Maxiverso

Análise: Amazing Stories (1985 – 1987)

O seriado Além da Imaginação (Twilight Zone), criado por Rod Serling (1924-1975) gerou uma série de filhotes ao longo dos anos. Não só suas continuações no cinema e nas séries reboots (incluindo uma nova que será lançada ano que vem) bem como também séries antológicas que tentam captar este legado até hoje, como é o caso da ótima Black Mirror da Netflix ou Philip K. Dick’s Electric Dreams‘ (Amazon Prime).

Para o cineasta Steven Spielberg, Twilight Zone sempre será uma grande fonte de inspiração para seus filmes e produções, não só por que tenha começado dirigindo alguns episódios de Galeria do Terror (The Night Galery) como também produzido e dirigindo um segmento do filme No Limite da Realidade (The Twilight Zone – The Movie), sua tentativa de ressuscitar o famoso seriado nas telonas – ambos os projetos já discutidos nos nossos artigos do Maxiverso.

Não satisfeito ainda, em 1985, junto a sua produtora Amblin Entertainment, Spielberg resolveu se aventurar novamente na televisão com a produção do seriado Amazing Stories. Foi a primeira vez, em duas décadas dedicado ao cinema, que o famoso cineasta resolveu encarar novamente produções de TV, levando ao público textos escritos por grandes roteiristas, produção de cinema para a televisão, atores e diretores de renome, incluindo ele próprio.

A NBC aprovou a ideia, já que naquela época, ninguém diria “não” para uma pessoa como Steven Spielberg, um homem considerado um “Midas em Hollywood”. Um investimento alias, muito pesado, pois segundo consta, cada episódio antológico que durava apenas meia hora, chegava a custar por volta de U$ 1 milhão na época, algo que fazia do seriado, um dos mais caros já produzidos para a TV. A produtora Amblin e a NBC, concordaram que seriam produzidas duas temporadas, com 44 episódios a serem exibidos para o horário nobre da TV americana nas noites de domingo. O seriado era descrito pelo próprio Spielberg como “espanto, fantasia, ironia e comédia”, “o lado brilhante do conto de fadas”.

Para a música de abertura, Spielberg convidou ninguém mais, ninguém menos que seu parceiro de cinema, o maestro John Williams, um dos maiores nomes da história das trilhas sonoras.

Toda a produção do seriado foi mantido em absoluto sigilo até sua estreia. Embora dezessete episódios de meia hora tenham sido filmados inicialmente, nem críticos nem agências de publicidade puderam ver mais do que um trailer de oito minutos. Brandon Tartikoff, presidente da NBC Entertainment, refere-se a todos os telefonemas para vários advogados em Burbank e Nova York, que se comprometeram a manter sigilo sobre os roteiros. O próprio Spielberg estava indisponível, fechado na Carolina do Norte, filmando A Cor Púrpura (The Color Purple), de Alice Walker, com Whoopi Goldberg.

Para ganhar a confiança dos executivos da NBC, o próprio Steven Spielberg se comprometeu a dirigir dois episódios para o piloto do seriado. O primeiro episódio foi ao ar dia 29 de setembro de 1985, com uma expectativa muito grande do público. Ghost Train, foi o primeiro e único episódio a ter uma hora de duração, sobre a história fantástica de um velhinho que insiste que um trem irá atravessar a casa recém comprada pela família, mas o único que acredita nele é seu netinho. O outro episódio dirigido por Spielberg foi The Mission, com os jovens atores Kevin Costner (Dança com Lobos) e Kiefer Sutherland (24 Horas) no elenco, onde um grupo de jovens pilotos durante a Segunda Guerra Mundial se vê diante de uma situação problemática: a escotilha do compartimento de artilharia externa se danificou durante um ataque, e um dos trens de pouso do avião está destruído.

Um detalhe interessante, foi que os três primeiros episódios foram lançados nos cinemas em todo mundo, para chamar atenção a série vindoura. No Brasil, além do filme no cinema, vários episódios foram lançados em vídeo pela CIC Video, mas só ganharam exibição no nosso país em 1994, pela Rede Globo, em um horário após a meia noite.

Ao longo do seriado, Spielberg ainda participaria escrevendo mais 6 episódios. Ele imagina o programa como “uma série de fogueiras de acampamento com pequenos contos lidos para as crianças à noite.”

O veterano escritor de Além da Imaginação, Richard Matheson, foi responsável por 3 episódios (The Doll, One For The Books e Miss Stardust).

Dentre os destaques podemos citar:

The Main Attraction – direção Matthew Robbins (O milagre veio do espaço) / roteiro de Brad Bird (Os Incríveis).

The Amazing Falsworth – direção Peter Hyams (2010 – O Ano que Faremos Contato).

Guilt Trip – direção de Burt Reynolds.

Vanessa in the Garden – direção de Clint Eastwood (Fuga de Alcatraz).

Boo! – Direção de Joe Dante (Gremlins).

Mirror, Mirror – Direção de Martin Scorsese (Cassino).

Hell Toupee – Direção de Irvin Kershner (Star Wars – O Império Contra-Ataca).

Grandpa’s Ghost – Direção de Timothy Hutton (Gente como a Gente).

The Wedding Ring – Direção de Danny DeVito (Batman – o Retorno).

Ainda devemos destacar o elenco com atores do primeiro time como: Harvey Keitel (O Piano), Loni Anderson, Gregory Hines (O sol da Meia Noite), Charlie Sheen (Platoon), Tim Robbins (Um Sonho de Liberdade), Mark Hammil (Star Wars), John Lithgow (Footloose), Patrick Swayze (Ghost), David Carradine (Kill Bill), Dan Aykroyd (Caça-Fantasmas) e Danny DeVito (Batman – o Retorno).

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Spielberg foi produtor e dirigiu e escreveu alguns episódios de Amazing Stories

A série foi indicada a 12 Emmy Awards (resultando em 5 vitórias), mas não agradou muito o público e a NBC, que ao final do contrato não quis renovar a série para mais temporadas. Ao contrário do que acontecia no cinema, Spielberg não conseguiu chacoalhar a audiência do público da TV.

A série gerou alguns spin-offs, com o aproveitamento de alguns roteiros adaptados em outras mídias.

Um dos episódios de Amazing Stories foi a animação Family Dog, que mostrava a vida de uma família média americana sob a ótica do seu cachorro de estimação. A estória foi escrita por Brad Bird, que depois iria dirigir filmes como The Iron Giant (1999), Os Incríveis (2004), Missão Impossível: O protocolo Fantasma (2011) e Tomorrowland (2015). Seis anos depois, para tentar capitalizar um pouco o sucesso do desenho animado Os Simpsons, uma produção de um seriado animado foi autorizada e a série foi produzida pela Nelvana, Amblin Television, Universal e Warner Bros, e foi ao ar na CBS. Infelizmente a baixa audiência impediu a série de continuar as temporadas seguinte. Dos 13 episódios produzidos, apenas 10 foram exibidos. Steven Spielberg e Tim Burton (Batman, Edward – Mãos de Tesoura) foram os produtores executivos.

Outro spin-off foi o filme O Milagre Veio do Espaço (Batteries Not Included) lançado em 1987. Este filme também foi escrito por Brad Bird (sua estreia como roteirista), para ser um dos episódios de Amazing Stories, mas Steven Spielberg gostou tanto da ideia que resolveu transforma-lo em um filme com Hume Cronyn e Jessica Tandy. Spielberg chamou o diretor Matthew Robbins para dirigir, que apesar de não ter sido um sucesso de bilheterias, conseguiu dobrar seu investimento. O longa conta a história de um grupo de velhos que estão sendo despejados de Manhattan, mas acabam conseguindo uma ajuda… de outro mundo.

E ainda temos o caso do game (jogo interativo para PC), The DIG, lançado pela LucasArts (divisão de games da Lucasfilm de George Lucas). O jogo foi baseado em um roteiro de Steven Spielberg que ele acabou não usando em Amazing Stories, por achar que nem TV, nem cinema, teria condições de criar o mesmo pois o custo seria proibitivo. Spielberg passou a idéia para a equipe de desenvolvimento da LucasArts criar um jogo, que acabou sendo lançado em 1995, com grande sucesso. A ideia da história original é de Steven Spielberg, mas o roteiro do jogo foi escrito pelo aclamado escritor de ficção-científica, Orson Scott Card (O Jogo do Exterminador). No enredo, uma missão espacial é enviada a um asteroide, onde uma equipe acaba sendo presa e enviada para outra dimensão.

Avaliação
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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

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