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Crítica: Turma da Mônica – Laços

Direção: Daniel Rezende

Elenco: Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo, Gabriel Moreira, Monica Iozzi, Paulo Vilhena, Ravel Cabral e Rodrigo Santoro

Nota 4/5

Turma da Mônica – Laços (baseado na Graphic Novel da MSP com o mesmo nome) começa como um jogo nostálgico, quase ganho, mesmo que atinja os extremos (crianças em processo de conhecimento dos personagens e obviamente os adultos que relembram suas infâncias através dos gibis lidos). Contando com um produção que salta os olhos, o diretor Daniel Rezende traz os personagens imortalizados por Mauricio de Souza (e até uma participação a Stan Lee) ao construir um império que transformou a Turma da Mônica em uma das mais importantes marcas culturais nacionais de todos os tempos, nesta que é a primeira incursão dos personagens em live-action depois de vários desenhos animados lançados, incluindo o clássico “A Princesa e o Robô” de 1983 e as “Aventuras da Turma da Mônica” de 1982 – não sendo por acaso, se não estiver enganado, é feito uma referência a tal filme na hora em que Mônica abre seu guarda-roupa e visualizamos rapidamente a roupa de ratinha rosa que ele usou na animação.

O diretor transforma este Laços em uma aventura de resgate simples quando Floquinho (o cãozinho do Cebolinha, interpretado por Kevin Vechiatto) desaparece e, com ajuda de Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira), eles partem em busca do cão em uma floresta. 

Com parte da ação se passando neste local, o filme abre margem para conceitos simples do imaginário, principalmente infantil, uma vez que o sequestro foi realizado pelo “Homem do Saco”. Mas é absolutamente viável que tal abordagem seja vista de maneira simplória; soaria pesado demais que houvesse alguma tentativa de aprofundar questões mais complexas ou existenciais como feito, por exemplo, em Toy Story (tanto que o tal vilão do filme é aquele do tipo que grita “raios” com os punhos cerrados sobre o rosto, ou seja, algo bem básico).

O que conta na essência dos personagens de Mauricio de Souza é basicamente a amizade daqueles garotos, emoções e sentimentos mais simples em suas colocações, mas sem deixar de manter o encanto e doçura ao manter as características dos protagonistas, tal qual nos quadrinhos e animações. Características estas que são engrandecidos pelo fabulosos elenco principal onde o casting e a equipe de figurino foi de uma felicidade imensa ao incorporar de maneira orgânica a transição para o “mundo real”. Seja pelo cabelos espetados do cebolinha sem necessariamente ser careca, ou a Magali e sua insaciável fome que põe o grupo em enrascadas (onde sua magreza é destacada pelas olheiras fundas, ou seja, um pequenos detalhe que faz toda a diferença); ou ainda o Cascão, que se não traz sua manchas de sujeiras, mantêm seu medo de água representado pelo seu guarda chuva; e ainda na icônica Mônica, que a doce Giulia faz a famosa personagem de maneira cativante com sua pequena prótese dentária, seu vestidos vermelhos e seu indefectível coelhinho Sansão. Uma fofura… principalmente quando chamada de dentuça e baixinha!

O design de produção faz um trabalho elogiável ao fazer de maneira orgânica este mundo fantasioso quando transforma as lembranças dos quadrinhos com suas casas coloridas e atmosfera estilizada sem deixar que acreditemos que aqueles objetos estejam ali, como uma espécie de cidade do interior brasileiro com seu coretos e vendedores de balões misturados com as áreas residenciais remetendo ao um subúrbio americano dos anos 50, com muito verde e cercas baixas (não sendo a toa que a atemporalidade do filme seja também vista pelo fato de inexistir algum tipo de tecnologia avançada, algo muito bem vindo para crianças enxergarem esta ausência).

Reparem, por exemplo, nas mesas recheadas de comidas que parecem ter saído de um conto de fadas com suas frutas perfeitas e fartas. Inclusive, a direção tem o cuidado em não transitar totalmente uma linha entre o real e o fantasioso; tanto que em um determinado momento na floresta em que eles encontram um cemitério, acredito que parte do público imaginou que um personagem do universo de Mauricio de Souza pudesse surgir. E a partir daí surge uma brincadeira envolvendo Cebolinha (algo mais infantil, impossível)… seria como se a direção dissesse: “Eu sei que vocês acharam que iria aparecer aquele personagem, mas não dá”. Outro exemplo: os personagens sempre foram vistos descalços nos quadrinhos, mas aqui surgem, obviamente, calçados, para quando perderem os sapatos criarem um pequena piada com tal elemento que seria estranho àquele universo (mesmo fantasioso).

Ademais, o diretor de fotografia, Azul Serra, demonstra novamente seu talento ao transitar neste mundo fantasioso das ruas que mais remetem a este clima amável realçando a todo o instante as cores dos locais com uma palheta de cores quentes e aconchegantes. Fora que ao posicionar a câmera embaixo no momento em que os pequenos se encontram na floresta, acaba servindo para aumentar a atmosfera grandiosa da mesma diante dos jovens. Floresta essa que, como disse anteriormente, serve com um rito de passagem para os protagonista e seus conflitos (leia-se “a ausência do amigo canino e a ‘disputa’ entre Cebolinha e Mônica que acaba até rendendo uma importante cena entre os dois que surpreende pela tentativa de dar uma carga emocional extra). Ademais, a presença de Rodrigo Santoro, mesmo que com seu personagem Louco possa não ter função alguma na história, nos permite imaginá-lo com uma “entidade” servindo como força natural, uma inspiração para Cebolinha seguir adiante.

Turma da Mônica – Laços cativa pela sua essência, envolve pelo carisma de personagens  e agrada os pequenos com suas mensagens lúdicas. Ao mesmo tempo que um sorriso levado do Cebolinha imaginando mais um plano para capturar o coelhinho da Mônica nos traz emoções sinceras e puras.

Avaliação
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RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Turma da Mônica - Laços

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, ainda jovem, certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade conservadora e fundamentalista de hoje.

5 comments

  • Ricardo Melo
    Ricardo Alves de Melo:

    Parabéns pelo belo texto Rodrigo,pegou detalhes lá dos quadrinhos que eu nem percebi. Abraços.

  • Avatar
    Soraya Conti:

    quem diria que de onde menos se espera sai algo bom, eu imaginava uma bomba a la filme da Xuxa ou esses filmes do Leandro Rassun ou da Ingrid Guimaraes, m e r d a s colossais de pessimo gosto, claro que nao no mesmo estilo, afinal é pra crianças e familias, mas imaginava algo com a mesma pessima qualidade da Xuxa, e eis que o filme quem diria é muito BOM mesmo, bem dirigido, bem roteirizado, e os atores olha que coisa linda, sao OTIMOS

    • Rodrigo Rodrigues
      Rodrigo Rodrigues:

      Soraya
      Bem vinda
      Foi um bela e agradável surpresa. Ninguém ficou imune a doçura da turma da Monica. Muito superior a qualquer filmes deste citados!
      Abraço

  • Avatar
    Estagiloira:

    quem diria, de um filme que eu nao esperava absolutamente NADA, surgiu essa obra tao legalzona que nos faz reviver a infancia parabens Mauricio

    • Rodrigo Rodrigues
      Rodrigo Rodrigues:

      Estagiloira
      Bem vinda
      O filme é algo de surpreendente dentro de sua pureza e simplicidade.
      Infância pura!
      Abraço

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