Piores Filmes do Mundo: Serpente Mortal (Silent Venom)

Talvez inspirados pelo sucesso de Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane), com Samuel L. Jackson no elenco, a Cinamour Entertainment e o diretor Fred Olen Ray, achando-se os maiorais do pedaço, resolveram tirar uns trocados a mais com uma idéia bem simples: “Vamos adaptar isso para um submarino e depois é só contabilizar os lucros! Rá! Como somos espertos!

Assim (ou provavelmente assim), temos em Serpente Mortal (Silent Venom) uma mistura de Anaconda com Serpentes a Bordo, e com certeza os mais medíocres momentos das carreiras dos 3 protagonistas: Luke Perry (o Dylan de Barrados no Baile), Krista Allen (a saudosa Emmanuelle) e Tom Berenger (nenhum papel notável na carreira, mas você vai reconhecer seu rosto, pois trata-se de um ator de certo nível e com carreira sólida).

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Logo no início do filme já notamos a (falta de) qualidade do que está por vir: a maneira como a primeira cobra foge da caixa e mata o ajudante “bucha-de-canhão” (só estou aqui para morrer) e a reação do cientista canastrão logo em seguida parecem um pastelão dos Trapalhões dos anos 80, mas de forma involuntária, já que a seqüência tenta ser tensa e dramática.

Logo depois, o cientista canastrão chega ao acampamento com a roupa ainda manchada pelo sangue do ajudante e em questão de segundos tanto ele quanto a bela cientista chefa (vivida por Krista Allen) deixam de se preocupar com a morte de uma pessoa e com o fato de um espécime cobaia dos experimentos (que são motivo da expedição) ter fugido.

Simples assim.

Mas o destaque fica por conta da cena em que o canastrão (ou devemos chamar de trapalhão) derruba a bandeja com os frascos de soro. Foi, com toda certeza, uma das mais ridículas e mal executadas cenas já vistas na sétima arte, que chega a lembrar teatrinhos infantis, tamanha a incapacidade do ator (do qual fiz questão de não procurar saber o nome) em fazer a coisa parecer natural. Sinceramente, foi uma das piores interpretações que já vi na vida.

Depois disso o filme exibe ainda situações constrangedoras como a maneira boboca como o general convence o ex-Barrados na Baile a levar o submarino para perto da China e, mais tarde, a passar na ilha e resgatar os cientistas. A maneira como o marujo, tal qual uma criancinha curiosa, abre a bagagem dos cientistas (onde estão as cobras), que era “material confidencial”, também envergonha a produção. As cobras rastejando pelos pés dos tripulantes, sem que estes notem, quando deveriam já estar todos atentos e nervosos, também merece nota.

Mas são as cobras, que deveriam ser o destaque da fita (afinal, protagonizam as principais cenas) que afundam de vez a película. Sem efeitos especiais e, aparentemente, sem adestramento, as serpentes foram soltas pelos cenários e filmadas em situações comuns e muitas vezes até paradas, não conseguindo em nenhuma – isso mesmo, nenhuma! – cena dar a idéia de que estão vagando pelo submarino à espreita ou à procura de esconderijos. A maioria das vítimas sofre as picadas em cenas que não mostram as mordidas (as cenas mostram as vítimas colocando as mãos em locais ocultos e sendo mordidas ou então trucagens com ângulos não nos deixam ver as cobras mordendo as pessoas).

As duas cobronas gigantes (que chegaram ao submarino em uma caixa do tamanho de uma impressora e depois são vistas do tamanho da parente famosa do filme Anaconda) são o ponto baixo dos (d)efeitos especiais, pois criaturas de muitos jogos de PlayStation III são melhor renderizadas e tem os movimentos mais naturais e fluídos.

Não podemos deixar de fora as costumeiras características de obras incluídas na categoria Piores Filmes do Mundo: o roteiro é cheio de erros e buracos, a fotografia é ruim, a edição consegue atrapalhar o andamento do filme o tempo todo e os cenários são quase amadores, a ponto de uma reunião de generais que tratam da operação do submarino na costa da China ser realizada em uma sala minúscula e decorada como uma sala de jantar de uma residência comum (vai ver usaram a sala da casa de um dos produtores).

Some-se a tudo o que foi citado o fato de os personagens o tempo todo tomarem decisões idiotas e arriscadas (quando sobravam opções mais racionais e seguras), e também ao fato da maioria dos diálogos serem horríveis, com falas que jamais usaríamos nas situações em que foram encaixadas, e Serpente Mortal tem uma honrosa posição na nossa galeria de Piores Filmes do Mundo.

Uma vergonha até para os padrões dos filmes “B”.

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Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

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