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Star Trek – Uma jornada além das estrelas – Parte 2

“A raça humana é uma criatura notável, com grande potencial, e espero que Star Trek tenha ajudado a nos mostrar o que podemos ser se acreditarmos em nós mesmos e em nossas habilidades.”

Gene Roddenberry (1921-1991)

As idéias dos longa-metragens para o cinema

No artigo anterior conhecemos um pouco da história da origem de Star Trek (a série original) e de como o seriado ser tornou um ícone da cultura pop mundial. Suas três temporadas, após o cancelamento, foram reexibidas pela TV americana através do sistema de syndication dos EUA, fazendo sua popularidade aumentar exponencialmente. Logo depois veio a série animada (TAS) e as convenções com atores, aumentando ainda mais o legado da série.

O criador e produtor de Star Trek, Gene Roddenberry, sabia de todo este potencial, e sabia que os executivos da Paramount Studios – detentora dos direitos da série – estavam arrependidos por ter cancelado a série antes do tempo. Em Março de 1972, Roddenberry disse à imprensa que tinha interesse em um longa-metragem para o cinema, baseado em Star Trek (TOS) e que a mesma poderia até retornar a TV em algum momento dos anos 70, novamente como seriado.

O que Roddenberry tinha nas mangas era o roteiro do filme Star Trek: The God Thing, na qual a tripulação da nave Enterprise, após sua missão de 5 anos, é reconvocada e comandada pelo agora Almirante Kirk, para impedir uma entidade que se ao intitula ‘deus’ e que quer destruir a humanidade.

Em maio de 1975, Roddenberry assinou um contrato de desenvolvimento do filme com a Paramount, com a fotografia principal planejada para começar em julho de 1976. Com um orçamento já planejado de US$ 5 milhões, o projeto traria todos os atores originais. Ocorre que, ao ser apresentado aos executivos da Paramount, o estúdio achou que a história seria muito focada em questões religiosas e o filme acabou sendo cancelado.

Entretanto, a Paramount acreditava ainda que um filme de Star Trek deveria ser feito para o cinema, e iniciou um novo projeto chamado Star Trek: Planet of the Titans, convidando o produtor Jerry Isenberg e os roteiristas Chris Bryant e Allan Scott, todos britânicos, com a intenção de dividir o custo de produção com estúdios no Reino Unido, onde o longa seria filmado. Houve problemas em trazer os atores William Shatner e Leonard Nimoy para o projeto, e Gene Roddenberry, não estaria envolvido na produção, mas ficou como consultor aprovando primeiramente o roteiro da dupla. Depois de tentarem Steven Spielberg e George Lucas para a direção, acabaram acertando com o diretor Philip Kaufman. O enredo traria o desaparecimento do Capitão Kirk e mostraria a tripulação da Enterprise investigando o mundo natal dos míticos Titãs que, ao fugir através de um buraco negro, seriam lançados no passado pré-histórico da Terra, onde passariam a ensinar ao homem primitivo como fazer fogo.

Este projeto acabou com o desligamento dos dois roteiristas contratados. Posteriormente o diretor Kaufman tentou reescrever o mesmo, mas entrou em choque com Roddenberry, pouco depois em maio de 1977, e o projeto foi oficialmente cancelado (de novo). O custo do filme poderia ter ficado entre U$ 7,5 a U$ 10 milhões e alguns desenhos de produção, como uma nova Enterprise, chegaram a ser encomendados.

Star Trek – Fase II (o quase retorno à TV)

Após as duas tentativa infrutíferas de levar Star Trek para o cinema, neste mesmo período a Paramount estava montando seu próprio canal de TV, o Paramount Televison Service (PTS), e surgiu uma nova ideia de trazer a série novamente para a TV, como carro-chefe de um novo projeto. A série Star Trek – Fase II foi anunciada em 17 de junho de 1977, com a estréia marcada para maio de 1978. Gene Roddenberry voltaria a produção da série  sendo que 13 episódios foram inicialmente planejados.

Este projeto avançou mais que os projetos dos filmes para o cinema, cancelados na época. Com exceção de Leonard Nimoy, que não estava interessado em retornar para a TV e que estava em processo contra o estúdio por direitos do personagem,  todos os atores que faziam os tripulantes originais retornariam, e alguns ganhariam promoções. Kirk seria Almirante, Sulu e Uhura seriam promovidos a Tenentes-Comandantes e Chekov a Tenente e Chefe de Segurança. Christine Chapel também retornaria, tendo se tornado uma doutora, auxiliar de McCoy e até a antiga ordenança Jenice Rand retornaria, agora cuidando do teletransporte. Sem a presença do personagem Spock no lugar de braço direito do campitão, o chefe de ciências passou a ser outro vulcano, Tenente Xon, interpretado pelo ator David Gautreauxl, e no posto de Capitão, mas assumindo como imediato de Kirk, estaria o Comandante Willard “Will” Decker (Stephen Collins) e uma nova tripulante, e interesse romântico deste último, também entraria para a tripulação, a Tenente Ilia (Persis Khambatta).

A produção avançou e chegou ao ponto de ter os 13 primeiros roteiros (metade de uma temporada) já preparados e aprovados. A equipe de escritores contava com roteiristas veteranos da série original como John Meredyth Lucas e Theodore Sturgeon, além de outros grandes escritores como Richard Bach e Alan Dean Foster. A produção já tinha vários cenários sendo construídos e muitos dos modelos (incluindo a Enterprise) sendo completados. As filmagens não haviam começado, porém testes foram filmados.

Porem algo “inesperado” aconteceu entre 1977 e 1978, quando o mundo do cinema (o mundo todo, na verdade) foi sacudido por pelos lançamentos de dois grandes filmes “espaciais” (ou seja, de ficção científica): Contatos Imediatos do 3° Grau de Steven Spielberg e Star Wars – Uma nova Esperança, de George Lucas.

O cinema já havia mudado bruscamente com o lançamento de Tubarão, de Steven Spielberg, dois anos antes. Em 77, Contatos Imediatos e principalmente Star Wars (que mudou não só o cinema, como também a cultura pop, e moldou o modo do ocidente se relacionar com essa cultura, transformando-a no que conhecemos hoje) fizeram com que os grandes estúdios corressem contra o tempo para colocar nas telas grandes e também na TV outras produções de ficção-científica espacial.

A Disney correu para produzir Abismo Negro, a Fox produziu seu “terror espacial” com Alien – O Oitavo Passageiro, a Universal Studios lançou duas séries de TV: Galactica – Astronave de Combate e Buck Rogers no século XXV, ambas com pilotos sendo exibidos no cinema. A Paramount, viu o potencial que Star Trek possuía (baseado no sucesso de Star Wars) e apesar de ter começado o projeto do retorno do seriado para a TV com Star Trek – Fase II, eles preferiram reorganizar tudo, cancelar a série de TV (mesmo porque o projeto de lançar a emissora de TV  da Paramount, PTS acabou sendo cancelado também) e reaproveitar tudo com mais dinheiro em uma super-produção para o cinema. O estúdio acabou anunciando em 11 de novembro de 1977, apenas duas semanas e meia depois de Fase II entrar em produção, que a nova série de televisão fora cancelada em favor de um filme.

E foi assim que a saga espacial renasceu na telona e não na telinha.

Star Trek: The Motion Picture (Jornada nas Estrelas: O Filme) – 1979

Enredo:

O filme se passa no século XXIII, quando um alienígena misterioso e imensamente poderoso chamado V’Ger aproxima-se da Terra, destruindo tudo em seu caminho. O almirante James T. Kirk volta para o comando de sua antiga nave estelar, a recém reformada USS Enterprise, com o objetivo de liderar uma missão para salvar o planeta e determinar as origens de V’Ger.

 

 

Produção:

O anúncio oficial do primeiro filme de Star Trek nas telas de cinema foi feito em 28 de março de 1978, em uma grande coletiva de imprensa. O diretor escalado para as filmagens era a lenda Robert Wise (O Dia Em Que a Terra Parou). Todos os atores do elenco original, incluindo Leonard Nimoy, acertaram participação no filme. Os atores Stephen Collins (Decker) e Persis Khambatta (Ilia), originalmente chamados para a Fase II da TV, foram chamados para o filme. O ator que faria o substituto de Spock, Xo (David Gautreauxl), foi convidado para uma ponta rápida também. Parte da trama do que seria o primeiro piloto do seriado cancelado, Star Trek – Fase II, chamado In Thy Image, escrito por Alan Dean Foster, foi readaptado para o cinema por Harold Livingston. Durante as filmagens, houve várias mudanças com relação ao roteiro original aprovado, devido a intromissões de Gene Roddenberry e também dos atores William Shatner e Leonard Nimoy. Estas reescritas fizeram com que a produção se estendesse por vários dias a mais, acarretando um estouro no orçamento inicial de U$ 15 milhões, mas a Paramount exigiu que tudo fosse terminado rapidamente para o lançamento oficial em dezembro de 1979. Na pós-produção, o estúdio convidou dois mestres dos efeitos-especiais para finalizar os mesmos, John Dykstra (Star Wars) e Douglas Trumbull (2001 e Contatos Imediatos). O compositor Jerry Goldsmith, foi responsável pela épica trilha-sonora. Finalmente o filme foi lançado, em 7 de dezembro de 1979, com um orçamento final de US$ 46 milhões.

Recepção:

Star Trek: The Motion Picture foi recebido de forma mista pela crítica. Os fãs, que esperaram uma década pra ver a tripulação novamente ativa, também ficaram divididos. As reclamações eram que a história era muito complexa e cerebral, algo mais para 2001 – Uma Odisseia no Espaço, do que para um seriado de “ação” espacial, nos moldes de Star Wars. Entre as criticas da época, falavam que o longa consistia em nave espaciais que “demoram uma quantidade inconcebível de tempo para chegarem em algum lugar, e nada de dramático ou de interesse humano acontece no caminho”. Também lamentaram a falta de antagonistas “audaciosamente caracterizados” e as cenas de batalha que fizeram Star Wars divertido; ao invés disso, os espectadores foram apresentados a muita conversa, “muitas das quais no impenetrável jargão espacial“. Convém citar ainda que o figurino dos uniformes foi um erro conceitual épico.

O filme foi indicado a três categorias técnicas no Oscar 1980: Melhor direção de arte, Melhor Efeitos Visuais e Melhor Trilha Sonora, mas não levou nenhuma estatueta pra casa.

trip Star Trek - Uma jornada além das estrelas - Parte 2

Tripulação da Enterprise do primeiro (1979) ao último filme (1991)

Mesmo assim, e mesmo com o orçamento estourado, o retorno financeiro foi pago pelas bilheterias, tendo  rendido US$ 139 milhões o que pagou ainda o alto gasto com a campanha de marketing, cara para a época.

A Paramount, acho que o filme não deu um retorno tão bom quanto deveria, comparando-o a Star Wars da Fox, que rendeu quase 3 vezes mais e gastou metade que Star Trek na produção, mas acreditava que continuações poderiam ser viáveis desde que o estúdio mantivesse um controle melhor da produção, ou seja, elegeram Roddenberry o “culpado”, pelas constantes intromissões.

Star Trek II: The Wrath of Khan (Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan) – 1982

Enredo:

O almirante James T. Kirk e a tripulação da nave estelar USS Enterprise enfrentam o humano geneticamente modificado Khan Noonien Singh, um personagem já apresentado em um episódio da série original. Khan consegue escapar de seu exílio e parte em sua busca de vingança contra Kirk, com a Enterprise precisando impedi-lo de adquirir um dispositivo de terraformação chamado Gênesis.

Produção:

Mesmo com a produção atribulada do primeiro filme, Gene Roddenberry conseguiu convencer a Paramount a produzir uma sequência, por um custo menor. A Paramount aceitou (como visto acima, pois acreditava no potencial de Star Trek nos cinemas), mas isso teve um custo alto para Roddenberry, pois o estúdio lhe tirou o controle criativo da franquia a partir dali e sua história que traria a tripulação de Enterprise voltando no tempo para impedir o assassinato do Presidente Kennedy foi rejeitada.

No seu lugar, foi chamado o produtor executivo Harve Bennett, sendo convidado o jovem diretor Nicholas Meyer que ajudou a trabalhar no novo roteiro com uma ideia de Bennett e outros roteiristas. O roteiro deveria ser voltado para a ação e aventura, nada de filme existencial explorando o vazio. Outro fato importante que gerou reclamações dos atores eram relacionados aos uniformes, os “pijamões”, que acabaram aposentados para inclusão de novos modelos que acabaram sendo usados para as outras produções ao longo dos anos.

O elenco original retornou, mas Nimoy como sempre foi o mais difícil de fechar, mas houve condições para que ele retornasse: o Sr.Spock deveria ser sacrificado. Na época, Nimoy passava por uma certa “crise” em relação ao personagem, que teria ganhado uma notoriedade maior que o próprio ator, e tentava emplacar outros projetos que o desvinculassem do vulcano.

O vilão escolhido foi um dos mais emblemáticos do seriado clássico, Khan, um homem alterado geneticamente do final do século XX, que retorna para vingança contra a Frota Estelar e o Capitão Kirk. O mesmo ator que interpretou Khan no seriado, Ricardo Montalban, concordou em retornar para o longa. Também foi adicionado uma nova tripulante, Tenente Saavik (Kirstie Alley), uma vulcana pupila de Spock. O filme custou menos que o anterior, US$ 11,2 milhões, e contou com os efeitos especiais da ILM (a empresa de George Lucas, responsável por Star Wars), que pela primeira vez usou uma sequência inteira em computação gráfica em um longa, quando da criação do Planeta Genesis. Na trilha sonora, o jovem compositor James Horner foi chamado no lugar de Jerry Goldsmith, que não comportava no orçamento da produção.

O filme foi lançado em  4 de junho de 1982 e rendeu em todo mundo por volta de U$ 97 milhões (este valor era inferior ao arrecado pelo primeiro filme, mas o custo foi menor, apresentando mais lucro à produção).

Recepção:

O segundo filme de Star Trek foi muito bem recebido pela crítica, ao contrário do primeiro. Isto mostrou ao estúdio que havia um interesse muito grande pela franquia Star Trek, pois a crítica gostou e o público “amou”. Tal fato mostrou que a escolha da Paramount acerca da direção conceitual da franquia (mais ação, menos filosofia) estava correta. A grande surpresa do filme foi a morte de um dos personagens mais queridos do público, mas os fãs sabiam, que talvez não fosse o adeus definitivo a Spock, e a Paramount também considerava trazer o vulcano de volta e um terceiro filme foi aprovado sobre esse mote.

A Ira de Khan II é apontado até hoje como um dos filmes mais queridos pelos fãs de Star Trek.

Star Trek III: The Search for Spock (Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock) – 1984

Enredo:

Continuando a história anterior, o Almirante James T. Kirk e sua tripulação descobrem que o espírito do falecido Spock está preso dentro da mente de Leonard McCoy, com eles precisando “sequestrar” a USS Enterprise para recuperar o corpo Spock, no caminho enfrentando klingons que desejam roubar a tecnologia de terraformação Gênesis.

 

 

Produção:

O filme foi aprovado logo que o segundo filme se tornou um grande sucesso de público e crítica. A Paramount queria a mesma equipe do filme anterior, o produtor executivo Harve Bennett e o diretor  Nicholas Meyer, mas este último declinou do convite, devido a interferência do estúdio no final do segundo filme. Gene Roddenberry voltou como consultor técnico (mas sem intromissão na história). Bennett escreveu a história que seria quase uma sequência direta, com a volta do personagem Spock.

O ator Leonard Nimoy, que havia exigido que Spock morresse no filme anterior, ficou convencido no final da produção anterior que havia exagerado com relação ao seu personagem mais famoso, e aceitou retornar, com a condição de também assumir a direção do filme, o que acabou sendo aprovado – com muita relutância – pela Paramount. O elenco original retornou também, mas houve uma baixa com relação à Tenente Saavik, pois a atriz que a havia interpretado anteriormente, Kirstie Alley, havia pedido mais que o oferecido e declinou no convite, e no seu lugar entrou a atriz Robin Curtis. O vilão do filme seria o klingon Kruge, interpretado por Christopher Lloyd (De Volta para o Futuro). Também houve a participação do pai de Spock, Sarek (Mark Lenard, o mesmo ator do seriado).

O custo total do filme total foi US$ 16 milhões e ele arrecadou mundialmente por volta dos US$ 87 milhões, um pouco menos que o filme anterior. O lançamento do filme aconteceu em 1° de Junho de 1984.

Recepção:

O terceiro filme da saga Star Trek, lançado nos cinemas em 1 de junho de 1984, teve uma recepção da crítica com elogios, mas também teve cobranças, muitas dizendo que a tripulação já estava velha e que o filme anterior tinha sido melhor. Outros lembraram que o filme tinha um tom quase de um episódio normal de TV, e isto poderia acarretar a segmentação do filme apenas para o público fã de Star Trek, não atraindo outros fãs. Roger Ebert chegou a dizer que o filme era “bom… mas não ótimo” e teve gente que achou até um toque fascista na produção. Em geral, os fãs se satisfizeram e a Paramount estava satisfeita com o retorno financeiro satisfatório, apesar de não render os rios de dinheiro que a concorrência conseguia (leia-se Star Wars). Em geral também houve elogios à direção de Leonard Nimoy, um ponto positivo para um novato na direção de filmes para o cinema. Se no filme anterior a surpresa teria sido a morte de Spock, neste filme a sacada foi a perda da Enterprise, destruída, o que chocou muitos fãs.

Star Trek IV: The Voyage Home (Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa) – 1986

Enredo:

A tripulação da USS Enterprise (destruída no filme anterior) se prepara para voltar à Terra (em uma nave klingon roubada)  a fim de enfrentarem julgamento por suas ações, porém uma misteriosa sonda alienígena ameaça o planeta ao tentar entrar em contato com as extintas baleias-jubarte. A tripulação então viaja para o passado tentando encontrar baleias que possam responder ao chamado. A ação se resume ao fato da tripulação ir parar em São Francisco nos anos 80.

 

 

Produção:

Leonard Nimoy recebeu a oferta de dirigir o quarto filme da série após seu trabalho em The Search for Spock, recebendo uma liberdade muito maior sobre o conteúdo da história. Nimoy e o produtor Harve Bennett conceberam um enredo com uma mensagem ambientalista e sem um vilão definido. A Paramount ficou insatisfeita com o primeiro rascunho de roteiro escrito por Meerson e Krikes, assim contratando Nicholas Meyer para trabalhar no projeto. Este, e Bennett, dividiram a história entre si e escreveram partes diferentes do roteiro, que precisou da aprovação de Nimoy, do ator William Shatner e do estúdio.

Todos os atores originais retornaram. Incluindo as pontas dos personagens Sarek (Mark Lenard), Amanda (Jane Wyatt) e Saavik, do núcleo familiar de Spock. Uma adição especial seria do ator Eddie Murphy, um grande fã da série, mas o mesmo não conseguiu acertar sua parte financeira e acabou pulando fora do projeto. No seu lugar, entrou a atriz Catherine Hicks, interpretando o interesse romântico de Kirk, a Dra. Gillian Taylor, especialista em baleias. Também temos pontas rápidas das atrizes Majel Barrett retornando como Christine Chapel, a diretora dos serviços médicos do Comando da Frota Estelar (boa parte de suas cenas foram cortadas) e Grace Lee Whitney, que fez uma rápida aparição como Janice Rand.

O filme acabou fazendo parte de uma trilogia com o II e o III, pois as histórias são continuadas onde as anteriores pararam. Por ambientar-se no século XX, boa parte do filme foi filmada em locações da cidade de San Francisco. A ILM foi novamente contratada para fazer os efeitos especiais da produção e o compositor Leonard Rosenman foi chamado para a trilha sonora, após a recusa de James Horner (compositor dos filmes II e III). Ao final, o custo do filme ficou em US$ 21 milhões, mas teve uma grande arrecadação de US$ 133 milhões, tornando-se o mais lucrativo da franquia até hoje.

Recepção:

O filme foi lançado oficialmente em 26 de novembro de 1986 e foi um grande sucesso de crítica e público, pois pela primeira vez conseguia atrair, por causa do tema ecológico, tanto fãs de carteirinha quanto o público geral. Um crítico chegou a comentar: “The Voyage Home é talvez o título mais leve e puramente divertido da duradoura série, enfatizando as excentricidades da tripulação da Enterprise“. Ninguém reclamou desta vez que a tripulação era velha. Até um jornal cristão elogiou o filme por dar ao público uma nova visão de suas próprias vidas a partir de uma perspectiva diferente, simultaneamente provando que um filme não precisa de assassinatos, violência ou até mesmo um vilão principal para possuir um enredo dramático. Ao final do filme, os fãs ainda puderam se deliciar com a aparição da nova Enterprise-A (um modelo idêntico ao da anterior). Gene Roddenberry, cada vez mais excluído da produção, partiu para criar um novo seriado Star Trek: The Next Generation que entraria no ar em 1987 e a Paramount autorizou um quinto filme para a franquia com os atores originais.

O filme foi indicado a 3 Oscars em 1987: Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som e Melhor Trilha Sonora. Infelizmente, não levou nenhuma. Mas Bill Shatner e Leonard Nimoy foram dois dos apresentadores daquela noite.

Star Trek V: The Final Frontier (Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira) – 1989

Enredo:

Capitão James T. Kirk (ele havia perdido a patente de Almirante no filme anterior) e a tripulação da USS Enterprise-A (uma nave similar à que foi destruída no terceiro filme) confrontam o vulcano renegado Sybok, que está procurando um meio de chegar no centro da Via Láctea e assim “encontrar Deus”.

 

 

Produção:

O ator William Shatner, por questões contratuais, sempre exige o mesmo que é dado para o seu companheiro de elenco, o ator Leonard Nimoy, então para o quinto filme, Shatner exigiu ser o diretor e roteirista do filme. A Paramount acatou a decisão, mas sua história não agradou nem a Gene Roddenberry e nem aos atores companheiros de Shatner, que acabou tendo seu roteiro revisado por terceiros. O produtor executivo Harve Bennett, que queria abandonar a franquia, acabou sendo convencido por Shatner a reconsiderar, mas isto levou a novas mudanças no roteiro, na qual ele também não concordava. Nicholas Meyer foi convidado a escrever o roteiro baseado nas ideias de Shatner e Bennett, mas ele acabou recusando, por fim, o filme foi reescrito por David Loughery. O certo é que o fato de trazer “Deus” para o roteiro não agradava ninguém, mas a Paramount seguiu assim mesmo com Shatner na direção.

As filmagens foram um pouco tumultuadas, houve uma greve de roteiristas, que atrasou a entrega do corte inicial, os efeitos da ILM foram cortados em prol de uma empresa de efeitos especiais mais barata, mas mesmo assim houve estouro no orçamento e a Paramount exigiu vários outros cortes no filme.

O elenco original retornou, e foi incluído o personagem de Sybok, o meio-irmão de Spock, interpretado pelo ator Laurence Luckinbill. Um ponto positivo foi o retorno do compositor do primeiro filme, Jerry Goldsmith, trazendo de volta o tema icônico do primeiro filme. O custo final do orçamento estourado foi de US$ 33 milhões.

Recepção:

A Paramount já tinha ligado o alerta durante a produção devido aos problemas, então logo após as primeiras projeções (lançado oficialmente em 9 de junho de 1989), não foi surpresa quando as primeiras críticas passaram a massacrar o filme. Os dias seguintes foram ainda piores, e parece que até os fãs trekkers haviam abandonado o filme, devido às baixas bilheterias. O filme era pra ser esperado como um dos campeões de bilheterias do verão de 1989, só que naquele ano pegou de frente Indiana Jones e a Última Cruzada, Caça-Fantasmas II e Batman de Tim Burton. E o que era ruim não poderia ser pior, pois esse longa foi mais caro que as outras produções mas arrecadou “só” US$ 52 milhões de dólares nos Estados Unidos e ficou com uma bilheteria total mundial de aproximadamente de US$ 63 milhões. Um grande fracasso. Entre as críticas constavam “Cheio de sequências de ação chatas e uma história subdesenvolvida, este quinto filme de Trek é provavelmente o pior da série“, e em geral “medíocre“, “uma bagunça” e “um desastre“.

Muitos reclamaram de poucas cenas memoráveis, uma delas apenas a que valia a pena era a cena do trio Kirk, Spock e McCoy em uma fogueira (logo no início do filme), o resto é lembrado pelos diálogos soníferos, ideias “sem noção” e principalmente efeitos especiais paupérrimos. Claro que isto acabou arranhando a imagem de Shatner dentro da Paramount, já que ele também tinha uma ideia para um sexto filme, logo descartada. Não precisamos nem dizer que o criador da série, Gene Roddenberry, odiou o filme e chegou a dizer que não merecia nem fazer parte do canon de Star Trek. A maioria dos fãs acabaram concordando.

Star Trek VI: The Undiscovered Country (Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida) – 1991

Enredo:

O Império Klingon, após a destruição de seu satélite natural Praxis, procura a paz com seu duradouro adversário, a Federação dos Planetas Unidos, enquanto a tripulação da USS Enterprise-A precisa desvendar uma conspiração militarista que ameaça o acordo de paz.

 

 

Produção:

O fracasso retumbante do quinto filme colocou a franquia Star Trek em cheque nos cinemas. Os salários dos atores veteranos já estavam bastante caros e fazer um sexto filme foi algo que a Paramount teve que relutar bastante pra acontecer. O produtor executivo de cinema, Harve Bennett, decidiu revisitar uma ideia proposta pelo produtor executivo Ralph Winter durante a produção de Star Trek IV: The Voyage Home, que era de uma prequel mostrando versões jovens da tripulação cursando a Academia da Frota Estelar, com atores jovens interpretando os personagens famosos. Este seria o projeto Star Trek: The Academy Years.

Esta ideia foi rejeitada, pois acreditou-se que os fãs não iriam gostar em geral, assim Harve Bennett, que já estava com o filme queimado desde o fracasso do anterior, caiu fora da franquia. Em 1991, Star Trek iria completar 25 anos, e a Paramount decidiu que era hora de homenagear a mesma com um filme que traria o elenco original pela última vez. Tentando resgatar os sucessos dos longas anteriores, eles convenceram Leonard Nimoy a conceber a ideia de um novo filme que servisse como uma espécie de “canto do cisne” para o elenco original. Ralph Winter se tornou o produtor-executivo do filme, pra fazer uma produção não muito cara, mas que fosse uma grande homenagem à série, em seus 25 anos.

Baseado em uma história de Nimoy, o ex-diretor Nicholas Meyer foi convidado a escrever um roteiro do filme, que tentou fazer uma analogia entre os klingons e a destruição de sua lua de energia com a queda da antiga URSS e o acidente nuclear de Chernobil. Por fim, para não causar um conflito de ciumes em Bill Shatner, se Nimoy assumisse novamente como diretor, pela terceira vez, Meyer aceitou a direção do filme.

Gene Roddenberry, consultor criativo da franquia, não gostou nada do roteiro e pediu muitas mudanças, mas só algumas delas foram aceitas. Uma delas seria o retorno da personagem Saavik, pois ela seria mostrada com traidora. Meyer decidiu mudar o nome para V’aleris, criando outra personagem, e ela foi interpretada pela atriz Kim Cattrall. Outros personagens importantes foram o Chanceler klingon, Gorkon (David Warner) que seria o “klingon da paz” (algo entre Gandhi, Saddat e Gorbachov) e o General Chang (Christopher Plummer) representando os klingons que queriam a guerra.

A atriz e modelo, Iman fez Martia, uma extraterrestre camaleoide, e Mark Lenard retornou como Sarek, o pai de Spock, além de Grace Lee Whitney ter retornado como Janice Rand.

Por fim, todos os atores originais retornaram pela última vez.

Importante também lembrar a participação especial de Michael Dorn como coronel Worf, um ancestral do Tenente Worf do seriado Star Trek: The Next Generation, uma tentativa de ligar as duas séries.

A produção contou com os efeitos da ILM e a trilha-sonora do jovem compositor Cliff Eidelman. Por fim, foram gostos um total de US$ 27 milhões de orçamento.

Recepção:

Gene Roddenberry não viveu o suficiente para ver o lançamento do filme, morrendo de uma parada cardiorrespiratória em 24 de outubro de 1991. Ele assistiu uma versão quase final de The Undiscovered Country antes da estreia, supostamente aprovando o longa de acordo com alguns cineastas amigos. Em suas memórias, Nimoy e também Shatner contestam esta versão, dizendo que Gene queria que várias cenas fossem cortadas e chegou a acionar seus advogados, algo que foi totalmente ignorado pela Paramount.

O filme estreou em 6 de dezembro de 1991 e acabou se tornando um dos grandes sucessos daquele ano, considerado fraco para o cinema em geral. De uma forma ampla, crítica e público elogiaram o filme, mas ficou o gosto amargo de despedida inevitável. O filme começa com uma homenagem a Gene Roddenberry e encerra com a assinatura de toda a tripulação da Enterprise. Foi o último filme com todo o elenco original, pois ao longo dos anos, alguns deles começaram a falecer: Mark Lenard (1996), DeForest Kelley (1999), James Doohan (2005), Majel Barret (2008), Grace Lee Whitney (2015), Leonard Nimoy (2015) deixaram este plano ao longo dos anos posteriores.

O filme foi indicado ao Oscar 1992 em duas categorias, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos-Visuais, sem sucesso de vitória.

A arrecadação final do filme foi por volta de US$ 97 milhões, um bom retorno financeiro, que deixou a certeza de que a Paramount não poderia matar de vez a franquia no cinema… mas eles tinham novas ideias!

Em breve falaremos delas!

Epílogo: Star Trek nos cinemas, apesar de alguns problemas na produção, só fez o fandom da série aumentar durante os anos de 1979 a 1991, com seis produções com o elenco original que arrecadaram mais de US$ 600 milhões em bilheterias, sem contar os ganhos comerciais em produtos e licenciamentos. Mas o fim da saga da tripulação do seriado clássico no cinema não representou o fim de Star Trek nas telonas. Em 1987, o produtor e criador Gene Roddenberry, após ser colocado como um mero consultor (com mordaças) nas produções dos filmes, lançou uma nova série de TV: Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, com uma nova tripulação… da qual falaremos em um post futuro!

Fiquem ligados.

Avaliação
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AvatarRicardo-150x150 Star Trek - Uma jornada além das estrelas - Parte 2

Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

13 comments

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    Schuster:

    Tem mais de 370 episódios (Star Trek, Next Generation e Voyager), 17 anos de série. Além disso tem mais 3 outras séries (desenho, a deep space 9 e a Enterprise) que confesso nunca vi. Star Trek não se resume aos filmes, pelo contrários, os filmes nunca passaram nem 10% do impacto que as séries passavam.

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      Roberto Lima:

      Desde que estreou em 1966 como um seriado de televisão, a série Star Trek – anteriormente batizada no Brasil como Jornada nas Estrelas – já se apresentou nos mais diversos formatos, como telefilmes, programas especiais, histórias em quadrinhos, videogames e, especialmente, em 12 longas-metragens feitos especialmente para o cinema. As versões cinematográficas da criação de Gene Roddenberry se dividem em três etapas: os 6 primeiros são com a tripulação original, os quatro seguintes acompanham as aventuras da Nova Geração, e, por fim, os três mais recentes integram a releitura proposta pelo diretor J. J. Abrams (o primeiro é provavelmente o melhor da franquia em todos os tempos, melhor que Ira de Khan).

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      Cássia:

      nao sei se é o melhor, mas é muito bom, eu gosto do Procura de Spock, Volta pra Casa e Insurreição

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      Suprema:

      O melhor filme é o Terra Desconhecida!

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Os filmes, foram a expansão da franquia para um público muito maior, e claro, se não tivessem o seriado, não teríamos os filmes. Os spin offs serão tratados mais pra frente. Star Trek é algo gigantesco…

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    Tchau Carioca:

    Ricardo esse seu texto esta fantastico, parabens. Mas eu senti falta no 1º e tb nesse aqui o seguinte, um resumo melhor das historias. No 1o texto seu podia ter feito uma mini descrição do que rola nos episodios, coisa pouca, um paragrafo apenas. E nesse texto aqui que tal uma melhor descrição da historia dos filmes? Abraço.

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Primeiramente, agradeço os comentários.
      Como o texto ficou muito grande, prevaleceu aqui as estórias sobre a produção dos filmes e do seriado, mas em outra oportunidade, iremos fazer uma lista dos melhores episódios tanto da TOS como de TNG para todos os fãs.

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    Aranhaverso:

    Muito bom e completo esse guia. Assisti a TOS completa e osvfilmes originais tb..qd veio.a NG acabei deichando delado e nunca mais acompanhei ST ate os filmes novos do J J Abrams. Estpu amando seus textos. Aguardo muito o.proximo episodio pra saber o q hpuve em.TNG.

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Jornada viverá eternamente.

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    Cleber Baleeiro:

    Muito claro e elucidativo o texto. É preciso apenas cuidar da ortografia e da concordância.

    • Ricardo Melo
      Ricardo Melo:

      Obrigado Cleber, ficarei atento a isto.

  • Ricardo Melo
    Ricardo Melo:

    Ainda teremos mais, guarde …The Next Generations…

  • Avatar
    Carnivale:

    está deliciosa essa série de artigos de Star Trek

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