo “Tratado de Versalhes” desenvolveu um sentimento de forte repulsa social a quaisquer elementos bélicos. Do mesmo modo, havia também, uma forte necessidade de se desassociar de absolutamente qualquer coisa, que tivesse a mínima relação com o nazismo, cujas atrocidades ainda eram uma lembrança muito recente, vergonhosa e dolorosa.

Por outro lado, a Alemanha vivia um período de reconstrução. A gestão de pessoas e gerenciamento de recursos eram os assuntos da pauta, e amplamente discutidos dentro das famílias alemãs. Como não poderia deixar de ser, esse cenário teve forte impacto inclusive sobre os jogos de tabuleiro. Assim sendo, o estilo alemão de jogos de tabuleiro acabou sendo muito mais focado na gestão de recursos, do que propriamente no confronto direto entre os jogadores.

O objetivo dos jogos “euro” não estava focado em derrotar o inimigo, através da sua eliminação por combate e destruição de seus exércitos. O foco era derrotar o adversário pela utilização dos recursos próprios, ou comuns a todos, de uma forma melhor e mais eficiente.

 

Chegando aos tempos atuais

Enquanto isso, do outro lado do Oceano Atlântico, os Estados Unidos, uma das duas superpotências emergentes da II Guerra Mundial (a outra era a antiga URSS), se via como uma nação guerreira e orgulhosa de ter vencido a guerra. É claro que o fato dos horrores da guerra terem ocorrido em outro continente, e de nenhuma cidade norte-americana ter sido bombardeada ou destruída, contribuíram muito para isso. O ataque à Pearl Harbor, apesar de covarde, envolveu uma base naval, e não uma cidade.

Esse sentimento ainda levaria os norte-americanos a se envolverem diretamente em dois outros grandes conflitos armados, a Guerra da Coréia e do Vietnam. Isso representava uma busca incessante por barrar a expansão do comunismo e aumentar a esfera de influência mundial norte-americana, principalmente através do desenvolvimento do seu poderio militar.

Por tal motivo, faz todo o sentido, que boa parte dos jogos de tabuleiro americanos, tivesse o foco no conflito direto e eliminação de adversários. Isso inclusive resultou na criação de toda uma categoria de jogos com essa premissa, que foram os “war games”. Tais jogos se tornaram muito populares, especialmente nos EUA, na década de 1970.

Esse estilo acabou originando, mais tarde, a criação dos famosos jogos “ameritrash”, em que se valoriza o confronto direto entre jogadores, ou a cooperação, e semi-cooperação, deles contra o próprio jogo. O tema é fundamental e sempre muito bem trabalhado.  O fator sorte não é tanto um tabu como nos jogos euro e o uso de miniaturas é um diferencial.

Algumas pessoas preferem hoje o termo “amerigame”, por entender que “ameritrash” (lixo americano) é um termo depreciativo. Ele teria sido cunhado para hostilizar os apreciadores desse estilo, como se eles não tivessem imaginação necessária para os jogos abstratos, nem a capacidade intelectual suficiente, para jogar jogos euro. Essa, sem dúvida, é uma besteira sem tamanho e não tem o menor cabimento. Apesar disso o termo “ameritrash” pegou e hoje é utilizado como um contraponto aos jogos “euro”.

 

A premiação que mudou o destino dos jogos

Em 1978 ocorreu um evento muito importante para o hobby dos jogos de tabuleiro, cujo impacto repercute, principalmente nos dias de hoje. Foi nesse ano que um grupo de jornalistas alemães, entre eles Tom Werneck e Jugen Herz, preocupados com a baixa cobertura da mídia para os novos jogos alemães, resolveram criar uma premiação para o melhor jogo lançado na Alemanha naquele ano. Para isso eles selecionaram um júri, composto de pessoas sem nenhuma ligação com a indústria alemã de jogos, e que experimentariam todos os jogos lançados nos doze meses anteriores.

Nascia o “Spiel des Jahres”, que veio a se tornar, e é até hoje, a mais importante premiação do mundo, nesse setor. Ele é mais ou menos como se fosse um “Oscar dos Jogos de Tabuleiro”. No início essa premiação não era muito organizada. Para se ter uma ideia, houve um ganhador em 1978, “A Lebre e a Tartaruga”, um jogo inglês de 1974, lançado pouco depois na Alemanha pela empresa Ravensburguer. Mas esse “primeiro lugar” precisou ser repetido em 1979, porque em 1978 o grupo de jornalista não conseguiu organizar o evento da premiação.

Apesar desse início nada auspicioso, o fato é que o “Spiel des Jahres” foi crescendo cada vez mais e se tornando cada vez mais relevante para a indústria de jogos de tabuleiro. Posteriormente, foram criadas mais duas categorias, sendo a primeira, em 1989, dedicada a jogos infantis, o “Kinderspiel des Jahres” (Jogo do Ano para Crianças), e a segunda, em 2011, para jogos mais complexos e mais pesados, o “Kennerspiel des Jahres” (Jogo do Ano para Especialistas).

Atualmente, apenas a indicação ao “Spiel des Jahres” já é uma certeza de vendas astronômicas. Ganhar o prêmio é a verdadeira consagração, tanto do jogo, quanto do seu designer. Isso também representa um volume de vendas na casa das centenas de milhares de unidades, no mundo todo.

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No final dos anos 1970 e início da década de 1980, o surgimento dos videogames domésticos, em especial o Atari 2600, começou a diminuir o público, a relevância e o interesse pelos jogos de tabuleiro. Ninguém queria mais passar horas ao redor do mesmo jogo, quando era muito mais legal juntar os amigos e passar a tarde jogando os mais variados jogos de computador e cartuchos de jogos eletrônicos. Durante quase duas décadas, houve um forte declínio da indústria de jogos de tabuleiro. Apenas o fato deles serem muito mais baratos, que sua contraparte eletrônica, parecia impedir que eles ficassem relegados a um nicho de mercado muito restrito de entusiastas saudosistas e colecionadores excêntricos.

 

Catan e os modernos board games

Essa situação perdurou até 1995, quando foi lançado um jogo verdadeiramente revolucionário, o “Colonizadores de Catan” ou simplesmente “Catan”. Esse jogo foi tão importante que ele será tratado em outro texto dessa série, mais específico. Por hora basta saber, que ele é um jogo excelente e que fez muito sucesso, tanto no mercado europeu, quanto no norte-americano. Esse sucesso foi tanto que as pessoas voltaram a se interessar por jogos de tabuleiro em geral, inaugurando a nova era dos jogos de tabuleiro modernos.

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No Brasil, ao longo do século XX, praticamente apenas Estrela e Grow lançavam versões nacionais, adaptadas e não licenciadas, de jogos de tabuleiro internacionais (War/Risk, Detetive/Clue, Banco Imobiliário/Monopoly, Top Secret/Heimlich & Co, entre outros).

O cenário mudou no início dos anos 2000, e excluindo os “jogos clássicos” da Estrela e Grow, havia uma única empresa que lançava jogos de tabuleiro modernos mais recentes. Essa empresa era a Devir Editora, que lançou aqui tanto o “Catan”, quanto o “Carcassonne”, outro verdadeiro colosso dos board games. A Devir já tinha uma longa história, tendo iniciado como uma livraria em 1987, e trabalhava basicamente com histórias em quadrinhos (nacionais e importadas) e com livros de RPG. Mas, com o surgimento desse novo mercado, a empresa acabou migrando para os jogos de tabuleiro modernos.

A outra grande editora nacional é a Galápagos Jogos, bem mais recente, tendo sido fundada em 2009. A empresa começou publicando jogos nacionais como “Máfia”, “Brasilis” e “O Último Grande Campeão” (que hoje são praticamente desconhecidos), mas rapidamente começou a lançar jogos importados, como o “Summoner Wars” e os jogos relacionados à série de TV Game of Thrones (Board e Card Game).

Logo em seguida a editora passou para os jogos consagrados no cenário internacional como “Zombicide”, “Dixit”, “The Resistance”, “Love Letter”, “Dobble”, “7 Wonders”, “Ticket to Ride”, “King of Tokyo”, entre muitos outros, que são campeões de venda até hoje. Atualmente a Galápagos é a maior editora nacional de jogos de tabuleiro modernos. Vale destacar também, que nessa época a Grow, também teve uma rápida passagem pelo mercado de jogos de tabuleiro modernos. Ela lançou os jogos “Puerto Rio”, “Castles of Burgundy”, “Broom Service”, além de edições do “Carcassonne” e do próprio “Catan”. Porém, essa experiência teve curta duração, e a empresa não atua mais nesse setor.

 

Curiosidades e o mercado dos board games 

Antes de prosseguir é preciso explicar uma característica do hobby de jogos de tabuleiro modernos, para que se evitem eventuais confusões futuras. O termo amplamente aceito e utilizado para se referir a essa categoria de jogos é ”board games”, que em tradução literal significa exatamente “jogos de tabuleiro”.

Dessa maneira, o termo “board games” é normalmente usado para se referir aos “jogos de tabuleiro modernos”, em oposição ao “classic board games”. Esses jogos clássicos seriam os jogos de tabuleiro mais antigos, tais como “WAR/Risk”, “Detetive/Clue” “Banco Imobiliário/Monopoly”, etc. Assim sendo, de um modo geral, quando se fala em board games, na verdade está se falando em jogos de tabuleiro modernos, que diferem dos jogos clássicos, devido a algumas características específicas, como se verá a seguir.

Existe ainda outra questão que é a abrangência do termo. Board game, ou jogo de tabuleiro moderno, se aplica obviamente a jogos que efetivamente necessitam de um tabuleiro, como “Pandemic” ou “Zombicide”, ou que possuem tabuleiro, mas podem ser jogados perfeitamente sem ele, como o “Dixit” ou “Ascension”. Entretanto, board game também se aplica aos jogos que não possuem tabuleiro. Esse é o caso dos “card games”, ou jogos que usam exclusivamente cartas, como o “Coup” e o “Pega em 6”. Todos esses tipos são englobados pelo termo “board games” ou “jogos de tabuleiro modernos”.

Outro fator importante na produção de jogos de tabuleiros modernos diz respeito ao trabalho de tradução e localização. A grande maioria dos board games lançados no Brasil são lançamentos internacionais, que recebem uma versão brasileira, em português e devidamente localizada.

O conceito de “tradução” é amplamente conhecido, mas a “localização”, em termos de jogos de tabuleiro, é um conceito pouco diferente, e que vai um pouco além da “tradução”. A localização envolve pegar o texto que foi traduzido e adaptá-lo da melhor forma possível às características linguísticas e culturais do país em que ele será lançado. Dessa maneira, digamos que o jogo use a expressão “skeleton in the closet” significa “fato embaraçoso ou escandaloso do passado, que uma pessoa prefere manter em segredo”, só que a sua tradução para o português é literalmente “esqueleto no armário”.

Dessa maneira, vamos imaginar que a descrição de um personagem de um jogo tenha a seguinte frase no original: “He has many skeleton in the closet.” A tradução pura e simples da frase seria “Ele tem muitos esqueletos no armário”, Isso não faria o menor sentido para um brasileiro, a menos que o personagem fosse algum “Norman Bates” ou “Hannibal Lecter” da vida.  É aí que entrar a localização. Desse modo, a tradução adaptada, ou localizada, passaria a ser “fantasma do passado”, por exemplo. Essa expressão tem um significado, em língua portuguesa, muito mais próximo do que a tradução literal “esqueleto no armário”. Assim, a frase poderia ser traduzida, e localizada, como “Ele tem muitos fantasmas do passado”, que seria bem mais fácil de entender, para um público falante da língua portuguesa.

No cenário mundial, até metade dos anos 1990 os jogos eram produzidos localmente, em cada país, e as tiragens eram menores. O crescimento e desenvolvimento dessa indústria acabaram levando a tiragens cada vez maiores, cujas estruturas de produção local não davam mais conta. Nessa mesma época, o mundo assistiu ao enorme crescimento econômico da China, que sempre se baseou na produção em larga escala.

No início, os produtos chineses, de modo geral, eram sinônimos de “cópias baratas com qualidade ruim”. Mas ao longo do tempo, os chineses aprenderam a lição. Pouco a pouco as empresas chinesas começaram a investir mais no controle de qualidade, sem deixar de lado a produção em larga escala. O resultado disso foi que se tornou cada vez mais barato produzir o que quer que fosse, na China, e os jogos de tabuleiro não fugiam a essa regra. O problema é que as fábricas chinesas só trabalhavam no atacado. Por isso, para atingir os seus baixíssimos custos de produção, eram necessária uma demanda por tiragens verdadeiramente “gargantuescas”. Essas tiragens enormes não poderiam ser atendidas por nenhum mercado isolado.

Para resolver essa questão, e diminuir ainda mais o custo de produção dos jogos, surgiram as tiragens mundiais de jogos. Essas tiragens atendem a diversos mercados ao redor do globo, e esse é formato padrão de produção atualmente. Em um cenário desses, se um determinado mercado, por exemplo, o brasileiro, perde a oportunidade de participar de uma tiragem de um determinado jogo, ele acaba ficando dependente de ocorrer uma nova tiragem mundial (também chamado de reprint). Isso pode demorar anos, ou nem mesmo acontecer. Nesse caso, o mercado brasileiro simplesmente fica sem a versão nacional do jogo. Isso, porque apenas as editoras locais não têm como bancar uma nova tiragem exclusiva. Esse acontecimento é até bastante comum.

Primeiramente, essas tiragens mundiais eram mais aplicadas aos casos dos jogos iconográficos ou sem dependência de idioma, cuja ausência de texto, permitia a produção indiscriminada dos componentes (cartas, peças e assemelhados), independente do mercado a que ele se destinasse.

Veja o exemplo do jogo “Uno”. Como ele não usa texto escrito, apenas números, desde que não existam variações locais de regras, uma pessoa pode pegar um exemplar do jogo produzido para o mercado do Azerbaijão, que ele não terá problema algum para jogar. Isso favorecia muito a produção em larga escala, e diminuição dos custos de produção, de modo que faz todo o sentido produzir jogos assim na China.

Com o desenvolvimento do mercado de jogos de tabuleiro moderno, as fábricas chinesas começaram a se especializar cada vez mais nesse setor, inclusive na produção de jogos com cartas, e demais componentes, contendo texto. Portanto se pegarmos um jogo como Zombicide, por exemplo, que faz amplo uso de miniaturas, o custo para produzi-las na China é absolutamente imbatível, devido à larga escala de produção e especialização das fábricas chinesas.

Por isso esses componentes são e continuarão sendo, por longo tempo, produzidos na China. Isso não mudará, a menos que ocorra algum fato ou situação imprevista, que altere o atual cenário econômico. Se outro país conseguir oferecer melhores custos de produção, os board games passarão a ser produzidos lá, afinal o dinheiro não tem cheiro, nem pátria.

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jogo Zombicide

Desse modo, o sistema funciona mais ou menos da seguinte maneira. A Editora CMON lança o jogo XYZ. Esse jogo faz tanto sucesso, que desperta o interesse de outros mercados estrangeiros de jogos de tabuleiro. A CMON resolve então fazer uma nova tiragem mundial e entra em contato com as suas parceiras em cada país, para ver se elas têm interesse na produção local desse jogo XYZ. Após isso, uma nova tiragem mundial do jogo é produzida na China, para atender os mercados de todo o mundo.

Nesse exemplo, vamos dizer que tanto a “Galápagos” do Brasil, quanto a “Bureau de Juegos” da Argentina demonstram interesse em lançar o jogo em português e em espanhol, respectivamente. Uma vez concluídas as negociações, cada editora local tem de pagar a parte que lhe cabe na produção total do jogo. Isso às vezes gera alguns problemas, porque se todas as editoras pagarem corretamente a sua parte, mas apenas uma delas deixar de pagar, ou atrasar, a produção do jogo também atrasa e pode até ser cancelada.

Então não basta a Galápagos, e todas as outras editoras pagarem certinho a sua parte, porque se a “Bureau de Juegos” atrasar ou deixar de pagar, todo o projeto pode ir para o ralo, ou atrasar muito, o que é o mais comum. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com o jogo “Champions of Midgard”.

Depois disso, vem a questão do frete da China até o Brasil, que normalmente é feito por via marítima, até um porto brasileiro, e isso é outra parte sujeita a muitos problemas, com foi o que aconteceu com os jogos “Tsukiji” e “Ancient Terrible Things” da antiga Editora RedBox, atual Buró.

Quando as unidades do jogo chegam ao Brasil, elas ainda têm de passar por todo o processo de liberação aduaneira e pagamento de impostos, que é sempre muito caro, e pode dificultar bastante, e até mesmo inviabilizar o lançamento do jogo, apesar dele já ter chegado ao Brasil, que foi o que aconteceu com o jogo “Lucidity: Seis Faces do Pesadelo”. Uma vez liberado o produto no porto, aí entra a fase da logística e distribuição, até o jogo chegar à loja de jogos de tabuleiro modernos de cada cidade, ou na casa dos apoiadores, para quem comprou em financiamento coletivo.

Falando em financiamento coletivo, é bom saber que existe mais de uma forma de comprar um jogo, além de ir à loja física ou comprar através de sites de venda. Além disso, existe a possibilidade de apoiar a produção do jogo, através do financiamento coletivo, normalmente feito por plataformas digitais como Kickstarter e Catarse.

Desse modo, uma pessoa pode pagar antecipadamente um preço diferenciado pelo jogo (o valor do apoio, e aquilo que o apoiador vai receber, podem variar bastante). É possível também participar de financiamentos coletivos de jogos internacionais, e muitos entusiastas do hobby o fazem, mas isso é assunto para outro texto dessa série.

 

Termos e siglas

Outra questão que pode suscitar dúvidas aos iniciantes é o uso reiterado de algumas siglas como BGA, BGG, Hype e FOMO, pelos jogadores mais experientes. No caso da sigla BGA ela se refere ao boardgamearena.com, que é um site com versões eletrônicas dos jogos de tabuleiro.

Inicialmente isso pode parecer uma contradição, porque jogos de tabuleiro são feitos justamente para reunir os amigos, então não faria sentido, recorrer a um site para fazer virtualmente o que deveria ser feito presencialmente. Ocorre, em primeiro lugar, que nem sempre é possível reunir os amigos, e o isolamento social imposto pelo combate à pandemia de covid19, e um ótimo exemplo disso. Da mesma forma, pode ser que a pessoa esteja em outra cidade, e só possa falar com os amigos através de vídeo conferência. Nesse caso o BGA é uma ótima opção para viabilizar as jogatinas.

Ele também é excelente para resolver o problema daqueles cujos amigos não curtem jogos de tabuleiro, ou que não gostem daquele jogo especifico que a pessoa gosta, porque no BGA é possível jogar com pessoas de todo mundo. Em segundo lugar o BGA também é uma ótima ferramenta para que uma pessoa possa experimentar um jogo, e ver se realmente ele vale a pena, antes de comprar a versão física.

A maior parte dos jogos disponíveis no BGA, depende de uma conta premium que é paga (cerca de 4 euros por mês, no plano mensal, 2 euros por mês no plano anual), mas há uma grande variedade de jogos gratuitos. Outras opções interessantes são o Tabletop Simulator e o Tabletopia.

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Imagem do Jogo Stone Age no site BGA

Já a sigla BGG remete ao site boardgamegeek,com, criado no início dos anos 2000, e que é um dos principais sites de jogos de tabuleiro modernos do mundo. Nesse site é possível dar notas aos jogos, e fazer comentários a respeito. Ele funciona mais ou menos com o Ludopedia, sua contraparte nacional, porém em uma escala global.

O ranking do BGG é muito respeitado e normalmente é levado em consideração pelos jogadores, na hora de avaliar um jogo. Por isso, uma colocação alta no BGG, quase sempre é um forte indício de que aquele jogo é bom. Mas existe uma pegadinha aí. De uma forma geral, principalmente nas primeiras colocações, os rankings da Ludopedia e do BGG coincidem, porque normalmente elas são ocupadas por jogos consagrados, lançados no mundo todo.

Porém quanto mais se desce nesses rankings mais aumentam as discrepâncias, porque obviamente, a grande maioria dos jogos do BGG não foi lançada no Brasil e há certa tendência, até natural, de prestigiar mais os jogos que foram lançados nacionalmente, do que aqueles que só existem no exterior.

Isso sem falar que para muitos grupos de jogadores, ou para algumas pessoas desses grupos, o idioma estrangeiro é um fator altamente impeditivo, o que os leva sempre a optar por jogos que tenham versão nacional. Mas apesar disso, o BGG, ainda assim, é uma excelente referência, para avaliar os jogos de tabuleiro modernos, e também para aprender um pouco mais sobre eles.

 

Fontes de informação e tira-dúvidas

Outra fonte de informação importante sobre jogos de tabuleiro modernos são os diversos canais do Youtube, especializados no assunto. Lá os jogadores podem assistir resenhas, receber notícias sobre lançamentos e acompanhar partidas, inclusive ao vivo, para conhecer e avaliar melhor os jogos (isso é muito útil antes de uma compra), bem como tirar dúvidas sobre regras.

Dentre os diversos canais, merecem destaque o “Meeple TV” do Jack Explicador, o “Covil dos Jogos”, da Karine (meninas primeiro) do Paulo do Pikachu e do Jean, o “De Quem é a Vez?” do Rafael Studart, o “After Match” do Fabrício, o “Direto ao Ponto” do Alan Farias, o “BGG II – Board Game Guará II” do Paladino Monge, o “Romir Play House” do Romir, o “CasaNERDLol” do Rafael Sanzio, o “Igor Knop Jogos” do Igor e Maritza, o “Tabula Quadrada” do Renato Lopes, e o “Siga o Coelho” do Davi Coelho. Se a língua inglesa não for um problema, o “Dice Tower” do Tom Vassel também é um canal muito respeitado e uma excelente indicação.

Podemos citar também a Ludopedia e seus fóruns onde os jogadores tiram dúvidas de regras, lançamentos, etc.

Quanto aos termos Hype e FOMO, o primeiro tem a ver com a comoção causada pelo lançamento de um novo jogo de tabuleiro, ou uma nova versão de um jogo antigo, que normalmente é fomentada pela editora envolvida nesse novo lançamento. Já o termo FOMO deriva da expressão em inglês “fear of missing out”, que significa “medo de ficar de fora”, ou seja, o receio de deixar de participar de uma “onda”, ou de comprar um jogo que todos os outros estão comprando.

Esses dois termos refletem um assunto muito sério, e que podem levar as pessoas, principalmente os iniciantes, até mesmo a comprarem jogos que elas a princípio não gostariam, apenas para se sentirem como uma parte mais atuante do hobby, num verdadeiro comportamento de manada.

 

Editoras

Atualmente, além de Galápagos e Devir, existem ainda várias outras editoras de destaque com a Meeple BR e a Conclave, que junto com as duas primeiras são as “Quatro Grandes” do mercado nacional, bem como diversas outras editoras de porte similar como Grok, Mandala, Paper Games, e Buró (Ex-RedBox), e também editoras de porte menor como Mosaico, Ludofy e Geek’N’Orcs, entre muitas outras. Mas, independente do seu porte todas essas editoras têm excelentes jogos, no catálogo.

Portanto, o mercado nacional de jogos de tabuleiro é um setor consolidado do ramo de jogos/brinquedos, com a participação de diversas empresas, mas que ainda carece de uma maior profissionalização, principalmente na parte de tradução e revisão. Essa carência inclusive explica diversas falhas graves, que aconteceram em alguns lançamentos principalmente de Galápagos e Conclave (pesquisar Masmorra do Mago Louco, Western Legends, Nemesis, Everdell, The Thing: The Boardgame entre outros).

Outro problema são os altos preços cobrados atualmente pelas editoras, pelos board games que elas lançam e que têm dificultado bastante a expansão do hobby e a entrada de novos jogadores. Os preços são um fator fundamental para o aumento das tiragens dos jogos e o conseqüente crescimento e desenvolvimento do nosso mercado nacional, para que os grandes lançamentos de jogos internacionais (e suas expansões), também sejam lançados no nosso país.

Por fim, esse texto dá uma visão geral (muito geral) de como o hobby dos board games é, e de como ele funciona, e esses são os aspectos mais gerais que ajudam a situar todos aqueles que descobriram recentemente esse incrível mundo dos jogos de tabuleiro modernos.

Um forte abraço e boas jogatinas.

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Iuri Buscácio

Chefe escoteiro, leitor voraz de filosofia, teatro, literatura brasileira e estrangeira, suspense, e de romances históricos, de fantasia e ficção científica, além de ser fã de quadrinhos americanos e europeus, desde os tempos da saudosa Ebal, amante do cinema e das séries, e também um grande entusiasta e pesquisador dos jogos de tabuleiro, tanto clássicos quanto modernos, cuja trilha sonora é o bom samba, a MPB de qualidade, black music e música pop dos anos 70 e 80.

29 thoughts on “1ª Dica p/ novos jogadores – Conheça Melhor os Board Games Modernos

  1. nao que eu esteja duvidando do que foi falado, me parece tudo escrito com muita propriedade, mas qual a fonte dessas informacoes?

    1. Caro Falafel

      Terei o maior prazer em te informar as fontes de onde eu tirei os dados do meu texto. Eu só preciso que você seja mais específico em relação a quais dados você está se referindo.

      Com todo o respeito, e sem querer ser ofensivo de forma alguma, mas basta uma simples e rápida pesquisa na Internet, em sites sérios evidentemente, para comprovar as informações do Texto. Por exemplo, o jogo Catan foi realmente lançado em 1995, e é considerado o jogo que deu início à Era dos Board Games Modernos. O prestigiado prêmio alemão “Spiel de Jarhes” realmente se iniciou em 1978. Os jogos ancestrais que eu citei são efetivamente tão antigos. O jogo WAR da Grow é praticamente uma cópia do jogo Risk. A Estrela realmente lançava desde os anos 70/80 versões não licenciadas de jogos internacionais, tanto que sofreu um revés atrás do outro em processos judiciais contra a Hasbro. Realmente existe um site chamado BGA (boardgmaearena.com), com versões digitais disponíveis para jogar dos jogos de tabuleiro, bem como também existe um site nacional chamado Ludopedia que trata sobre board games.

      Portanto, mais uma vez com todo o respeito, para que eu te esclareça melhor, peço que você seja um pouco mais específico, em relação a quais informações você ficou na dúvida.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

    1. Caro Raoni

      Muito obrigado e fique ligado porque em breve serão publicados aqui no Maxiverso os outros textos da série.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  2. Excelente postagem sobre boardgames modernos!!! Acho que já tinha lido esse post la na Ludopedia, problema que lá como é forum o topico some fica difícil achar depois, em site é melhor, adorei a iniciativa. Tb fiquei na curiosidade sobre os tais wargames que vc citou, como que pode um manual de instrucoes ter 400 paginas? Isso é mito ou realidade?

    1. Caro Marcelo BG

      Inicialmente obrigado por prestigiar o meu texto, tanto lá no Ludopedia, quanto aqui no Maxiverso.

      Quanto aos wargames eles realmente são muito complexos, o que implica em livros de regras gigantescos. Cada título de wargame pode ser considerado quase como um hobby único, dentro do próprio hobby dos wargames, de tanta dedicação que é necessária para poder dominar um único jogo. Na verdade esse tipo de jogo pertence a uma outra época em que as pessoas tinham mais tempo para se dedicarem ao lazer e aos seus passatempos preferidos. Não é à toa que é difícil encontra hoje em dia, quem ainda jogue esses wargames, principalmente no Brasil, uma vez que esses jogos são todos importados.

      Tratando especificamente do “Advanced Squad Leader”, fui revisar a informação que eu divulguei e descobri que estava errado. Na verdade o livro de regras desse wargame não são 400 páginas, mas sim inacreditáveis 626 páginas. E se você se espantou com isso, saiba que o livro de regras da versão eletrônica é ainda maior contendo 708 páginas. Todos os dois PDFs, podem ser encontrados facilmente através do Google.

      Esse jogo é tão complexo que acabou sendo dividido em três jogos separados ou kits (# 1 de 2004, #2 de 2005 e #3 de 2007), conforme consta na página do jogo no BGG (boardgamegeek.com), o maior site de jogos de tabuleiros do mundo.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  3. bom, como podemos ver, temos aqui uma analise com contexto historico completo, o que engrandece muito o tema, meus parabens ao autor que é um entendido no assunto, e ao Maxiverso, que sempre nos brinda com textos incrivelmente profundos sobre os temas que aborda………………. pelo que vi teremos mais alguns artigos nessa linha, estou ansiosa pra ver os proximos, se puder ate deixo uma pauta de sugestao: um post falando de jogos com temática egipcia, com aquelas miniaturas de predios, piramides, templos, etc, sou fascinada por isso, queria saber quais os melhores e mais bonitos jogos com esse tema, bjs a todos <3

    1. tem um comentario logo abaixo ja abordando os jogos egipcios, e vc pode fazer uma pesquisa por tema na Ludopedia que vc acha, espero ter ajudado

    2. Cara Ana Paula Hendy

      Obrigado por prestigiar o meu texto, e muito me satisfaz que você tenha gostado.

      Quanto à sua pergunta, como não poderia deixar de ser, existem diversos jogos sobre o Egito, em virtude, do pioneirismo, da riqueza cultural, da ancestralidade, e principalmente da importância da civilização egípcia.

      Como você perguntou por jogos com essa temática, mais especificamente em relação aos prédios e miniaturas, eu vou tentar te indicar alguns. Mas antes disso é bom lembrar que a quantidade de miniaturas é diretamente proporcional ao preço do jogo, ou seja, quanto mais miniaturas, mais caro o jogo fica. E alguns board games modernos (especialmente aqueles que têm miniaturas) podem ser muito, mas muito caros mesmo.

      Outra coisa que é preciso ter me mente quando se fala em beleza de board games, é que, por conta do custo, normalmente as peças plásticas dos jogos são monocromáticas, enquanto que peças de papelão são coloridas. Então tudo depende do que a pessoa prioriza em termos de beleza. Existem também algumas pessoas que vão além e pintam as miniaturas plásticas, não apenas customizando o jogo, como também tornando-o uma verdadeira obra de arte. Existe inclusive um hobby paralelo aos board games, que é o da pintura de miniaturas. Se você quiser saber mais a respeito eu te indico o texto “https://ludopedia.com.br/topico/46890/4-dica-p-novos-jogadores-conheca-a-arte-design-dos-jogos”.

      Dito isso, na minha opinião, dentre os jogo de tabuleiro modernos, com a temática egípcia e com foco nos monumentos, o mais bonito é o “Cleopatra and The Society of Architets; Deluxe Edition”, lançado no Brasil em 2020. Nesse jogo cada jogador assume o papel de um arquiteto envolvido na construção de um novo templo para a famosa rainha egípcia. Maiores informações em “https://ludopedia.com.br/jogo/cleopatra-and-the-society-of-architects-deluxe-edition”. Além desse, também merece destaque, em termos de monumentos egípcios o “Tekhenu: Obelisco do Sol” (2020), encontrado em “https://ludopedia.com.br/jogo/tekhenu-obelisk-of-the-sun”.

      Quando o foco é combate e nas miniaturas dos personagens boas indicações são o “Ankh: Deuses do Egito” (2020), o “Kemet: Blood and Sand” (2021), jogos muito caros e a primeira versão desse último “Kemet” (2012), que apesar de bem mais barato que os outros dois, ainda tem um preço bem salgado.

      Agora se você se interessa pela temática, acima dessa questão de miniaturas, existem jogos mais em conta como “Amun-Re” (2003), “Rá” (1999), ambientados no Egito Antigo, e os jogos que envolvem explorações arqueológicas como “Luxor” (2018) e “Archaeology: The New Expedition” 2016, e o “Scarabya” (2018). Todos esses jogos são de editoras internacionais, mas forma lançados nacionalmente. Entre os jogos nacionais existem o “Quéops, Uma Aventura no Egito” 2009 e “O Segredo da Pirâmide” 2019, que são jogos mais infantis, com alta dependência de sorte, e que fogem um pouco dos parâmetros dos jogos de tabuleiro modernos.

      Para terminar, eu gostaria de te fazer um alerta importante, para você não gastar dinheiro à toa. Mesmo que você ache um jogo lindo, é preciso lembrar que aquilo é um jogo e não um item de decoração. Por isso não adianta nada gastar dinheiro com um jogo muito bonito, se você não gostar de jogá-lo, porque nesse caso o mais provável é que ele passe o resto de seus dias trancado dentro da caixa, com toda a sua beleza escondida.

      Por isso, antes de sair procurando para comprar alguns desses jogos que eu citei acima, é fundamental assistir vídeos de jogatina no Youtube (existem alguns sobre cada um desses jogos) e se for possível, ir até uma luderia para experimentá-lo ao vivo, e quem sabe até alugá-lo. Outra opção caso não haja uma luderia perto de sua casa é experimentar alguns desses jogos nas diversas plataformas de jogos de tabuleiro on-line, em especial o BGA e o Yucata.

      Por fim espero ter te ajudado, e dentro em breve serão publicados aqui no Maxiverso outros textos da série.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  4. isso não é um artigo é um curso sobre jogos de tabuleiro kkkkkkkkkkkkk excelente! ansioso pros próximos!

    1. Caro Eugenyan Meet

      Meu camarada, quem me dera, quem me dera!!!!!

      Brincadeiras à parte, muito obrigado pelas palavras e que bom que você gostou. Uma coisa que sempre me frustrou ao longo de toda a vida, é que o brasileiro em geral lê muito pouco e publica ainda menos.

      Por isso, a menos que você se predisponha a dominar o inglês, infelizmente o seu conhecimento em qualquer campo ficará sempre muito restrito, e os board games não fogem a essa regra.

      Não digo nem em relação aos jogos propriamente ditos, mas principalmente em relação aos livros sobre esse passatempo maravilhoso. Além disso, outra coisa que eu percebi é que aqueles que descobrem, e se iniciam nesse hobby, normalmente não dispõem de um ponto de partida por onde começar. As informações estão todas lá disponíveis na Internet, porém de forma muito esparça, por isso eu resolvi reunir tudo em uma série de textos do qual esse é apenas o primeiro.

      De todo o modo, mais uma vez obrigado, e pode esperar que vem mais coisa por aí.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

      P.S. Abaixo à “bolacha”, vida longa ao “biscoito”!!!! KKKKKK

  5. alem desses 4 jogos super antigos ai que vc citou tipo Mancala, Ur, Senet e Cães e Chacais, tem outros que descobriram e são dessas épocas antes de Cristo?

    1. Caro Eugenio Briet

      Existem alguns jogos bem antigos, não tão antigos quanto aqueles que eu citei no texto, mas bem antigos também. Só que isso será tratado em um texto próprio a ser publicado em breve.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  6. uau adorei esse texto… nao fazia ideia de que existiam tantas editoras e tantos jogos novos… jogava War com meu irmão e Banco Imobiliária com meus primos, pra mim jogo de tabuleiro era so isso mesmo

    1. Caro Marcelo Solo

      Que bom que você gostou do texto.

      Fique tranquilo que, de mesmo jeito que aconteceu com você, também aconteceu comigo e com todas as outras pessoas, ao descobrirem que o mundo dos jogos de tabuleiro vai muito além dos nossos jogos clássicos (Detetive, WAR, Banco Imobiliária, Jogo da Vida e Imagem & Ação).

      E se você estiver na empolgação para iniciar no hobby dos board games modernos, eu te aconselho a segurar um pouco a empolgação e aguardar o próximo texto dessa série, que deve ser publicado na semana que vem, informando os cuidados que se deve ter ao ingressar no hobby. Isso com certeza vai te poupar muito dinheiro e muita dor de cabeça.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  7. qual o melhor jogo de civilização egipcia com miniaturas e buildings pra 6 pessoas? algo no estilo Ra, o Ankh, ou Deuses do Egito…

    1. Caro Sematsu

      Todos esses jogos que você citou são muito bons. Quanto ao fato de qual é o melhor, eu acredito que isso não exista em termos de jogos de tabuleiro, porque isso depende basicamente de gosto pessoal, e gosto cada um tem o seu. Eu por um acaso gosto do Kemet: Blood and Sand, que você não citou, que é para até 5 jogadores e também tem essa mesma temática egípcia.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

    2. Eu gosto muito do Cleópatra, a 2ª edição não é muito pesado e o visual é maravilhoso!

    1. Caro Andor

      Na verdade quando eu me referi a wargames eu eu estava falando de outro tipo de jogo. Existe uma diferença entre jogos com temática de guerra e wargames.

      Tanto o Risk quanto o WAR, e até mesmo os jogos da série Axie & Allies, que seguem o mesmo estilo dos anteriores mas são um pouco mais complicados (se você gosta desse estilo sugiro dar uma olhada nesses jogos), são jogos com temática de guerra.

      Os wargames fazem parte de uma outra categoria muito mais pesada e complexa de jogos, que se duvide em duas vertentes. A primeira é dos wargames com miniaturas que são jogos muito antigos, com séculos de idade, que não tem tabuleiro, e são jogadas em verdadeiras maquetes, simulando campos de batalha, em que a movimentação das peças tem regras próprias, com a ajuda de réguas, como é o caso do Warhammer.

      A segunda vertente dos wargames é bem mais recente, e são jogadas em um tabuleiro dividido em hexágonos, em que as peças representam unidades diferentes de um exército, cada uma com a sua própria força de ataque, “pontos de vida” e movimentação, o que torna tudo muito mais complexo, como é o caso do Advanced Squad Leader. Foi a esses jogos que eu me referi como wargames.

      Para você ter um parâmetro de comparação, é como se o Risk e o WAR fossem o jogo de Damas e os wargames fossem o Xadrez. Só para se ter uma ideia da tamanho da distância em complexidade, o wargame Advanced Squad Leader precisou ser dividido em três jogos (Advanced Squad Leader 1, 2 e 3), porque só o manual de regras do jogo original possuía mais de 400 páginas. Agora compara isso com o folheto de regras do Risk ou do WAR, e você pode ter uma noção do quanto estes jogos são diferentes.

      De qualquer modo, para saber mais a respeito de wargames eu te recomendo a leitura do texto que eu escrevi no site de jogos de tabuleiro Ludopedia.com.br, e que também será publicado aqui no Maxiverso, mas que deve levar algum tempo ainda.
      https://ludopedia.com.br/topico/54435/11-dica-p-novos-jogadores-conheca-wargames-e-warhammer

      Para terminar espero que eu tenha tirado a sua dúvida.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  8. Romir sem dúvida tem os melhores videos explicando regras dos jogos. Curtos, diretos, sem complicações. Jack Explicador é meio enrolado, os gameplays são bem chatos e longos, mas serve pra ver as mecanicas dos jogos. Aftermatch eu curto tb. Tem um cara que é piadista, faz os videos falando de boardgames sempre em tom super zueiro, é divertido. Tem uns tal Mister (3 Dus) que são meio prepotentes, parece que tao falando em um tom sempre de superioridade, mas as vezes as analises deles sao boas.

    1. Caro Edson Elek

      Eu particularmente gosto muito dos vídeos de board games do Covil dos Jogos, porque acho que eles fazem uma coisa leve e bem humorada, na medida certa. Além disso eles investem bastante no pós-produção, com os “escravos editores”, então o resultado final fica com uma qualidade muito boa.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

    1. Caro Lockwood

      Quem bom que você gostou, e muito obrigado pela divulgação.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

  9. Parabens pela pesquisa! Espetacular. Estou favoritando aqui para ver as partes futuras desse estudo. Longa vida aos jogos de tabuleiro!

    1. Caro Thiago

      Fico satisfeito que você tenha apreciado o texto. Eu escrevi essa série de textos, publicada originalmente no Ludopedia, porque gosto muito de board games, e essa é a minha contribuição para divulgar o hobby. Além disso, vejo que muitas pessoas descobrem os board games, mas têm muita dificuldade para encontrar as informações básicas sobre o hobby, sobre tipos de jogos, mecânicas, jogos mais influentes, melhores designers, etc. No mais, acho que os textos estão bem legais, modéstia à parte, e acho que eles trazem muita coisa interessante, até para quem já tem algum tempo de board games.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

      P.S. Por favor mande um abraço para o Aníbal, o Cara-de-Pau e o Murdock, quando encontrar com eles, para mais uma missão classe A

    1. Caro Marcelo Cirillo

      Muito obrigado, e saiba que esse é apenas o primeiro de uma série de textos, e muito mias coisa ainda vem por aí.

      Um forte abraço e boas jogatinas.

      Iuri Buscácio

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