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Crítica: Amor à flor da Pele (In the Mood for Love)

Direção: Wong Kar-wai

Elenco: Maggie Cheung, Tony Leung, Rebecca Pan , Kelly Lai Chen, Chan Man-Lei, Roy Cheung e Paulyn Sun

Nota 5/5

Nossas paixões reprimidas ou não correspondidas são elementos que nos completam como indivíduos. Com o passar dos anos, imaginamos como seríamos caso tivéssemos tomado certas atitudes, vencido alguns medos ou agido como mais rapidez em relação à esses amores; ou até mesmo outras oportunidades poderiam ter surgido mais à frente e sequer notamos por ficarmos presos ao passado.

Mas Amor à Flor da Pele não é somente sobre um romance (concretizado ou não) , mas uma forma de evolução de caráter, de como lidar internamente com um sentimento mutualmente explícito, sem recompensas e atemporal.

Considerado pela Filmelier como “um dos mais belos filmes sobre amor e desgosto” já feitos, Amor à Flor da Pelecapta o deslocamento e a sensação de se ficar, em um tempo e lugar que não existe mais e para o qual sempre se anseia voltar“. A obra de Wong Kar-wai (que foi premiado pela contribuição técnica em Cannes) parece mesmo entender como poucas a relação das pessoas com suas paixões reprimidas, seus sentimentos proibidos por motivos nem sempre – mas às vezes – com peso suficiente para desencadearem aquela repressão.

O diretor criou, de maneira delicada como de praxe, um manifesto de amor, o desejo de expor seus sentimentos diante da paixão ao lado, mas magistralmente velados, contidos e proibidos. Sem tornar o desejo dos amantes em uma consumação propriamente dita, a obra faz do universo do casal traído pelos seus respectivos companheiros um ambiente em que se sentem enclausurados mesmo estando tão próximos; não sendo à toa que o diretor traz os personagens sempre enquadrados pelos seus corredores apertados e por vezes movimentados no prédio em que são vizinhos, como se a aproximação inevitável sem o toque fosse uma penitência – assim, ao trazer os parceiros sempre fora de quadro, jamais ficamos conhecendo suas faces e nos concentramos totalmente na visão do casal principal.

Portanto, sempre fazendo seus personagens como elementos fluídos dos ambientes, a fotografia de Christopher Doyle, Pun-Leung Kwan e Ping Bin Lee transita entre um verde quase cadavérico (representando o tom vivido pelo personagem Tony Leug), e o vermelho (como contra ponto) representando a personagem de Maggie Cheung; vermelho esse explodindo na tela através das cortinas e paredes dos locais de encontro como se representando o máximo que aquela paixão pudesse expor – mesmo sufocada. Elogiável, portanto, que Leug e Cheung se completem com a química necessária para sentirmos na delicadeza do não toque, nas expressões e comportamentos mais simples que possam exercer sua felicidade; como um dos encontros feitos às escondidas na chuva ou em escadarias tortuosas do local. Assim, como é recompensador para narrativa a direção usar cortes destoantes de maneira elegante para expor a urgência do desejo entre os amantes, como na cena em que Maggie Cheung desce as escadas de um hotel (algo que na mão de um diretor medíocre seria desastroso).

Assim, essa dor maior, fincada na eternidade e remetida quase como uma doutrina espiritual, talvez seja o único alento para essa angústia e solidão daqueles dois (ou da nossa própria idealização!). Vale a pena esse amor?

Avaliação
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RodrigoRodrigues-144x144 Crítica: Amor à flor da Pele (In the Mood for Love)

Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, nem tão jovem, diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma! Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada que estamos vivendo.

2 comments

  • Avatar
    Thiago Pred:

    parece bom, baixei pra assistir esse fim de semana

  • Avatar
    Hernanes:

    interessante heim… mas conta um spoiler aqui: ALERTA DE SPOILER eles ficam só no amor platonico ou chegama ficar juntos? ALERTA DE SPOILER

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