Highlander – O Guerreiro Imortal – Completa 40 anos
Sinopse
O ser humano ao longo das eras, desde o início da civilização, tem questionado seu real papel na vida do planeta e por séculos vem buscando por vários meios, prolongar a própria vida, vencendo barreiras diversas e a própria saúde, pois ele sabe que o destino final, será o seu fim…porque da morte, ninguém escapa ! A imortalidade é um tesouro que o ser humano tem buscado em toda sua existência na Terra. Um desejo utópico, de viver eternamente…
A busca da imortalidade tem aparecido ao longo dos séculos nas estórias de aventura ou ficção-científica seja na literatura, quadrinhos, filmes e séries, como um objeto sagrado(o Santo Graal) ou conhecimento oculto(a Pedra Filosofal), ou lugar secreto (a Fonte da Juventude), sempre em uma jornada rumo ao desconhecido cuja a vitória final será apenas…viver eternamente ou viver por mais tempo. Em 1986, um filme chegou aos cinemas, com a premissa de um guerreiro imortal que viveu vários séculos do passado ao presente, passando por várias eras enfrentando outros imortais iguais a ele, para no final, ter o prêmio cobiçado…a mortalidade ! Estranho no mínimo, mas que acabou cativando vários fãs no mundo inteiro, mesmo com fracasso nas bilheterias, teve uma ótima sobrevida no mercado crescente do home-vídeo (as famosas locadoras de fita VHS), tornando cult e fazendo seus produtores a apostar em novos filmes , séries de TV, desenhos animados e até quadrinhos…Highlander – O Guerreiro Imortal.
Tudo começou em meados dos anos 80, o jovem escritor norte-americano Gregory Widen, era estudante de graduação em roteiros na UCLA. Como parte do programa da faculdade pra escrita de novos roteiros, ele se inspirou no seu trabalho de escola, no filme Os Duelistas, de Ridley Scott, de 1977, que gira em torno da brutal rivalidade de décadas entre dois espadachins. Assim ele montou a estória de um guerreiro imortal que luta com outros guerreiros ao longos das eras até um confronto entre os dois últimos. Segundo Widen, “A ideia da história era basicamente uma combinação de uma variação de Os Duelistas — um cara quer terminar um duelo que durou anos — e uma visita que fiz à Escócia e à exposição de armaduras da Torre de Londres, onde pensei: ‘E se você possuísse tudo isso? E se você tivesse usado tudo isso ao longo da história e estivesse dando a alguém um tour pela sua vida através disso?'” Essa cena está basicamente no filme.”
Depois de ler o roteiro, o instrutor de Widen o aconselhou a enviá-lo a um agente. Widen vendeu o roteiro por US$ 200.000. Ele se tornou o primeiro rascunho do que eventualmente seria o roteiro do filme. De acordo com William Panzer, produtor de Highlander: The Series, “E foi aí que tudo se encaixou — a ideia de que existem Imortais e que eles estavam em conflito uns com os outros, levando vidas secretas das quais o resto de nós não tem conhecimento.” Para Widen, em entrevista posterior: “Sempre me surpreendeu que um projeto que escrevi como estudante da UCLA tenha tido esse tipo de repercussão. Acho que seu apelo reside na singularidade de como a história foi contada e no fato de ter alma e um ponto de vista sobre a imortalidade.”
O desenvolvimento de um roteiro e escolha do diretor
Com o roteiro vendido, começou a busca por quem pudesse transformar aquilo em uma grande estória pra ser filmada. Dois roteirista foram contratados pra mexer no rascunho de Widen, Peter Bellwood e Larry Ferguson. Os produtores acertaram que o filme seria feito pela Twenty Century Fox Studios. Na corrida para se encontrar um bom diretor, mas que não fosse muito caro, já que não queriam gastar muito, foi escolhido o diretor especializado em vídeo-clips, Russell Mulcahy, que havia trabalhado com vários pop stars como Elton John, Duran Duran, Rod Stewart, Icehouse entre outros. Possivelmente devido a estética pop do período, o diretor poderia acrescentar mais brilho na produção para chamar atenção do público jovem.
O rascunho original do roteiro de Widen diferia significativamente que viria a ser o filme. A história inicial era mais sombria e violenta. Connor nasce em 1408, e não em 1518. Ele vive com a mãe, o pai e um irmão mais novo. Heather não existe; Connor está prometido a uma garota chamada Mara, que o rejeita ao descobrir que ele é imortal. Connor deixa sua aldeia por vontade própria depois que a atitude de seu clã em relação a ele muda, em vez de ser banido. Seu pseudônimo é Richard Taupin e sua arma é uma espada larga personalizada. Ramírez é um espanhol nascido em 1100, e não um antigo egípcio nascido mais de dois mil anos antes. O Kurgan é conhecido como o Cavaleiro, usando o pseudônimo Carl William Smith. Ele não é um selvagem, mas um assassino a sangue frio. Brenda é Brenna Cartwright, uma historiadora do Smithsonian que às vezes ajuda a polícia.
Elenco
Quando o elenco começou a ser montado, o ator Kurt Russell(Fuga de Nova Iorque) foi escalado como Connor Macleod, vencendo Michael Douglas, Ed Harris, Sam Shepard, David Keith, Kevin Costner, Scott Glenn, Sting (que também foi considerado para compor a trilha sonora do filme), Mickey Rourke, Peter Weller, Mel Gibson e William Hurt; no entanto, Russell desistiu do filme a pedido da esposa Goldie Hawn. O diretor Mulcahy, ainda estava a procura de seu herói, folheou uma revista e viu uma fotografia de Christopher Lambert em seu recente papel como o herói titular de Greystoke: A Lenda de Tarzan. No Festival Internacional de Cinema Fantástico de Neuchâtel, em 2015, Mulcahy disse que mostrou a foto à sua equipe de produção e perguntou: ‘quem é esse?’ Eles não faziam ideia. Lambert que é franco-americano, era filho de um diplomata francês da ONU, nascido em Nova Iorque, mas criado na França. Quando Mulcahy o conheceu descobriu que o ator não falava inglês, mas como tinha a aparência perfeita que o diretor queria. Ele dedicou muito tempo e esforço para aperfeiçoar seu sotaque escocês para interpretar o imortal Connor MacLeod – com a ajuda da aclamada preparadora vocal Joan Washington, nascida em Aberdeen.
Em uma entrevista de 2016 para o HeyUGuys, Lambert disse que parte do que o atraiu em Connor MacLeod foi o fato de o homem ainda ter humor e esperança apesar de sua longa vida e muitas perdas. “É o único papel que interpretei que aborda o tema da imortalidade, através de um personagem que carrega quinhentos anos de violência, dor, amor e sofrimento nos ombros, e que ainda continua andando e sendo positivo. Isso é o que mais me impressionou nele… é difícil viver uma vida, mas ver todas as pessoas ao seu redor morrendo repetidamente. Como você lida com essa dor? Como você tem forças para continuar caminhando, para continuar sendo positivo e otimista? Para ser capaz de se apaixonar novamente quando você sabe a dor que isso causa quando você perde alguém.”

Para viver o vilão Kurgan, o ator austríaco Arnold Schwarzenegger recebeu uma oferta, mas recusou, por achar que era muito semelhante aos seus papéis como Conan e o Exterminador do Futuro. Scott Glenn e Roy Scheider foram as primeiras opções para o papel de Kurgan, quando o roteiro ainda estava em rascunho. Rutger Hauer e Nick Nolte também foram considerados para o papel. Por fim o escolhido foi Clancy Brown por ter uma visão semelhante ao que o roteirista original queria dele, desejando torná-lo mais complexo e interessante vestindo o vilão com um chapéu-coco e terno, disfarçando sua vilania em vez de usar a roupa de motoqueiro que ele tinha. Clancy Brown quase recusou o papel de Kurgan, preocupado que a sua alergia a maquiagem iria impedi-lo de usar as próteses necessárias no final do filme. Brown tinha acabado de interpretar Frankenstein em “A Prometida” (1985) e teve que ser desligado após três semanas das filmagens, de tão grave que era a sua alergia à pesada maquiagem.
Ramires, o mestre de MacCleod, foi considerado os atores Peter O’Toole, Michael Caine e Gene Hackman…mas acabou caindo como uma luva pra ninguém menos que Sean Connery (o eterno James Bond). No roteiro, o personagem seria um imortal egípcio que viveu por séculos tanto no Japão quanto, posteriormente, na Espanha. Durante as filmagens, Connery dava a Christopher Lambert algumas dicas sobre como pronunciar as falas corretamente no sotaque escocês, algo que foi bastante apreciado por Lambert.

Para a mocinha moderna do filme a atriz Brooke Adams, de “Invasores de Corpos”, era a escolha original para o papel de Brenda Wyatt. Rosanna Arquette, Jennifer Beals e Elizabeth Brooks também foram consideradas. Tanya Roberts, um dos nomes cogitados, recusou o papel para estrelar o filme de James Bond “007 Na Mira dos Assassinos”, de 1985. Na lista final estavam Linda Hamilton, Sela Ward, Sean Young, Linda Fiorentino, Diane Venora e Catherine Mary Stewart. A última, vista em “O Último Guerreiro das Estrelas”, chegou a aceitar, mas depois desistiu por motivo não revelado. Por fim, o papel acabou mesmo com Roxanne Hart.
Para o papel da primeira esposa de MaCleod, Beatie Edney, a escolhida foi a atriz Heather MacLeod.
Produção
As filmagens foram feitas entre abril e agosto de 1985 na Escócia, País de Gales, Inglaterra e Nova York. Todas as cenas de Sean Connery tinha de ser filmado em uma semana devido à sua agenda. Ele fez uma aposta com o diretor Russell Mulcahy que eles não iriam terminar tudo em sete dias, mas Mulcahy ganhou a aposta. Sean Connery e Christopher Lambert se deram tão bem durante as filmagens que eles chamavam um aos outro pelos nomes de seus personagens, mesmo quando não estavam filmando, e foi por insistência de Lambert que Connery voltou com seu personagem para Highlander II: A Ressurreição (1991). De acordo com Russell Mulcahy, parte da equipe achou que Clancy Brown havia se tornado a Kurgan e alguns se recusaram a chegar perto dele.
Enquanto filmava nas highlands escocesas, a equipe médica da produção foram mantidos ocupado na parte da tarde. Depois de umas doses durante o almoço, muitos das centenas de extras escoceses locais ficaram um pouco entusiasmados demais nas cenas de batalhas, com muitos ferimentos leves resultantes. Muitos desses extras eram estudantes da Universidade de Glasgow e foram escalados por causa dos cabelos compridos.
As cenas de batalha foram filmadas em todos os tipos de clima louco incluindo neve e chuva horizontal. O diretor falou muito bem dos extras, que eram moradores locais e queriam “nada além de uma boa garrafa de scotch no final do dia.” O diretor se admirava que eles até dormiam fora, bebiam metade da noite e se apresentavam para o trabalho de manhã.
Durante acena no castelo de Eilean Donan, o estacionamento do castelo teve que ser coberto com toneladas de turfa para disfarçar. A casa situada ao lado da ponte para o castelo foi “encaixotada” em painéis pintados, de modo que parecessem apenas como uma pedra, mesmo quando você estava bem ao lado dela.
A cena da igreja envolvendo Kurgan (Clancy Brown) foi filmada durante a noite com a permissão dos sacerdotes responsáveis. Ainda assim, as falas de Brown eram improvisadas, e teriam sido considerada um sacrílego que os sacerdotes fora da câmera foram fazendo o sinal da cruz como ele as proferiu. Depois de filmar a cena na qual Kurgan confronta MacLeod na igreja, Brown, se desculpou com o padre e as freiras pelas falas de seu personagem por receio de tê-los ofendido.
O efeito de faíscas saindo das espadas no confronto foi realizado anexando um fio para cada espada que levava nos braços dos atores para uma bateria de carro. Uma foi ligada ao terminal positivo e a outra ao pólo negativo, de modo que quando as espadas se chocassem haveria uma descarga luminosa.
Quando filmou a primeira tomada da cena em que Kurgan irrompe através de uma porta e cortar a mesa ao meio, Clancy Brown em vez disso correu e cortou o candelabro, quase decapitando Sean Connery. Como resultado, Connery abandonou o set raivoso. Mais tarde, Connery retornou e Brown se desculpou, dizendo que estava muito nervoso.
A cena da luta final, que acontece nos estúdios Silvercup (o sinal é usado em algumas tomadas), costumava ser uma padaria para a empresa pão Silvercup que tinha saído do ramo alguns anos antes. A luta de espadas entre MacLeod e Fasil foi filmada em um mercado de frutas em Londres feito para parecer uma garagem. Os produtores tinham programado para filmar na Inglaterra, mas não podiam filmar em uma garagem porque lá os limites são inferiores aos das garagens americanas e não poderiam de forma convincente se passar pela garagem do Madison Square Garden.
A narração da abertura, feita por Sean Connery, tem um efeito de eco porque foi gravada em um banheiro. Foi mandada para os produtores por telefone, e eles aprovaram porque eles não podiam discernir a qualidade da gravação dessa forma.
Trilha Sonora
A trilha sonora do filme foi composta por Michael Kamen. Junto a ela, uma grande estrela do rock iria tocar alguns temas .Embora seja impossível dissociar as músicas do Queen do filme, a banda de Freddie Mercury não era a escolha original. David Bowie, Sting e Duran Duran foram considerados para fazer a trilha sonora. A banda de rock britânica Marillion, que tinha feito um grande sucesso no Reino Unido em 1985 com seu álbum “Misplaced Childhood”, recusou a oferta para gravar a trilha sonora por causa da turnê mundial. O Queen originalmente gravaria apenas uma canção para o filme, mas depois de ver imagens do filme, eles foram se inspirando e compuseram mais músicas. Freddie Mercury disse que era o melhor roteiro que ele já havia lido. Cada membro da banda tinha uma cena favorita e canções compostas especificamente para elas. “Brian May estava passando por um período difícil em sua vida na época, com familiares doentes. Quando ele assistiu à sequência com Connor e Heather e ela morre, aquilo o impactou profundamente. Enquanto dirigia de volta para seu apartamento, ele começou a escrever a letra da música ‘Who Wants To Live Forever’. Isso aconteceu poucas horas depois de assistir à cena, o que já diz muito.”, e Roger Taylor usou a frase “It’s a kind of magic” como base para a a música dos créditos finais. Existe até uma rara e inédita versão de New York, New York um cover da famosa canção de Frank Sinatra.
Havia rumores de que seria lançada uma trilha sonora oficial para Highlander, mas no fim das contas, os membros do Queen decidiram fazer um álbum independente. Infelizmente, nunca houve uma trilha sonora oficial para Highlander. O clip de “Prince of Universe” conta com a participação especial do próprio Christopher Lambert que atua e luta de espada com Freddie Mercury.
Lançamento
Highlander – O Guerreiro Imortal estreou no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz em janeiro de 1986 como o filme de encerramento não competitivo. Estreou em Los Angeles em 7 de março de 1986 e em 18 de julho de 1986 no Brasil. O filme tinha uma duração de 116 minutos no Reino Unido e 111 minutos nos Estados Unidos. Cerca de oito minutos de filmagem foram cortados do filme para seu lançamento nos cinemas dos EUA. A maioria dos cortes foram sequências envolvendo um tipo de humor especificamente europeu que os distribuidores achavam que o público americano não acharia engraçado, como Connor sendo repetidamente atingido com a cabeça por um de seus clãs, o duelista atirando em seu assistente e o Kurgan lambendo a mão do sacerdote.
O custo final do filme foi de U$ 19 milhões, considerado um orçamento médio…mas não agradou muito o público, ficando na arrecadação total de US$ 12,9 milhões. Um fracasso, pois nem conseguiu se pagar…Mas após o fraco desempenho nas bilheterias americanas, o filme foi aos poucos ganhando popularidade em outros mercados e isto chamou a atenção para o mercado de Home vídeo. Mesmo fracassando nos cinemas, o mercado de vídeo locadoras americana, simplesmente fez as fitas serem uma das mais alugadas e muita gente querendo comprar o VHS que se tornou um grande campeão de vendas, principalmente por causa da trilha sonora do Queen, que teve a maioria das canções virando hits nas rádios. Desde então, tornou-se um filme cult tanto no mercado doméstico quanto no internacional, dando origem a quatro sequências, uma série de televisão e vários outros spin-offs.
Continuações e Legado
Pode um filme fracassar nos cinemas e gerar continuações e se torna-se cult posteriormente ? “Highlander – O Guerreiro Imortal” provou que sim. Os produtores do filme, logo viram os números do mercado de home-video e simplesmente ficaram surpresos e espantados. Pouco depois o filme estreou na TV e fez ainda mais sucesso. O estúdio queria uma continuação, mas o grande problema era que o filme era um história fechada, isto é…os imortais lutariam até que se restasse o ultimo, que como prêmio ganharia a …mortalidade! Como fazer continuações se o lema do filme era…“Só deve existir um !” ? Durante a produção de Highlander, o produtor William N. Panzer insistiu que o prêmio fosse que Connor MacLeod fosse libertado da imortalidade e tivesse permissão para morrer. Os roteiristas Peter Bellwood e Larry Ferguson tiveram várias reuniões com Panzer, nas quais afirmaram que tal final não permitiria a possibilidade de uma sequência. Panzer disse que não haveria sequência…No Festival de Cinema de Cannes de 1988, Panzer e seu parceiro de produção, Peter S. Davis, foram repetidamente abordados por distribuidores da França, Alemanha e Reino Unido, que estavam ansiosos por novidades sobre uma sequência, já que Highlander havia sido um grande sucesso em seus territórios.Por obrigação contratual, os produtores abordaram o roteirista original de Highlander, Gregory Widen, sobre a possibilidade de retornar para escrever o roteiro da sequência, mas Widen recusou devido a conflitos de agenda, assim como os co-roteiristas Larry Ferguson e Peter Bellwood.
O desenvolvimento começou sob os títulos provisórios de Highlander II: Yellowknife e Highlander 2020.Embora o diretor Russell Mulcahy e o astro Christopher Lambert estivessem inicialmente entusiasmados com o projeto devido ao conceito de Panzer e aos maiores valores de produção proporcionados por um orçamento maior, os cinco rascunhos iniciais fornecidos por vários roteiristas, como Edward Khmara, foram recebidos com desdém por ambos, que sentiram que os roteiros pioravam progressivamente a cada versão. Connery concordou em retornar por US$ 3 milhões por seis dias de trabalho, mas não compareceria ao set nem reconheceria a existência do filme a menos que o dinheiro fosse depositado em garantia. A atriz Virginia Madsen seria o interesse romântico do herói e o ator Michael Ironside o vilão. Por fim, para diminuir os custos de produção o filme foi filmado na …Argentina. O filme foi lançado apenas em 1991, como “Highlander II: A Ressurreição” após vários problemas no desenvolvimento e nas filmagens. Mulcahy e Lambert chegaram a deixar a produção quase no fim, devido as constantes interferências. E com um orçamento de US$ 22 milhões flopou arrecadando apenas …US$ 15,6 milhões! Nem o mercado home-video ou TV, salvou o projeto desta vez e é considerado até os dias de hoje uma das piores sequências já feitas. A estória é tão louca, que define os imortais como sobreviventes de um planeta extraterrestre….O filme inclusive teve um final alternativo para outros lançamentos futuros(que remove qualquer lance extraterrestre da estória), mesmo assim, ainda é considerado uma bomba e uma estória fora do canon oficial da franquia.

Mas o futuro da franquia Highlander ainda proporcionaria outras reviravoltas. Christopher Lambert, que havia estrelado os dois primeiros filmes de Highlander, já havia trabalhado com Christian Charret, presidente do conglomerado francês de entretenimento Gaumont. Lambert sabia que os produtores de Highlander, Peter Davis e Bill Panzer, queriam fazer uma série pra televisão e os apresentou a Charret. A Gaumont comprou os direitos da série. Highlander foi um dos primeiros projetos desenvolvidos pela divisão de televisão da Gaumont, inaugurada em 1992, e um de seus financiadores foi o banco francês Credit du Nord. A Gaumont assumiu o risco de produzir séries de televisão inteiramente em inglês para entrar nos mercados internacionais. A série conseguiu ser vendida para vários mercados internacionais e sua estreia em 1992, gerou uma nova leva de fãs, que deram bastante audiência a série que ficou no ar por 6 temporadas e 119 episódios produzidos até 1998. Christopher Lambert aparece em apenas alguns episódios, o astro principal foi Adrian Paul, que viveu Duncan MacLeod, um primo distante.
O sucesso de Highlander – A Série gerou um spin off, Highlander: The Raven, estrelado por uma mulher imortal, Amanda ( Elizabeth Gracen), que teve apenas uma temporada produzida entre 1998 a 1999.
Aproveitando a popularidade do seriado de TV, em 1994, os produtores da série apostaram em um novo filme, que simplesmente ignoraria todos acontecimentos do segundo filme, ao criar uma nova sequência pra franquia. Era lançado “Highlander III: O Feiticeiro”, foi o último filme da franquia Highlander a focar em Connor MacLeod como protagonista. No filme, Connor MacLeod é forçado a enfrentar um novo e perigoso inimigo, um poderoso feiticeiro conhecido como Kane(Mario Van Peebles), que ameaça ganhar o lendário “Prêmio” para dominar o mundo eliminando MacLeod.O diretor Russell Mulcahy, que dirigiu os filmes anteriores Highlander e Highlander II: The Quickening, estava inicialmente escalado para retornar como diretor, mas desistiu quando os produtores não depositaram seu pagamento de US$ 1,2 milhão em garantia . Neste filme diversas referências à continuidade da série de TV foram inseridas no filme como forma de conectá-lo ao universo televisivo. Embora não tenha sido um sucesso, é o filme de maior bilheteria de toda a franquia, bem como o único a recuperar seu orçamento nas bilheterias pois custou US$ 26 milhões e arrecadou US$ 36,7 milhões.

Em 2000, após quase 6 anos do último filme, saiu Highlander: A Batalha Final. O filme reúne Duncan MacLeod(Adrian Paul) , o protagonista da série, e Connor MacLeod(Christopher Lambert) , o protagonista dos filmes. Na trama, os MacLeods precisam enfrentar um novo inimigo chamado Jacob Kell(Jacob Kell), um poderoso imortal disposto a quebrar qualquer regra para conquistar o Prêmio. O filme serve como uma continuação do seriado de TV e tem um final alternativo lançado como extra no DVD. Novalmente foi um filme que flopou… ao custo de US$ 25 milhões, arrecadou US$ 15,8 milhões.
E não acabou…nos cinemas, parece que o custo e benefício nunca estiveram juntos, já em 2001, os produtores do quarto filme discutiam planos para um quinto filme . No entanto, a produção do filme foi assolada por diversos problemas. Os detentores originais dos direitos, a Miramax Films , decidiram vendê-los de volta aos produtores devido ao fraco desempenho de Highlander: A Batalha Final . Além disso, Adrian Paul se recusou a reprisar seu papel como Duncan Macleod, pois estava decepcionado com o filme anterior. Nesse ponto, os produtores decidiram convidar Christopher Lambert para reprisar seu papel como Connor Macleod (apesar do personagem ter sido morto), mas Lambert exigiu um salário maior. Os produtores não tiveram outra escolha senão renegociar com Paul novamente, assim em em 2007 saiu o filme “Highlander: A Origem”, o único da franquia Highlander que não foi lançado nos cinemas, produzido direto para o canal de TV a cabo, SCI FI Channel e mercado de Home vídeo. Considerado outro filme muito ruim. E partir deste ponto, podemos dizer que a saga Highlander chega ao fim…pelo menos neste universo…
No período da série de TV, aproveitando a popularidade, também foi feita uma série animada, Highlander: The Animated Series, que teve duas temporadas entre 1994 a 1996, totalizando 40 episódios. Em 2007 foi lançado um filme anime, Highlander: The Search for Vengeance . Tirando isto séries em quadrinhos e livros também abordaram a franquia em outras mídias, aumentando ainda mais o fandon dedicado a ela, apesar dos constantes fracassos de bilheterias , ela se manteve viva…
O Reboot – Um novo começo para um grande negócio…
Após o telefilme Highlander: A Origem, os produtores viram que a única alternativa, seria recriar todo o universo novamente. Escrever um novo filme para um novo público diferente daquela juventude do final dos anos 80. Em 2008, a produtora Summit Entertainment, anunciou os planos para um reboot do filme, anunciando a contratação de dois co-roteiristas de Homem de Ferro para o trabalho: Art Marcum e Matt Holloway. O produtor original, Peter Davis, iria retornar no novo filme. Em setembro de 2009, o diretor Justin Lin( Velozes e Furiosos 4) foi anunciado como diretor e dois novos roteiristas foram contratados: Cormac Wibberley e Marianne Sellek Wibberley. Em fevereiro de 2011, a roteirista Melissa Rosenberg(Crepúsculo), foi contratada para ajudar no roteiro. Em agosto de 2011, o diretor Justin Lin, abandonou o projeto, alegando uma agenda apertada, mas ficou anexado ao projeto como produtor. Um mês depois, um novo diretor, Juan Carlos Fresnadillo (Extermínio 2), foi contratado, com as filmagens agendadas para começar entre abril e junho de 2012. Em Junho de 2012, foi anunciado que o ator Ryan Reynolds (Deadpool), estava sendo contratado para viver o protagonista Connor MacLeod, com as filmagens agendadas para começar ainda em 2012…mas… em outubro daquele ano o diretor espanhol Fresnadillo, anunciou sua saída do projeto, devido a diferenças criativas com a produção, após um ano de pré-produção…e em junho de 2013, foi a vez do ator Ryan Reynolds desistir do projeto. Em outubro de 2013, a Summit Entertainment anunciou a contratação do novo diretor, o supervisor de efeitos especiais Cedric Nicolas-Troyan (que trabalhou em Branca de Neve e o Caçador). Em novembro de 2014, ainda sem ter contratado um novo protagonista, o ator Tom Cruise (Missão Impossível), foi sondado para ser o mentor do personagem principal, em um papel semelhante ao personagem Ramires interpretado por Sean Connery. As negociações infelizmente falharam…Em junho de 2015, mais um capítulo da interminável novela do reboot, o ator Dave Bautista(Blade Runner 2049, 007 Spectre e Duna) estaria em negociações para ser o antagonista Victor Kruger (também conhecido como O Kurgan), mas também não houve mais avanços nisto. Em abril de 2016, o diretor Cedric Nicolas-Troyan, confirmou que estava ligado ao projeto, e que os personagens clássicos do filme original estariam presentes, só que com uma estória um pouco mudada.
Em setembro de 2016, foi anunciado o quarto diretor para o projeto, Chad Stahelski (De Volta ao Jogo). Em março de 2018, foi informado que o roteiro finalmente estava aprovado e pronto, escrito por Ryan Condal (Rampage: Destruição Total), com a pré-produção começando em outubro daquele ano e lançamento em 2019. Então…veio a pandemia…e o projeto parou novamente…as novidades só retornaram em maio de 2021, quando foi anunciado que Henry Cavill (Homem de Aço, Batman vs Superman), estava em negociações para viver o personagem principal. Entre 2025 a 2026, as filmagens começaram no Reino Unido usando locações na Inglaterra e Escócia com um elenco que conta além de Henry Cavill(como Connor MacLeod), Dave Bautista(como Kurgan), Russel Crowe (como Ramires), Marisa Abela (como Kate Bennett), Karen Gillan (como Healther), além de Jeremy Irons, Djimon Hounsou, James Macnaughton entre outros. O investimento está sendo alto pra ser a ponta de lança para uma franquia de vários filmes no cinema com novas séries de TV em mente. Então esperamos que entre 2027 ou 2028 este reboot nos mostre se realmente tudo isto valeu a pena.
Ricardo Melo
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