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AnálisesSÉRIESSérie: Black Mirror – 3ª Temporada
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Série: Black Mirror – 3ª Temporada

Se você não sabe exatamente o que é a tão falada Black Mirror, confira esse especial que vai te situar no ambiente da série e explicar o que ela tem de tão especial.

Depois de adquirir os direitos da excelente produção inglesa, a Netflix lançou a terceira temporada da série, agora feita por ela mesma, e o resultado foi também excelente, deixando essa nova season no mesmo nível das anteriores e do especial de Natal de 2014.

Estruturalmente a série se manteve como as temporadas anteriores, com episódios longos e independentes em termos de narrativa, atores e ambientação (inclusive cronológica), ficando o elo de ligação entre eles para a temática, que é a interação e o uso que a humanidade faz da tecnologia e, claro, a conseqüência que esse uso traz a todos.

Assim, é difícil – para não dizer impossível – terminarmos um episódio sem nos pegarmos pensando em como reagiríamos se estivéssemos na pele daqueles personagens, inclusive no tocante às decisões por eles tomadas, ou então nos pegarmos estarrecidos por notar que mesmo quando a retratação se dá em um futuro “distante”, aquele comportamento já pode ser observado aqui, hoje, o que é bastante triste, em termos de humanidade e do que temos feito conosco.

Black Mirror, em sua terceira temporada, portanto, continua nos presenteando com episódios inquietantes (alguns estarrecedores), mais por conta do significado daquilo que a narrativa traz do que exatamente pelo exibido visualmente, o que por si só já é um feito incrível – mas não único, já que as narrativas são de alta qualidade.

Resumindo: continua imperdível!


Ep. 1.“Perdedor” (Nosedive)

Direção: Joe Wright – Elenco: Bryce Dallas Howard, Alice Eve e James Norton.

Do mesmo diretor dos filmes Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação e Anna Karenina, o episódio Perdedor é um exercício de extrapolação do que hoje já é um uso exagerado das redes sociais da Internet. Na história, Lacie vive o drama de quem, em um mundo dominado pelas avaliações feitas nas redes sociais (uma evolução dos atuais “likes” e “follows”), precisa se submeter a situações e comportamentos que não quer, apenas para manter – e aumentar – seu bom status virtual,o que inclui se relacionar de forma artificialmente calorosa com as pessoas, por exemplo. Apesar de um final um pouco dissonante, abriu a temporada em alto nível e trouxe um excelente desempenho de Bryce Dallas Howard.


Ep. 2. “Versão de Testes” (Playtest)

Direção: Dan Trachtenberg – Elenco: Wyatt Russel e Hannah John-Kamen.

Talvez o mais fraco (ou menos bom) episódio da temporada, que conta a história do mochileiro Cooper, que em meio a uma volta pelo mundo, se vê na Inglaterra, precisando de dinheiro, e acaba aceitando participar de um teste de realidade ampliada, atraído pela temática do trabalho e pelo pagamento, claro. Versão de Testes, dirigida pelo mesmo diretor do ótimo Rua Cloverfield, nº10, começa de forma interessante, mostrando quem é Cooper, para nos dar um norte emocional quando ele se vê em uma casa “do mal” onde testará um game revolucionário, capaz de criar situações cada vez piores para causar medo no jogador. Pena que as situações não conseguem nos impactar muito e o plot twist final se mostra fraco, ainda que inventivo.


Ep. 3. “Cala a Boca e Dança” (Shut Up and Dance)

Direção: James Watkins – Elenco: Jerome Flynn e Alex Lawther.

O mais indigesto dos episódios é também os mais “burocrático”, com estrutura de roteiro bastante simples e sem grandes maneirismos. Na história, o jovem Kenny se vê refém de hackers que o filmaram se masturbando enquanto via pornografia na Internet, de modo que o obrigam a ir realizando tarefas (cujo propósito final só ficamos sabendo “tarde demais”) que em determinados momentos envolvem também outras pessoas chantageadas. Enquanto nos pegamos pensando em como Kenny estava sendo severamente “punido” por algo que não é “nada de mais”, a trama nos leva a uma parte final que foge à estrutura convencional da história, e um encerramento que mexe – e inverte – com nossas convicções. Isso é Black Mirror.


Ep. 4. “San Junipero” (San Junipero)

Direção: Owen Harris. – Elenco: Gugu Mbatha-Raw e Mackenzie Davis.

No episódio mais “diferente” de toda a série, incluindo as três temporadas, vemos uma história ambientada no “passado” dos anos 80, ao invés do futuro, como é de praxe em Black Mirror. Na esquisita cidade de San Junipero, conhecemos a história da descolada Kelly e da tímida e recatada Yorkie, que se tornam amigas e até algo mais, enquanto o desenrolar da trama vai nos fornecendo pistas de que o que estamos vendo não é exatamente o que está acontecendo. Quando descobrimos quem e o que são os personagens, e o que é de fato San Junipero, já estamos emocionados com a bela história de Kelly e Yorkie, e torcemos para que as escolhas e decisões de ambas sejam as que as levem a um final feliz. Será que foi o que ocorreu?


Ep. 5. “Engenharia Reversa” (Men Against Fire)

Direção: Jakob Verbruggen. – Elenco: Michael Kelly, Malachi Kirby e Madeline Brewer.

Depois de San Junipero, a série volta ao seu âmago cínico, denso e de crítica social por meio de metáforas – ou até mesmo por meio de narrativa explícita, como é o caso de Engenharia Reversa, que nos mostra como os conceitos que as vezes nos são passados por quem controla as informações (mídia, governo, organizações, etc) nos fazem muitas vezes ver as coisas de forma controlada e manipulada. Aqui, vemos o bom soldado Stripe, que em meio a missões de combate às “baratas” (seres humanos “inferiores” geneticamente, que se constituem ameaças à humanidade “boa” com forma de monstros deformados e agressivos) acaba descobrindo uma verdade terrível acerca de suas convicções e os preconceitos sociais existentes.


Ep. 6. “Odiados pela Nação” (Hated in the Nation)

Direção: James Hawes. – Elenco: Kelly MacDonald.

O season finale é um especial mais longo que os demais episódios, e usa o formato de investigação policial para nos apresentar mais uma ácida e brutal crítica sobre o uso das redes sociais para fins de ódio e discriminação sob a segurança do anonimato e, portanto, da certeza da impunidade. Vemos em Odiados pela Nação a detetive Karin Parke investigando casos de mortes causados, supostamente, pelo uso de hashtags que “elegem” personalidades que devem ser “mortas” por conta de sua impopularidade. O tema preferido de Black Mirror, como sempre, se ampara em preceitos científicos já vigentes e os extrapola, nos dando aquela noção de que já vivemos um pouco daquela realidade mostrada, e que nosso futuro pode muito bem ser exatamente aquele da série. Perturbador.

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Avaliação
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Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

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