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Análise: Galeria do Terror – O outro legado de Rod Serling

Rod Serling (1924-1975) teve seu grande legado na TV e cinema ligados a projetos como o roteiro adaptado do filme Planeta dos Macacos (1968) e o seriado Além da Imaginação.

Entre outros trabalhos conhecidos que têm a marca do famoso roteirista está o seriado Galeria do Terror (Night Gallery – 1969/1973). Concebido por Serling junto à rede americana NBC (concorrente da CBS, que era proprietária do seriado Além da Imaginação), Galeria tinha quase os mesmos moldes de sua série anterior. Serling serviu tanto como produtor quanto como roteirista principal, encarregado da maioria das histórias. Para ele a nova série seria uma extensão lógica da Twilight Zone, mas enquanto ambas as séries compartilhavam um interesse em fantasias sombrias instigantes, Além da Imaginação era mais voltada para a ficção científica, enquanto Night Gallery focava nas histórias de horrores do sobrenatural.

O próprio Rod Serling introduzia cada episódio sobre a história macabra de alguns quadros e esculturas de uma galeria de arte em que ele se encontrava, onde ele dizia mais ou menos o seguinte: “Boa noite. Por favor entre neste pequeno ‘objeto de arte’ que me cerca, você não o encontrará num museu de arte normal, porque estas pinturas incomuns e estátuas provêm de vida ou morte, qualquer que seja o caso. Porque esta é a Galeria do Terror.”

Os quadros da galeria eram pintados por Tom Wright e as esculturas grotescas eram feitas por Phil Vanderlei e Logan Elston. A série apresentava regularmente adaptações de contos de fantasias de autores clássicos como H. P. Lovecraft, Robert Bloch, Algernon Blackwood, Richard Matheson, George Langelaan, A. E. Van Vogt e August Derleth, bem como obras originais, muitas das quais escritas pelo próprio Serling. Durante sua segunda temporada, a série também começou a usar esboços de esquetes de comédia originais entre os segmentos mais longos das histórias em alguns episódios. Esses tipos de segmentos eram muito menos frequentes na terceira e última temporada.

O episódio piloto teve três segmentos: The Cemetery / Eyes / The Monster Who Wanted To Be A. Fisherman, e foi ao ar no dia 8 de novembro de 1969. Curiosamente, este episódio piloto teve a direção de um jovem então debutando, chamado Steven Spielberg, que mais tarde se tornaria um dos “midas” de Hollywood, e também contou com a participação da atriz Joan Crawford, em sua última atuação. Um começo bastante promissor, pois Spielberg se mostrou um verdadeiro discípulo de Serling, onde anos depois iria dirigir e produzir o filme No Limite da Realidade (1984), comentada no artigo passado como uma homenagem à série Além da Imaginação e ter sua própria série antológica, Amazing Stories. Posteriormente Spielberg ainda dirigiria outro episódio, na primeira temporada de Galeria do Terror: Make Me Laugh.

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Jovem Diretor Spielberg e a atriz Joan Crawford

Com o sucesso do piloto, a série foi aprovada para uma primeira temporada que foi exibida entre Dezembro de 1970 a Janeiro de 1971, em uma temporada curta de 6 contos, renovada para uma segunda temporada exibida entre Setembro de 1971 a março de 1972 e uma terceira e última temporada entre setembro de 1972 a maio de 1973, quando finalmente foi cancelada.

A partir de 1973, após o cancelamento, a série conseguiu ir para o sistema de syndication, onde passou a ser reprisada além de ter tido incluída dois episódios que não haviam sido exibidos nas temporadas originais o que totalizou 44 episódios na série. Ao longo dos anos a série tem sido reprisada e relançada em vários formatos, inclusive no Brasil.

Entre os episódios fantásticos que merecem destaque nestas três temporadas podemos destacar The Doll of Death, episódio de maior audiência da série, com uma trama sobre bonecos demoníacos, décadas antes de Anabelle e seus clones invadirem as telas de terror dos cinemas;além de The Boy Who Predicted Earthquakes, sobre um garoto que previa desastres naturais e não queria mais fazer isto; Phantom of What Opera?, uma nova visão sobre o clássico O Fantasma da Ópera; e Quoth the Raven, onde Edgar Allan Poe acha inspiração para seu poema, O Corvo, entre outros.

Sobre os atores que passaram pelas histórias e contos do seriado podemos destacar Leonard Nimoy (Star Trek), Ross Martin, Burgess Meredith (Rocky – O lutador), Bradford Dillman, Victor Buono, Larry Hagman, Jonathan Harris (Perdidos no Espaço), Adam West (do seriado camp do Batman), Stuart Whitman, Steve Forrest, Bill Bixby (Hulk), John Saxon, Jared Martin, David McCallum, David Carradine (Kung Fu), Roddy McDowall (Planeta dos Macacos), Dean Stockwell (Contra Tempos), Henry Silva, Chuck Connors, Fritz Weaver, Pernell Roberts, John Astin, Edward G. Robinson, Cameron Mitchell, Ray Milland, Leslie Nielsen (que ainda brilharia no clássico sci-fi Planeta Proibido e depois viraria estrela de comédia com Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu…! e Corra que a Polícia vem Aí), Sandra Dee, Susan Oliver, Kim Hunter (Planeta dos Macacos), Diane Keaton (Poderoso Chefão) e Agnes Moorehead. Além deles, a série teve como um dos destaques o ator considerado depois o “mestre do terror”, Vincent Price, que participou de dois episódios.

Hoje os efeitos especiais e a maquiagem podem não meter medo em ninguém mais, mas ao longo dos anos, a série acabou encontrando um público restrito mas fiel, de fãs do cinema de terror. Além disso, na época, a série era considerada de ótima qualidade técnica.

A série teve um relativo sucesso e recebeu duas indicações ao Emmy Awards, a primeira pelo episódio They´re Teargin Down Tim Riley´s Bar, que foi exibido no dia 20 de janeiro de 1971, ainda na primeira temporada, e a outra indicação aconteceu um ano depois com o episódio Pickman´s Model, que foi exibido na segunda temporada, no dia 1 de dezembro de 1971.

Avaliação
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Ricardo Melo

Profissional de TI com mais de 10 anos de vivência em informática. Tem como hobby assistir seriados de TV, ir ao cinema e namorar!!! Fã de rock'n'roll, música eletrônica setentista, ficção-científica e estudos relacionados a astronáutica. Quis ser astronauta, mas moro no Brasil... Os anos 80 foram meu playground!

2 comments

  • Ricardo Melo
    Ricardo Melo:

    Ambas as séries, hoje, são excepcionais em curso ou faculdades de cinema nos Estados Unidos, pois comprovam as ótimas estórias escritas no período. E nem sempre o mais popular é o melhor realizado. Tem muito lixo hoje em dia, que é considerado cult. Mas a carreira dele foi interrompida aos 50 anos de idade, poderia estar produzindo por mais duas ou três décadas e com certeza escreveria filmes para gente dirigir como Spielberg, Ridley Scott, James Cameron, Nolan….

  • Braquete:

    nao entendo esse culto ao Rod Serling, se o cara fosse tao bom nao teria so feito Galeria do Terror e Alem da Imaginacao, duas series com pouquissima duracao, diga-se de passagem

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