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Série: The Blacklist – 5ª temporada

As séries procedurais sempre tiveram um bom espaço na grade da TV americana. Seja acompanhando o dia a dia dos hospitais, das delegacias, dos bombeiros, dos detetives, investigadores, da NSA, UCT, e tantas siglas do exército ou até mesmo dos jornais e dos padres…

Essas séries são marcadas por acompanhar os procedimentos cotidianos de uma determinada equipe – geralmente com elenco extenso e muitas vezes com rodízio e ou substituição de protagonistas ou seus núcleos, ao longo das temporadas, com a fórmula “se esgota e sempre se reinventa”.

Até meados dos anos 1990 essas séries apresentavam pouquíssimas sub tramas, desenvolvendo de forma rasa suas personagens. Consistiam em séries episódicas para que não atrapalhassem a fidelidade da audiência que perdesse um ou mais capítulos. E conseguiam trazer novo público, uma vez que a cronologia tinha eventos marcantes – que algumas vezes eram citadas, mas não atrapalhavam o entretenimento semanal.

Esse tipo de fórmula se saturou e o mercado se reinventou as vezes no meio da própria série (NY Contra o Crime, por exemplo) ou introduziu uma roupagem técnica e afetiva diferente – onde embora os casos fossem semanais e as vezes recorrentes, os laços de companheirismo e as personalidades emotivas das personagens eram mais aprofundados, seja no extremo (Cold Case) ou de modo mais corriqueiro (CSI).

Outro ponto da nova fórmula é que ela introduz paralelo ao caso da semana, que deve ter um evento maior de plano de fundo, onde ou ela é orquestrada por um grande vilão (Dexter) ou tem um cataclisma na temporada, seja de proporções bélicas (24h) ou sentimentais (Boston Legal, Without a Trace). E sem contar os finais sequenciais onde se corre atrás de algo que tem uma virada inesperada com consequências para a próxima temporada (Prison Break).

The Blacklist vem dessas premissas, misturando muita tecnologia, muita atividade forense, onde os obscuros casos da semana vêm da lista negra fornecido por um charmoso criminoso com uma obsessão em particular por sua “parceira” do FBI. E tem ainda a dinâmica entre o bandido Reedington e a analista Keen que move boa parte de todas as temporadas.

A nova tônica

(contém spoilers)

Após reviravoltas desconcertantes na 4ª temporada o que sobra agora? Além dos mais procurados da lista negra, que trabalham no mundo do crime de formas bizarras e muitas vezes sem o conhecimento das autoridades (ou as vezes a mando dela), todo plot da quinta temporada gira em torno da tal sacola que o Mr. Kaplan deixou para Keen no final da temporada anterior. Nessa relação conflituosa Keen passa por perdas, lutos e é obrigada a se reinventar ao ponto de chegar a admitir que ela está mais próxima do perfil do Reedington do que dos seus ícones do FBI.

Se nas temporadas anteriores Elizabeth “brinca com fogo”, trabalha à margem da lei, tentando se pautar por sua ética, mesmo que sendo motivada pelo charme obscuro de Reed, agora ela começa a assumir traços da personalidade do criminoso. E motivada por resoluções, não se importando mais por quais meios vai trilhar para conseguir atingir seus objetivos. E ela protagoniza eventos memoráveis na série.

Nesse sentido dois episódios são fenomenais: o da “cabana” (“Ruin”, ep. 09), onde ela mostra toda sua sagacidade e “lado negro”. E no episódio “Kapricorn Killer” (19) quando, após um grande dilema moral, ela começa a montar e se valer dos mesmos recursos de Reed.

Essa passagem das luzes para sombras – que não é novidade nos procedurais – é conduzida com firmeza pela Megan Bone, que dá um toque sensível e real a uma pessoa super inteligente que após perder tudo se entrega às suas obsessões.

Os coadjuvantes

A evolução do núcleo de coadjuvantes também brilha muito e, há espaço até para os colaboradores mais estranhos de Reed e todos eles têm momentos ou episódios para desenvolverem melhor sua personalidade e dar o devido aprofundamento emocional. O que ocorre com todo núcleo do FBI, com grande destaque para Amir Arinson, que mostra que sua personagem Aran é muito mais que um alivio cômico ou a interface com o mundo geek. Amir demonstra novas faces de Aran, com mais impetuosidade emotiva que nas temporadas anteriores.

No núcleo de Reed, o destaque além do seu guarda costa/chofer Dembe Zumba, que se mostra com a “pitada” de consciência, quase como um grilo falante de Reed, que é o contraponto moral, sisudo e responsável por boas cenas de humor. Temos também a ótima adição de Jhon Noble (o eterno Walter Bishop), que dá um show teatral e é autor de uma das melhores reviravoltas da temporada.

O plano da temporada?

Se no começo a temporada foi pautada por cenas mais cômicas e descontraídas, mostrando Reed se reerguendo – com uma genial sacada de AIRBN para criminosos, a tônica foi marcada pela velha corrida pelo “McGuffin”, pois diferentemente das temporadas anteriores, podemos observar que Reed fora ficando mais verborrágico e muito mais desesperado dessa vez. Suas manipulações e maquinações ficam menos estratégicas pois sua obsessão com a tal bolsa mostra um Reed descuidado e com desespero para não revelar seu segredo mais bem escondido. E nesse ponto James Spader dá um show a parte, exalta e se contém em questão de segundos. E conduz interrogatórios com refinamento gastronômico com maestria. Mas sua obsessão pela bolsa é mesmo o motor de toda a temporada

Embora essa season tenha sido melhor que as duas anteriores, ela serve como um preâmbulo para o que ainda há de vir, já que a quinta temporada mostrou que na verdade esse é o grande segredo do Reedington. E foi esse segredo que ele escondeu ao longo de toda série e todos relacionados a ele foram eliminados. E não foi de forma aleatória. Foi tudo calculado.

Um outro ponto alto da série (e muito, nesse ano), foi a playlist ou trilha sonora. As músicas não são meros artifícios para acentuar ou evidenciar traços das personagens ou da trama, elas servem como uma ressonância do roteiro no desenvolvimento de toda série. Das instrumentais do compositor Dave Potter às canções de Eatta James, Hey Rosetta, Disturbed, todas marcaram outro ponto alto da temporada.

A série pode não ser perfeita, nem um grande divisor de águas na televisão, mas com certeza consegue deixar os fãs cativos e curiosos para os próximos passos de Keen. E nos resta saber se será respondida a pergunta original de toda a série: quem é Reed Reendington?

Que venha a próxima temporada, com muita boa música.

Avaliação
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Derlei Alberto

Aprendeu ler com gibis do Batman. Cursou eletrotécnica. Trabalhou para grandes corporações eletrônicas. Parou com tudo e foi viver como estudante de história na UNESP de Assis, no interior de São Paulo. Virou professor e, entre as aulas de história e filosofia, cursava paralelamente psicologia e o mestrado em ciência da informação. Graças a sua memória fotográfica e a Joia do Tempo.

2 comments

  • Harry Printer:

    bom artigo!!! nao conhecia essa serie mas fiquei com vontade de ver!

  • Vacina:

    existem poucas séries fantásticas… e muitas que sao ‘boas’… Blacklist é muito boa, considerando sua produção e o genero dela… recomendo!

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