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Séries: Black Mirror – 4ª Temporada

Se você não sabe exatamente o que é a tão falada Black Mirror, confira esse especial que abrange as duas primeiras temporadas (pré-Netflix) e vai te situar no ambiente da série e explicar o que ela tem de tão especial.

Depois de comprar a série inglesa, a Netflix lançou a terceira temporada em 2016, e o resultado foi que conseguiu manter, de forma geral, o alto nível que marcou a antologia que trata dos questionamentos acerca do uso da tecnologia nas relações humanas, e suas consequências, apesar de uma queda nessa nova season.

Estruturalmente a série continua com episódios longos e independentes entre si, abordando a temática central da série sempre em tom de estudo com doses de filosofia, escancarando situações do cotidiano real de hoje com suas devidas extrapolações que sequer podem ser consideradas muito fantasiosas.

A sensação ao final de cada episódio continua sendo de que aquele cenário é perfeitamente plausível, bastando um pequeno upgrade da tecnologia atual para ser atingido, já que o fator humano da equação sempre vai se comportar do jeito exibido – inclusive já faz isso atualmente.

A quarta temporada tem seis episódios:


Ep. 1. USS Callister

Direção: Toby Haynes – Elenco: Jesse Plemons e Cristin Milioti.

A temporada abre com um certo estranhamento pelo tom aparentemente mais leve e satírico de um episódio que tem como um dos cenários uma série de ficção científica inspirada em Star Trek. Evidentemente que, em se tratando de Black Mirror, a coisa não continuaria boa, de modo que vamos vendo que tanto na realidade virtual sci-fi quase camp na qual usuários participam de um game online, quanto na “vida real” do ambiente corporativo da empresa que criou o jogo, a verdade é bastante dramática e tem seus tons de perversidade e vingança. Ainda que levante diversos debates – principal proposta da série – existenciais, filosóficos e sociais, USS Callister destoa um pouco do que Black Mirror acostumou a nos mostrar, seja pela ambientação colorida e reluzente do game (ainda que proposital, evidentemente), seja pelo final “feliz”, que não se encaixa muito naquilo que se espera dessa produção, mas os bons diálogos e interpretações garantem a qualidade. Só não espere coerência científica, que é o que essa série – e a na qual o episódio se baseia – tinham de sobra.


Ep. 2. Arkangel

Direção: Jodie Foster – Elenco: Rosemarie DeWitt e Brenna Harding.

A competência usual da diretora de episódios de séries renomadas como House of Cards e Orange is the New Black aparece em Arkangel, que mantém o ritmo e o nível do início ao fim e ótimas atuações das duas protagonistas, a mãe e a filha (adulta). Na trama que mostra como um sistema de controle parental pode ser bem ou mal utilizado – e quando a segunda opção é a vista, quais as consequências dela para as vidas dos envolvidos – vemos que mesmo a melhor das intenções e o cuidado com os familiares podem ser problemas quando as escolhas e as formas como os cuidados são tomados não são as ideais. Com um ar quase melodramático (no bom sentido), o episódio deixa mais conclusões do que debates, mas ainda assim vale pelo que se propõe a questionar, mesmo com uma leve “arranjada” do roteiro na sequência final: a busca no quarto resulta em algo que não condiz com a maneira como a mãe até então lidava com o dispositivo.


Ep. 3. Crocodile

Direção: John Hillcoat – Elenco: Andrea Riseborough.

Ótimo episódio, que mantém o suspense o tempo todo, chegando a ter leves momentos atenuantes para em seguida chegar a um ápice final, mostra a história de um casal que causa um acidente com vítima fatal e opta por se livrar do corpo para não ter que lidar com as consequências legais. Obviamente, outras consequências virão com o tempo. Apesar de ser – provavelmente – o capítulo que mais vai agradar ao público pelo formato e pelo tom, é o que mais foge da temática da série, já que aqui a tecnologia, apesar de fazer parte da história e ter seu papel, é apenas coadjuvante. O episódio se trata, na verdade, de escolhas humanas que não dependem ou são influenciadas por fatores tecnológicos, nem os usam como cenário ou catalizador de alguma ação. Da mesma forma, os questionamentos ficam mais para as decisões estúpidas dos envolvidos do que em cima das suas motivações, cristalinas e que não deixam espaço para nenhum tipo de reflexão. Como uma história fechada em si, no entanto, pode ser considerado o melhor da temporada.


Ep. 4. Hang the DJ

Direção: Timothy Van Patten – Elenco: Georgina Campbell e Joe Cole.

Nem a boa mão do diretor de episódios aclamados de Game of Thrones e Sopranos conseguiu impedir certa falta de peso desta história sobre como uma evolução dos aplicativos de encontros resultaria, no futuro, em algo que não simplesmente indica um parceiro com boa probabilidade de compatibilidade, mas também determina o que será feito com ele e por quanto tempo. Para manter a coerência acerca do comportamento dos protagonistas, o roteiro precisou esconder até o fim informações pontuais acerca do cenário em que eles vivem, o que acaba mais por atrapalhar do que ajudar o espectador, que sem entender muito o que acontece, apenas acompanha o desenrolar dos encontros. Os debates sobre o uso dos apps e a maneira como eles são usados no dia a dia estão lá, assim como as nuances dos relacionamentos descartáveis e temporários da atualidade e os – não admitidos – problemas que isso traz às pessoas também.


Ep. 5. Metalhead

Direção: David Slade – Elenco: Maxine Peake.

Episódio quase paradoxal, Metalhead é o mais fraco da temporada. Ao mesmo tempo em que se mostra, de todos, o que tem mais “cara” de Black Mirror, com sua ausência de cor (literalmente, já que é exibido em preto e branco), sua fotografia gélida, seu tom cru e desolador e sua narrativa ambientada em um pessimista cenário pós-apocalíptico, o episódio é o que tem a história mais fraca e rasa, o pior mote e um protagonista incapaz sequer de nos causar empatia. Os debates, questionamentos e estudos que a série sempre propôs? Inexistem. Ainda assim o ritmo mais acelerado e sem nenhum excesso ditado pelo diretor de Eclipse (sim, dos filmes Crepúsculo) e a narrativa típica desse cenário permite que os fãs do subgênero apreciem a luta pela sobrevivência de Bella (pois é… “Bella”… a única explicação para isso é que o roteirista Charlie Brooker, criador da série, chamou o diretor e o convenceu a realizar um ato de mea culpa e reabilitação, e ambos combinaram de expurgar a imagem que Kristen Stewart e suas “atuações” colaram nesse nome).


Ep. 6. Black Museum

Direção: Colm McCarthy – Elenco: Douglas Hodge, Letitia Wright.

O season finale, como está virando tradição, é um especial mais longo que os demais episódios, e apesar de ser uma história única, se decompõe em três – ou assim pode ser considerado. Ótimo episódio, Black Museum cumpre o que Black Mirror sempre promete, nos deixando o famoso gosto amargo no final – ainda que, novamente ocorrendo nessa temporada, o mesmo possa ser considerado “otimista”, até onde isso seja possível naquele contexto. Na trama, a jovem Nish ouve três histórias sombrias acerca de objetos em exposição no tal museu do título, contadas pelo guia e dono do local, enquanto o final guarda um plot twist capaz não só de surpreender como também de – início dos spoilers – propiciar a confluência das três narrativas ouvidas pela protagonista – fim dos spoilers. Enquanto as histórias variam do drama ao suspense com tons macabros, o final tem como senões o fato de que, para ser aceito, deve-se admitir que a abertura do episódio mostra um erro na maneira como Nish decide visitar o museu, e uma certa ausência de identificação com os envolvidos, já que o episódio girou em torno das histórias e não da protagonista. Vale citar que as tais três histórias têm toda cara de serem ideias rejeitadas pela produção de episódios completos, e que acabaram aproveitadas em Black Museum. O próprio nome do episódio permite essa teoria, pois além de se referir ao local físico visitado por Nish, com seus objetos sombrios (ou cujas histórias sejam), também serve como alegoria para uma visita a roteiros de Black Mirror que acabaram ficando guardados e sem uso. Até agora.

Avaliação
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Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

6 comments

  • Fernando Macedo:

    Uss Callister pode virar serie derivada!

    • Ralph Luiz Solera
      Ralph Luiz Solera:

      Tomara que não rs… bom episódio, mas nem de longe merece uma série própria.

  • George Pig:

    Mano eu curti Metalhead

    • Ralph Luiz Solera
      Ralph Luiz Solera:

      Eu tb, curti bastante!

  • Nessa:

    tao dizendo que é a pior temporada… é?

    • Ralph Luiz Solera
      Ralph Luiz Solera:

      Nessa, as originais são maravilhosas. A anterior, classifiquei como excelente. Essa, como ótima. Eu diria, então, que é a “menos boa” das temporadas de Black Mirror. 🙂

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