Crítica: The Hand (2004)

Direção: Wong Kar-wai

Elenco: Gong li, Chen Chang e Feng Tie

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Como integrante de um jogo erótico, o jovem alfaiate Zhang (Chang) é rapidamente cooptado pela beleza e sensualidade da Sra. Hu (Li), transformando para sempre seus desejos.

The Hand claramente é um conto erótico, e mesmo sendo algo não explicitamente visto na sua filmografia do diretor até aqui, Wong Kar-wai demonstra total sensibilidade para mexer com tal elemento, sem soar minimamente vulgar.

Com sua curta duração (aproximadamente 60 minutos), a obra soa como uma boa oportunidade de observamos os aspectos narrativos do diretor, como por exemplo, a maneira que ele trabalha os sentimento de amores impedidos e mulheres dominantes nas relações. Reparem, por exemplo, que Sra. Hu surge inicialmente de costas, onde somente ouvimos sua voz, o que denota uma superioridade (subjugação) à Zhang, algo que irá se manter durante quase todo o filme.

Interessante observar ainda como o longa traz por momentos planos fechados em que as mãos (como o título sugere) tornam-se protagonistas, e também invoca sempre o simbolismo do elo entre a mente e o coração, e não é à toa que duas cenas são emblemáticas: a cena inicial em que Zhang é seduzido pelo toque da meretriz e outra em que o jovem costureiro simula o contato na sua amada através do vestido ainda sendo finalizado. Além do mais, o diretor é sensível ao exemplificar um triangulo amoroso através do plano em que Sra. Hu está em um telefonema com uma terceira pessoa, onde somos capazes de mensurar a distância entre aqueles amantes, nos colocando no papel de voyeurs.

E se para um aquele tema entende-se como profissão (lembrando que ela é uma meretriz), diante de um mundo de ilusões por nunca alcançar o estilo de vida desejado – e ao mesmo tempo em que vê na degradação do tempo a perda da juventude que ainda lhe resta – para outro aquilo soa como a confirmação de uma barreira entre mundos intransponíveis.

Assim, mesmo diante da dor, é importante que as lembranças ainda sejam confortantes. E Zhang prefere para sempre imaginar sua grande paixão como uma pessoa livre de corpo e alma, apesar da dor que a realidade traz.

(The Hand é um média metragem lançado originalmente dentro do filme “Eros” que incluía outros dois episódios dirigidos respectivamente por Michelangelo AntonioniSteven Soderbergh)

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, nem tão jovem, diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma! Acredita que a empatia, democracia e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada que estamos vivendo.

4 thoughts on “Crítica: The Hand (2004)

    1. Tampao
      Bem vindo
      Tem no streaming MUBI. Super recomendado.
      Abraço

    1. Ricardo
      Bem vindo
      Desconhecia que era esposa Jean Michel Jarre. Bem apontado, o cara tem moral.
      Abraço

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