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Resenha: Marvels

1994_marvels_covers_0_4_by_alex_ross_by_trivto-d5dk3n7-300x300 Resenha: Marvels

 Como eu havia prometido em um comentário na resenha do Reino do Amanhã, hoje falaremos sobre outro quadrinho ilustrado por Alex Ross, o Marvels, escrito por Kurt Busiek, em 1994. Marvels foi o quadrinho responsável por projetar a carreira de Ross e Busiek, e possui grande importância por se tratar de uma homenagem à história da Marvel Comics, nos quadrinhos. Então hoje falaremos de super-heróis e história das histórias em quadrinhos através dessa belíssima HQ.

Marvels é dividida em quatro tomos que foram lançados mensalmente compondo o todo do quadrinho que já ganhou diversas edições definitivas compilando as quatro revistas em um só livro. Seu enredo narra a tragetoria de Phil Sheldon, um jovem fotógrafo que em 1939 testemunha o nascimento das “maravilhas” quando o doutor Phineas Thomas Norton revela ao mundo sua criação, um androide humanoide que em contato com oxigênio entra em combustão, tornando-se uma “Tocha Humana”. Desde o prólogo da história, Busiek e Ross, traçam um paralelo entre os eventos da ficção e a história da Marvel Comics. O primeiro super-herói da Marvel foi o Tocha Humana, de outubro de 1939, na Marvel Comics #1, na Timely Comics, predecessora da Marvel Comics.

ggmarvelspanel1-300x300 Resenha: MarvelsUm dos aspectos de Marvels que mais destacou a obra, foi a maneira que as incríveis aventuras dos heróis foi retratada. A narrativa parte da perspectiva de Phil, e dos cidadãos comuns, espectadores dos grandes eventos protagonizados pelos heróis. Essa perspectiva humanizou a ficção fazendo com que os mais fantásticos eventos fossem críveis. Desta perspectiva é possível também debater o papel dos super-heróis na sociedade, e o impacto de suas ações e do fato em si de existirem, na vida das pessoas, que por vezes buscam participar ora ovacionando as “maravilhas”, ora temendo-as e culpando-as.

No primeiro tomo, uma conversa entre o protagonista, Phil Sheldon e J.J. Jameson, famoso editor do Clarim Diário, jornal que no universo ficcional da Marvel é responsável por perseguir os heróis, em especial o Homem-Aranha, demonstra as razões para Jameson odiar os paladinos mascarados. No contexto do quadrinho, Jameson era um jovem jornalista colega de Sheldon, e numa conversa de balcão de bar diz ao colega que a existência dos seres “maravilhosos” não era motivo de euforia e sim de preocupação. Jameson afirma que as coisas que essas “aberrações” são capazes de fazer, faz com que as pessoas comuns se tornem indefesas.
Conforme a trama se desenvolve, acompanhamos também o desenvolvimento do universo Marvel, então quando Phil Sheldon é enviado à Europa para cobrir a Segunda Guerra Mundial, testemunhamos também o surgimento do Capitão América, em 1941, mais uma vez em paralelo com o lançamento do primeiro quadrinho do herói na realidade.

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Casamento de Sue Storm e Reed Richards

No segundo tomo, os autores cruzam dois eventos importantes dos quadrinhos, o casamento de Sue Storm e Reed Richards, o casal do Quarteto Fantástico, e o surgimento das Sentinelas, responsáveis por perseguir os mutantes. Nessa altura estamos na década de 60, onde em 61 o Quarteto faz sua estreia no mundo dos quadrinhos e seguidos de uma onda criativa encabeçada pela dupla Stan Lee e Jack Kirby, que, nas palavras de Alex Ross, são definidos como “Lennon e McCartney” dos quadrinhos, no período que convencionalmente chamamos de Era Marvel, em que a editora lançou personagens como o Homem de Ferro, Hulk, Thor, os X-Men, Homem-Aranha, e boa parte dos heróis da “Casa das Ideias” que conhecemos hoje em dia. Enquanto as pessoas festejam as aparições repentinas e os mínimos momentos de vislumbre das proezas das “maravilhas”, outros condenam e temem os mutantes.

Busiek associa a perseguição aos mutantes com outro fator da história real do período, a perseguição aos comunistas, ao empregar o termo “mutuna” com sentido semelhante ao termo “comuna”, maneira pejorativa que os perseguidores e delatores se referiam àqueles que se alinhavam ideologicamente aos preceitos comunistas. Neste tomo, a discussão sobre o preconceito é realizada de forma esplêndida ao criar dois polos em tensão, os rejeitados mutantes e as celebridades do mundo dos heróis, o casal do Quarteto Fantástico.

Em seu texto comentando a obra, que é possível de ser encontrado na edição da editora Salvat, Kurt Busiek afirma que sem os eventos que ocorreram nas histórias dos quadrinhos da Marvel, o enredo de Marvels não seria possível, e o autor exemplifica justamente com os acontecimentos abordados no segundo tomo, “… quaisquer que fossem meus planos sublimes para o clímax de MARVELS 2, eles tinham acabado de se tornar mais poderosos e tudo por conta de pequenos detalhes extraídos da fonte original.”

O debate acerca do papel dos super-heróis na sociedade e a relação do cidadão comum com os acontecimentos gerados pela existência das “maravilhas”, se intensifica no terceiro tomo quando os autores abordam outro evento famoso nos quadrinhos do universo ficcional da Marvel, a vinda de Galactus à Terra. Durante a batalha, a humanidade entrou em completo desespero com o possível fim do mundo, e os heróis antes idolatrados, cada vez mais eram alvo das críticas e do ódio que cresceu do medo e do sentimento de impotência. Por fim, com a misteriosa solução da apocalíptica ameaça, os justiceiros retornaram à glória aos olhos da humanidade, trazendo mais uma vez à tona o ambíguo sentimento das pessoas com relação aos super-heróis, que pendulam na opinião pública entre o status de ameaça ou salvadores.

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Confronto entre Duende Verde e Homem-Aranha, em Marvels.

No quarto tomo, os autores trazem outro evento significativo do universo Marvel, ocorrido no quadrinho Amazing Spider-Man #121, e mais uma vez acompanhamos o acontecimento através das lentes de Phil Sheldon, que no contexto do quarto tomo, já está bem mais velho e experiente, repleto de memórias de sua tragetoria como testemunha e narrador das fantásticas histórias dos heróis, e já nos anos 70, lança seu livro compilando todos esses eventos revelados por suas fotografias. Para saber mais sobre o fatídico ocorrido na ASM#121, confira nossa matéria sobre o aracnídeo aqui.

Para quem gosta de encontrar detalhes históricos nos enredos, Marvels é um prato cheio. Podemos ver no primeiro tomo na figura do editor-chefe do jornal onde Phil Sheldon trabalhava, Martin Goodman, criador da Atlas Comics e da Timely Comics, o embrião da Marvel Comics, por assim dizer. É possível encontrar também John Romita, renomado artista e diretor de arte da Marvel, na figura do taxista que no quarto tomo transporta Sheldon até o palco do clímax do quadrinho. Outra figura que podemos encontrar é o próprio pai de Alex Ross, que assim como no Reino do Amanhã, serviu como inspiração para o personagem principal, Norman McCay, em Marvels foi o modelo para a cena do beijo no altar do casamento de Reed Richard e Sue Storm, junto da mãe do desenhista.

Marvels é um quadrinho imperdível para os fãs dos “paladinos de cueca sobre calças”, sua arte impressionante e seu roteiro impecável formam uma belíssima homenagem a contribuição da Marvel Comics para o mundo das histórias em quadrinhos, sobretudo dos quadrinhos dos super-heróis. Através de uma inovadora perspectiva que tira do centro da narrativa os super-heróis e traz à luz o olhar e os sentimentos das pessoas comuns em relação aos seres “maravilhosos”, Kurt Busiek e Alex Ross nos apresentam a história da Marvel Comics e de seus principais eventos nas histórias em quadrinhos de seus super-heróis de forma que até o mais ferrenho fã da DC Comics, concorrente da Marvel, irá se deleitar.

Marvels é uma obra para todos aqueles que amam quadrinhos de heróis e se interessam pela história da história em quadrinho. Ainda não leu Marvels? Então corra antes que Stan Lee excomungue você da M.M.M.S (Merry Marvel Marching Society) e suspenda sua carteirinha do fã clube!

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Universo Marvel, por Alex Ross

Avaliação
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Raul Cassoni

Professor, historiador e músico. Um hibrido de boêmio com nerd, caso a vida fosse um enorme RPG. Discípulo de Mestre Splinter, Mestre Kame, Senhor Miyagi, Tio Ben, Prof. Xavier, entre outros que me guiaram em meu juramento de pesquisar a Nona Arte "nos dias mais claros e nas noites mais escuras", sempre usando meus "grandes poderes", e conhecimento, com "grande responsabilidade".

2 comments

  • Lucas:

    Excelente resenha. A duvida eh: qual eh melhor, Marvel ou Reino do Amanha?

    • Raul Cassoni
      Raul Cassoni:

      Obrigado Lucas!
      Quanto à comparação, acredito que seja meio improdutiva.. é bem difícil comparar esses dois quadrinhos em termo de melhor ou pior. Cada um deles têm um propósito distinto e a única coisa em comum seria o ilustrador, já que cada quadrinho contou com escritores diferentes, Kurt Busiek no Marvels e Mark Waid no Reino do Amanhã. Então acho que a única maneira de elencar um favorito seria por uma perspectiva pessoal. Pessoalmente acho que prefiro o Marvels, apesar do Reino ter sido um dos primeiros quadrinhos que tive em mãos quando criança. Marvels tem um roteiro conciso, mais objetivo, e me interessa bastante pela relação com a história das histórias em quadrinhos. Já o Reino, é mais complexo, e muita coisa gira em torno da trama, é um quadrinho futurista que ao mesmo tempo homenageia os períodos de Ouro e Prata dos heróis da DC, enquanto realiza uma crítica à Image Comics com um pano de fundo apocalíptico bíblico… muita coisa numa trama só rs.
      Mas e vc, Luca, já leu os dois? Qual seu favorito?

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