Logan’s Run – Fuga do século XXIII completa 50 anos
A ficção científica ao longo das décadas, seja em livros, filmes, séries, games etc, sempre nos apresentou diferentes formas de interpretação de sociedades futuristas. Muitas das ideias apresentadas, soaram como utopias ou distopias, mas sempre nos levavam a refletir sobre o que a sociedade poderá aprender com isto ao longo dos anos. A exatos 50 anos, foi lançado nos cinemas, um filme sobre uma humanidade distopica futurista de séculos a nossa frente, formada apenas por jovens que ao chegarem aos 30 anos, são convidados para uma cerimônia de renovação chamado ‘carrossel‘ na qual são substituídas por elas novamente como um renascimento. Assim, todos continuaram eternamente jovens e ninguém parecia envelhecer ou mesmo morrer e com a população controlada continuamente, com a pessoal recebendo um número sequencial para sua próxima vida nova…O filme levou a velhos questionamentos sobre o controle estatal sobre o ser humano desde seu nascimento e controle de sua vida…para o bem comum de todos. Seu sucesso acabou inaugurando uma franquia com uma série de TV, livros e estórias em quadrinhos, mas que não tiveram muita longevidade e já foram esquecida pelas gerações seguintes…mas Hollywood ao longo dos anos já tentou tirar o projeto de reboot da gaveta, com vários diretores envolvidos, sem que ninguém conseguisse produzi-lo…
Senhoras e senhoras, bem vindo ao mundo de Logan’s Run – Fuga do Século XXIII, hoje um cult pouco visto pelas novas gerações mas ainda sim, com um roteiro muito inteligente, talvez até demais para o público atual. O filme ainda é lembrado pelo seu visual bastante datado e retrô dos anos 70, onde lembram bastante os grandes shopping centers daquele período, considerados na época as mecas do consumo social e pelos efeitos visuais já paupérrimos(e que ganhou o Oscar), produzidos pouco antes do estouro de Star Wars – Guerra nas Estrelas um anos depois.
O livro
A ideia de Logan’s Run, vem da literatura, escrita a duas mãos por dois importantes escritores e roteiristas do final dos anos 60, William F. Nolan (1928-2021) e George Clayton Johnson (1929-2015) . Nolan (que não tem qualquer parentesco com os irmãos Christopher e Jonathan Nolan), era escritor de ficção científica , fantasia , terror e ficção policial, tendo contribuído também para roteiros de cinema e televisão. Já Johnson, escreveu roteiros para a série de televisão Além da Imaginação Clássica (The Twilight Zone) incluindo ” Nothing in the Dark “, ” Kick the Can “, ” A Game of Pool ” e ” A Penny for Your Thoughts ” e o primeiro episódio televisionado de Star Trek clássico, intitulado ” The Man Trap ” Ele também escreveu a história e o roteiro nos quais o filme Onze Homens e um segredo (Ocean’s 11), de 1960 ,filme depois que teve um remake de sucesso. Ambos escritores, muito amigos, escreveram e lançaram em 1967, o romance Logan’s Run, que retrata uma sociedade distópica malthusiana no futuro, na qual tanto a população quanto o consumo de recursos são mantidos em equilíbrio pela exigência da morte de todos que atingem a idade limite de 21 anos. O livro fez muito sucesso que Hollywood, logo abriu o olho para a estória e os estúdios passaram a disputar os direitos para produção de um filme.
Um filme difícil de sair
Os direitos do filme foram adquiridos pelo estúdio MGM de Hollywood, mas as primeiras tentativas de produzi-lo levaram ao chamado ‘inferno de desenvolvimento’, quando executivos de estúdio, roteiristas e produtores começam a discordar dos rumos e não se chega a um consenso. O diretor George Pal (A Maquina do Tempo), estava envolvido na direção do filme em 1969, mas teve diferenças devido a visões conflitantes sobre o que a história do filme deveria ser, incluindo a possibilidade de incorporar simbolismo de questões da vida real, em comparação com a visão do roteirista contratado Richard Maibaum. Isto levou a reescrita do roteiro de Mainbaum levando entre dois e três meses, e o orçamento teria que ser reavaliado. Pal ficou preocupado que os atrasos fizessem com que o filme perdesse a onda de sucesso que a ficção científica estava desfrutando com 2001: Uma Odisseia no Espaço e Planeta dos Macacos em 1968.
Sem seguida, a AIP, ofereceu-se para comprar os projetos de Pal, incluindo Logan’s Run , por US$ 200.000,00 mas a MGM recusou, estando disposta a aceitar apenas um mínimo de US$ 350.000. Pal deixou o projeto para produzir Doc Savage: The Man of Bronze (1975) para a Warner Bros.
O livro chamou a atenção de Saul David(1921-1996) após ser convidado pela MGM para produzir o filme. David era editor de livros e também produtor de cinema. Ele havia produzido o filme Viagem Fantástica, uma ficção-científica de grande sucesso em 1966. Ele achou a estória do livro Logan’s Run, muito interessante e com cara de roteiro vencedor de bilheterias e se interessou em produzi-lo, já que era bastante entusiasta do gênero sci-fi. Vendo o potencial da produção, David assumiu a responsabilidade em 1974, com o autor de Soylent Green, Stanley R. Greenberg, encarregado para escrever o roteiro. Greenberg concebeu a ideia de Carrossel, mas depois abandonou o projeto. David Zelag Goodman escreveu um roteiro quase completamente novo, aumentando a idade da morte de 21 para 30 anos para permitir que mais atores fossem considerados para o elenco.
Produção

O diretor que assumiu as rédeas das filmagens foi Michael Anderson (1920 – 2018), que havia dirigido a adaptação do romance de Julio Verne, Volta ao Mundo em 80 Dias em 1956. O elenco foi encabeçado por Michael York como Logan 5, Richard Jordan como Francis 7 e Jenny Agutter como Jessica 6. A jovem Farrah Fawcett-Majors ficou com o papel de Holly 13 (ela depois iria estourar na TV com o seriado As Panteras, alguns anos depois). Por fim, o veterano Peter Ustinov ficou com o papel do ancião.
As filmagens se deram lugar em vários lugares em 1975, que lembravam locais futuristas. Os produtores economizaram US$ 3 milhões encontrando locais facilmente disponíveis em vários edifícios de Dallas, incluindo o Apparel Mart no Dallas Market Center (The Great Hall), o restaurante e boate Oz (The Love Shop) e o Pegasus Place (quartel-general do Sandman), o Fort Worth Water Gardens e o Hyatt Regency Hotel em Houston. A Estação de Tratamento de Esgoto em El Segundo, Califórnia, foi usada para as sequências de fuga subterrânea.

Nove estúdios de som inteiros foram usados na MGM em Culver City, Califórnia , abrigando uma cidade em miniatura entre as maiores do seu tipo construídas até hoje.
Os artistas de efeitos especiais LB Abbott e Glen Robinson consideraram o Carrossel a parte mais difícil do filme de representar, exigindo fios escondidos para simular a levitação. Para a cena em que Logan é interrogado pelo computador central do Sono Profundo, decidiu-se que hologramas genuínos seriam os mais convincentes e Saul David disse que um novo efeito holográfico deveria ser criado. O personagem robô Box foi interpretado colocando o ator Roscoe Lee Browne em uma fantasia de robô. A fita arco-íris tinha acabado de ser inventada e foi usada nas maquetes para as cenas da cidade. Ela deu um efeito futurista. A equipe de produção também fizeram uso de lentes grande angulares não geralmente disponíveis. Tornou-se o primeiro filme a usar Dolby Stereo em cópias de 70 mm .

Foram ainda mais 8 meses de pós-produção, com a criação da trilha-sonora estando a cargo de Jerry Goldsmith, com o posterior lançamento da mesma no mercado no formato de Vinil e K7.
O filme foi exibido para plateias de teste antes do lançamento. Algumas sequências foram editadas ou encurtadas como resultado, incluindo cenas de nudez excessiva, para que o filme pudesse receber a classificação PG ( PG-13 ainda não existia).
Ao final, o custo de produção girou entre US$ 7–8 milhões considerado caro pra época, a expectativa era ter sido produzido por US$ 3 milhões. Foi notável por ser o filme mais caro da MGM feito em 10 anos, com a maior parte do orçamento destinada aos cenários.
Lançamento e recepção
Logan’s Run foi lançado oficialmente nos EUA em 23 de junho de 1976. No Brasil em algum tempo depois, já que não havia lançamento simultâneo naquele período. Curioso que o filme recebeu o título de FUGA DO SÉCULO XXIII, no país. O filme é creditado por ajudar a MGM a recuperar da dívida e foi um sucesso, especialmente entre o público jovem, antecipando que a ficção-científica seria a força motriz daquela década um ano depois com a estreia de Star Wars, seguido por Contatos Imediatos do 3º, Superman, Alien – O Oitavo Passageiro entre outros. Em geral, as críticas foram mistas, com Roger Ebert dando ao filme uma classificação de três estrelas, chamando-o de “uma extravagância vasta e boba”, com um enredo que é um “cruzamento entre A Cidade e as Estrelas de Arthur C. Clarke e elementos de Planeta dos Macacos “ e “que proporciona uma certa dose de diversão“. A Variety considerou o filme “gratificante” em seu escapismo e inteligência e Los Angeles Times teve uma opinião mista, escrevendo que “seu brilho visual… impulsiona Logan’s Run para além de algumas invenções tolas, atuação indiferente, ritmo lento e tom incerto”.
O certo é que ao longo dos anos, o filme foi perdendo seu brilho até virar um clássico cult décadas depois. A revista especializa em entretenimento pop, Empire escreveu em 2000, que “não consegue escapar de suas origens nos anos 70“, mas contém “avisos sobre decadência, preconceito de idade e deixar a tecnologia e a ciência correrem desenfreadas, ao som de uma batida disco“. O filme tem uma aprovação de 58% no Rotten Tomatoes , com base em 36 críticas. O consenso do site diz: “ Logan’s Run supera seus elementos mais caricatos e enredo mal desenvolvido com uma abundância de ideias empolgantes e uma aventura de ficção científica arrojada”
O filme indicado a três Oscars técnicos em 1977, tendo ganho o de Efeitos Especiais. Ganhou 6 Saturn Awards de 1977, isto é, todas as indicações como “Melhor filme de ficção-científica”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Direção de Arte”, “Melhor decoração”, “Melhor Fantasia” e “Melhor Maquiagem”. Foi indicado também aos conceituados Prêmio Hugo Awards e Nebula Awards, mas não ganhou nenhum.
Série de TV e outras mídias
A MGM ficou bastante satisfeita que a maior parte do público do filme, foi de jovens e começou a desenvolver uma série de TV, baseada no filme. O escritor William F. Nolan recebeu US$ 9 milhões para que ele criasse uma série de televisão baseada no filme. A série resultante, Logan’s Run (No Brasil recebeu o nome de Fuga das Estrelas), estrelada por Gregory Harrison e Heather Menzies , começou com Logan e Jessica escapando da cidade em forma de cúpula e, em seguida, mostrou-os enfrentando vários obstáculos em sua busca por Sanctuary. A série estreou em setembro de 1977 e teve 14 episódios antes de ser cancelada. A MGM também havia demonstrado interesse em adaptar o romance sequência de Nolan, Logan’s World , mas Saul David optou por se concentrar na série de televisão.
A Marvel Comics publicou uma série de quadrinhos de curta duração em 1977, com George Pérez desenhando cinco edições entre janeiro e maio de 1977, com vendas “aceitáveis”. Os quadrinhos adaptaram a história do filme em cinco edições e continuaram brevemente além, mas foram encerrados quando a Marvel percebeu que só tinha os direitos para adaptar o filme e não para continuar a história. Em sua arte, Pérez procurou seguir a direção de arte do filme. A revista foi cancelada após a edição nº 7 em julho de 1977, com um final em aberto.
Por sua vez, por ser uma adaptação da literatura, William F. Nolan escreveu duas sequências, Logan’s World e Logan’s Search , publicadas após o lançamento do filme (respectivamente em 1977 e 1980). Há também uma novela, “Logan’s Return”, que foi publicada como e-book em 2001. Dois outros romances, Logan’s Journey e Logan Falls , foram escritos em coautoria (respectivamente com Paul McComas e com Jason V. Brock ), mas ainda não foram publicados e deveriam ter sido lançados simultaneamente com um remake da adaptação cinematográfica.
Reboot que nunca sai...
Um livro…que gerou um filme…que gerou uma série de TV…claro que Hollywood adora franquias e filmes cults e Logan’s Run esteve por décadas na mira dos estudios para um reboot em um desenvolvimento sem fim onde a nata de diretores e roteiristas estiveram envolvidas..Por volta de 1995, a Warner adquiriu os direitos da MGM Studios, e convidou o produtor Joel Silver ( Duro de Matar , Máquina Mortífera , Matrix , etc.) para desenvolver o projeto. O roteirista/diretor Skip Woods(A Senha: Swordfish e Duro de Matar – Um bom dia pra morrer), tentou desenvolver um roteiro com ajuda de Nolan, que seria baseado diretamente no romance. Em março de 2004, o diretor Bryan Singer foi contratado para desenvolver e dirigir Logan’s Run . Singer já havia começado a trabalhar com o diretor de arte Guy Dyas em seu filme anterior, X2 (2003). Os roteiristas Ethan Gross e Paul Todisco foram contratados para escrever o roteiro com o diretor, com o filme previsto para ser lançado em 2005. Em outubro, Singer disse que havia começado a pré-visualização de Logan’s Run , que seria concluída quando ele terminasse a produção de seu projeto na época, Superman Returns (2006). Em dezembro seguinte, o roteirista Dan Harris disse que ele e o diretor haviam entregado um primeiro rascunho para Logan’s Run . O roteirista disse que o remake teria mais ação do que o filme original, descrevendo a premissa como “um remake do conceito do filme mais o livro”.Em fevereiro de 2005, o roteirista Christopher McQuarrie foi contratado para reescrever o roteiro, com as filmagens ocorrendo na Austrália.Um ano depois, foi anunciado que Logan’s Run começaria a ser produzido ainda naquele ano em Vancouver . Em maio de 2006, Singer confirmou que não dirigiria Logan’s Run. Os diretores Robert Schwentke e James McTeigue foram contatados para o projeto, mas nenhum deles aceitou.Em agosto de 2007, Joseph Kosinski assinou contrato para dirigir o filme. Em maio e junho de 2010, Carl Erik Rinsch foi contratado para dirigir, e Alex Garland e Michael Dougherty foram escolhidos para escrever o roteiro. Rinsch posteriormente desistiu do projeto devido a conflitos de agenda. Em agosto de 2011, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn foi contratado para dirigir o remake, que seria estrelado por Ryan Gosling e Rose Byrne , com roteiro de Andrew Baldwin. Em junho de 2013, o desenvolvedor de videogames Ken Levine foi contratado para escrever o roteiro. O conceito mais recente para o filme foi baseado em uma protagonista feminina em abril de 2015. Em julho de 2015, Levine deixou o projeto e foi substituído por Simon Kinberg , que, além de escrever uma nova história e tratamento, também planejava produzir o filme com Greg Berlanti . Ryan Condal foi supostamente contratado para escrever o roteiro, baseado no tratamento de Kinberg, em junho de 2016. Em março de 2018, foi confirmado que Kinberg dirigiria o filme, a partir de um roteiro de Peter Craig .
Joe Silver renunciou à sua própria produtora em 2019, em meio a alegações de má gestão financeira; o blog Gizmodo especulou mais tarde que sua renúncia significava que o remake “muito provavelmente nunca aconteceria”… e assim, não temos mais noticias sobre esta produção…possivelmente engavetada. Então, possivelmente um dia veremos isto .
Tema e legado
O filme Logan’s Run explora temas utópicos e distópicos , com a ideia de que os personagens morrem voluntariamente em vez de atingirem idades avançadas, refletindo o fato de que “as utopias exigem que seus participantes abram mão de algo para criar harmonia e uniformidade”. Conceitos proeminentes no filme são “os perigos do hedonismo , a adoração da juventude e, particularmente, os perigos da eutanásia patrocinada pelo governo “. O hedonismo é transmitido principalmente na forma de sensualidade e “imagens de abandono sexual”. Além da liberdade sexual, a busca pelo prazer também se reflete em como isso era imaginado na década de 1970, incluindo minissaias e vida concentrada no prazer dos jovens. Em tempos de sociedades cada vez mais controladas, sirva também de alerta para governos totalitários que nascem no desejo de um controle total para manter o bem estar e alguns.
Ricardo Melo
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