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Steven Spielberg e a Ufologia – Parte 1

A fascinação do cineasta Steven Spielberg com ufologia (OVNIs, extraterrestres, alienígenas, etc.), é muito antiga. O tema está presente em vários de seus filmes e produções do cinema e TV ao longo dos anos.

Não existe uma certeza de que o próprio tenha tido uma visão ufológica durante a vida, mas uma das estórias que contam sobre sua infância fala sobre um acampamento de escoteiros que os pais do futuro diretor não deixaram o jovem ir e na qual teriam avistado um OVNI. Ele e o pai iam assistir chuvas de asteróides (veja aqui como isso influenciou vários de seus filmes), mas nunca conseguiram ver o “tal do disco voador”. Lembraremos neste texto a fascinação que ele passou em suas produções, desde os primeiros curtas como Firelight até suas grandes produções Contatos Imediatos e E.T. – O extraterrestre.

Firelight – 1964 (curta metragem)

FIRE Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

O Jovem Spielberg com 17 anos filmando Firelight

Sabemos que Spielberg e as crianças de sua geração, (assim como seu futuro amigo, George Lucas) cresceram nos anos 50 e 60, fascinados com o tema apresentado em programas de TV como Twilight Zone (no Brasil conhecido como Além da Imaginação) ou em matinês de cinema com Flash Gordon. Ambos eram consumidores vorazes de ficção-científica e histórias em quadrinhos.

Quando Spielberg era adolescente começou a fazer vários filmes caseiros usando uma câmera Super 8, ganha do pai. Então com 16 anos ele filmou o curta Firelight (1964), filme exibido em uma sala de teatro local que fora alugada por seu pai. A exibição única custou U$ 500,00, e conseguiu lucrar U$ 1,00 (!!! ), tornando-se assim o primeiro “sucesso” comercial do jovem rapaz e futuro cineasta.

O comentário de Spielberg sobre o fato: “Eu contei os ingressos naquela noite. E havíamos cobrado um dólar por um ingresso. Quinhentas pessoas viram ao filme e acho que alguém provavelmente pagou dois dólares, porque obtivemos lucro de um dólar naquela noite.”

O tempo passou, o rapaz foi para Hollywood, começou a trabalhar nos estúdios da Universal, dirigiu filmes e seriados de TV, e posteriormente cinema, onde se virou uma lenda em 1975 depois de se tornar o primeiro diretor a quebrar a barreira dos U$ 100 milhões em bilheterias por Tubarão. Em 1977 ele começou a desenvolver um novo projeto particular que envolvia “discos voadores”… surgia ali o icônico Contatos Imediatos do 3° Grau, um clássico instantâneo.

Contatos Imediatos do 3º Grau – 1977

Em 1970 Spielberg escreveu uma breve história, intitulada Experiências, sobre uma estrada de namorados em uma comunidade agrícola do meio oeste dos Estados Unidos e o “show de luzes” que um grupo de adolescentes assistem no céu noturno. No final de 1973, durante a pós-produção do filme The Sugarland Express (Louca Escapada), Spielberg assinou um acordo com a Columbia Pictures para um filme de ficção-científica. A 20th Century Fox havia recusado a oferta pois estava envolvida no filme Star Wars do amigo George Lucas. Julia e Michael Phillips imediatamente assinaram como produtores do novo filme.

Para a ideia do seu primeiro filme sci-fi, Spielberg considerou fazer um documentário ou um filme de baixo orçamento sobre pessoas que acreditavam em OVNIs. Spielberg decidiu que “um filme que dependia da tecnologia do estado da arte não poderia ser feito por US $ 2,5 milhões“. Emprestando uma frase do final de The Thing from Another World, ele mudou o nome do filme como Watch the Skies, reescrevendo a premissa sobre o Projeto do Livro Azul (Blue Book), projeto de pesquisa da USAF (Força Aérea Norte-Americana) sobre OVNIs. Passou o conceito da ideia para os roteirista Willard Huyck e Gloria Katz. Ela lembrou que o roteiro “tinha disco-voadores desembarcando do espaço no Robertson Boulevard [em West Hollywood, Califórnia]“. Spielberg só ganhou como resposta de Gloria: “Steve, essa é a pior ideia que já ouvi!“. Então ele chamou Paul Schrader para escrever o roteiro em dezembro 1973, com a fotografia principal começando no final de 1974. No entanto, Spielberg começou a trabalhar em Tubarão em 1974, o que jogou o projeto de Watch the Skies mais para frente.

Com o sucesso financeiro e crítico de Tubarão, Spielberg ganhou um grande aval de controle criativo da Columbia, incluindo o direito de fazer o filme da maneira que quisesse. Schrader entregou o roteiro pedido, na qual Spielberg chamou  de “Um dos roteiros mais embaraçosos que se transformou profissionalmente em um grande estúdio de cinema ou diretor. Era uma história terrivelmente culpada e… não era sobre OVNIs“. Intitulada de Kingdom Come, o protagonista do roteiro era um antigo oficial da Força Aérea de 45 anos, chamado Paul Van Owen, que havia trabalhado no Projeto do Blue Book. O seu trabalho para o governo era ridicularizar e desmascarar as pessoas em assuntos sobre discos voadores. Um dia ele tem um encontro. Ele vai ao governo, ameaçar falar a verdade ao público. Em vez disso, ele e o governo gastam os próximos 15 anos tentando entrar em contato com os seres alienígenas. Como Spielberg e Schrader tiveram experiências negativas com o roteiro, chamaram John Hill para reescrever. Na releitura, o personagem principal passou a ser um policial. Spielberg “achou difícil identificar-se com homens de uniforme“. O diretor rejeitou o script de Schrader/Hill durante a pós-produção em Tubarão. “Eles queriam fazer isso como uma aventura de James Bond!“.

David Giler foi convidado para fazer uma reescrita e depois os amigos de Spielberg, Hal Barwood e Matthew Robbins,  sugeriram na trama algo sobre uma criança sequestrada. Spielberg então começou a escrever ele mesmo o roteiro do filme. A música When You Wish on a Star de Pinóquio influenciou o estilo de escrita de Spielberg. “Eu pendurei minha história sobre o humor que a música criou, da maneira que me afetou pessoalmente“. Jerry Belson e Spielberg escreveram o roteiro do filme juntos. No final, Spielberg recebeu crédito sozinho. Durante a pré-produção, o título foi alterado para Close Encounters of the third kind (Contatos Imediatos do 3°Grau).

CLOSE-ENCONTROUR Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Cena de “Contatos…” e a sua belíssima fotografia vencedora de Oscar.

Steven Spielberg convidou o renomado cientista e ufólogo, J. Allen Hynek (1910-1986), que havia trabalhado para o governo americano durante os anos 40 a 60 investigando o fenômeno UFO, tendo participado do Projeto do Livro Azul. É de Hynek a escala de Contatos Imediatos, que inclusive dá nome ao filme. Segundo Hynek “Mesmo que o filme seja ficção, baseia-se na maior parte nos fatos conhecidos do mistério OVNI, e certamente atrai o sabor do fenômeno. Spielberg estava sob uma enorme pressão para fazer outro blockbuster após Tubarão, mas ele decidiu fazer um filme de OVNI. Ele colocou sua carreira em risco”.

Diz-se que a USAF e a NASA recusaram-se a cooperar no filme. Na verdade, a NASA teria enviado uma carta de vinte páginas a Spielberg, dizendo-lhe que lançar o filme era perigoso. Em uma entrevista, ele disse: “Eu realmente encontrei minha fé quando ouvi dizer que o governo se opunha ao filme. Se a NASA tomou seu tempo para me escrever uma carta de vinte páginas, então eu sabia que deveria haver algo acontecendo”.

J-Allen-Hynek Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Ufólogo J. Allen Hynek, faz uma ponta no filme

O filme acabou custando muito mais que a Columbia Pictures esperava, por volta dos U$ 20 milhões, o que deixou os executivos do estúdio de cabelos em pé com Spielberg, que já não tinha uma boa experiência com produção estourada como foi o caso de Tubarão. E durante suas filmagens, o diretor tentou manter segredo o máximo possível e não chamar a atenção. A segurança nas filmagens foi tanta que até o próprio Spielberg foi impedido de entrar no set de filmagem, após esquecer seu próprio crachá de acesso.

Por fim, o filme foi lançado em novembro de 1977, meses após o estouro de Star Wars (Guerra nas Estrelas), e conseguiu novamente ultrapassar a barreira dos U$ 100 milhões, tornando-se o segundo filme mais lucrativo do ano com U$ 306,1 milhões em bilheterias. E até hoje é considerado um dos clássicos da ficção-científica, só aumentando a carreira do diretor, que posteriormente ainda dirigiria outros clássicos como os filmes do arqueólogo Indiana Jones, E.T., Jurassic Park, Lista de Schindler, etc.

O escritor sci-fi Ray Bradbury declarou como o longa “o maior filme de ficção-científica já realizado“.  O aclamado diretor de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Stanley Kubrick, tem Contatos Imediatos, com um dos poucos filmes de ficção-científica que realmente gosta. E ainda hoje o filme ainda possui 96% de aprovação do site Rotten Tomatoes.

Contatos Imediatos foi indicado a oito Oscars em 1978 (incluído a primeira indicação para Spielberg), ganhando apenas duas estatuetas técnicas: Melhor Edição Sonora e Melhor Fotografia.

Projeto Night Skies:

night-skies-4 Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

O sucesso absoluto de Contatos Imediatos levou ainda em 1977 a Columbia a pedir ao diretor uma sequência ou uma prequela. Mas depois o mesmo acabou recusando. Ele explicou “O conhecimento do exército e o subsequente encobrimento dos fatos são tão profundos para levar uma história criativa às tela, talvez seja melhor que alguém que fizesse o filme lhe dedicasse o tempo que merece”.

Da ideia de uma possível sequência que a própria Columbia Pictures pediu a Spielberg e na qual acabou recusando e também o fato dele não querer que o estúdio fizesse uma sequência sem ele, levou o diretor a pensar em um novo projeto envolvendo UFOs no final dos anos 70. Spielberg apresentou a Columbia um tratamento de filme de terror sci-fi para um acompanhamento próximo de Contatos Imediatos inicialmente intitulado Watch the Skies (que também foi um dos título provisórios de Contatos Imediatos). O cineasta baseou a história no encontro de Kelly-Hopkinsville, onde uma família do Kentucky afirmou que eles tinham sido aterrorizados por alienígenas “parecidos com gremlins”. Spielberg tinha ouvido a história do ufólogo J. Allen Hynek enquanto fazia pesquisas para Contatos Imediatos.

Na ideia original de Spielberg para Watch the Skies, onze cientistas extraterrestres maliciosos tentam se comunicar com galinhas, vacas e outros animais na tentativa de descobrir quais das espécies animais da Terra são sensitivas, antes de dar uma atenção indesejada à família humana e dissecar a fazenda de animais. Ao descobrir os rumores de Hollywood sobre o filme, a NASA anunciou que Spielberg teria pago reserva de espaço de carga para o voo inaugural do ônibus espacial de 1980, para filmar a Terra e a Lua de uma órbita para a sequência de abertura do filme. Spielberg afirmou depois que ele apenas produziria Watch the Skies, mas não o dirigiria, pois estava sob contrato para dirigir seu próximo filme para a Universal.

Spielberg queria primeiro que o roteirista Lawrence Kasdan fizesse seu tratamento para o Watch the Skies em um roteiro de pleno direito, mas Kasdan estava muito ocupado escrevendo O Império Contra Ataca para George Lucas, então Spielberg se voltou para John Sayles (que havia escrito Piranha, dirigido por Joe Dante, produzido por Roger Corman, uma espécie de imitação “B” de Tubarão, que Spielberg adorou).

Watch the Skies foi renomeado para Night Skies porque alguém possuía os direitos sobre a expressão”watch the skies” (que era a última linha de The Thing from Another World (o livro que inspirou o filme de mesmo nome de 1951 e sua refilmagem O Enigma do Outro Mundo de John Carpenter de 1982, considerado um dos melhores filmes de terror de todos os tempos).

Alguns chamaram Night Skies de “Sob o Domínio do Medo com alienígenas“, em comparação ao thriller de 1971 com Dustin Hoffman, mas Sayles disse que sua inspiração foi o filme ocidental de 1939 Ao Rufar dos Tambores. Sayles até chegou a nomear um dos alienígenas de Scar (um personagem descrito como “um malvado”). Spielberg sugeriu a direção para Tobe Hooper, mais conhecido por dirigir e coescrever o slasher de muito sucesso Massacre da Serra Elétrica. O filme estava programado para começar as filmagens depois que Spielberg voltasse dos trabalhos em Os Caçadores da Arca Perdida. O cineasta escolheu o mestre de maquiagem e efeitos especiais Rick Baker (que na época também estava trabalhando no filme Um lobisomem americano em Londres de John Landis, pelo qual foi premiado com um Oscar) para projetar e criar as criaturas alienígenas.

Rick Baker construiu um protótipo de trabalho do alienígena principal ao custo de US $ 70.000,00 e emocionou Spielberg e Kathleen Kennedy quando ambos viram uma fita de vídeo durante as filmagens de Caçadores em Londres. Em meados de 1980, Sayles entregou seu primeiro (e, no final, único) rascunho do roteiro, que incluía cinco alienígenas (reduzidos dos onze originais), incluindo Scar, Squirt e Buddy, que eram brincalhões e amáveis ao filho autista da família humana. O roteiro de Sayles começava com Scar (que foi descrito no roteiro como tendo uma boca e olhos como de um gafanhoto) matando animais de fazenda, tocando-os com um longo dedo ósseo que soltava uma luz estranha e terminava com Buddy abandonado a Terra por seus pares malvados, escondendo-se sob a sombra enquanto um helicóptero se aproximava. Houve uma diferença criativa entre o produtor Spielberg e o roteirista Sayles, que abandonou o projeto “amigavelmente” com a produção do filme continuando.

night3 Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Um dos aliens de Night Skies

Enquanto Baker trabalhava nos alienígenas, Spielberg estava pensando em Night Skies. “Eu poderia ter me desviado dos meus sentidos. Ao longo da produção de Caçadores, eu estava no meio de matar nazistas e explodir asas voadoras e ter Harrison Ford em toda essa aventura de alta serialização, eu estava sentado lá no meio da Tunísia, coçando a cabeça e dizendo ‘Tenho que voltar para a tranquilidade, ou pelo menos a espiritualidade, de Contatos Imediatos’.

Enquanto estava no set de Caçadores, Spielberg leu o script de Night Skies para a roteirista Melissa Mathison (que estava lá para ver o então namorado e futuro marido Harrison Ford) e ela chorou depois de ouvi-lo porque “a ideia de uma criatura alienígena que era benevolente, afetuosa, emocional e doce… e a ideia de a criatura se arriscar em um relacionamento com uma criança que veio de uma casa quebrada era muito forte“. Mathison gostou principalmente da parte do roteiro onde a criatura mais benevolente fazia amizade com a criança autista. Começava ali a nascer um novo projeto… E.T. – O Extraterrestre.

As consequências do cancelamento do projeto Night Skies foram ruins para muita gente. Rick Baker havia gasto US$ 700.000,00 do bolso nos modelos e animatronicos não utilizados, o que o levou a brigar e romper com Spielberg. A Columbia Pictures, onde o filme seria filmado, também estava muito brava. John P. Veitch (então presidente das produções mundiais de Columbia) e Frank Price (então presidente da Columbia) também estavam infelizes com o surgimento do novo projeto E.T. e não estavam interessados em fazer “um filme de Walt Disney”.

Em fevereiro de 1981 (seis meses depois do desejo da Columbia de lançar uma nova Edição Especial de Contatos Imediatos), a Columbia colocou o projeto Night Skies/E.T. em “banho maria”. Foi quando Sid Sheinberg (o amigo de longa data de Spielberg e então presidente da MCA, a empresa-mãe da Universal Studios) comprou os direitos do projeto Night Skies/E.T. da Columbia, reembolsando-lhes os US $ 1 milhão que foram usados até aquele momento para desenvolver o filme e fazer um acordo no qual a Columbia reteria 5% do lucro líquido do futuro filme. Sobre os 5%, o Presidente da Columbia Pictures, Frank Price, mais tarde, confessou “eu acho que esse ano fizemos mais naquele filme do que fizemos em nenhum dos nossos filmes”.

Como legado final ao projeto nunca filmado, Night Skies ajudou a inspirar outras produções de Steven Spielberg, não só E.T. – O Extraterrestre (1982), mas também Poltergeist – O Fenômeno (1982), sobre uma uma família aterrorizada por forças paranormais e dirigido por Tobe Hooper, que inicialmente dirigiria Night Skies. Outra obra influenciada pelas ideias de Night Skies foi Gremlins (1984), sobre uma criatura inocente e gentil às voltas com outros indivíduos maliciosos da mesma espécie, levando terror a uma cidadezinha americana. O diretor de Gremlins, Joe Dante, prestou uma homenagem ao produtor Spielberg no filme, onde pode-se ver o letreiro de anúncio em um cinema para os filmes Watch the Skies  junto com A Boy’s Life, o título de trabalho de E.T.

Outros filmes de Hollywood também usaram algumas ideias não aproveitadas de Night Skies, como o filme A Hora das Criaturas (1986), que mostrava uma família de fazendeiros aterrorizada por alienígenas mutiladores de gado. Também vemos elementos de Night Skies em Sinais (2002), Guerra dos Mundos (2005) e tantos outros sci-fi famosos.

E.T. – O Extraterrestre – 1982

ET-POSTER Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Quando Spielberg retornou da Tunísia e do Havaí (onde a abertura de Caçadores da Arca Perdida foi filmada), ele fechou as portas ao projeto Night Skies e começou a planejar o filme que Melissa Mathison tinha apelidado de “ET and Me” e um ano e meio depois seria conhecido pelo público em todo o mundo como E.T. – O Extraterrestre.

Melissa havia escrito o primeiro roteiro em oito semanas. O script passou por mais dois rascunhos, eliminando um amigo esquecido de Elliott, Eddie Haskell. A sequência de perseguição também foi criada depois, e Spielberg também sugeriu a cena onde E.T. ficou bêbado. Com a Universal substituindo a Columbia, Spielberg convidou Carlo Rambaldi, que havia criado os extraterrestres de Contatos Imediatos e também o alienígena assassino de Alien – O Oitavo Passageiro, para criar o personagem alienígena que dá nome ao filme, o tal “E.T.”.

O longa acabou custando U$ 10.5 milhões e mostrava a amizade de um grupo de crianças com uma criatura extraterrestre esquecida na Terra, enquanto o mesmo era perseguido por agentes do governo americano. Após seu lançamento, em junho de 1982, o filme quebrou todos os recordes de bilheterias da época, chegando ao total de U$ 792,9 milhões arrecadados, e gerando uma febre mundial, sendo capa de revistas e jornais do mundo inteiro e fazendo de Steven Spielberg um sucesso absoluto, coroando definitivamente sua carreira.

Em 2002, Spielberg relançou o filme com algumas alterações, como a substituição da criatura de Rambaldi por CGI, e mudando uma cena na qual substitui as armas dos agentes do governo por walkie talkies, uma polêmica junto aos fãs, na qual o próprio Spielberg veio a público para dizer que estava arrependido com esta versão e que nunca mais iria alterar o filme.

O filme foi indicado para nove Oscars (incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor), recebendo quatro estatuetas por prêmios técnicos: Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Efeito Sonoro e Melhor Efeitos Visuais. Além do Oscar, o filme ganhou inúmeros outros prêmios. Posteriormente chegou a 98% de cotação positiva no Rotten Tomatoes, e é sempre lembrado como um dos mais belos filmes da história do cinema.

A obra teve exibição de gala na Casa Branca para o Presidente Ronald Reagan, uma exibição de gala em Londres com a presença da Princesa Diana e uma exibição de gala na ONU, na qual Spielberg recebeu a Medalha da Paz da ONU.

Uma curiosidade ufológica sobre a premier de E.T. na Casa Branca para o casal Reagan, foi que antes da exibição do filme, na presença do diretor Spielberg, o presidente Ronald Reagan se levantou e disse a ele: “Apenas três pessoas nesta sala sabem o quão verdadeiro é o seu filme!“.  Spielberg sempre disse em entrevistas que achava que o Presidente estava apenas brincando com ele.

O sucesso do filme fez inicialmente o cineasta Steven Spielberg e a roteirista Melissa Mathison começarem a pensar em uma sequência. Em julho de 1982, logo após o lançamento, Spielberg e Mathison já tinham o primeiro tratamento de um roteiro da continuação, que se chamaria E.T. II: Nocturnal Fears. Nela, o garoto Elliot e sua família são sequestrados por extraterrestres malvados, então eles têm que contar com a ajuda do amigo E.T. para salvá-los. Spielberg decidiu não seguir em frente com a ideia, sentido que: “não faria nada além de roubar a virgindade do original“. Ele ainda considera “o mais pessoal filme da minha carreira“.

O Milagre Veio do Espaço – 1987

BATERIE Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Spielberg deu um tempo para seres do espaço depois de E.T., para produzir e dirigir outros filmes e hitórias, mas isto não quer dizer que este tema tenha ficado totalmente longe do cineasta. Uma das suas produções que voltaram a falar de seres de outro planeta, foi Batteries not included (O Milagre veio do Espaço), uma aventura familiar sci-fi, dirigida por um amigo de Spielberg, Matthew Robbins, que já havia trabalhado como diretor e roteirista de várias produções como THX 1138, Louca Escapada, Tubarão, MacArthur, Contatos Imediatos entre outros.

A hitória deste filme foi escrita por Brad Bird, que ficaria conhecido no futuro como diretor de filmes da Pixar/Disney como Ratatouille, Os Incríveis, Robô Gigante e Tomorrowland entre ouros. Bird era um dos produtores e roteiristas do seriado que Steven Spielberg estava produzindo para a TV, Amazing Stories, na mesma linha de Além da Imaginação, mas com um tom menos pesado. O primeiro roteiro de Bird foi escrito inicialmente como um dos episódios de Amazing Stories, mas ao ler o roteiro, Steven Spielberg gostou tanto que achou que a ideia renderia um bom filme de longa metragem. Matthew Robbins foi então convidado para dirigir com produção da Amblin Entertainment e lançamento da Universal Pictures.

A hitória mostra um grupo de inquilinos pobres e idosos do sudoeste de Nova Iorque tentando impedir a destruição das suas casas quando alguns visitantes do espaço aparecem para ajudá-los.

O filme custou U$ 25 milhões e rendeu U$ 65,1 milhões.  A veterana atriz Jessica Tandy ganhou um Saturn Awards 1988 de melhor atriz e o filme ganhou o prêmio Young Artist Awards de melhor filme comédia-família. Teve 60% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Trilogia Homens de Preto – 1997 / 2002 / 2012

Homens de Preto, uma produção da Amblin Entertainment (produtora de Steven Spielberg) com os estúdios Columbia Pictures/Sony Pictures, o primeiro filme, pode ser definido como um blockbuster de ficção-científica com pitadas de comédia.

A origem do filme é uma HQ da editora Aircel Comics (depois Malibu Comics, comprada posteriormente pela Marvel), The Man in Black,escrita por Lowell Cunningham e desenhada por Sandy Carruthers, publicada inicialmente em 1990. Os produtores Walter F. Parkes e Laurie MacDonald compraram os direitos para o cinema em 1992. Chamaram Ed Solomon para roteirizar o filme que só foi lançado em 1997, quando o diretor Barry Sonnenfeld, desocupou-se de outros projetos envolvidos. Aqui o produtor Spielberg não é creditado na produção, mas esteve envolvido nela, aprovando a maquiagem junto com o diretor e dando algumas sugestões. Spielberg queria o ator Clint Eastwood, primeiro nome cotado para o papel de Agente K, mas ele recusou. Tommy Lee Jones foi a segunda opção, mas estava relutante em assinar para a produção, então Spielberg prometeu refinar melhor o roteiro.

A história gira em torno de dois agentes governamentais, o veterano Agente K (Tommy Lee  Jones) e novato Agente J (Will Smith) de uma agência secreta do governo americano que investiga a atividade alienígena nos EUA. Após colher informações e averiguar o ocorrido em casos ufológicos, eles apagam a memória das pessoas, que acabam esquecendo do fato ocorrido. No filme também é mostrado que os alienígenas estão vivendo entre nós disfarçados, na qual os MIB (os tais “Homens de Preto”) ficam monitorando-os de perto para impedir qualquer problema ou conhecimento público.

Durante as filmagens o diretor Sonnenfeld decidiu mudar a localização da trama para a cidade de Nova York, porque sentiu que os novaiorquinos tolerariam os alienígenas que se comportavam estranhamente enquanto se disfarçavam. Ele também sentiu que muitas das estruturas da cidade se assemelhavam a discos voadores e foguetes.

O filme foi indicado a três Oscars, tendo ganho apenas Melhor Maquiagem.  Custou U$ 90 milhões e rendeu U$ 589,4 milhões, tornando-se um grande sucesso e gerando duas continuações também lucrativas, um seriado animado de TV e novos quadrinhos.

O segundo filme, produzido em 2002, mostrava novas aventuras do ‘Agente J’ (Will Smith), 5 anos após o primeiro filme, que é obrigado a trazer seu velho companheiro ‘Agente K’ de volta a ativa a contra gosto, para juntos tentarem impedir as artimanhas de um novo alienígena, interpretado pela bela atriz Lara Flynn Boyle. Custou U$ 140 milhões e rendeu U$441,8 milhões, tendo uma recepção mista junto aos fãs, apesar do lucro, um pouco abaixo do original.

O terceiro e último filme levou muito mais tempo para ser filmado, saindo dez anos após o segundo. Envolvendo uma viagem no tempo, onde o Agente J deve procurar a versão mais nova do Agente K (interpretado agora por Josh Brolin), ao mesmo tempo que os Estados Unidos preparam a histórica missão Apollo 11 de ida à lua, custou U$ 215 milhões e rendeu U$ 624 milhões, se tornando o mais lucrativo filme da franquia e também o mais caro.

Os “Homens de Preto” são uma lenda urbana norte-americana ligada à ufologia, que na cultura popular e nas teorias conspiratórias ufológicas trata-se de homens trajando ternos pretos e alegando serem agentes governamentais, que tentam assediar ou intimidar testemunhas de OVNIs para fazê-las calarem-se sobre o que viram, tudo para encobrir uma conspiração mundial que esconde a verdade do público.


As produções de Spielberg envolvendo o tema são muitas, de modo que continuaremos na próxima semana falando sobre outras produções e o hoax envolvendo Spielberg e os alienígenas de Roswell.

Avaliação
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AvatarRicardo-150x150 Steven Spielberg e a Ufologia - Parte 1

Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

17 comments

  • Lorinha:

    muito legal

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Estou bastante contente com a boa repercussão do texto.

  • Everest:

    parabens pela pesquisa, inclusive dos bastidores, muito bom seu texto sobre o tema, adoro, acompanho muito ufologia, vim pra ca atraves do link la no grupo

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Não a de quer Everest. Aguarde os próximos capítulos…

  • Coach:

    excelente artigo, muito interessante mesmo

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Obrigado. Aguardem a conclusão.

  • Ginger:

    vim comentar aqui pq la no grupo do face ta impossivel… parabens pelo artigo!!!

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Obrigado, espere a conclusão em breve. Abraços.

  • Zoreba:

    acho que faltou citar que Spielberg tb se envolveu em séries sobre UFOs, como Terra Nova e Falling Skies

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Calma Zoreba, esta ainda é só a primeira parte….aguardem a conclusão.

  • Bi Maravilha:

    Interessante essa historia do Night Skies é estranha heim… sera que o governo nao interferiu e impediu isso de virar filme? Do mesmo jeito que a NASA se manifestou em determinado momento “contraria” ao Contatos Imediatos, a CIA ou algum outro orgao nao poderia ter sabotado ou pressionado a realizacao do Night Skies?

    • R$119:

      falou em ufologia tem que aparecer os teoricos da conspiracao…

    • Lina:

      Tá, ele tem a opinião dele, e dai? So pq ele é famoso a dele vale mais que a nossa? E a parte da entrevista onde ele diz que “nunca viu um ovni”?

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Havia um tempo que o governo americano desacreditava este tipo de produção, hoje eles apoiam bastante, pois pra eles, já tornou lugar comum e ninguém mais liga para o assunto real. Como dizia Goebbels, ‘Uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.’

  • Leo Churras:

    uau estou aqui lendo isso faz 2 horas e a cada referencia eu vou no google pesquisar a respeito pra saber mais do que vc citou, fantastico, qd sai a parte 2 do artigo???

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Obrigado pelos elogios Leo, a espera é para o final de semana, no próximo sabado.

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