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Star Trek – Uma jornada além das estrelas – Parte 8

Star Trek : Enterprise…uma jornada no passado…

A Paramount com sua emissora UPN, ainda acreditava que Star Trek poderia render muito, os sucessos da série clássica, os filmes para o cinema, as novas séries ST:A Nova Geração, ST: Deep Space Nine e Star Trek : Voyager, haviam levado o universo expandido de um simples seriado que durou pouco nos anos 60, para uma franquia bastante vasta e lucrativa. Então, mesmo com as perdas graduais de audiência, sentidas principalmente na última série ST: Voyager, ainda haveria muito a que ser explorado…e foi assim, que a Paramount convidou novamente o chefe absoluto da franquia, Rick Berman, fazendo o pedido obvio para mais uma série para ficar no lugar de Voyager.  Apesar de hesitar um pouco, pois achava que a franquia estava muito esgotada, acabou aceitando e assim, ainda durante o desenvolvimento da penúltima temporada de Voyager, Berman, junto com seu fiel escudeiro, Brannon Braga, começaram a desenvolver em segredo, uma nova série, que seria lançada pela UPN, depois que Voyager finalizasse sua sétima e última temporada, surgia então: ” ENTERPRISE” (Inicialmente sem Star Trek no nome).

Berman e Braga tiveram a ideia de usar um novo período para a série nova, ao invés de continuar no século XXIV aonde as séries anteriores após a série clássica se situavam, eles resolveram ambientar a nova série no século XXII, mais ou menos 90 anos depois dos eventos mostrados  no filme de cinema Star Trek:Primeiro Contato (1996) e 100 anos antes da tripulação clássica do Capitão Kirk do seriado clássico (1966-1969).  A série mostraria como o primeiro contato com um extraterrestre levou os vulcanos a guiar a humanidade na criação da primeira nave de dobra 5, a Enterprise-NX01(um protótipo ainda), comandada pelo Capitão Jonathan Archer, que partiria com sua nave (com uma tecnologia ainda não testada e ainda em desenvolvimento) para descobrir novos mundos e criar uma futura aliança que se tornaria mais tarde a Federação dos Planetas Unidos. Em uma atitude considerada ousada na época, pela primeira vez, um seriado trekker, não teria o nome Star Trek no título, apenas…Enterprise ! Um fato que depois foi arrependido pelos produtores, que passaram a acrescentar STAR TREK : ENTERPRISE a partir da segunda temporada por pressão da UPN  e fãs.

 

O elenco formado da tripulação ficou assim: O Capitão Archer, seria interpretado pelo ator Scott Bakula, que já era um ator muito querido por causa do seriado ContraTempo (Quantum Leep), seus auxiliares seriam o piloto Travis Mayweather (Anthony Montgomery), o oficial tático Malcolm Reed(Dominic Keating ), a oficial de comunicações Hoshi Sato(Linda Park), o engenheiro-chefe Charles “Trip” Tucker III (Connor Trinneer),  a tripulação ainda contaria com dois extra-terrestres, a vulcana e chefe de ciências T’Pol (Jolene Blalock) e o oficial médico denobulano Phlox (John Billingsley).  O capitão Archer, ainda levaria um cachorro com ele, o Pothos.

enterprise Star Trek - Uma jornada além das estrelas - Parte  8

Elenco montado , equipe de produção pronta e roteiristas a postos, a UPN deu sinal verde para a produção do episódio piloto  Broken Bow, nos estúdios 8, 9 e 18 na Paramount Studios em maio de 2001. Em sua exibição, Star Trek: Enterprise alcançaria várias marcas históricas para a produção televisiva trekker. Foi a primeira série da franquia a ser produzida em widescreen, a primeira série de Star Trek a ser transmitida em HDTV; a primeira filmada em vídeo digital e a primeira série ou filme de ficção científica na história a usar imagens gravadas em outro planeta (pegando imagem do robô  Sojourner da sonda da NASA, Mars Pathfinder e usado nos créditos iniciais).

 

Alias, os créditos iniciais houve uma grande inovação, ao invés de uma música de abertura orquestrada, haveria uma música pop cantada, a escolhida foi uma composição da cantora Diane Warren,“Where my heart will tke me” , cantada pelo cantor britânico  Russell Watson. Outro fator de mudança na série que diferenciava das outras, foi a própria abertura em si, na qual os produtores Berman e Braga optaram por uma recapitulação histórica da saga humana de exploração, desde as caravelas, passando pelo início das eras aéreas e finalmente espaciais, mostrando várias conquistas, passando pelo primeiro contato até chegar no lançamento da Enterprise da série.

 

Com tudo pronto, o piloto Brokek Bow finalmente estreou na UPN em 26 de setembro de 2001, atraindo 12.54 milhões de espectadores. Número alto, mas abaixo do lançamento de ST:Voyager por exemplo. Visto que o lançamento foi realizado ainda com os EUA em choque após 15 dias do atentado terrorista do World Trade Center(11/09/2001).

 

1° Temporada (2001-2002) – Os produtores bateram bastante na tecla de como os Vulcanos iriam se comportar com relação aos humanos após o Primeiro Contato…Seriam amistosos ? Seriam cooperativos ? Ou não ajudariam os humanos na conquista do espaço ?  Nesta premissa, a nave Enterprise, parte da Terra para fazer contato com as raças que mais tarde seriam parte da futura Federação de Planetas Unidos, tendo um senso de encantamento com o desconhecido e vivendo dilemas que as novidades iriam trazer para todos. Assim, Berman e Braga desenvolveram a Guerra Fria Temporal, uma trama contínua em toda temporada. Eles também montaram uma equipe de roteiristas novos para dar um novo ar a série. André Bormanis , Mike Sussman e Phyllis Strong, foram os poucos trazidos da série ST:Voyager, o resto da equipe veio toda de fora. Sendo que Rick Berman, pela primeira vez em toda sua carreira de chefão trekker, esteve totalmente envolvido  nos roteiros da série, responsável junto a Braga do piloto  e alguns episódios regulares.

 

Os primeiros episódios iniciais, mostrou que aquela tripulação seria totalmente diferente das séries trekkers anteriores. Eram humanos passíveis a erros. O Cap.Archer foi visto no início como prepotente e fraco por alguns fãs, mas foi totalmente intencional por parte dos produtores. Eles não tinha uma Federação como os Capitães  Kirk, Picard, Sisko ou Janeway para os ajudar…Archer e sua tripulação estavam por conta própria, aprendendo com os erros para fazer ajustes e acertos posteriores. Os produtores também queriam adicionar um pouco de humor a série e deixa-la mais natural ao mesmo tempo que o drama iria fluindo. Entre os destaques da temporada, tivemos o início do relacionamento com a raça de Andorianos, que não se mostrou amistosa no inicio, assim como a grande desconfiança dos vulcanos .  Também descobrimos um tripulantes infiltrado na tripulação que na verdade era um agente temporal do futuro.

 

Episódios de destaque: Broken Bow Part 1 e 2 (A Terra lança sua primeira nave estelar, a Enterprise, em uma missão para retornar um ferido klingon até seu planeta natal), Fight or Flight (A Enterprise encontra uma nave abandonada, cheia de corpos que parecem ter sido usados para experimentos), The Andorian Incident (A Enterprise visita um monastério vulcano, descobrindo que ele foi tomado por andorianos), Cold Front(Archer é confrontado por um de seus tripulantes que afirma ser de novecentos anos no futuro—e que está lá para capturar um agente sulibano que entrou na Enterprise), Dear Doctor (A Enterprise auxilia uma cultura que tem sido atingida por uma epidemia mundial), Shadows of P’Jem (Archer e T’Pol são levados como prisioneiros durante uma missão em um planeta devastado pela guerra no sistema Coridan), Shuttlepod One (Enquanto investigam um campo de asteroides, Tucker e Reed são convencidos de que a Enterprise foi destruída e tentam enfrentar a certeza de suas mortes) e Schockwave – part1 (Depois de aparentemente causar a destruição de uma colônia, a Enterprise é chamada de volta à Terra. Archer descobre que os sulibanos estão tentando sabotar a missão da Enterprise).

 

Infelizmente, apesar dos esforços, o público não conseguiu ser cativado pela série, nesta primeira temporada, e a audiência caiu pela metade até o final dela.  A UPN aprovou uma segunda temporada já desconfiada que sua ‘galinha de ovos de ouro’ não estava rendendo mais como antes….

 

Esta primeira temporada teve 5 indicações ao Emmy Awards, vencendo nas categorias de Melhores Efeitos Visuais para o piloto Brokek Bow e Melhor Penteado para o episódio Two Days and Two Nights.  A ASCAP Film and Television Music Awards, deu ainda o prêmio de  Melhor Série de TV e  o Saturn Awards, deu a atriz Jolene Blalock, T’Pol, dois prêmios : Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Revelação Futura.

 

 

2° Temporada (2002-2003) – Esta nova temporada, esteve sob supervisão 100% do co-produtor Brannon Braga, que ficou praticamente exaurido e estressado de ter que montar uma série praticamente do zero. Com pressão da UPN pela audiência declinante da série, ele demitiu praticamente quase toda e equipe de roteiristas com exceção de Chris Black e contratou uma nova equipe que chegou sob uma forte pressão para melhorar os índices de audiência. Entre os roteiristas contratados esta David A.Goodman(Uma Família da Pesada) e John Shiban (Arquivo-X).

 

Para esta temporada, seguiu a mesma da anterior, mas reduziu sua concentração no arco da Guerra Fria Temporal, presente apenas no episódio de abertura Shockwave II e Future Tense e no episódio final The Expansive, para finaliza-la e introduzir uma nova estória que seguiria para a temporada seguinte. O conflito entre vulcanos e andorianos foi meio deixado de lado, os romulanos foram introduzidos no terceiro episódio Minefield e finalmente um arco Klingon  foi adicionado, deixando como uma ligação para os vilões da série clássica. Também tivemos aparições de outras raças vistas na série clássica como os telaritas e os tholianos. E até um episódio ousado que tenta continuar a trama Borg do filme Star Trek: Primeiro Contato.

 

Apesar das novas mudanças e introduções, a audiência ainda não conseguiu ser capturada pela série, comentários gerais como “mesmice” , “mais do mesmo“, mostrando que os produtores não estavam muito dispostos a ousar na série, como as anteriores.  Já parecia improvável que ela não duraria as sete temporadas como suas antecessoras.  Pela primeira vez, em décadas, o estúdio, no caso a UPN, começou a enviar anotações para os produtores Berman e Braga,exigindo mudanças no roteiro. Uma intromissão que eles não tinham antes das outras séries. Com a audiência cada vez mais em declínio  e para piorar, as respostas negativas dos fóruns da internet, a maioria culpando os produtores da série , muitas vezes na base do xingamento. A situação já começava a ficar preocupante. Então realmente o fantasma do cancelamento já rondava a série.  .

 

Episódios de destaque: Schockwave, Pat II (Com a tripulação refém dos sulibanos, Archer desaparece da nave. Enquanto está preso no século XXXI, Archer e Daniels trabalham para encontrar um modo para voltar a Enterprise e consertar a linha do tempo), Carbon Creek(T’Pol conta à Archer e Tucker a história de sua tataravó e dois outros Vulcano que caíram em uma pequena cidade da Pensilvânia em 1957), Dead Stop(A Enterprise aporta em uma estranha e automática estação espacial de reparo), The Seventh (T’Pol pede para que Archer a acompanhe em uma missão ultra secreta para capturar um fugitivo que escapou do Alto Comando Vulcano por duas décadas), Singularity (Ao se aproximar de um buraco negro, a tripulação começa a apresentar um comportamento estranho e a ficar obcecada com assuntos triviais), Cease Fire (Archer é chamado para mediar uma disputa territorial entre os vulcanos e os andorianos), Future Tense(A Enterprise encontra uma pequena nave—aparentemente do futuro—à deriva no espaço, com os sulibanos e os tolianos tentando recuperá-la), Cogenitor (A Enterprise encontra os vissianos, uma espécie que possui o terceiro gênero dos “cogenitores“, que são tratados como cidadãos de segunda classe), Regeneration (Uma equipe científica descobre dois ciborgues, similares àqueles descritos por Zefram Cochrane. Quando eles assimilam os cientistas e vão para o espaço, a Enteprise é chamada para achar os seres cibernéticos e pará-los) e The Expanse (Depois de uma sonda alienígena de origem desconhecida realizar um ataque devastador na Terra, a Enterprise é chamada e enviada para uma estranha expansão).

 

Fãs ainda não cativados pela série, muitas reclamações e audiência cada vez mais baixa…UPN já ameaçando medidas drásticas … Mesmo assim,  o CEO da Viacom (empresa dona da Paramount e UPN), Jonathan Dolgen, deu aos produtores carta branca para eles chacoalhem a série a partir da terceira temporada aprovada.

 

Esta temporada teve apenas 3 indicações para o Emmy Awards, sem ter vencido em nenhuma categoria. Teve também duas indicações ao Hugo Awards sem vencer nenhuma delas. Quatro indicações ao Saturn Awards, também sem vencer. Sendo que o único prêmio da temporada foi um Visual Effects Society Awards, por “Melhor Modelo ou miniatura para programa de TV” no episódio Dead Stop.

 

 

3° Temporada (2003-2004) – Com autorização da Paramount, os produtores Rick Berman e Brannon Braga, iniciaram já no final da segunda temporada, um novo arco de estória dentro de Enterprise. A ideia seria seguir com uma estória durante uma temporada inteira, algo ainda não tentando em Star Trek. Para isto, inspirado no atual momento que os EUA e o mundo estavam passando naquele período, o atentado do “11 de Setembro de 2011”, quando terroristas jogaram aviões comerciais em vários alvos civis americanos e mataram centenas de pessoas, a nova narrativa iria mostrar uma arma espacial pilotada por um alienígena suicida que faz um ataque no Planeta Terra matando 7 milhões de pessoas , com um rasco entre no planeta entre a Florida até Venezuela. Este ataque, teria a ver com a Guerra Fria Temporal na qual a raça Xindis, descobre que no futuro os terráqueos iriam destruir a civilização deles, então eles antecipam um ataque contra nosso planeta. Em vista disto, o Capitão Archer  e sua tripulação é enviada até uma região conhecida como Expansão Délfica  (algo como o Triangulo das Bermudas espacial) para encontrar os Xindis e impedir que lancem um novo ataque mortal .

 

Berman e Braga, depois de tentar trazer sem sucesso o produtor Ira Steven Behr (DS:9 e Voyager), parte para contratar um novo co-produtor executivo, que seria Manny Coto, um homem apaixonado por Star Trek original desde criança. Caiu nas mãos dele, a responsabilidade de tentar dar uma chacoalhada na série. Apesar da criação de uma estória que seguiria toda a temporada, a audiência ainda não conseguia ser cativada pelo seriado. A pressão interna nas mãos dos produtores, foi tamanha, que a Paramount chegou a pedir a cabeça do ator Scott Bakula, o Cap.Archer, para que ele morresse na série  e fosse substituído por um ator mais jovem.  Os produtores não aceitaram e assumiram todo o risco.  Com a audiência cada vez pior, os executivos da rede UPN então deram um ultimato a eles…sem mudanças, a série seria cancelada ao final da terceira temporada !!!

 

A Paramount, dona da UPN, achou que a série valeria bastante ainda no sistema syndication, mas para isto, precisava de mais episódios, o que acabou sendo autorizado pela Viacom, empresa que era dona tanto dos estúdios Paramount, como da Rede UPN. Assim, decidiram apenas cancelar dois episódios da terceira temporada e aprovar uma quarta temporada, já tida como a última da série.

 

Episódios de destaque: The Xindi(Seis semanas depois de entrarem na Expansão Délfica, a tripulação encontra um capitão de cargueiro que conhece um xindi que trabalha em uma remota colônia mineradora), Impulse (Depois de achar o casco de uma nave vulcana à deriva, em um campo de asteroides, Archer e sua tripulação são surpreendidos ao acharem vulcanos parecidos com zumbis abordo. Quando eles ficam presos dentro da nave, eles devem descobrir o que aconteceu com a tripulação antes de T’Pol sucumbir ao mesmo destino), Twilight (O efeito da Expansão Délfica deixa Archer incapaz de formar novas memórias. Doze anos depois, ele acorda em uma manhã e fica atordoado ao saber do resultado do conflito entre os humanos e os xindi, incluindo a destruição da Terra e a quase aniquilação da espécie humana), Similitude(Durante tentes de motor, Trip é ferido gravemente e fica em coma na enfermaria. Phlox sugere que a única esperança de Trip é a criação de um “simbionte mimético”—um clone), Proving Ground (Uma nave andoriana comandada por Shran aparece inesperadamente na Expansão para ajudar a Enterprise a localizar a super arma xindi), Stratagem (A Enterprise captura Degra, a mente por de trás do projeto da super arma xindi, e Archer tentar fazê-lo revelar a localização da arma final), Azati Prime (A tripulação descobre a arma xindi e planeja lançar uma missão suicida para destruí-la. Porém, quando Archer é capturado, ele deve convencer Degra de que a humanidade não é uma ameaça), Damage (A tripulação da Enterprise deve lidar com um dano devastador na nave, com outra nave alienígena necessitando de ajuda por perto), The Forgotten (Dos membros do Conselho Xindi se oferecem para impedir o lançamento da super arma se Archer provar que eles foram manipulados), The Council (Archer confronta o Conselho Xindi), Countdown (Com a ajuda de algumas facções xindi, a tripulação da Enterprise tenta impedir que a super arma xindi seja armada) e Zero Hour (Com a super arma indo em direção da Terra, Archer lidera um pequeno grupo para interceptá-la antes do ataque. Enquanto isso, T’Pol lidera a Enterprise em uma missão para destruir uma das esferas dentro da Expansão).

 

Audiência baixa,fãs torcendo o nariz com a série, UPN ameaçando cancelamento, temporada com dois episódios a menos…se a série chegou a uma quarta temporada, isto praticamente foi quase um milagre.

 

Star Trek Enterprise em sua terceira temporada teve três indicações ao Emmy Awards e venceu nas categorias:  ‘Melhor Escore musical’, para o episódio Similitude e ‘Melhor Efeitos Visuais’, para o episódio Countdown. Além disto recebeu três indicações sem vitórias no Saturn Awards.

 

4 ° Temporada (2004-2005) – Apesar da ameaça de cancelamento na temporada anterior, a série conseguiu uma quarta temporada, mas isto não quer dizer que seria entregue as mil maravilhas, o orçamento diminuiu (de U$ 1,7 milhões para U$ 800 mil por episódio), o número de episódios também foi reduzido para  22 (geralmente a temporada tem 26 episódios) e com um novo horário…a temida sexta-feira a noite (que curiosamente, também vitimou a série clássica em seu terceiro e último ano).  O relacionamento dos produtores Berman e Braga com a UPN, se deteriorou, principalmente, após o gancho da terceira para a quarta temporada, que não foi bem aceito pelos executivos do canal de TV. Os produtores da série, bastante desgastados, resolveram passar a bola para Manny Coto, dando carta branca pra ele fazer o que quiser com a série.

 

Uma das primeiras coisas que Coto fez, ao ter o controle total, foi concluir a estória sobre a II Guerra Mundial do gancho final da temporada anterior nos dois primeiros episódios da quarta temporada. Berman e Braga queria que esta estória fosse estendida por toda a série, mas Coto, achou que não valeria a pena. Roteiristas veteranos se juntaram ao time: Mike Sussman, Phyllis Strong e André Bormanis, além de Alan Brennett e a dupla Judith e Garfield Reeves-Stevens. O que Coto queria, era ter uma equipe de veteranos de Star Trek que pudesse fazer estórias cada vez mais ligadas ao canon da franquia, o que começou a agradar muito junto aos fãs Trekkers.

 

Manny Coto, passou a criar pequenos arcos em três e quatro episódios seguidos, como as Guerra Eugênicas e a origem de Khan (com participação do ator Brent Spiner, como um ancestral do criador de DATA), episódios sobre a evolução vulcana e o papel dos humanos em estabilizar a relação entre as três  raças que futuramente iriam ser a Federação: vulcanas, telaritas e andorianos, com direito a primeira visita a Andória, um episódio sobre os Klingons, explicando a diferença entre as testas desta raça,  um episódio precursor para a teia tholiana, vista na série clássica e outro sobre o universo espelho, e um episódio mostrando a formação da Coalizão de Planetas, precursora da Federação de Planetas Unidos. Chegaram a cogitar um episódio com o ator William Shatner no universo espelho, mas a UPN, achou a ideia muito cara. Em vista até de aumento da satisfação dos fãs e as boas críticas, Coto chegou a imagina a série sendo aprovada para uma quinta temporada, na qual chegou a montar alguns rascunhas com várias ideias, que levaria  a série a ficar muito perto da série clássica em termos de estória.  Infelizmente, durante as filmagens dos últimos episódios a UPN, deu a sentença final a série…O CANCELAMENTO !  Mas, para não deixar os fãs na mão, a UPN, permitiu aos produtores Berman e Braga fazerem um episódio final, These are voyagers.., uma especie de episódio hibrido entre ST:TNG com ST:Enterprise, na qual o Comandante Riker e a Conselheira Deanna Troi  estão no holodeck refletindo sobre a última missão da Enterprise NX01, as vésperas da fundação da Federação. Um episódio que não agradou em nada os fãs, que chegaram a fazer uma nova campanha de cartas e e-mails a Paramount e UPN e até arrecadar U$ 3 milhões de dólares (com doações da industria espacial) para uma quinta temporada. Não adiantou o martelo foi dado…e 18 anos depois de retornar a TV com TNG, uma série de Star Trek era novamente cancelada, tendo o mesmo destino da série clássica.

 

Episódios de destaque: Storm Front Parte 1 e 2(A tripulação da Enterprise se encontram no século XX da Terra, com os eventos da II Guerra Mundial alterados pela Guerra Fria Temporal. Com a ajuda inesperada de Silik, Archer se aproxima dos agentes temporais cujas ações causaram a alteração do passado da Terra), Borderland(Archer precisa da ajuda de um criminoso para evitar uma guerra contra os klingons), Awakening(Archer e T’Pol encontram os syranitas, o grupo radical supostamente responsável por atacar a embaixada da Terra), Babel One (A Enterprise está à caminho de Babel com um embaixador telarita para negociações de paz com os andorianos quando eles recebem um sinal de socorro de Shran), United (Archer tenta unificar os andorianos, telaritas, humanos e vulcanos em um plano para capturar uma nave que ameaça desestabilizar a região), Affliction (Enquanto a Enterprise visita a Terra para o lançamento da Columbia, Phlox é sequestrado e forçado a ajudar os klingons a lidar com uma grave ameaça a sua espécie), n a Mirror, Darkly, Parte 1 e 2(No Universo Espelho, o Comandante Archer se amotina contra o Capitão Forrest para poder capturar uma nave do futuro no espaço toliano. No Universo Espelho, a destruição da Enterprise deixa a tripulação presa abordo da USS Defiant, uma nave de um universo paralelo onde um corpo governamental chamado Federação Unida dos Planetas reina, inspirando T’Pol a falar contra a tirania do Império da Terra), Terra Prime (Um líder isolacionista humano ameaça destruir o Comando da Frota Estelar a menos que todos os alienígenas deixem a Terra) e a menção para o episódio final These Are the Voyages…(Tentado receber alguma ajuda antes de tomar uma decisão pessoal difícil, o Comandante William T. Riker da Enterprise-D observa uma simulação de holodeck da última missão da primeira Enterprise nos dias que precederam o nascimento da Federação, dois séculos antes).

 

Esta temporada teve três indicações ao Emmy Awards 2005, sem vencer em qualquer categoria.  Venceu um Saturn Awards com um “Prêmio Especial em reconhecimento de uma série Star Trek”.  A Visual Effects Society Awards, nomeou dois episódios em duas categorias, vencendo o episódio Storm Front , por melhores efeitos visuais em uma série de TV.

 

Conclusão: O fim de Star Trek Enterprise em 2005, somado ao fracasso do filme Star Trek: Nemesis dois anos antes, era também o fim da “Era Rick Berman” em Star Trek. A Paramount, decidiu não mais fazer outro filme ou série de TV, relacionado a franquia por um tempo. Berman, chegou a apresentar um novo filme para o cinema, que contaria alguns anos depois do seriado Enterprise, mergulhando na Guerra com os Romulanos, Star Trek: Beginning, mas não foi aprovado. O futuro da franquia, havia chegado novamente ao limite…mesmo porque somado a todas estas incertezas, os direitos de Star Trek, começaram a mudar de mão novamente…

 

Em 1999, a Viacom (empresa mãe dona dos estúdios Paramount, da rede UPN) havia se fundido com a gigante da TV aberta americana, a CBS….Mas em 2005, sete meses após o cancelamento de ST:Enterprise, a Viacom teve seu conglomerado desmembrado em duas partes. A Viacom propriamente dita ficou ficou com a Paramount Studios, dedicados ao cinema  e a outra parte, a Rede CBS, ficou  com o departamento de TV.  A UPN, foi dissolvida no ano seguinte, se fundindo com a WB Channel formando um novo canal CW Channel.  O que isto significava ???  Bom, os filmes de cinema de Star Trek, ficariam ainda sob a responsabilidade da Paramount, mas os direitos de todas as séries de TV(incluindo futuras), ficariam sob a responsabilidade da CBS.  E com administrações diferentes e divididas, o canon não poderia ser igual ao outro. Então, a franquia Star Trek, saiu de cena por um período no cinema e na TV, até que fosse reorganizada futuramente. E nós ficamos novamente órfãs de Star Trek como aconteceu em 1969, quando o último episódio da série clássica foi ao ar !!!

A série nunca foi exibida na TV aberta brasileira, mas foi exibida no canal AXN na TV a cabo nacional. A Paramount, chegou a lançar todas as temporadas em boxes de DVD no país. Também está disponível via stream no Netflix do Brasil.

Mas Star Trek não estava morta…estava apenas…tendo um merecido descanso…como veremos futuramente.

 

[RM – Star Trek Guia da Saga (Nogueira/Alexandria)]

Avaliação
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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

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