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Análise: Série Sherlock Holmes – (1984 – 1994)

Premissa

Os personagens do detetive particular Sherlock Holmes e seu fiel companheiro, o Doutor Watson, foram criados por Sir Arthur Conan Doyle, no livro Um Estudo em Vermelho (1887). Holmes se tornou um ícone mundial e já foi adaptado em vários formatos e mídias (teatro, cinema, TV, Internet, quadrinhos, etc) ao longo de mais de 100 anos… Uma pesquisa realizada há alguns anos mostrou inclusive que Sherlock foi o personagem fictício literário mais adaptado da História, mais do que Drácula, Frankstein ou James Bond. Até hoje, inúmeras cartas chegam ao número 221B da Baker Street em Londres, onde funciona atualmente um museu dedicado a ele.

No cinema e TV, foram tantas adaptações, que ficaria difícil enumerá-las aqui, mas em relação a série de TV, uma que merece destaque especial foi a pda produtora de TV Granada Studios do Reino Unido, considerada uma das mais fiéis aos contos e romances originais escritos por Sir Doyle. Sendo que a interpretação realizada pelo ator Jeremy Brett ao personagem também pode ser considerada uma das melhores, senão a melhor de Sherlock Holmes até hoje (me desculpe Benedict Cumberbatch!).

Produção

O produtor da Granada Studios do Reino Unido, Michael Cox (Coronation Street), era um grande fã de Sherlock Holmes. Ele apresentou uma idéia que parecia não ser muito nova, para o estúdio, de fazer uma nova série do famoso detetive. Ao contrário das muitas histórias que estavam sendo produzidas para TV e cinema ao longo dos anos, que não eram fiéis ou eram simplesmente aventuras não baseadas nos livros originais, Cox tinha a intenção de criar algo totalmente baseado nos escritos de Sir Conan Doyle.

O estúdio deu sinal verde e em 1984 a produção foi iniciada. O canal britânico ITV (grande concorrente da BBC), foi o responsável pela exibição da série.

A Granada Estúdios era uma produtora independente, mas não quis economizar nesta produção. Construiu em estúdios externos, a Baker Street e a casa de Sherlock, além de uma praça e algumas ruas, tudo aproveitando a periferia da cidade inglesa de Manchester, para parecer a Londres vitoriana do século XIX. Internamente, eles conseguiram recriar os aposentos de Holmes praticamente iguais às descrições dos livros. A cenografia também caprichou construindo carruagens antigas, falsas lojas e casas. O pessoal do figurino caprichou no vestuário antigo, com a produção de chapéus, saias, camisetas e roupas de época.

O produtor Cox convidou um bom time de roteiristas para adaptar os romances e contos de Sherlock, escritos um século antes. Na equipe estavam: John Hawkesworth, Alexander Baron, Jeremy Paul, Richard Harris, Alan Plater entre outros.  Este time de roteiristas conseguiu manter a escrita amigável de Doyle, que fez a obra ser conhecida mundialmente transformando-a em um clássico da literatura. Também tiveram um pouco de liberdade criativa, criando diálogos engraçados para atores excepcionais, além da narração do Dr. Watson em alguns episódios, característica principal nas histórias dos livros.

Elenco

Quanto ao elenco, foram buscar o ator britânico Jeremy Brett (1933-1995) para o papel principal. A princípio, Brett não estava muito feliz em interpretar Sherlock, um personagem universal. Um dos motivos era que ao longo da carreira, havia feito papeis de galãs românticos em novelas e filmes. Em seu currículo havia clássicos do cinema como Guerra e Paz (1956) e My Fair Lady (1964), mas nos últimos anos o ator estava só fazendo pontas em produções e seriados com pouco destaque como as séries americanas O Incrível Hulk (1978), Casal 20 (1979), Galáctica 1980 (1980) e O Barco do Amor (1984). Acabou aceitando o papel de Sherlock, aos 51 anos, talvez como uma última chance para voltar ao topo novamente. Ele decidiu então personificar o personagem com a máxima empatia, com o tempo ele acabou aceitando Sherlock Holmes como o personagem que mais gostou de trabalhar e sua popularidade voltou a ficar alta.

Como curiosidade vale citar que alguns anos antes, Brett havia interpretado o Doutor Watson em uma peça de teatro, ao lado do grande ator americano Charlton Heston, que então fez Sherlock.

Para o papel de Doutor Watson na série foi chamado o ator David Burke (1934-), um amigo de Brett, que fez a química dos personagens – existente nos livros – também ser compartilhada na série de TV.

Completam o elenco: Rosalie Williams como Sra. Hudson; Colin Jeavons como Inspetor Lestrade;       Eric Porter como Professor Moriart;y entre outros.

Um dos destaques, foi a escolha do ator Charles Grey, para fazer o irmão de Sherlock, Mycroft Holmes. O ator já havia feito o mesmo papel para o filme Visões de Sherlock Holmes (The Seven-Per-Cent Solution) em 1976.

A série

Antes de a produção começar a ser filmada, Brett pediu duas semanas para que ele pudesse personificar melhor Sherlock na primeira semana e ensaiar com o elenco na segunda semana. O primeiro episódio a ser filmado foi uma adaptação do conto O Ciclista Solitário, que serviu como um aquecimento para os atores. Mas a Granada escolheu o episódio Um escândalo na Boemia para introduzir Sherlock ao público. A estréia aconteceu em 24 de abril de 1984, e teve uma boa recepção para o canal ITV e a série logo alcançou seu sucesso e passou a ter seu público fiel.

Na primeira temporada, conhecida como The Adventures of Sherlock Holmes (1984-1985), foram filmados 13 episódios. No último, exibido em 29 de setembro de 1985, baseado no conto A Solução Final, o vilão Moriarty despenca junto com Sherlock Holmes do alto das cataratas de Reichenbach na Suíça, tal qual no contro homônimo, deixando os espectadores atônitos para esperar o começo de uma nova temporada. Sherlock havia morrido ou não?

Burke_Hardwicke Análise: Série Sherlock Holmes - (1984 - 1994)

Os dois Watsons: Edward Hardwicke e David Burke

A segunda temporada, conhecida como The Return of Sherlock Holmes (1986-1988), também com 13 episódios, apresentou uma novidade logo no retorno da série, no episódio A Casa Vazia. O ator David Burke já não era mais o Doutor Watson. Burke decidiu abandonar a série ao final da primeira temporada, para ficar mais tempo com a esposa e acompanhá-la em uma peça em que estavam atuando juntos. Algo que realmente doeu o coração do ator, já que amava ter feito Watson. Para seu lugar entrou o ator Edward Hardwicke (1932-2011), recomendação do próprio Burke, que encarnou o bom e velho doutor com maestria e competência, ainda mantendo a boa química ao lado de Jeremy Brett, onde mantiveram a amizade mesmo fora dos estúdios.

Em 1991 a série retorna com  mais 9 episódios para a temporada que ficou conhecida como The Case-Book of Sherlock Holmes (1991-1993) e por fim, a quarta e última temporada foi The Memoirs of Sherlock Holmes (1994), onde tvemos mais 6 episódios.

Infelizmente a saúde de Brett estava se deteriorando a cada dia, logo após o mesmo perder a esposa. O ator também passou a sofrer transtornos de personalidade e começou a se queixar que Sherlock Holmes o estava deixando maluco, visto que sua popularidade estava cada vez maior e ele já não conseguia mais desvincular-se de sua carreira, como o famoso detetive, a ponto de não conseguir mais sair na rua sem ser confundido com o personagem. Em 1994, por conta de sua última temporada, o remédio para o coração que estava tomando o deixava bastante enfraquecido, e isto passou a ser notados nos episódios deste período. Houve mudanças na produção, corte de custos e significativas mudanças nos roteiros, que não agradavam a todos.

Sofrendo bastante, o ator teve dificuldades imensas para filmar os seus dois últimos episódios: The Three Gables e The Dying Detective, a ponto de ter que parar as filmagens várias vezes para poder se sentar em uma cadeira de rodas e em muitas vezes, usar máscaras de oxigênio para sua falta de fôlego.

Para o penúltimo episódio, The Mazarin Stone, a ação teve que ser reescrita para que o irmão de Sherlock, Mycroft (Charles Grey) fosse o protagonista, sendo que Brett ainda fez um grande esforço para completar o epílogo do mesmo. Brett quis continuar até o fim da temporada, mesmo a produção pedindo para ele parar.

O ator faleceu em 12 de setembro de 1995.

A série teve ao todo 41 episódios filmados em 10 anos . A intenção da Granada Studios, era filmar todas as 60 estórias (entre romances e contos) originais de Sir Arhtur Conan Doyle, mas a série acabou sendo cancelada, pois seria muito difícil substitui um ator como Jeremy Brett.

O nível de popularidade da série era tanta que Brett e Hardwicke fizeram uma turnê pelo Reino Unido entre 1988 e 1989, para interpretar Sherlock e Watson em uma peça de teatro, The Secret of Sherlock Holmes. A peça foi escrita pelo roteirista Jeremy Paul e anos depois, foi reencenada novamente no Reino Unido e nos Estados Unidos com outro elenco.

Os atores também participaram de um Teleton na TV inglesa em 1992, em um mini-episódio especial The Four Oaks Mystery.

No Brasil, a série chegou a ser exibida entre os anos 80 e 90, pelo canal a Cabo GLOBOSAT.

dame Análise: Série Sherlock Holmes - (1984 - 1994)

Jeremy Brett, com Dame Jean C. Doyle, a filha do criador de Sherlock

Será que Sir Arthur Conan Doyle (1959-1930), aprovaria Jeremy Brett? Nunca saberemos quanto ao criador, mas sua família, sim. A filha do escritor, Dame Jean Conan Doyle (1912-1997) enviou uma carta ao ator, congratulando-o pelo papel: “Você foi o Sherlock Holmes da minha infância“. Isto foi o início da aproximação entre os dois, que se tornaram amigos. Ele inclusive passou a pedir conselhos e a consultar a filha do autor para alguns assuntos relativos ao personagem. Ela chegou a pedir para que os problemas de Sherlock com a cocaína fossem atenuados na série, alegando que o programa era muito popular entre famílias e crianças, e a produção do programa acabou acatando este pedido.

Avaliação
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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

2 comments

  • Ricardo Melo
    Ricardo Alves de Melo:

    Sim, e o ator era fantástico, uma pena que tenha falecido sem terminar de ter realizado as adaptações de todos os contos e romances.

  • LePen:

    excelente série… a atual com o Cunterbach é excelente tb, descontextualizou a epoca e a tematica mas com muito sucesso, ficou tudo perfeito, altissimo nivel, a antiga desse texto eh mais fiel, de época, tb perfeita, excelentes atores, as duas sao do mesmo nivel

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