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Crítica: Vida (Life)

Vida-cartaz Crítica: Vida (Life)Vida

Diretor: Daniel Espinosa

Elenco: Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Ariyon Bakare, Hiroyuki Sanada e Olga Dihovichnaya

Se houvesse uma matéria na grade curricular de cinema chamada “Como se inspirar em grandes clássicos e suas continuações”, este Vida do diretor Daniel Espinosa seria reprovada com louvores. Uma obra ludibriosa que parece não ter aprendido em nada com suas fontes de inspiração Alien – O 8° Passageiro e (em menor escala) 2001 – Uma Odisseia no Espaço, tornado-se apenas um amontoado de clichês, pasteurizado, sem em nenhum momento suporte o peso da ideia de ser influenciada por estes filmes ou qualquer narrativa que seja. Uma das lições que o diretor Daniel Espinosa parece não ter aprendido é sobre a cartilha básica, onde o clima de suspense deve ser crescente sem necessariamente ficar apelando para sustos ou tendo uma trilha sonora gritando no ouvido do público (assim como o poder da sugestão é fundamental para inserção do público, algo que Ridley Scott fez com brilhantismo no filme de 1979) –  e tudo ainda se torna mais prejudicado se tal cenário servir como pano de fundo para diálogos que somente servem para criar um anticlímax de personagens mal aproveitados.

Uma equipe de cientistas da Estação Espacial Internacional descobre uma forma de vida vinda de Marte e depois da comoção inicial, os astronautas liderados pela Dra. Miranda (Ferguson) são ameaçados pela presença do organismo dentro da espaçonave. Pelo começo do texto já percebemos do que se trata a história e o seu desenrolar, em que  os tripulantes tentarão sobreviver na estação com o indesejável passageiro a bordo, cuja sobrevivência depende do extermínio dos humanos. Todavia, não é condenável um filme buscar tal influência em sua concepção, o problema é quando não consegue (ou pelo menos sequer chega a tentar) inserir-se no campo do novo e sua obra exista apenas por questões das referências  das sua(s) fonte(s) de inspiração – tanto que o letreiro do filme é idêntico ao filme de Ridley Scott.

Vida-meio Crítica: Vida (Life)

Assim, na cena em que um personagem é proibido de entrar na estação devido aos protocolos de quarentena, somos remetidos imediatamente a cena entre Sigourney Weaver e Tom Skerritt em Alien, ou quando um personagem precisa fazer um reparo manual numa antena, remete-se a uma cena – inclusive com a mesma fala – de Lance Henriksen de Aliens – O Resgate. E sobrou até mesmo para o subestimado Alien 3 em que a direção usa uma câmera subjetiva para nos colocarmos no ponto de visto do “bicho” (assim como feito por David Fincher em 1992). E para não dizer que a “homenagem” ficou restrita ao filme de xenomorfo, a fotografia de Seamus McGarvey no único momento que procurar engrandecer a narrativa pelas cores é através do vermelho sobre os capacetes do astronautas, obviamente simbolizando o perigo e remetendo ao clássico de Kubrick.

Fora que o organismo em si, uma espécie de alga-estrela do mar carnívora com inteligência e resistência acima do normal para um ser unicelular (a ponto de criar objetos cortantes para sua fuga), não assusta em sua concepção frágil, dependendo de certo apelo ao grotesco para que assuste, sendo a criatura uma cópia em miniatura (quanta coincidência!) dos organismos vistos em Prometheus – também dirigido por Ridley Scott e que sequer tem qualidades suficientes para servir como referência.  

Num filme em que trabalham com esta temática de ficção de terror, o “menos” sempre deveria ser considerado “mais”, mas a direção (e sua edição) não conseguem criar um momento em que o público possa respirar (neste caso não é um elogio) e conseguir se identificar com a obra e os dramas e conflitos dos personagens. Tanto que no início, em que normalmente o espectador precisaria se ambientalizar com o local – conhecendo a estação para engrandecer a experiência – a edição joga rapidamente o público para uma cena de resgate, permeada de diálogos com termos técnicos que atrapalham mais que ajudam, não dando tempo para sentirmos e nos colocarmos naquele contexto

E mesmo quando o roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick tenta trabalhar os desenvolvimentos de seus personagens e os devidos conflitos, tudo acaba soando frágil mesmo contando com um bom elenco encabeçado por Gyllenhaal (e até me arrisco a dizer aqui que o personagem tem a mesmo lógica que Sigourney Weaver em assumir o comando do filme da sua metade para o final). Pois, fora conter diálogos do tipo “Meu lugar é no espaço”, “Senhor, permissão para matar esta porra?”, o roteiro quando tem a chance, pouco aproveita as oportunidades como o fato de Derry (Bakare) não ter os movimentos das pernas e na gravidade do espaço é onde ele consegue ser livre. Assim como clichês de provocações dos americanos aos ingleses sobre não gostarem de banho e a descartável cena sobre a reação dos habitantes da Terra sobre a descoberta, cuja única finalidade foi para darem um nome ao E.T e “humanizá-lo”. Fora que a narrativa abusa de planos fechados durante boa parte do filme, prejudicando a mise en scene e a design de produção que fica ocultado com os planos curtos, assim como a constante movimentação de câmera que parece mais querer provar certa habilidade da direção que propriamente dizer algo dentro da narrativa, como podemos ver no inicio devido, quando devido à falta de gravidade, a câmera percorre os astronautas dentro da estação causando cansaço pela falta de cuidado (isso sem contar com o problema de eixo, pois uma hora a câmera foca um ator em pé, para depois ficar de cabeça para baixo, para outro de lado…)

Enfim, pensando que não poderia sair do automático e que todas as referências já tinham sidas exploradas, Vida ainda tem tempo de criar um clímax com toques de Gravidade com Sandra Bullock, mas renegando qualquer bom senso em sua resolução, acaba por entregar a velha necessidade de deixar (de maneira desonesta, diga -se de passagem) uma brecha para futuras continuações.

Cotação 2/5

Vida-final Crítica: Vida (Life)

 

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Rodrigo Rodrigues

Amante inexperiente da sétima arte, crítico por insistência, mas cinéfilo acima de tudo crescido com as produções dos anos 80. Descobriu ainda jovem certos diretores como Sergio Leone, Billy Wilder, Fellini , Antonioni , Scorsese e sua vida nunca mais foi a mesma. Acredita que a empatia, diálogo e o respeito ao próximo é a maior arma contra o fundamentalismo da sociedade retrógrada de hoje.
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2 comments

  • Cooper:

    achei ruim de mais… nem da medo

  • Silvinho Leite:

    eu adorei esse filme é muito bom morri de medo em algumas cenas melhor filme do ano

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