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Análise: o visionário Videodrome

O canadense David Cronenberg é um cineasta ímpar na História da sétima arte. Dificilmente não se assiste um filme seu em que não se perceba – de cara – suas características autorais, e mesmo nesses casos, como em Spider e Senhores do Crime, a qualidade normalmente não é comprometida.

Mas Cronenberg coloca o cronenberguismo de fato em seus filmes menos mainstream, onde pode exercer seu gosto pelo exótico, pela bizarrice, pelo amálgama de tecnologia e “carne”, pelo sangue e pelo sexo.

videodrome2-300x300 Análise: o visionário VideodromeE nesse contexto, onde podemos destacar desde Shivers, Rabid, A Mosca e eXistenZ, é Videodrome a obra mais diferenciada e visionária.

Em pleno 1983 Cronenberg filmou essa crítica mais do que ácida ao entretenimento de massa que manipula a sociedade através – principalmente – da programação fútil, obtusa e emburrecedora da televisão de audiência.

Pior, Cronenberg previu – pelo menos quinze anos antes – a existência dos reality shows idiotizantes e a busca do público por atrações que mostrassem violência e sexo em canais exclusivos tematizados, voltados a programas que sequer precisam de atores e roteiros, mas que se baseiam apenas em exibir pessoas fazendo alguma coisa.

Na verdade o mundo mudou tanto desde então (no caminho apontado pela obra), que aquele filme hoje em dia sequer pode ser considerado violento, explícito e grotesco… restando apenas a bizarrice exótica do tema como algo que ainda poderia chocar o espectador. Aliás isso é mais uma incrível elipse ficção/realidade da obra, que mostra como cada vez mais se precisa chocar e extremar para conseguir audiência.

Falando do tema, o filme Videodrome (que no Brasil recebeu o subtítulo “A Síndrome do Vídeo”) fala sobre o empresário Max Renn (James Woods), proprietário de um canal de TV nos EUA, a Civic TV, cuja programação é voltada para – ora vejam só – programas exclusivamente sobre violência (incluindo tortura) e sexo, algo totalmente fora dos padrões de então.

Um determinado dia, Renn – sempre buscando inovação para seu canal conhece um sinal pirata de uma transmissão de algum canal clandestino cuja temática era ainda mais violenta que a da Civic TV, com exibições de tortura e mortes “reais”, como nos famigerados snuff movies.

Convencido de que na verdade se tratava de encenação, Renn resolve investigar, com a ajuda de seu affair – uma radialista sadomasoquista chamada Nicki – a origem da transmissão para saber mais do canal pirata, e os dois acabam descobrindo que se trata de um programa chamado Videodrome, um bizarro experimento cujos sinais da transmissão interagem com o cérebro do espectador causando um tumor que, em conseqüência, causa prazer e alucinações.

Como vemos, a própria explicação para o funcionamento do Videodrome é uma crítica à programação de TV da época. Cronenberg nos diz aqui como a podridão dos programas de televisão deteriora nossa mente e nossa percepção do mundo e da sociedade, nos incutindo conceitos e valores distorcidos acerca da realidade em que vivemos.

Na história, quando Renn começa a sofrer os efeitos do Videodrome e quando fica preocupado com o sumiço de Nicki (que “partiu” em busca de participar do programa), ele chega até o Professor Brian O’Blivion, que aparece em muitos programas do Videodrome “apresentando” tanto a temática quanto a ideologia da atração.

Interessante notar aqui como Cronenberg coloca no nome de seus personagens pistas acerca do mote do filme. Renn, por exemplo, é uma corruptela de REM, a famosa fase do sono em que os sonhos são mais vívidos e muitas vezes nos parecem reais. Nessa fase do sono, normalmente a atividade cerebral é tão alta quanto aquela desenvolvida quando estamos acordados.

videodrome5-300x300 Análise: o visionário VideodromeRenn, portanto, é aquele que sonha acordado (ou que não sabe se está no mundo real ou no mundo dos sonhos), que alucina, que não sabe distinguir a verdade da farsa – miragem, sonho, etc. – e que vai protagonizar as ações relativas ao tema.

Outro exemplo é o Prof. O’Blivion, cujo nome na verdade é uma descaracterização da palavra oblivion, que não tem tradução correlata em português, mas que significa algo como esquecimento, no sentido mais subjetivo (ou subconsciente) e menos literal. O esquecimento oblivion também pode ser entendido como tratando-se de termos temporais e factuais, ou seja, de registros históricos ou de acontecimentos passados.

E, trazendo a relação do nome com o personagem, o filme mostra que Renn descobre que o Prof. O’Blivion na verdade não vive a mais de uma década, existindo apenas por meio das gravações que ele fez para o programa, e que agora são exibidas de forma a dar a entender que ele as faz em tempo real. Além disso, O’Blivion, em suas transmissões – em tom quase religioso – traz informações que também têm relação com seu nome e com a trama em si:

A batalha pela mente da América do Norte será travada na arena dos vídeos, o Videodrome. A tela da televisão é a retina da mente. Portanto, a tela da televisão é parte da estrutura física do cérebro. Portanto, o que aparece na tela da televisão surge como pura experiência para aqueles que assistem. Portanto, a televisão é a realidade e a realidade é menos do que a televisão.

Acho que este desenvolvimento na minha cabeça, esta cabeça, esta aqui, não acredito que seja realmente um tumor, uma forma borbulhante descontrolada de carne, mas que seja, na verdade, um novo órgão, uma nova parte do cérebro. Acho que doses maciças do sinal do Videodrome criarão um novo desenvolvimento do cérebro humano, que produzirá e controlará a alucinação a ponto de mudar a realidade humana. Afinal, não há nada real, além de nossa percepção da realidade.

Temos aqui então a apologia ao novo, à nova realidade, e o “esquecimento” (oblivion) do “antigo”, do modo de vida anterior, da realidade até então vigente. Fortalecendo esse conceito, Bianca, filha do professor, também tem seus momentos oblivion ao proferir, já no final do longa, uma reprogramação mental em Renn, pregando a “nova carne”.

E o que falar de Barry Convex, diretor da Corporação Óptica Espetacular, responsável pela produção do sinal de Videodrome, que contata Renn quando este já está em fases avançadas de alucinações? Convex é “convexo”, evidentemente. E o que é algo convexo? Convexo é um conceito de coisa autocontida para fins de contextualização, já que para conceitos não convexos não é possível aplicar formulações gerais, pois os mesmos não são partes de um todo. Ou seja, o convexo do filme mostra que tudo ali faz parte de um conjunto maior de elementos, que dificilmente podem ser compreendidos separadamente, fora do todo. Mais esclarecedor, impossível.

Quando Convex entra em contato com Renn, explica a ele que sua “óptica” (sua corporação também não deixa de ter um nome sugestivo dentro do contexto da obra) é na verdade uma fachada para uma empresa fabricante de armas diferenciais a serviço da OTAN, e que O’Blivion havia sido o responsável por ajudá-los a criar um aparelho chamado Acumulador de Imagens – uma espécie de óculos de visão noturna em formato de capacete – cujos testes mostraram causar danos cerebrais aos usuários.

Descobrimos então, o que de fato Convex pretendia: usar o Videodrome para manipular Renn através de programação hipnótica e psíquica, fazendo-o matar a filha do Prof. O’Blivion e seus sócios da Civic TV, passando então a transmitir o programa através do canal – não mais pirata – de Renn, atingindo assim parcelas enormes da população.

videodrome6-300x300 Análise: o visionário VideodromeE qual o objetivo de se transmitir Videodrome para as massas? Seleção. Sim, o objetivo de Convex – e provavelmente de uma elite mundial através da OTAN – é matar por meio do tumor cerebral a parcela mais espúria e degradada da sociedade, aquela que é o público alvo dos programas da Civic TV – e, evidentemente, do Videodrome – que aprecia depravação, pornografia esdrúxula, violência e outros temas considerados “baixos”. Assim, sem o que de pior a sociedade tem, ela poderia renascer – recomeçar – mais forte, pura, limpa e “boa”.

No entanto, os planos de Convex não logram êxito, já que após assassinar os sócios, Renn acaba reprogramado por Bianca, deixando-a viva e indo atrás do próprio Convex, que ele mata em uma feira onde o mesmo apresentava os conceitos da Corporação Óptica Espetacular para o público.

No fim, Renn ainda se suicida, por conta da manipulação de Bianca, que o convence de que mesmo tendo causado danos ao Videodrome, era necessário subir a um novo estágio de realidade para acabar de vez com ele.

A despeito de toda a crítica explícita do longa, e da constatação de que a tal “parcela mais baixa da sociedade” é, na verdade, praticamente toda a sociedade – que hoje dá audiência prioritária justamente a programas como os de Videodrome e outras imbecilidades – podemos fazer diversos paralelos das metáforas de Cronenberg no filme, incluindo aqueles que dizem respeito às igrejas de hoje e sua manipulação desregrada sobre os fiéis.

Outro aspecto relevante da obra é a representação gráfica dessas metáforas, onde são mostrados visualmente os conceitos implícitos já elencados (muitos com a ajuda dos efeitos especiais muito competentes para a época, à cargo de Rick Baker). As programações mentais aplicadas em Renn, por exemplo, são representadas por inserções viscerais – e literais – de fitas de videocassete em seu corpo, através de uma abertura em seu abdome.

videodrome3-300x300 Análise: o visionário VideodromeTemos também o momento em que a televisão de Bianca volta contra Renn sua própria arma, literalmente extraindo-a da tela, em um momento que demonstra como ele passou a ser um reflexo da mídia e de como ela era capaz de alvejá-lo incisivamente com sua (nova) programação, que o faz esquecer (oblivionerar?) a programação antiga e transformar-se em uma nova pessoa.

E o que dizer do momento em que Renn “entra de cabeça” na televisão, que através da imagem de Nicki, o “chama” de forma sedutora e irresistível, dando mostras de vida inclusive, convidando-o portanto a viver aquela realidade dela, “dentro dela”, ao invés da realidade fora da programação, passando a controlá-lo.

E nem precisamos citar a referência aos estragos que a mídia causa na mente das pessoas, e que no filme são traduzidos para o tumor cerebral causado nos que assistem o Videodrome, bem como a “morte” que esse tumor causa, que na verdade é o resultado final da alienação e manipulação que a mídia causa: em determinada altura da vida, a pessoa “morreu” para sua consciência real e passa a ser apenas o resultado do que a mídia lhe incutiu, um produto da programação das grandes corporações.

Além dos casos citados, vemos muitos outros momentos puramente cronenberguianos, que até acabaram explorados em outros filmes, como a fusão entre objetos e corpo resultando em equipamentos “tecnorgânicos” tão usados em eXistenZ.

Como vemos, Videodrome é um filme não só atualíssimo – mesmo tendo envelhecido visualmente e tendo os efeitos especiais datados – como muito pertinente na sociedade atual. Cronenberg previu essa realidade em que o grosso da programação da TV aberta (e mesmo alguns canais da fechada) é composto daqueles temas por ele abordados.

Basta transportarmos os conceitos do longa mudando o videocassete para a TV a cabo ou a Internet, por exemplo, e tudo se adapta perfeitamente, com a violência travestida de entretenimento ou jornalismo, o sexo sendo explorado da maneira mercantil e decrépita, a mídia moldando gostos, modas, conceitos e comportamentos (e consumos, principalmente) e criando pseudo-celebridades instantâneas nas redes sociais, com seus vazios conceituais e “conteúdo” excrescente cheio de audiência ignóbil, e os vícios (eletrônicos, físicos ou psíquicos) se disseminando cada vez mais e com a cultura de conteúdo perdendo cada vez mais espaço.

Aliás, uma frase do Prof. O’Blivion mostra-se extremamente atual, quando ele diz que “O nosso senso de realidade é que determina o que é real e o que não é”. O contexto do filme tratava da realidade de Renn, que se alterava conforme ele assistia Videodrome, porém era também (mais) uma metáfora acerca de como a mídia é capaz de moldar nossa realidade, nossos conceitos e nossas opiniões, nessa eterna manipulação a serviço das grandes corporações que fomentam o consumismo exacerbado e inútil.

O próprio arco do protagonista é um espelho do que Cronenberg vê como resultado da alienação em massa causada pela aceitação tácita e passível do que a mídia propaga, mostrando um sujeito que se considera sagaz e esperto – acima de qualquer manipulação, portanto – mas que se vê manipulado o tempo todo, transformado em um zumbi da programação alheia onde já não sabe mais qual é a realidade em que vive (ou, dentro das metáforas do filme, se os conceitos em que ele acredita são os dele ou os da mídia), e que sucumbe em uma espiral de autodestruição, moral, física e mental, que culmina com sua morte em uma “piração” final.

Outra mostra cronenberguiana das metáforas do filme está no fato de que Renn percebe que o Videodrome lhe faz mal e está mexendo com sua mente, inclusive deteriorando sua capacidade de perceber o mundo a sua volta. Porém ele simplesmente “não consegue” deixar de assistir. Evidente que não é coincidência a comparação com o mundo real, na qual muitas vezes as pessoas assistem algo mesmo sabendo que aquilo não é bom – e não estamos falando da qualidade da obra em si, ou seja, não trata-se de não assistir um “filme ruim”, mas sim não assistir um programa com ausência de conteúdo, ou com conteúdo totalmente degradante.

Podemos citar também o visionário conceito do Prof. O’Blivion na qual existe uma imortalidade “alcançável” aos humanos, por meio justamente da transposição do estágio atual para outro, a “nova carne”, na qual se viveria eternamente por meio dos programas de TV. Paralelos com as “celebridades” da mídia de hoje em dia?

videodrome4-300x300 Análise: o visionário VideodromeOutra curiosidade da obra é que alguns a consideram, além da crítica inerente à mídia e seus reflexos sociais, um manifesto das elites mundiais acerca de seu domínio por meio da manipulação das massas. Michael A. Hoffman, por exemplo, afirma em seu livro Secret Societies and Psychological Warfare, que “[…] a criptocracia emitiu recentemente uma espécie de manifesto […], revelando exatamente o que a televisão está fazendo para nós e como será o futuro império do vídeo que eles estão planejando para nós. […] O nome desse manifesto é Videodrome […]”.

Segundo Hoffman e muitos outros autores acreditam, os snuff movies existem de verdade e são filmados e vendidos para uma rede restritíssima de consumidores (a elite das elites), que desacredita sua existência propositalmente para perpetuar esse ciclo. Os snuff envolveriam além de tortura, estupro e assassinatos reais, também rituais de sacrifícios – pagãos e religiosos – e teriam altíssimo valor comercial. Seriam, portanto, o extremo do vivido hoje (e previsto em 1983 por Cronenberg).

Uma outra frase do filme também dá a entender que trata-se de um libelo corporativista, quando dizem a Renn que os programas captados no sinal pirata são só aparentemente inócuos (violência pura), mas que na verdade são mais do que isso, eles têm uma “filosofia”, coisa que a programação da Civic TV não tinha, e portanto eram mais avançados (melhores).

Ora a realidade é bem essa, se considerarmos a manipulação da mídia sobre as massas que acreditam estarem vendo entretenimento puro e não fazem idéia de todo o conteúdo ideológico por trás de uma simples novela ou um Big Brother Brasil (e claro que isso também ocorre em filmes e séries e até livros, apesar de normalmente se tratar mais de manipulação de consumo do que de ideologia).

Outro sinal disso está no palco onde Convex é morto por Renn, onde vemos símbolos visuais que fazem alusão ao ocultismo das elites dominantes, além de duas frases estampadas na decoração: “O olho é a janela da alma” e “Amor vem ao olho”. O olho é um símbolo ocultista bastante proeminente e as frases revelam como a visão – aquela que capta a transmissão da TV – é importante para moldar a alma das pessoas.

Tratando-se de uma empresa de fachada que finge ser uma óptica, (e que, portanto, poderia publicar tais frases sem levantar suspeitas) a mensagem também é a de que as grandes corporações maquiam suas verdadeiras intenções com conceitos “bonitinhos” para a população não perceber que está sendo manipulada.

Videodrome mostra-se, como vimos, um filme absurdamente denso e cheio de camadas, que hoje em dia pode passar injustamente até por uma obra trash, por conta de seu ritmo e visual totalmente obsoletos e pelos efeitos especiais datados. Trata-se, no entanto, de um clássico cult, décadas à frente de seu tempo. Uma obra-prima do cinema, ainda que com roupagem e formato bastante envelhecidos.

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AvatarRalph-144x144 Análise: o visionário Videodrome

Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

8 comments

  • Luiz Gustavo:

    Fantástica a análise, parabéns!!! Esse site me surpreende a cada vez que entro aqui para ler algum artigo!!!

  • Gian Biasi:

    é impressionante ver como um filme tem trocentas mil coisas alem daquilo que vemos nas cenas, um monte de significados pra cada coisa, um monte de metáforas… me sinto meio burro as vezes rsrsrssrs

    • Rodrigo Garrido:

      nem todo filme tem tudo isso de camada, analogia, metafora, significados implicitos… a maioria é só aqui que ta mostrando mesmo…

    • Rodrigo Garrido:

      só aquilo* que ta mostrando mesmo

  • Rodrigo Amorim Tarsia:

    Parabéns pelo texto. Que bom podermos ainda encontrar análises de qualidade na internet. Continue escrevendo com essa dedicação toda. Foi um colírio para meus olhos…

  • Rodrigo Amorim Tarsia:

    muito bom o texto! Que bom podermos ainda encontrar boas análises na internet! Obrigado pela qualidade e dedicação.

  • Altair:

    Nossa… preciso rever esse filme rs

  • Leandrão:

    eu morria de medo desse filme qd era moleque… assisti uns anos atras e achei legal, mas como vc disse, datado… mas nunca me dei conta de todos esses aspectos que vc citou no texto, parabens mesmo, fantastico

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