Crítica: Ghostbusters – Mais Além

Ghostbusters: Mais Além

Direção: Jason Reitman

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Elenco: Carrie Coon, Finn Wolfhard, Mckenna Grace, Paul Rudd, Logan Kim, Celeste O`Connor,  Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts e J.K Simmons. 

Nota 3/5

Aviso : Spoilers

A partir dos anos 90, o projeto de um terceiro filme dos Os Caça- Fantasmas ficou parado nos estúdios , seja por não aprovação de diversos roteiros ou por falta de interesse, por exemplo, de Bill Murray em repetir seu personagem. E todo esse tempo somente aumentou o culto sobre um dos filmes mais emblemáticos dos anos 80, assim como a expectativa a cada boato que um novo filme pudesse vir à tona. Entretanto, o tempo passou, a poeira baixou e os atores tomaram outros rumos, mas não deixamos de compartilhar as aventuras do grupo em outras mídias (animação e games), mas nada de filmes.

Assim, Os Caça-Fantasmas: Mais Além, dirigido por Jason Reitman, surge como uma agradável continuação direta – ou Reboot como preferir – do clássico de 1984 (ignorando o fraco segundo filme de 1989 e o filme de 2016 com elenco feminino atacado covardemente pelo fandom tóxico), tem dois fatores que devemos levar em conta: uma, é claro, o fato de fazer esse novo filme uma espécie de Stranger Things e sua abordagem infantojuvenil (parecendo um padrão quando se aborda algo dos anos 80 atualmente) e o fato que o filme acaba, acidentalmente, ganhando contornos ainda mais pessoais que poderíamos creditar devido ao falecimento recente do diretor Ivan Reitman (pai de Jason e diretor do longa original de 1984); e claro,  também servir como homenagem, mesmo que tardia, para o ator Harold Ramis – falecido em 2014 e que interpretou Egon Splengler nos filmes anteriores.

Passando pela luta de Callie (Coon), uma mãe solteira e sem recursos que se muda com seus filhos para fazenda distante em Summereville herdado pelo pai que a abandonou quando criança, a obra já se estabelece como o conceito “família”. E após estranhos acontecimentos na cidade, eles descobrem suas ligações com um dos integrantes dos Caça-Fantasmas originais e com a ajuda do professor Grooberson (Rudd) precisam impedir que essa força invada a Terra.

Sendo algo tão querido, acaba trazendo um problema: a necessidade de não correr riscos em sua história! Portanto, o roteiro acaba apenas repetindo a história feita há quase 40 anos atrás, ou seja, uma entidade (a mesma Gozer) que precisa do “porteiro” e o “chaveiro” que permitam sua entrada em nosso universo; e interessante que por pouco quase deixei passar a  rápida participação de J.K Simmons na trama que tem uma ligação direta com o primeiro filme que nem lembrava que pudesse ter.  Todavia, acho interessante como o filme me surpreendeu (para bem ou para o mal) ao inserir situações dramáticas quebrando um padrão narrativo do que poderíamos esperar de um filme dos Caça-Fantasmas, cujo primeiro longa trazia um clima constante de uma grande reunião de amigos; o que não deixa de ser por Bill Murray quanto Dan Aykroyd serem originários do SNL e Harold Ramis tendo roteirizado filmes como “Clube dos Cafajestes” e “Almôndegas” – esse segundo que lançou Bill Murray no cinema.

Obviamente o fator nostalgia é fundamental e não podemos dizer que o esse filme não atende esse quesito. E como ele faz? Criando um mínimo de expectativa e tornando sua narrativa eficiente. Tanto que somente com uma hora de projeção temos alguns elementos clássicos sendo usados juntos (alguém usando a mochila de prótons contra um fantasma e o Cadilac e sua famosa sirene). Além do mais, não é a toa que esses elementos são mostrados de maneira reverencial, como o fato da câmera percorrer os detalhes da arma ou mostrando rapidamente o símbolo pintado na lateral do carro antes de surgir – e em ambos os casos com alguma adaptação curiosa na dinâmica dos seus usos, vide o banco que se projeta para fora do veículo (cuja sequência de perseguição a um fantasma pela cidade de mostra eficiente pela direção movimentar a câmera em acompanhar de perto sem comprometer a ação).

Outra decisão que se mostrou eficiente foi em trazer a ação para uma cidade do interior mostrando-se coesa com a proposta de apresentar-se uma aventura rejuvenescida e colorida. Até porque a fotografia de Eric Steelberg (habitual colaborador do diretor em filme como “Juno”, “Up in the Air” e “Jovens Adultos”) traz tais contornos nostálgicos através de cores quentes e trazendo por algumas vezes uma contra luz ao fundo como reverência a algo cultuado dentro de bonitos planos contrastando com o ambiente urbano e cinzento do primeiro filme; como visto na sequencia em que Ecto-1 atravessa um campo que acaba causando um pequeno sorriso nos fãs mais nostálgicos.

Destaque merecido para elenco mirim com destaque para a jovem McKenna Grace como herdeira intelectual de Egon é carismática e combina com o simpático Podcast (Kim), ao ponto que Finn Wolfhard com seu Trevor se sai melhor quando o filme não foca nele e no seu relacionamento com Lucky (O`Connor); e se Paul Rudd inicialmente empresta seu carisma para seu Grooberson como uma âncora ao ter uma boa química com Carrie Coon ao ponto que o casal criar uma pequena referência em suas interpretações ao remeterem um pouco os trejeitos de Rick Moranis e Sigourney Weaver quando possuídos.

Sendo assim, a direção vai inserindo referências para os fãs mais antigos, como um monte de livro empilhado como visto na sequência de abertura do primeiro filme, a trilha sonora rapidamente tocada aqui e ali, e claro, aparição de pequenas criaturas de Stay Puft; agora em versões miniaturas com tendências suicidas! Mas confesso nesse que narrativamente não tinha importância para a história como visto no primeiro filme. No entanto, vale mencionar, que apesar de serem obviamente criadas em CGI, em outros momentos percebemos, por exemplo, que um dos cães-demônios foi usado efeitos mecânicos.

Contudo, talvez o momento de maior impacto emocional para o público mais antigo (pelo menos para mim foi) foi em sua abertura e  como os personagem se encontrariam quase 40 anos depois. Pois ao lembrarmos os filmes originais (mesmo que o segundo seja ignorado) a imagem que temos do quarteto são o entrosamento e amizade do grupo, correto? Entretanto, ao vislumbrarmos o que aconteceu através de uma telefonema de Ray Stantz (Aykroyd) nos traz certa aflição de que a vida sempre toma outros rumos e nem tudo é para sempre. Claro que a ausência de Harold Ramis foi um fator que pesou e me causou um dubiedade de sensações, pois ao trazer a figura de Egon Spengler envelhecida  na abertura do filme (obviamente um dublê ocultado pelas sombras)  traz um gostinho de matando saudade de “rever” um antigo personagem, mas ao mesmo tempo de tristeza pelo desfecho que, repito, tem mais impacto nos fãs mais antigos devido a memória afetiva.

Mas por outro lado, fico com uma ponta sobre a questão moral de tentar trazer um personagem novamente, mas cujo ator que o imortalizou, não estar mais presente. E essa lógica se mantém em seu desfecho, quando vislumbramos o ator criado por CGI , ficamos com o mesmo sentimento de reconforto de uma lágrima escorrendo, mesmo tempo que tal artifício possa causar uma estranheza pela artificialidade mesmo que tal decisão seja inerente aquele universo. E seja por questões tecnológicas, jurídicas ou morais (espero que essa última tenha sido levada mais em conta) o personagem não emite um som ou palavra durante sua aparição em que a direção derrapa feio a mão no sentimentalismo em seu final apressado (faltou tocar Unchained Melody se é que me entendem). Em contrapartida, mesmo em seu final apressado e abrupto, é bem vinda o esperado ressurgimento dos personagens antigos em seus surrados uniformes envelhecido, principalmente Bill Murray que durante essas décadas parecia ignorar seu personagem chegando inclusive a fazer uma paródia de seu personagem em Zumbiland.

Contando com duas cenas pós-créditos que parecem terem sido retiradas de outras história (talvez bem mais interessante e uma delas servindo com uma reparação – obviamente sem sucesso – ao ator Ernie Hudson que nos filmes anteriores parecia sempre relegado com seu Winston), Os Caça-Fantasmas: Mais Além pode soar para alguns como um pastiche ou infantilizada. Sei que não é perfeita , mas ainda assim a senti rejuvenescida.

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo. Descobriu, nem tão jovem, diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini, Bergman, Antonioni, Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma! Acredita que a empatia, democracia e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada que estamos vivendo.

7 thoughts on “Crítica: Ghostbusters – Mais Além

  1. eu gostei do filme, me lembrou os antigos, achei top, qt ao de 2016 eu nao gostei, mas nao sou hater

  2. critica muito bacana, capturou bem o espirito do filme, eu gostei bastante achei leve e divertido

  3. boa critica Rodrigo, eu nao botava muita fé nesse filme nao, ainda mais depois daquele de 2016, nao sou tóxico mas nao gostei dele, e esse agora pelo que vc diz vale a pena conferir

  4. Como disse a Laura, o fandom caiu matando no caçafantasmas2016 obviamente por conta das protagonistas femininas e o discurso de empoderamento, mas isso ja ocorreu com outros filmes feministas ou com protagonistas mulheres antes, e se o filme fosse bom, ele passava por cima do odio e vingava, mas o caçafantasmas2016 flopou lindamente e desastrosamente pq era um filme ruim tb, muito ruim, nao tem boa vontade no mundo que resista a um filme ruim, e ai o problema é que vc acaba dando munição ao inimigo: o filme é uma droga, fracassa miseravelmente, e o fandom misogino e machista vem com o lance do “quem lacra nao lucra” se achando na razao

  5. Olha, os haters bateram no cacafantasmas das minas de 2016 pq era de mulheres, mas cá entre nós: aquele filme foi péssimo, independente das questões feministas. E eu afirmar isso não me faz uma hater, não sou tóxic fandom. Tem q separar as coisas.

  6. Esta é minha visão do filme:

    Filme visto –“ Ghostbusters: Mais Além:” (2021) – Warner Bros /cinema – Direção: Jason Reitman . Uma mãe solteira (Carrie Coon )resolve se mudar para uma pequena cidade do interior com seus filhos adolescentes. Ao chegar na casa herdada do pai recém falecido, ainda sem saber ao certo o que vai acontecer, ela e seus filhos(Finn Wolfhard e McKenna Grace) acabam descobrindo uma conexão com os Caça-Fantasmas originais e que o seu pai/avó havia deixado dívidas, uma casa velha e um legado importante para sua família. Mas nem tudo é brincadeira, com a descoberta de objetos e a chegada da casa, acontecimentos paranormais começam acontecer é hora então de desenterrar este passado…
    O diretor do filme é Jason Reitman(Juno), filho do diretor dos dois Caça-Fantasmas originais, Ivan Reitman (aqui como produtor) . Este filme serve como verdadeira continuação dos filmes Caça-Fantasmas I e II . Não vou entrar no mérito do filme de 2016, pois cada um gosta do seu. Mas mesmo sendo uma continuação da franquia, é importante lembrar que o filme é mais uma nova visão de um grupo de pessoas que tem ligação com o passado da franquia e não necessariamente o retorno das aventuras do quarteto original , sendo mais uma homenagem bonita e bem feita para os novos tempos. O filme possui uma ‘vibe’ bem Stranger Things, uma grande homenagem aos filmes dos anos 80 com várias referências(Cujo, Goonies, Gremlins, E.T. e Conta Comigo). Tudo aqui gira em torno de uma família com crianças adolescentes, então elas que comandam o filme, algumas pessoas talvez nem venham gostar. Sim, temos o retorno de boa parte do elenco original. E uma grande homenagem a Harold Ramis, o Egon , que faleceu em 2014, na qual o filme é dedicado.
    Efeitos muito bacanas, elenco muito bem escolhido, toda trama agora se passa em uma cidadezinha do interior americano, onde pode não parecer, mas existe uma ligação muito importante com os eventos do primeiro filme. As referências nostálgicas seguram o filme, mas também dá um passo importante na franquia, para ir além da história original, tentando até explicar fatos não explicados no primeiro filme, como a origem de Gozer e seus monstros lacaios. O quarteto mirim formado por Finn Wolfhard (de Stranger Things e IT), McKenna Grace (prestem atenção nesta jovem atriz!), Celeste O ‘Connor e o estreante Logan Kim estão excelente com uma nova química, que se brincar estão agora reiniciando a franquia para novas continuações. E os atores adultos, Carrie Coon (‘The Sinner’) e Paul Rudd (‘Vingadores: Ultimato’), também do time principal, foram escolhas acertadas.
    Veremos os fantasmas Geleia e Boneco de Marshmallow, agora em versões atualizadas, que ficaram sensacionais…então temos também o famoso Cadilac da equipe original Ecto-1 e as famosas mochilas de Proton… recomendo que todos fiquem após os créditos finais para duas cenas importantes.
    Nota 4 de 5 !

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