Resenha: o box completo de Bone

Bone3-300x295 Resenha: o box completo de BoneTítulo: Bone

Autor: Jeff Smith (traduzido por Érico Assis)

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Editora: Todavia

Ano: 2019

Páginas: 1.376

 

Se você já conhece Bone (nem que seja apenas sua reputação), esse texto não vai te agregar muita coisa. Já se você não conhece bem, ou sequer ouviu falar, prepare-se: você vai comprar Bone.

 

Uma obra-prima da fantasia

Indo direto ao ponto: poucas histórias em quadrinhos já escritas se equiparam a Bone. Em todos os tempos. Em todos os gêneros.

A epopeia de Jeff Smith pode tranquilamente ser colocada na prateleira de Maus, Watchmen, Slam Dunk, Cavaleiro das Trevas, Do Inferno, V de Vingança, Sandman, One Piece, Walking Dead, Incal e talvez mais uma ou duas outras HQs, dependendo do quanto estendamos o conceito de “obra prima”.

Mas não acredite em mim. Pesquise rapidamente outras resenhas de Bone, em qualquer idioma, e o conceito de um dos maiores quadrinhos da História estará lá.

E a reputação é mais do que merecida, é bom frisar.

 

Sobre o que é

Bone conta uma história maravilhosa, sobre aventuras incríveis vividas por três “bones”, seres humanoides cartunescos perdidos em um mundo diferente do deles, onde passam a conviver com humanos e criaturas fantásticas (em todos os sentidos) em um épico que começa pequeno e contido e termina grandiosamente colossal, sendo frequentemente citado como “o Senhor dos Anéis dos quadrinhos” e sendo eleito uma das 10 melhores graphic novels de todos os tempos pela Time Magazine, além de ter faturado literalmente uma dezena de Eisners, dentre outros prêmios quadrinhísticos, e vendido milhões de exemplares em cerca de 30 países.

Na trama, os três primos bones, expulsos de sua terra natal, se vêem forçados a participar de eventos e embates entre o povo do Vale (onde eles acabam vivendo depois de saírem de Boneville) e seus inimigos históricos, enquanto forças maléficas ocultas parecem operar nos bastidores, conspirando contra as criaturinhas e seus amigos e aliados.

A saga é indicada para todas as idades, sendo acessível aos pré-adolescentes, e dando aos adultos densidade, camadas, referências e nuances em profusão, o que torna a história maravilhosamente encantadora, além de divertida e emocionante.

O tom da narrativa parece, a princípio, ingênuo e despretensioso, mas a impressão vai se desfazendo a ponto de em determinados momentos parecer que estamos lendo um drama adulto ou uma epopeia de suspense e guerra tensa e sombria.

 

Personagens absurdamente carismáticos

Ainda que os bones sejam propositalmente cartunescos, é importante citar que suas personalidades são riquíssimas e totalmente individualizadas. Apesar de parecidos visualmente, os três primos são totalmente diferentes em seu comportamento, índole e pensamentos.

E não existem elogios suficientes para os demais personagens, (mesmo os coadjuvantes), com destaque para as incríveis Espinho e Vovó Ben, e o Dragão Vermelho, além dos antagonistas, como Kingdok, Queixo-Duro e outros.

 

O box com a trilogia

Bone foi publicado originalmente nos EUA em preto e branco entre 1991 e 2004 em revistas periódicas (bimestrais, trimestrais, etc.), com 55 edições no total, até começar a ganhar edições encadernadas reunindo todo o material.

No Brasil, Bone já tinha sido publicado outras vezes, em outros formatos.

Entre 1999 e 2010 a Via Lettera editou 14 revistas em preto e branco da história, mas não chegou ao seu final. Em 2015 a HQM publicou uma única edição colorida, também incompleta (deveriam ser publicamos mais volumes).

Este box da Todavia é recomendável por possuir a saga completa, colorida e encadernada em 3 volumes, e ter um tratamento editorial bastante caprichado, além da tradução de alto nível de Érico Assis.

 

Conclusão

Se você gosta de quadrinhos, mesmo que seja só o de heróis, ainda assim Bone é obrigatório. Se você não é muito chegado em quadrinhos mas gosta de literatura, Bone é obrigatório. Resumindo: se você lê histórias, Bone tem que ser lido. E de preferência a cores e completo, na edição da Todavia (a única desse jeito no Brasil).

Bone é sensacional, e vale cada centavo. É um tiro sem chance de erro. Se você não se apaixonar pelo material já será algo fora da curva. Não gostar, então, é algo praticamente impossível.

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Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

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